terça-feira, 7 de julho de 2026
Vídeo - A Escola do Sentimento
segunda-feira, 6 de julho de 2026
Podcast - O que pretendemos com o Espiritismo
Acesse o podcast em:
Toda segunda-feira um novo episódio é publicado através do Spotify.
Espiritismo, kardecismo e umbanda
Marcus De Mario
Muitas pessoas ainda confundem o Espiritismo com crenças e práticas que, na verdade, nada tem com a Doutrina Espírita. O Espiritismo é uma doutrina formada por um conjunto de princípios filosóficos, científicos e religiosos (ou de consequências morais), tendo surgido em 18 de abril de 1857 com o lançamento da obra O Livro dos Espíritos, por Allan Kardec (pseudônimo do professor Hippolyte Leon Denizard Rivail). Isso aconteceu na França, mais particularmente na cidade de Paris, em plena metade do século 19, depois de pouco mais de dois anos de intensas investigações e observações dos fenômenos de ordem mediúnica, ou espiritual. O Espiritismo não é obra de um homem, e sim dos Espíritos, que, através de diversos médiuns, ditaram as instruções, os esclarecimentos, os ensinos. Coube a Kardec organizar, selecionar, pensar, perguntar e publicar, motivo pelo qual ele sempre insistiu em dizer que o Espiritismo é doutrina dos Espíritos.
Podemos agora fazer outro esclarecimento: não existe o kardecismo e, portanto, também não existem kardecistas. Existe o Espiritismo e os espíritas, e ponto final. A palavra kardecismo nos remete ao entendimento da existência de uma doutrina formulada por Allan Kardec, o que não existe, não é verdadeiro. A doutrina partiu dos Espíritos, dos seres humanos que se encontram desencarnados, vivendo no mundo espiritual, e possui quatro princípios básicos que sustentam todo o edifício doutrinário: 1 – Deus – como Pai e Criador de tudo o que existe no universo; 2 – Imortalidade da Alma – proclamando a vida depois da morte, que é apenas do corpo físico; 3 – Comunicabilidade – a comunicação entre desencarnados e encarnados através da mediunidade; 4 – Evolução – porque todos somos destinados à perfeição.
A partir desses quatro princípios básicos desdobram-se outros princípios, como a reencarnação, o livre arbítrio, a lei de causa e efeito, entre outros, que estão muito bem estudados e consolidados nas demais obras de Allan Kardec, a chamada codificação espírita: O Livro dos Médiuns; O Evangelho segundo o Espiritismo; O Céu e o Inferno e A Gênese. Devemos também destacar, pela sua importância, os livros O Que é o Espiritismo, Obras Póstumas e a coleção da Revista Espírita, publicação mensal que Kardec dirigiu de 1858 a 1869 (quando desencarnou no final do mês de março).
E com relação à Umbanda? Os umbandistas não são também espíritas? Com todo respeito aos nossos irmãos umbandistas, às suas crenças e práticas, a bem da verdade devemos esclarecer que não, eles não são espíritas. Espírita é aquele que estuda e pratica o Espiritismo, conforme seus princípios publicados nas obras assinadas por Allan Kardec. Então, aquele que se insere na Umbanda é umbandista. O que acontece é que muitos templos umbandistas utilizam, de forma equivocada, a expressão espírita, causando então uma certa confusão entre os adeptos e, principalmente, entre os leigos.
Mas não existem pontos de contato entre o Espiritismo e a Umbanda? Sim, isso é verdade, mas nem por isso se confundem. São distintas na origem, na doutrina e na prática. O Espiritismo não possui nenhum tipo de ritual, não utiliza roupas especiais, paramentos, incensos, cantorias, pontos riscados etc. A Umbanda surge do sincretismo religioso entre as crenças e rituais trazidas pelos negros escravizados da África, com as crenças e rituais do Catolicismo, que à época do Brasil enquanto colônia de Portugal, e depois em sua fase imperial, era a religião oficial do país. Os pontos de contato através da crença na imortalidade da alma e na utilização da mediunidade, não confundem as duas doutrinas, que são muito diversas entre si.
