terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Carta aos educadores


Rio de Janeiro, 29 de janeiro de 2026

O professor Mariano, dedicado ao seu trabalho na escola pública, exclamou numa live que o sistema não permitia que ele fizesse nada de diferente do que a organização escolar exigia, a partir dos parâmetros estabelecidos pela secretaria de educação, e sua fala fez com que vários outros professores e professoras que o ouviam, também se manifestassem, havendo concordância geral quanto ao engessamento do sistema, à alta burocracia, e que, enquanto docentes em sala de aula, pouco podiam fazer, a não ser seguir as diretrizes.

Isso me fez lembrar, e como é bom ter boas lembranças, da professora Marilda, lá nos meus tempos ginasiais, que já vão longe. Ela era professora de Técnicas Comerciais, e era revolucionária! Era extraordinariamente diferente! Não seguia o currículo pré-formatado, era questionadora, e nos levava para experiências de campo, extraescolares, como ir a uma agência bancária para entrevistar o gerente. Eu era tímido, e no início tive dificuldade, mas com o tempo passei a “adorar” aquelas aulas, que eram verdadeiras rodas de conversa.

Bem, ela foi acusada pelo sistema de ser subversiva, de ser comunista – estávamos em plena ditadura militar – e acabou afastada da escola. Apesar disso, a semente que ela havia plantado, ou seja, a semente da liberdade, já estava em ação em nossas mentes e nossos corações e, pelo menos comigo, deu frutos.
Conto essa história para lembrar que mesmo sobre pesado engessamento, é possível fazer diferente, é possível fazer a diferença, mesmo sabendo que as consequências possam não ser tão boas para si, mas que importa isso? Se ficarmos acomodados, nunca transformaremos a nós mesmos, os outros e o sistema.

Para reflexão recomendo assistir os filmes Sociedade dos Poetas Mortos e Escritores da Liberdade, num convite para a ação, pela humanização do ensino, pelo fazer diferente para fazer a diferença, olhando para o futuro, enquanto agimos no presente. Somente assim seremos agentes de mudança, fazendo nossos educandos pensarem e desenvolverem o senso moral, para que possam, amanhã, consolidar a educação que hoje sonhamos.

Vídeo - Grupos de trabalho e pesquisa


Você conhece a metodologia dos Grupos de Trabalho e Pesquisa no processo de aprendizagem? Assista o vídeo e mergulhe nesse universo pedagógico.

A série Educação Espírita publica vídeos semanais todas as terças-feiras, às 09 horas.

Acompanhe em:

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Podcast - Interpretações duvidosas


No podcast Análise & Crítica desta semana trazemos o tema Interpretações Duvidosas, com abordagem sobre o personalismo, achismo e ideais pessoais de muitos espíritas, deturpando o Espiritismo.

Ouça em:

E acompanhe por aqui o podcast, que está publicado no Spotify.

A criança


Marcus De Mario

Com o advento da Doutrina Espírita, o mistério infantil deixou de existir, e as fantasias sobre a criança caíram por terra, pois sabemos que ela é um Espírito reencarnado, e esse fato renova todos os conceitos psicológicos, antropológicos e pedagógicos que essas respectivas ciências, e outras, elaboraram e elaboram sobre a infância, sobre esse ser humano que é totalmente dependente dos adultos, e que vai se desenvolvendo gradativamente, demonstrando uma personalidade que não se repete, um ser complexo que desafia todas as conceituações que se prendem exclusivamente ao corpo orgânico.

Vejamos o caso de um menino de dois anos de idade, conforme reportagem disponível nos meios de comunicação, que domina o jogo de sinuca, fazendo jogadas que somente os jogadores mais experientes e campeões conseguem fazer. Testemunham os pais do garoto que ele desde cedo começou a mostrar essa habilidade, sendo que ninguém da família domina esse jogo. Perguntamos: de onde ele trouxe tal habilidade, pois não foi desenvolvida, ninguém lhe ensinou, é dele, está nele? Somente com a reencarnação e a alma imortal é possível ter uma resposta satisfatória.
Muitas pessoas, entre elas muitos cientistas, não acreditam na existência da reencarnação, mesmo diante dos fatos mais patentes que atestam sua realidade, como o caso aqui assinalado, mas que importa isso se os fatos são teimosos e, como nos disse um amigo incrédulo, “eu não acredito, mas se a reencarnação existisse, iria explicar muitas coisas que hoje não têm explicação”. Esse é o pior cego, pois não é cego dos olhos, mas da razão e do bom senso, recusando-se a acreditar no que sua consciência lhe diz ser verdade.

