quarta-feira, 15 de novembro de 2023

A educação moral dos filhos

Compete aos pais a formação moral dos seus filhos, e nisso está a mais sublime tarefa de um educador, tarefa essa que exige responsabilidade, verdadeira missão a que os pais não podem se furtar, respondendo pelos atos dos filhos enquanto estes se fazem dependentes. Em verdade, pais de consciência culpada pela má educação oferecida a seus filhos vivem dramas de remorso, mesmo quando estes já são adultos.

Há pais que por indolência do próprio caráter, apresentando uma culposa indiferença, estimulam os caprichos dos filhos, não lhes corrigindo as más tendências verificadas desde os primeiros instantes, porque a criança é um espírito que já traz as potencialidades a serem desenvolvidas, as tendências inatas que cumpre serem desenvolvidas, se boas, ou corrigidas, se más. Isso é competência primeira dos pais, educadores da alma infantil que lhes procura para receber no seio da família a preparação para o viver social.

Num mundo em que as más tendências do caráter predominam, a correção das mesmas é entendida como sendo o uso de métodos violentos. Tenta-se educar pelas surras, pelos castigos corporais, pelo uso de vocabulário degradante, quando a educação está no amor conjugado com a disciplina, está nos bons exemplos a que os pais devem se obrigar em dar a seus filhos.

Como podemos exigir o cumprimento de obrigações, como podemos deplorar comportamentos, quando somos os primeiros a não cumprir com essas mesmas obrigações e quando nossos exemplos não servem para serem seguidos?

Quantas vezes temos surpreendido mães utilizando de violência física acompanhada de palavrório fútil, porque seu filho pronunciou uma palavra de baixo significado? Como pode ela exigir cuidado com as palavras quando não dá exemplo? O filho, com naturalidade, pensará: “se minha mãe pode usar essas palavras, por que eu não posso?”. Mas não lhe oferecem explicações, apenas atitudes violentas, nem se preocupam em realizar uma autoeducação que seria muito mais proveitosa para os olhos da infância.

Estimulam-se vícios os mais diversos e depois se queixam do comportamento que os filhos observam na família e nos outros meios sociais. Na verdade os pais deveriam queixar-se de si mesmos. Deveriam realizar um exame de consciência, não quanto aos esforços de proporcionar a educação ou a ilustração da inteligência, mas em relação ao que fazem no capítulo da educação moral.

Mesmo quando os pais revelam certo conhecimento do seu papel na formação dos filhos, desviam a educação para a total liberdade, deixando os filhos livres para fazer o que quiserem, pois assim eles crescerão sem traumas e sem as interferências prejudiciais da autoridade que pode lhes cercear o desenvolvimento. Essa explicação não tem respaldo no bom senso nem nas pesquisas pedagógicas. A liberdade sem responsabilidade cria verdadeiros monstros. Como aquelas crianças que, numa visita, precisam ser agarradas pelos pais para não destruírem a casa alheia, de tão acostumadas a agirem plenamente em liberdade, sem consideração à propriedade e aos direitos do semelhante.

Ou aquela criança sem cerimônia, que não diz para onde vai, com quem vai, e chega como autoconvidada, sem dar maiores satisfações, demonstrando que respeito é matéria ultrapassada no processo educacional. Será mesmo?

Estes exemplos, que denominamos cenas de educação familiar, acontecem sob a indiferença ou o beneplácito dos pais, que a tudo assistem sem qualquer reação, espantando-se mais tarde quando os filhos os deixam de lado e enveredam pela filosofia materialista de enxergarem apenas a si mesmos, sem outro sentimento. Esse é o resultado do descuido com a formação do caráter, afastando o educando da sua realidade de alma criada por Deus para o progresso, o que depende nesta existência da tarefa educacional dos pais, que, como já o dissemos, tem a missão de educar e não simplesmente de cuidar.


O ideal da formação moral e a família

Desde que compete aos pais educar seus filhos, tendo nisso uma missão pela qual devem responder, e sendo a educação o desenvolvimento das potencialidades morais e intelectuais, onde os exemplos e sentimentos afetivos preponderam na formação do caráter, é, sem dúvida, que encontramos na família o ideal da educação moral.

A criança, nos primeiros estágios de seu desenvolvimento, é dependente dos cuidados e dos afetos dos pais, sendo fortemente influenciada pelos estímulos que recebe por parte dos que a devem proteger e amar. Ninguém e nenhuma instituição pode substituir as noites mal dormidas de quem vela a cabeceira do filho. Quem fornece as primeiras palavras a serem ouvidas pelo recém-nascido? Quem lhe entrega sorrisos, abraços, carinhos? Quem chora junto com o choro da criança, ainda um ser frágil lutando por dominar o organismo físico? São os pais, missionários da educação moral de seus filhos no ambiente familiar.