Os espíritas se reúnem no Centro Espírita, que não é nem fraco nem forte, nem de mesa branca ou qualquer outra coisa, mas apenas Centro Espírita, onde desenvolvem atividades em diversas áreas: estudo, mediunidade, evangelização da família, promoção social e tantas outras, visando sempre o progresso intelectual e moral das pessoas e da humanidade.
Assim, vemos que a origem histórica é muito diversa: os cultos e crenças dos povos africanos, injustamente escravizados e trazidos ao Brasil, são antigos, perdem-se no tempo, e não possuem uma unidade, tendo muitas variantes de acordo com cada povo, com cada região. O Espiritismo surge em 1857, no solo europeu, sendo uma doutrina perfeitamente elaborada. Os cultos africanos sofreram simbiose com o Catolicismo, dando origem ao que hoje chamamos cultos afro-católicos, entre eles a Umbanda, o Candomblé, a Quimbanda. O Espiritismo insere-se na cultura para transformá-la, a partir de sua visão imortalista do ser e da vida, mantendo seus princípios e práticas isentos de mesclagens com outras doutrinas.
Nos cultos afro católicos que, repetimos, merecem todo nosso respeito, existe a utilização de altares, roupas especiais, atabaques, cantos específicos, ou seja, toda uma ritualística inexistente no Espiritismo, onde tudo é feito com simplicidade, sem qualquer vínculo com paramentos, sacerdócio, vestimentas especiais e outras coisas que são a característica das crenças e cultos originárias da África, e que tiveram uma identificação, forçada ou não, com o Catolicismo.
Espírita é aquele que segue os princípios do Espiritismo, conforme os encontramos nas obras da codificação espírita, assinadas por Allan Kardec. Os umbandistas são espiritualistas, mas não são espíritas. Os espíritas são, também, espiritualistas, mas não se confundem com outras crenças e doutrinas que acreditam na sobrevivência e manifestação da alma.
quarta-feira, 1 de julho de 2026
Revista O Médium
Você conhece a revista O Médium, publicada pela Aliança Municipal Espírita de Juiz de Fora?
Tradicional publicação espírita, hoje ela está disponível bimestralmente no formato digital, que você acessa pela internet, e em três línguas: português, espanhol e inglês.
Acesse a revista O Médium nos seguintes links:
👉🇪🇸 Acesso em espanhol: https://omedium.amejf.org.br/2026-edicion-769-espanol/
👉🇺🇸Acesso em inglês: https://omedium.amejf.org.br/2026-edition-769/
terça-feira, 30 de junho de 2026
Vídeo - Educando o Adolescente
Saiba qual é a visão do Espiritismo a respeito da adolescência e o papel da educação nesse período da vida.
Para assistir mais vídeos da série acesse:
segunda-feira, 29 de junho de 2026
Podcast - Ajudar a quem precisa
Acompanhe em:
E lembre-se que toda segunda-feira tem um novo episódio publicado no Spotify.
Dar de graça
Recebemos notícias sobre palestrantes espíritas que estariam cobrando para comparecer a eventos do movimento espírita, o que nos leva a fazer esta abordagem. Não teceremos juízo sobre esta ou aquela pessoa, nem quanto aos motivos, atendo-nos exclusivamente à questão se é lícito ou não cobrar para fazer uma palestra ou um seminário. Também não vamos entrar no mérito dessas informações serem falsas ou verdadeiras, levando em consideração, pelo menos em princípio, da boa fé de uns e de outros. Afinal, e essa é a pergunta que deve ser feita, para fazer uma palestra na reunião pública de um centro espírita fora do seu domicílio, ou para falar num evento do movimento espírita, o palestrante espírita pode cobrar um valor qualquer, a título de remuneração?
Iniciemos fazendo uma distinção muito importante. Não podemos confundir o reembolso das despesas de viagem do palestrante com remuneração profissional. Ao convidar um palestrante de fora, de outra cidade ou estado, é de bom tom que quem convida assuma as despesas de transporte, hospedagem e alimentação do mesmo, que não tem nenhuma obrigação de bancar esse custo, que em verdade não lhe pertence, e que mesmo tendo toda boa vontade, nem sempre pode assumir. Reembolso de despesa de viagem é uma coisa, remuneração profissional é outra coisa.
