Se todo mundo faz, por que eu não vou fazer? Se ninguém está vendo, qual é o problema? Se paga bem, que mal tem? As pessoas que utilizam essas e outras justificativas semelhantes, declaram que a necessidade de sobrevivência as obriga a fazer o que moralmente e legalmente não é correto, pois precisam olhar para si mesmas, afinal ninguém vive de brisa. Acontece que essas mesmas pessoas criticam a sociedade, o sistema e se escandalizam com a corrupção, entretanto, agem do mesmo modo, embora em escala menor, fazendo a mesma coisa. Ao invés de trabalharem pela melhora do sistema, se acumpliciam com o mesmo, deturpando valores e ações, sem respeito à lei e à ética.
Em ano eleitoral vemos muito a utilização dessas justificativas. É proibido, por exemplo, no dia da eleição distribuir os chamados santinhos, ou seja, folhetos com propaganda de candidato, mas se a proposta financeira for boa… E não importa se a pessoa gosta ou não do candidato (muitas vezes nem o conhece), pois ali está apenas pelo dinheiro.
Citamos um exemplo do que é considerado uma pequena transgressão à lei, mas sabemos de casos que se multiplicam de desvios de verbas públicas milionárias, assim como outros ilícitos que ficam encobertos, não chegam às mídias de comunicação, tudo em nome de se dar bem na vida, afinal ninguém está vendo… Será?
Esquecem os que assim agem que Deus tudo sabe, tudo vê, pois ele é a perfeição absoluta, o criador de tudo o que existe, e de sua justiça nada escapa, Como elucidou Jesus, a cada um é dado segundo as suas obras. Como a lei divina está gravada em nossa consciência, não temos como escapar do que estamos fazendo, devendo responder por isso no devido tempo.
Esse argumento sobre a justiça divina pode não ter nenhum efeito sobre quem não acredita na existência de Deus e na continuidade da vida após a morte, e isso é fato, mas temos também a questão moral que não pode ser colocada debaixo do tapete, afinal ninguém gosta de ser passado para trás, de ser ludibriado, ou de ser preso e parar num tribunal da justiça, mesmo que seja apenas para pagar uma multa ou realizar algum serviço comunitário como pena à transgressão. Então, se não queremos que isso nos aconteça, temos a medida exata para nossa ação no mundo: somente devemos fazer aos outros o que desejamos que os outros nos façam.
O fato de muitas pessoas desobedecerem a lei e as melhores regras de convivência, não justifica que possamos fazer o mesmo, pois o que é certo é certo, e o que é errado é errado, não importa o discurso que possamos fazer para tentar justificar o que não é justificável. Como dizem os espíritos superiores, o mal é sempre o mal, e o bem é sempre o bem.
Alguém lembrará: mas Deus nos julga conforme a intenção, e eu não tive a intenção de prejudicar ninguém. Pode não ter tido essa intenção, mas agiu de forma egoísta, e esse fato já traz prejuízos a alguém, portanto, está ferindo a lei divina. Naturalmente que Deus, na sua sabedoria, justiça e misericórdia, levará em conta nosso maior ou menor nível de consciência nas ações que praticamos, mas todo mal tem que ser reparado.
Temos visto muita inversão de valores para justificar procedimentos errôneos que realizamos. Somos muito bons para detectar o erro do outro e logo tecer um julgamento, normalmente condenatório, mas quando se trata de nós mesmos, ficamos até mesmo com raiva de quem aponta um defeito moral que tenhamos.
Está na hora de realizarmos nossa educação moral, de deixarmos de ser fiscais dos outros, para fiscalizar a nós mesmos.
Quem abraça o Espiritismo deve permitir que seus princípios o transformem moralmente. Quem estuda o Espiritismo sabe que ele tem por base os ensinos morais de Jesus, revivendo o Evangelho, e que deve empregar todos os esforços para ser um fiel representante do Cristo na Terra.
Lembremos a frase magistral de Allan Kardec: “reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz em dominar suas más inclinações”.
Seja qual for nossa situação existencial, devemos sempre dizer não a qualquer oferta financeira que fira a consciência, que esteja em desacordo com os ensinos do Evangelho, e assim, realizando nossa transformação moral, seremos influenciadores para a transformação moral da humanidade.