A formação moral é feita através de alguns elementos que sobram na organização familiar.

O primeiro deles é o exemplo, empregado pelos pais até mesmo de forma automática, semiconsciente. Os pais são espelhos em que os filhos se refletem, por isso os cuidados com as atitudes e as palavras diante deles e também diante dos outros, pois o exemplo não pode ser um aqui e outro ali. No exemplo encontramos a força da educação moral.

O segundo elemento encontrado na família é a conduta afetiva. Para uma boa formação moral é imprescindível integrar o educando numa atmosfera de bons sentimentos. É necessário que ele se sinta aceito, estimulado a mostrar quem ele é e quais são suas tendências e suas potencialidades. O afeto entre pais e filhos, educadores e educandos, possui alcance moral muito maior que qualquer recurso didático.

Temos o terceiro elemento, o sentido de união, muito importante para fazer com que os filhos, sentindo-se protegidos, amparados e estimulados, possam dar seus primeiros passos com segurança, sabedores que os pais ali estão para ampará-los quando necessário, mas sem coibir-lhes as experiências, os eventuais erros e acertos, experiências essas que serão feitas procurando-se sempre o melhor para um caráter bem formado, consciente.

A família é detentora dos elementos primordiais para levar a efeito a educação moral, entretanto, nem sempre consegue resultados satisfatórios, isso porque a família vem sofrendo um processo de afrouxamento de seus laços, tendo perigosamente caminhado para os interesses egoístas e imediatos das coisas que dizem respeito somente ao prazer material, e de forma individual. Siga-se o caminho dos interesses coletivos e espiritualistas e a missão educadora da formação moral será resgatada por essa mesma família.

Pelo fato de termos na família o ideal da formação moral não se segue que somente ela possa trabalhar esse aspecto, primordial, da educação.

A moral também pode ser, e deve ser, objeto da escola. As metodologias pedagógicas só podem ser consideradas completas levando em conta a educação da moral.

Na educação, a família não pode ser desprezada. Sua influência é por demais sensível, e boa parte dos males do fracasso do ensino se deve a termos relegado a família a plano secundário, desligando-a da escola, do sistema escolar, das ideias educacionais e das filosofias da educação, e, numa outra vertente, retirando dela a parte que lhe cabe na formação da estrutura da sociedade.

Enquanto a família estiver reduzida a um grupo que habita momentaneamente uma casa, sem maiores vínculos, estaremos envolvidos com graves questões que somente uma visão da educação moral do homem poderá resolver, e que o Espiritismo tão bem elucida com a imortalidade da alma a reencarnação e a destinação futura do espírito que hoje se encontra na experiência da existência humana.

Artigo publicado originalmente na revista O Consolador, edição 846: www.oconsolador.com.br

Do que necessitamos para educar?


 

segunda-feira, 13 de novembro de 2023

Fraternidade e solidariedade

Todos sabemos dos problemas que afligem a humanidade, em maior ou menor escala, assim como temos noção dos dramas íntimos que fazem sofrer as pessoas, Dores, aflições e sofrimentos da mais variada ordem acometem os seres humanos em todas as circunstâncias e em todos os tempos, entretanto, não é porque estamos encarnados num mundo de expiações e provas, adequado ao progresso moral que fizemos até o momento, que devemos nos entregar a essas aflições, dores e sofrimentos, como se nada pudesse ser feito para minorá-las, pois Deus, nosso Pai, muito nos ama e, através desse amor, nos entrega um potencial, chamado potencial divino, para colocarmos em ação na busca incessante da felicidade.

Tal é o entendimento dos Espíritos Superiores, como lemos no texto do Espírito Lázaro, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 11, item 8:

A Lei de Amor substitui a personalidade pela fusão dos seres e extingue as misérias sociais. Feliz aquele que, sobrelevando-se à humanidade, ama com imenso amor os seus irmãos em sofrimento!

O amor é lei divina a reger todo o universo, ou todos os universos, levando em consideração as realidades materiais e espirituais da vida. Com esse entendimento o Espiritismo nos explica que Deus não castiga seus filhos, pelo contrário, dá-nos sempre novas oportunidades de repararmos o mal cometido e fazermos o bem, o que não nos isenta de assumir as responsabilidades pelas consequências do mal realizado, assim como recebermos os louros pelo bem desenvolvido. Tal é a regra: temos sempre de assumir as consequências do que fazemos. Se fizermos o mal, a consequência não pode ser a felicidade, pois esta somente pode ser alcançada pela prática do bem. Se estamos sofrendo, não é por castigo divino, pois a semeadura é livre mas a colheita é obrigatória.