As notícias dão conta que os palestrantes que fazem cobrança remunerada, alegam que, em verdade, almejam apenas uma contrapartida para a perda de remuneração profissional que teriam, por conta das horas despendidas para cumprir o compromisso espírita, o que lhes impediria o exercício profissional. A alegação parece justa, principalmente para quem é profissional liberal, e é justamente neste ponto que devemos entender se é lícito ou não cobrar por uma palestra no movimento espírita.
Ao lembrarmos que Jesus nos disse para dar de graça o que de graça recebemos, muitas pessoas entendem que isso só deve ser aplicado ao exercício da mediunidade, entretanto, precisamos olhar com maior profundidade a aplicação desse ensino, pois a vida mesma nos é dada de graça por Deus, e necessitamos agradecer do fundo de nossa alma ter a oportunidade do encontro com o Espiritismo na atual existência, encontro esse que nos possibilita um novo viver, reparando o mal que fizemos no passado, ao mesmo tempo em que construímos a própria felicidade.
Allan Kardec nos deu o exemplo sobre o que devemos fazer. Sempre trabalhou gratuitamente pela divulgação do Espiritismo, tocando sua vida pessoal e familiar apenas e tão somente com os proventos de sua aposentadoria e rendas advindas do seu esforço de anos de trabalho profissional, não misturando o movimento financeiro da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas com as suas finanças pessoais.
Na famosa viagem de palestras realizada no ano de 1862, para divulgação do Espiritismo, ele o fez às expensas dos espíritas das várias cidades por onde passou, que o convidaram fraternalmente e assumiram as despesas. Kardec ainda solicitou que todo excedente da arrecadação financeira realizada para cobrir as despesas dos eventos, fosse doada aos mais necessitados das respectivas cidades.
Diante do exemplo de Kardec, na aplicação da máxima “dai de graça o que de graça recebestes”, que o Cristo nos trouxe, podemos concluir que não é lícito cobrar para realizar palestra no movimento espírita, devendo o palestrante espírita, seja qual for sua profissão, adequar sua agenda para manter equilíbrio entre seus compromissos profissionais e familiares, com os compromissos doutrinários, lembrando que ninguém que tenha abraçado a Doutrina Espírita, é obrigado a assumir compromissos de divulgação da mesma. Abrir e manter uma agenda de palestras junto ao movimento espírita é decisão individual no uso do livre arbítrio, e caso decida por isso, deve o palestrante espírita trabalhar com amor e desprendimento de si mesmo, pois a causa do Espiritismo deve estar acima de qualquer outro interesse.
O Espiritismo está no mundo para proceder à transformação moral das pessoas que, assim transformadas, transformarão moralmente a humanidade. Divulgar o Espiritismo é compromisso da consciência desperta para a imortalidade da vida, visando um futuro melhor para todos, motivo pelo qual no movimento espírita não temos sacerdócio, sendo os dirigentes dos centros espíritas e das federativas espíritas, colaboradores voluntários, inexistindo remuneração, pois isso é vedado pelos respectivos estatutos legais, obedecendo a legislação pertinente.
Não é cabível, diante desse entendimento e do exemplo dado por Allan Kardec, que agora queiramos ser remunerados a qualquer título, para fazer a divulgação do Espiritismo, consolando os corações e esclarecendo as mentes, mesmo porque o Espiritismo é doutrina emanada dos Espíritos, os verdadeiros autores dos seus princípios e de todo o seu edifício doutrinário, não nos cabendo tomar o lugar deles na consecução da obra, mas sim trabalhar com humildade na sua divulgação.
A figura do profissional espírita é inadmissível, sendo uma aberração que devemos afastar veementemente das fileiras doutrinárias, cabendo ao espírita manter sua vida pessoal e sua vida doutrinária em perfeito equilíbrio, sem prejudicar nem uma nem outra, sabedor que está, acima de tudo, a serviço do Cristo pelo bem da humanidade.
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