Essa recusa dos fatos mais patentes com relação à reencarnação ocorre porque a pessoa não acredita na alma e sua imortalidade, ou tem uma ideia muito vaga sobre a mesma, e o nascer de novo somente pode acontecer se considerarmos o ser humana uma alma que sobrevive à morte, mantendo sua individualidade, podendo assim renascer tantas vezes quanto necessário, naturalmente num novo corpo e numa nova personalidade, mas sem perder o que já conquistou, que se apresentam como ideias inatas e tendências de caráter, como habilidades que muitas vezes nos assombram, nos maravilham.

Essa visão da Doutrina Espírita revoluciona e transforma o entendimento sobre a criança, que traz consigo uma bagagem de aprendizados e experiências que vai se revelando pouco a pouco, ao mesmo tempo em que predispõe o Espírito, pela fragilidade inicial do corpo, a receber a influência dos encarregados da sua educação. É sobre essa influência dos adultos que precisamos conversar com maior profundidade, pois a educação é a base do futuro adulto que teremos inserido na sociedade.

Infelizmente muitos pais e professores não trabalham o essencial na educação: a formação do caráter, o desenvolvimento do senso moral. Ficam tão preocupados com a aquisição de conhecimentos por parte das crianças, com sua formação profissional, com sua obediência aos ditames dos adultos que lhe são responsáveis, que esquecem de corrigir as más tendências de caráter que ela esteja revelando, e muitas vezes, com maus exemplos, ainda reforçam essas más tendências, como no caso daquela criança que responde veemente aos pais que ela só faz o que quer e que eles não mandam nela, e os pais somente fazem reprimendas leves, ou se põem a discutir com ela para ver quem vence, quem é o mais forte, encerrando o episódio com um castigo, com uma punição, até que tudo aconteça novamente, numa repetição sem fim. Cansados, os pais se acusam e trocam farpas entre si, enquanto a criança continua crescendo egoísta e orgulhosa.

Também temos o caso do Espírito que mostra boa índole, meiguice aliada à inteligência, e que os pais fazem questão, com seus maus exemplos, de desvirtuar ou embotar, ao ponto da criança necessitar de apoio psicológico para ter um encontro consigo mesma e melhor conviver com os outros.

Quanta coisa mudaria, na família e na escola, se aceitássemos a verdade da imortalidade da alma e da reencarnação, e mudaria para melhor, com um processo educacional que respeitasse a criança e fosse mais libertador das consciências, trabalhando sua realidade espiritual, que também é nossa, levando-a a direcionar a inteligência para o bem de todos, desenvolvendo com harmonia seu potencial divino.

Declarar que a criança é um Espírito reencarnado vai além de uma proposição doutrinária, pois significa uma nova visão e uma nova postura pedagógicas, colocando a educação num novo patamar, e exigindo dos educadores que se eduquem para que possam educar, tendo visão de futuro sobre o ser humano e a humanidade.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Vídeo - A inteligência artificial e a educação


Está na moda a inteligência artificial, com vasta aplicação, inclusive na educação. O que o Espiritismo tem a dizer sobre esse tema?

Assista o vídeo A Inteligência Artificial e a Educação, que publicamos na série Educação Espírita.

Toda terça-feira, às 09 horas, um novo episódio é publicado.

Acompanhe em:

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Podcast - A formação de hábitos


Está no ar o episódio #0153 do podcast Análise & Crítica, com o tema A Formação de Hábitos, trazendo reflexões sobre o papel dos pais, e da família, na formação de bons hábitos das crianças.

Assista em:

Toda segunda-feira pela manhã você tem um novo episódio publicado no Spotify.

Assista e divulgue!

Em busca de si mesmo


Marcus de Mario

Muitas pessoas não sabem quem são, não tem uma ideia muito definida sobre seu potencial e o que devem fazer na vida, deixando-se levar pelo dia a dia do trabalho profissional, do cuidar dos filhos, do desfrutar dos prazeres e emoções passageiras, tendo metas que não ultrapassam o viver corporal e material, embora todos saibamos que um dia a morte irá nos arrebatar desta vida, mas como isso aparentemente está longe de acontecer, vai-se vivendo sem um olhar para o futuro espiritual que nos aguarda, como demonstra e ensina o Espiritismo. Equivocam-se os que assim pensam, pois a morte, melhor denominada de desencarnação pela Doutrina Espírita, não tem tempo certo para acontecer, podendo chegar em nossa infância, adolescência, juventude, madureza ou velhice, ou seja, em qualquer tempo e em qualquer circunstância. Sendo isso historicamente comprovado, com as gerações se sucedendo, por que não pensamos nessa realidade da vida?

Enquanto vivemos neste mundo corporal, precisamos fazer esforços pelo nosso aperfeiçoamento intelectual e moral, para que possamos retornar ao mundo espiritual melhor preparados, com acréscimos de crescimento espiritual, tendo bem utilizado a oportunidade reencarnatória que nos foi concedida por Deus. Estar na Terra é uma experiência muito válida para desenvolvimento do nosso potencial divino, onde o passado, ou seja, as existências anteriores, não fica perdido, pelo contrário, pois todos trazemos ideias inatas e tendências de caráter que são fruto dessa multiplicidade existencial.

Lembra-nos o educador espírita Walter Oliveira Alves, em seu livro Educação do Espírito, que “é indispensável valermo-nos das conquistas passadas para, através do esforço e do trabalho no presente, amparado no ideal superior elevado e nobre, construirmos gradativamente nosso futuro”.
Do passado trazemos uma bagagem de vivências e aprendizados; no presente temos oportunidade de ação e trabalho, renovando ou não essa bagagem; no futuro teremos a colheita e a oportunidade de novas conquistas. Como vemos, as encarnações são solidárias entre si, e é no hoje que devemos encontrar a nós mesmos, compreendendo que esse encontro é interior, não adianta procurar quem somos em ações e coisas exteriores. O meu eu não é corporal, é espiritual.

Somos maravilhosas criaturas criadas por Deus, tendo por destino a perfeição, mas alcançá-la só depende de mim mesmo, e não dos outros ou das coisas que posso ter ou posso experimentar. A busca de mim mesmo exige que eu faça um encontro comigo mesmo, a sós, meditando e sentindo o potencial divino que está em mim, e então vivendo mais plenamente quem sou: espírito imortal e reencarnado.
Referindo-se à criança, fase pela qual todos passamos, Walter Oliveira Alves ainda lembra que “os estímulos exteriores vão acordando gradativamente as potências já desenvolvidas no passado. É necessário, pois, acompanhar o desenvolvimento natural e progressivo da criança, oferecendo-lhe os estímulos necessários, não somente para “acordar” o potencial que se encontra temporariamente “adormecido”, corrigir impulsos mal direcionados, como também para desenvolver, a partir daí, as demais potências da alma”.

Em outras palavras, o processo de descoberta de si mesmo deve ter início na infância, facilitando a adaptação do Espírito à humanidade, permitindo que ele seja um transformador moral da mesma, a partir de sua própria transformação, consciente de sua realidade imortal. Naturalmente isso não será pleno se ficar apenas no campo teórico, pois não adianta acumular conhecimentos e horas de meditação sem vivenciar as própria experiências, sem transformar impulsos e tendências, sem ampliar o potencial divino através do relacionamento cotidiano com os outros.

Nesse entendimento, afirma Walter:
Assim, o cristão somente estará aprendendo o Evangelho de Jesus à medida em que vai mudando a si mesmo, acomodando as suas estruturas inferiores aos ensinamentos novos que está querendo assimilar. Resumindo, não basta saber de cor os ensinamentos do Cristo, é preciso interiorizar esses ensinamentos nas estruturas profundas do Espírito, para que venhamos a viver conforme esses mesmos ensinamentos. Não basta saber, é preciso ser.

Eis o que nos ensina o Espiritismo. Esforcemo-nos para sermos verdadeiros espíritas, verdadeiros cristãos, se queremos ser felizes hoje e, com certeza, também amanhã.

Carta aos educadores

Rio de Janeiro, 29 de janeiro de 2026 O professor Mariano, dedicado ao seu trabalho na escola pública, exclamou numa live que o sistema não ...