Esse entendimento da Doutrina Espírita é aplicável tanto aos indivíduos, como igualmente às coletividades humanas, pois se temos responsabilidades individuais, temos também responsabilidades sociais. Somos seres de relação e não vivemos isolados, interagindo constantemente com os outros e com a natureza, portanto, somos responsáveis pelo que acontece com os outros e com o meio ambiente, não sendo lícito transferir essa responsabilidade para as autoridades públicas, para os empresários e assim por diante. Para darmos um exemplo, normalmente quem suja as ruas, espalhando detritos os mais diversos, somos nós, individualmente ou em grupo, descartando o lixo sem cerimônia pelas calçadas, quando existem lixeiras, existe o serviço de coleta pública do lixo, quando podemos perfeitamente guardar o lixo e levá-lo para casa, quando for possível, para o descarte correto. E devemos lembrar, nesse exemplo, a necessidade e importância do descarte seletivo do lixo, separando o que é reciclável do que é orgânico. Tudo isso é de nossa responsabilidade individual, refletindo no social.

Lázaro nos diz que a aplicação da lei de amor substitui a personalidade pela fusão dos seres, com a consequente extinção das misérias sociais. Ele não está afirmando que a lei de amor acabará com a individualidade, mas sim com o egoísmo que ainda nos caracteriza, fazendo com que entendamos a necessidade da união, da fraternidade e da solidariedade, na fusão dos indivíduos pelo bem coletivo, para todos, sem nenhuma espécie de distinção. Isso equivale a dizer que a vivência dos ensinos morais de Jesus levará a nós seres humanos, que somos espíritos imortais reencarnados, a extinguir, com o tempo, toda e qualquer miséria social, pois numa verdadeira civilização ninguém deve morrer de fome ou sofrer qualquer tipo de violência.

E Lázaro vai ainda mais longe no seu pensamento: encontra a felicidade, aqui mesmo na Terra, aquele que não se deixa levar pelos sofrimentos, colocando em ação uma resignação ativa, amando seus irmãos e confiando na providência e misericórdia divinas. Portanto, temos um roteiro bem estabelecido para viver melhor, que requer, naturalmente, esforços para implementação da fraternidade e da solidariedade, quando faremos a construção paulatina da justiça social, da paz e da felicidade entre os homens.

O ensinamento espírita, trazido pelos Espíritos Superiores, analisados e comentados por Allan Kardec, destaca a lei de amor, sempre vigente, como luz da nossa vida, afinal, eis aqui a profundeza desse ensino, somos todos irmãos, filhos do mesmo Pai, e irmãos devem se esforçar por se entenderem, ou seja, em se amarem. É a falta do amor uns pelos outros que nos lança na dor e no sofrimento, prevalecendo o egoísmo e o orgulho nas relações, gerando aflições as mais diversas como a guerra, a miséria, a discriminação, o preconceito, a injustiça, os privilégios e assim por diante.

Se queremos estabelecer a felicidade no mundo terreno, e também no mundo espiritual, o único caminho é o amor, começando por fazer da vida um terreno fértil para o cultivo da fraternidade e da solidariedade.


segunda-feira, 6 de novembro de 2023

Amor e evolução

Lançada em 1864, a obra O Evangelho Segundo Espiritismo, assinada por Allan Kardec, é totalmente dedicada ao estudo dos ensinos morais de Jesus, levando em conta a imortalidade da alma, a reencarnação, a vida futura, entre outros princípios que formam a Doutrina Espírita, mesclando em seu conteúdo as passagens evangélicas, os comentários de Kardec e as instruções dos Espíritos. No capítulo 11, voltado para o ensinamento sobre o amor ao próximo, encontramos bela e profunda mensagem do Espírito Lázaro, transmitida no ano de 1862, na cidade de Paris (possivelmente em reunião promovida pela Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas), onde ele traz informações relevantes sobre o amor e sua evolução.

Transcrevemos, para em seguida realizarmos a sua compreensão, o início do primeiro parágrafo, quando esse amigo espiritual elucida: “O amor resume toda a doutrina de Jesus, porque é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso realizado. No seu ponto de partida, o homem só tem instintos; mais avançado e corrompido, só tem sensações; mais instruído e purificado, tem sentimentos; e o amor é o requinte do sentimento”.

A primeira informação em destaque nos diz que o amor resume toda a doutrina de Jesus, ou seja, tudo o que Ele ensinou e exemplificou tem por base o amor, motivo pelo qual podemos afirmar que a missão do Cristo foi trazer a Lei de Amor, que é lei divina, para nosso conhecimento, o que fez com tanta profundidade que transformou a humanidade em antes e depois dele. Mesmo as doutrinas religiosas não cristãs reconhecem Jesus como um grande profeta ou um grande missionário. O líder hindu Mahatma Gandhi, que, ressaltemos, não era cristão, confessava ser um admirador do Evangelho, dizendo que para os homens bem viverem bastava seguir o Sermão da Montanha, famoso discurso do Mestre dos mestres.

Na sequência de sua fala, Lázaro nos diz que o amor é o sentimento por excelência, significando que o amor é a expressão máxima da disposição afetiva entre os seres, pois quem ama será sempre solícito, fraterno, solidário, compreensivo, responsável para com o outro, em qualquer circunstância. Esse é o verdadeiro amor. Entretanto, na sequência de seu texto, vemos que o amor possui gradações, que ele cresce através de estágios sucessivos, que ele é passível de desenvolvimento.

Sabemos que uma das principais leis divinas é a da evolução, que tudo, sem exceção, evolui, o que não é menos certo para os seres humanos. Para termos essa comprovação basta olhar para nós mesmos que, com o passar do tempo, realizamos novos aprendizados, ganhamos novas experiências e, a não ser por teimosia e orgulho que ainda cultivemos, estamos sempre nos desenvolvendo, crescendo, tanto no que diz respeito à inteligência, à aquisição de conhecimentos, quanto também à moral, reavaliando valores e condutas. Se esse desenvolvimento, principalmente moral, muitas vezes se apresenta extremamente lento, é por nossa própria culpa, ao criarmos uma zona de conforto com base no egoísmo e no orgulho, o que nos afasta do sentimento maior do amor.

O benfeitor espiritual traça uma linha evolutiva do ser humano em relação ao amor: primeiro, temos instintos e neles nos movimentamos; depois, com ganhos de experiências e aquisição de conhecimentos, nos movimentamos nas sensações; e ainda após, e finalmente, moralizados e intelectualizados, nos movimentamos no sentimento. Como a evolução é realizada tanto individualmente quanto coletivamente, temos na humanidade uma mescla desses três graus evolutivos do amor, com predominância, na atualidade, do segundo estágio, ou seja, vivemos mais através das sensações, pois muito ainda estamos ligados ao corpo e às coisas materiais. Entretanto, somos espíritos, somos imortais, somos o potencial divino em transição para conquista da paz e da felicidade, o que não se dará aqui na Terra, mas em outros mundos, mais evoluídos.

O Espiritismo é muito claro quanto a esse tema, apresentando todas as provas da nossa imortalidade, da vida futura que nos aguarda depois da morte, e da comunicabilidade existente entre os desencarnados (os espíritos) e os encarnados (nós, os seres humanos), o que, em outras palavras, significa que todos somos Espíritos, ora encarnados, vivendo no mundo material, ora desencarnados, vivendo no mundo espiritual. E o que estamos fazendo aqui? Essencialmente, aqui estamos para aprender a nos amar.

Para aprendermos a nos amar somente um caminho é seguro: colocar em prática, paulatinamente e gradativamente, os ensinos morais de Jesus, que se encontram no Evangelho. Fazendo isso, conseguiremos escalar do instinto para a sensação, e da sensação para o sentimento. Conseguiremos amar o nosso próximo como a nós mesmos, e então estaremos aptos para amar a Deus acima de todas coisas, e toda e qualquer forma de violência contra nosso semelhante e contra a natureza, será apenas história do passado evolutivo da humanidade.


segunda-feira, 30 de outubro de 2023

O maior mandamento

Encontramos na narrativa do evangelista Mateus um episódio bastante significativo da vida de Jesus Cristo, quando ele travou diálogo com um fariseu, doutor da lei, que chamou Jesus de Mestre e perguntou qual era o maior mandamento da lei. Ele se referia à lei divina, tão estudada pelos judeus a partir do Decálogo recebido por Moisés, e através das revelações trazidas pelos profetas da história do povo judaico. A resposta foi imediata: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Jesus recitou ao doutor da lei o primeiro mandamento do Decálogo, que obviamente o mesmo conhecia muito bem. Na verdade a pergunta era um teste, tinha uma segunda intenção, que era tentar pegar Jesus em alguma contradição, ou seja, se ele desse uma resposta que fosse considerada em desacordo com o ensinamento e a crença judaicas, poderia ser preso e condenado, entretanto, a resposta fez calar o doutor da lei e seus seguidores. Aproveitando a ocasião, Jesus complementa sua resposta apresentando um segundo mandamento da Lei Divina: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. E arremata dizendo que esse segundo mandamento é semelhante ao primeiro, e que ambos resumem toda a lei e todos os profetas.

