Como aprender uma ciência sem realizar seu estudo profundo? Como realizar esse estudo profundo sem mergulhar na leitura dos livros que abordam essa ciência? Essas perguntas também se referem ao Espiritismo ou Doutrina Espírita, que é uma ciência e uma filosofia com vastas consequências morais, portanto, não se pode aprender o Espiritismo com leituras esparsas, superficiais, ou assistindo este ou aquele vídeo na internet; não se aprende o Espiritismo apenas ouvindo palestras na reunião pública do centro espírita. Apressamo-nos a dizer que não estamos, em absoluto, dizendo que pequenas leituras, vídeos e palestras não sejam importantes, pois têm a sua importância, mas afirmamos que são insuficientes para o real conhecimento sobre a Doutrina Espírita.
O livro, seja ele físico (impresso) ou digital, é muito importante, é essencial para o conhecimento de qualquer ciência, de qualquer sistema filosófico, e isso não é diferente com o Espiritismo, que surgiu no mundo através do lançamento de um livro em 18 de abril de 1857, ou seja, O Livro dos Espíritos, e teve seu desdobramento doutrinário com o lançamento de outros livros: O Livro dos Médiuns; O Evangelho Segundo o Espiritismo; O Céu e o Inferno e A Gênese, todos assinados por Allan Kardec em conjunto com os Espíritos Superiores. E foram surgindo outros livros, autoria de diversos pesquisadores como Léon Denis, Gabriel Delanne, Camille Flammarion, entre outros, isso nos primórdios do Espiritismo, hoje chegando a alguns milhares de livros catalogados como espíritas, tanto de autores encarnados quanto desencarnados, por meio de variados médiuns.
Observamos, contristados, que muitas pessoas frequentadoras dos centros espíritas, inclusive participantes de grupos de estudo, não leem, mantendo-se na superfície do conhecimento da Doutrina Espírita. Por isso, são muito influenciáveis pela palavra de qualquer pessoa, que consideram autoridade no assunto, sem se darem ao trabalho de verificação, de pesquisa, para saber se essa palavra está com a verdade. E assistimos dizerem “fulano ou fulana falou num vídeo que eu assisti…”. Agora, será que essa fala está doutrinariamente correta? Ninguém, neste mundo, é isento de se equivocar, ou de misturar uma opinião pessoal com o que, de fato, ensina a doutrina.
Precisamos tomar cuidado com os lobos em pele de ovelha, com os hipócritas que, se fosse permitido, enganariam até os eleitos, até os espíritos missionários, como nos alertou Jesus. Tudo deve ser passado pelos crivos da razão, da lógica, do bom senso, e pela universalidade do ensino dos espíritos, mas como fazer isso sem estudar? Lembrando que esse estudo, como adverte Kardec, deve ser feito com profundidade, com metodologia, com perseverança, com seriedade, pois de outra maneira não há como compreender e apreender o Espiritismo. Por isso ele também adverte da existência dos falsos espíritas, que são aquelas pessoas que dizem abraçar o Espiritismo, mas não transformam suas opiniões, seus valores, suas ideias e suas condutas, fazendo da doutrina apenas uma casca, um verniz social e nada mais, continuam tão egoístas, orgulhosas, preconceituosas, radicais, como sempre foram.
Os dirigentes espíritas precisam apoiar a divulgação do livro espírita e o estudo profundo do Espiritismo, mas infelizmente muitos centros espíritas não possuem biblioteca, nem tão pouco livraria; muitos alegam falta de pessoas interessadas para implementar os grupos de estudo, e assim o tempo vai passando, e o conhecimento do Espiritismo, para muitos, é incipiente e, ainda mais grave, misturado a crenças e ideias que nada tem a ver com a Doutrina Espírita.
Em todas as atividades do centro espírita o livro espírita deve ser exaltado, divulgado, incentivando-se a sua leitura, assim como o mesmo deve acontecer com relação à participação nos grupos de estudo, Mesmo sendo a instituição pequena, com poucos recursos, devem-se fazer esforços para, pelo menos, manter uma biblioteca espírita para empréstimo de livros, facultando assim aos seus frequentadores o acesso a essa literatura tão importante.
Quanto à desculpa de não se ter tempo para ler, isso é apenas uma questão de formação do hábito, que muitas vezes depende apenas da vontade da pessoa, do seu querer. Qualquer pessoa pode reservar alguns minutos por dia para leitura de uma obra espírita, ou para ouvir, pois hoje temos o recurso do áudio book, iniciando pelos livros da Codificação Espírita, as obras assinadas por Kardec, que, aliás, devem sempre ser relidas, anotadas e meditadas.
O Espiritismo é um proposta ética de vida, não é simplesmente uma religião, assim como o centro espírita não é uma igreja onde comparecemos para um ritual de devoção semanal. O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência e uma filosofia com amplas consequências morais, revivendo o Evangelho, daí sendo, desse ponto de vista, também uma religião.
Incentivemos a leitura do livro espírita e o estudo do Espiritismo!