O pensamento é um dos atributos da inteligência, e se há algo que nunca podemos parar de fazer é pensar. Podemos nos acomodar a várias situações da vida, mas é fato que estamos sempre pensando alguma coisa, mesmo quando estamos em repouso, A questão a ser encarada de frente é que temos muitos pensamentos aleatórios, desconexos, e nem sempre, quando pensamos sobre algo, sabemos utilizar o raciocínio aliado ao bom senso. Isso se aplica perfeitamente nos debates sobre a educação, normalmente confundida com a metodologia, a didática, os recursos técnicos, o conteúdo curricular, as dependências físicas da escola, as tecnologias utilizadas. Todas essas coisas fazem parte do processo educacional, mas não são a educação. Elas têm a ver com a instrução, mas desacompanhadas da arte da formação do caráter, e desrespeitando o ritmo individual do educando, não promovem a educação.
Insistimos nisso, pois esse é o entendimento muito claro do Espiritismo, cuja doutrina é essencialmente educativa, vendo no educando uma alma imortal em progresso, trazendo das existências passadas uma bagagem refletida em suas ideias inatas e suas tendências de caráter. E pensando sobre isso, damos razão a Allan Kardec quando este nos diz que a educação deve corrigir as más tendências dessa alma, pois se isso não for feito, adentrará à sociedade com ideias egoístas e materialistas, como estamos assistindo há um bom tempo. Ora, indivíduos egoístas e materialistas não pensam no bem dos outros, não dão valor à fraternidade e solidariedade, e isso já é um mal que a todos atinge indistintamente.
O pensamento de Kardec está no comentário que faz à questão 685a de O Livro dos Espíritos, nos remetendo a um entendimento mais profundo sobre a educação, considerada, do ponto de vista moral, como prioritária para termos uma sociedade mais justa e alcançarmos a felicidade. Essa educação, muitas vezes, nem mesmo nas escolas de evangelização espírita encontramos, pois a base deveria ser o Evangelho, através do estudo e vivência dos ensinos morais de Jesus, unindo a teoria com a prática, numa educação dinâmica e ao mesmo tempo afetiva, desenvolvendo o senso moral e o sentimento, pois somente assim a criança e o jovem compreenderão que a inteligência deve ser fomentadora do bem, sendo esse bem para todos.
A educação moral é a única capaz de destruir o egoísmo que nos caracteriza, espíritos inferiores que somos, que ainda nos comprazemos com a violência, com os gozos materiais, desdenhando da própria realidade espiritual.
É urgente pensar a educação através da ótica moral e espiritual. Enquanto não fizermos isso continuaremos a assistir programas governamentais naufragarem, sem conseguirem corrigir as diferenças sociais, sem conseguir combater com eficácia a maldade, pois não adiantam leis e programas sem a contrapartida da educação que promove os valores humanos, a ética, a empatia, a resiliência, a partir de uma visão espiritualista sobre o ser e a vida, como nos apresenta o Espiritismo..
Insistir em aulas disso e daquilo no ambiente escolar, sem a devida adesão do educando, e sem levar em conta seus interesses e seu ritmo de aprendizagem, lotando-o de informações que ele não sabe para que servem, é desviar a educação, e a escola, de sua finalidade.
Passemos a palavra ao espírito Amélia Rodrigues, que em sua última existência foi professora nas terras baianas. Em texto intitulado Criança e Escola, psicografado pelo médium Divaldo Franco, e publicado no livro Sementeira da Fraternidade, ela nos entrega os seguintes pensamentos:
“O primeiro passo de quem ensina deve ser dado no sentido de educar-se Não se educa sendo deseducado. Não se disciplina sem estar disciplinado.”
“A escola não é apenas um templo dedicado à instrução. É um altar para o culto da educação e um santuário para o amor.”
“Para educar é indispensável amar. Quem ama gera simpatia e afinidade. Na escola onde o amor se desdobra, a educação se aprimora.”
Deixamos essas reflexões para você, para pensar com profundidade e sentir a importância da 4educação para transformar os rumos futuros da humanidade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário