Para melhor abordagem do tema, destaquemos que para o Espiritismo a alma é o espírito encarnado, e o espírito é a alma desencarnada, portanto, alma e espírito designam o mesmo ser, a mesma individualidade em estágios diferentes da vida, ora na dimensão corporal ou material, ora na dimensão espiritual ou na espiritualidade, que Allan Kardec denominava erraticidade. Essa explicação é necessária diante da pergunta 344 de O Livro dos Espíritos, quando o codificador indaga: Em que momento a alma se une ao corpo? Ele poderia perfeitamente ter utilizado o termo espírito, mas isso, na verdade, é indiferente, desde que entendamos que alma e espírito signifiquem o ser espiritual, a individualidade pré existente ao nascimento e sobrevivente ao túmulo.
Vejamos agora a resposta dada pelos espíritos superiores, que é de grande importância, pois nos revela como se dá o processo da reencarnação, qual a sua importância, e como a alma/espírito se encontra diante desse fenômeno natural regido pela lei divina:
A união começa na concepção, mas não se completa senão no instante do nascimento. Desde o momento da concepção, o Espírito designado para tomar determinado corpo a ele se liga por um laço fluídico que se vai encurtando cada vez mais, até o instante em que a criança vem à luz; o grito que então se escapa de seus lábios anuncia que a criança entrou para o número dos vivos e dos servos de Deus.
Ressalta na resposta seu início, com a afirmação que a união do espírito com o corpo inicia no momento da concepção, completando-se no momento do nascimento. É um processo que vai ligando cada vez mais o espírito ao corpo em formação, com os laços fluídicos se apertando, até que o processo se completa nessa primeira fase da existência humana, dando início a uma segunda fase, a da infância corporal. Para o Espiritismo o espírito ou alma não é criado no nascimento, ele já existia, O corpo é uma vestimenta biológica que ele utilizará, e que tem sua formação iniciada na concepção, passando pelas fases fetal, infância, adolescência, juventude, madureza e velhice, quando ele se extingue e o espírito/alma retorna ao mundo espiritual com seu perispírito, que é o corpo espiritual que faz a ligação entre o espírito e a matéria.
Com essa informação, referendada pelos espíritos através de diversos médiuns, em tempos e locais diferentes, o Espiritismo se posiciona a favor da vida e contra o aborto, pois abortar é retirar da alma oportunidade divina de progresso, e a vida pertence a Deus e não a nós, os seres humanos que ainda pouco conhecemos dos desígnios divinos.
A volta do espírito para mais uma etapa encarnatória, é um processo sublime ainda desconhecido da ciência, que quando estudado e compreendido, muito influenciará a pedagogia, que é a arte e a ciência da educação, promovendo uma grande transformação no entendimento sobre a criança e, igualmente, sobre os métodos, técnicas e tudo o mais que se utiliza para sua formação, que deve ser ao mesmo tempo intelectual e moral.
A ligação do espírito ao corpo, tecnicamente falando, se dá pelos laços fluídicos entre o perispírito, que é o corpo espiritual, com o corpo biológico em formação, mas existem outros componentes que devem ser levados em consideração, como os laços afetivos que unem os pais ao filhos, e vive versa, normalmente laços esses construídos através das existências passadas em que já estiveram juntos.
Para uns, encarnar é uma provação, para outros é uma expiação, e ainda para outros é uma missão, mas isso pouco importa saber, devendo todos nós agradecer a Deus a bênção de aqui estarmos, quando temos oportunidade de dar continuidade ao nosso aperfeiçoamento, aprendendo a amar, a perdoar, assim renovando-nos e, por meio do amor e da caridade, reparar os débitos que estejamos trazendo, construindo paulatinamente a felicidade que será, no futuro, fruto de nossas próprias obras.
É nesse contexto que entendemos a importância da educação, não apenas no que concerne ao papel da escola, mas especialmente à família, na missão sagrada que os pais devem cumprir junto ao espírito que agora está na posição de filho, sendo dependente dos cuidados, dos exemplos e das orientações dos encarregados da sua educação para sua melhor formação do caráter.
A união da alma e do corpo no processo da encarnação insere-se no processo educacional divino, e grande é o papel exercido pela evangelização espírita, que procura estender esse entendimento à melhor formação do ser que é destinado a chegar à perfeição, e podemos vislumbrar o quanto isso dará bons frutos, quando a família e a escola também estiverem nesse entendimento.