Pego de surpresa com esse ensinamento, e embaraçado com a proposição do segundo mandamento, pois o amor ao próximo não fazia parte das cogitações religiosas judaicas, o doutor da lei perguntou quem seria seu próximo, recebendo como resposta a Parábola do Bom Samaritano, onde um homem não identificado é assaltado e deixado inconsciente na estrada, passando por ela, sucessivamente, um sacerdote, um escriba e um samaritano. Os dois primeiros, religiosos, nada fizeram, mas o terceiro prestou todo o socorro que estava ao seu alcance, preocupando-se com o bem-estar daquele homem. Ao término da história, Jesus indaga ao doutor da lei quem, dos três, havia usado de compaixão para aquele homem. Não tendo como se esquivar da única resposta possível, o fariseu responde ter sido o terceiro. Sim, de fato, foi o terceiro viajante, ou seja, o samaritano, que era um judeu da região da Samaria, e todo judeu nascido nessa região era mal visto pelos fariseus, normalmente nascidos na região da judeia.

Moral da história: Jesus colocou o doutor da lei numa situação embaraçosa, pois fora um samaritano, e não um representante farisaico, o socorrista. E, ainda pior: o socorro fora feito a um homem que poderia ser qualquer pessoa: um romano, um pobre, um grego, um ladrão, pois ele não tinha sido identificado pelo Mestre, que arrematou a lição dizendo: Então vai e faze o mesmo.

Aprendemos com essa lição, e com a esperança que o doutor da lei também tenha aprendido, que o amor é tudo, que somente através do amor poderemos nos melhorar e melhorar a humanidade, e para que possamos amar devemos combater em nós todo preconceito, toda discriminação, por serem incompatíveis com esse sentimento, apresentado por Jesus como a força maior da lei divina. E não poderia ser o ensino do Mestre diferente, pois foi dele a apresentação de Deus como Pai de bondade e misericórdia, de justiça e amor, alterando o conceito judaico de senhor da guerra, de distribuidor de privilégios e castigos. Deus não castiga seus filhos, pois os ama incondicionalmente, dando-lhes redentoras oportunidades de reparação dos erros e construção da felicidade. Tudo no Universo vibra no Amor, pois o amor emana de Deus, o Pai e Criador.

Por que não conseguimos ainda nos amar? Por que ainda vivemos envoltos em brigas, rancores, ódios e desejos de vingança? Por que ainda alimentamos guerras e crueldades as mais diversas? Por que, passados mais de dois mil anos dos ensinos de Jesus, ainda não conseguimos nos cristianizar? O Espiritismo, através dos ensinos dos Espíritos Superiores, que vieram reviver a pureza do Evangelho com a visão da alma imortal e da vida futura, explica: é que ainda insistimos em cultivar o egoísmo e o orgulho, fazendo opção pela dor, e não pelo amor.

De geração em geração utilizamos a educação para manter ambições, desejos inconfessáveis, paixões e vícios, pois alimentamos o desenvolvimento intelectual, mas deixamos em segundo plano o desenvolvimento do senso moral, a formação do caráter em valores enobrecidos e espiritualizados. Assim, assistimos um cortejo quase ininterrupto de desgraças individuais, familiares e sociais, que nada mais representam do que as consequências do egoísmo e do orgulho.

Contudo, é a educação a chave para a mudança desse quadro, mas não nos referimos à educação da inteligência, e sim à educação moral, que combate as más tendências trazidas pelo Espírito e dá-lhe novas diretrizes e valores de vida. Essa é a grande finalidade do Espiritismo, doutrina de educação do Espírito imortal: realizar a transformação moral da humanidade pela transformação moral dos indivíduos, o que somente conseguiremos quando realizarmos esforços em amarmos a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, os dois maiores mandamentos da Lei Divina, a qual devemos seguir em espírito e verdade.


Escola Espírita Joanna de Ângelis

Situada no município de Japeri, no estado do Rio de Janeiro, há 45 anos a Escola Espírita Joanna de Ângelis atua para transformar pela educ...