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Reforço escolar e outras coisas: aberrações pedagógicas na escola

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Imagine a cena: professora conversando com a mãe de um aluno, recomendando que a mesma encaminhe o filho para o reforço/apoio escolar oferecido pela escola no contra turno. Escola com serviço de reforço escolar? Não é um contrassenso? Na verdade é atestado de falência do nosso sistema de ensino. Segundo pesquisa do Ibope Inteligência/Ação Educativa, 29% dos brasileiros são considerados analfabetos funcionais. Desse total 8% são analfabetos absolutos, ou seja, não conseguem ler palavras e frases. No total são 38 milhões de brasileiros entre analfabetos funcionais e analfabetos absolutos. Segundo a pesquisa, entre aqueles que terminaram o ensino médio, 13% são analfabetos funcionais, são jovens que não sabem ler e interpretar textos e que não conseguem dominar as operações matemáticas básicas, mas que ficaram pelo menos 12 anos na escola, considerando-se os 9 anos do ensino fundamental mais os três anos do ensino médio. E a escola fez o quê?
Precisamos urgentemente realizar um processo…

O amanhã depende do hoje

Relata-me uma professora de escola pública a seguinte cena: a mãe de um aluno que estava com baixa avaliação adentrou à escola e, ao avistar a professora, foi logo agredindo, com tapas e palavrões, pois, segundo ela, o filho não ia bem nos estudos por culpa da professora. Minha colega teve que ser medicada, ficou psicologicamente abalada e entrou de licença, não conseguindo mais adentrar à escola, carregando um trauma de difícil solução. Você que me lê pode dizer: mas isso é caso de polícia, essa mãe tem que ser presa, tem que responder um processo na justiça, pois não se pode agredir uma professora, e ainda mais no ambiente escolar. Na verdade não se deve bater numa professora, ou num professor, em nenhum lugar, como não se deve agredir ninguém, por nenhum motivo. A questão é mais profunda: normalmente conselhos tutelares e secretarias de educação não dão respaldo ao professor, que fica à mercê das considerações públicas nem sempre justas. Mesmo colegas professores, coordenação peda…

Militarização das escolas não é a melhor opção

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Nada tenho contra a carreira militar, nem contra os militares, mas pensando pedagogicamente, o modelo do colégio militar não é o que sonhamos para as escolas brasileiras. Não queremos uma escola parecida com um quartel, e consideramos que disciplina, respeito, responsailidade e outros valores tão necessários para a boa formação cidadã, podem e devem ser desenvolvidos numa escola amplamente democrática, participativa, criativa e envolvente tanto pelos aprendizados que proporciona, quanto pela ação e interação com a comunidade.
O que temos assistido atualmente é uma escola desligada da realidade da vida, esmagada por uma burocracia alienante, formatada num modelo histórico ultrapassado e engessado, que nos remete ao século 19, enfrentando, por essas causas, enormes e sérios desafios, para os quais os professores não estão preparados, pois em seus cursos de formação não foram qualificados, ou capacitados, para serem criativos, inovadores e saberem trabalhar com as realidades e os desafi…

Você somente pode dar aquilo que você é

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Durante muito tempo acreditamos que na educação escolar somente poderíamos dar aos nossos alunos o que temos, ou seja, o conhecimento. Essa ideia ficou tão arraigada em nosso entendimento que quase não sofreu contestação e, aos poucos, a educação passou a ser confundida com o ensino, tanto que as escolas brasileiras passaram a ser oficialmente denominadas de unidades de ensino, e não de centros educacionais, e os professores passaram a ser instrutores, na ilusão de que estão na escola para ofertar ou para dar do seu conhecimento, do seu domínio intelectual para os alunos. Digo ilusão, pois se trata de um equívoco. Qualquer indivíduo, seja criança, jovem ou adulto, pode adquirir conhecimento por esforço próprio através dos livros, dos vídeos, da internet, da interação com outras pessoas, das experiências vivenciais. E quem foi que disse, e provou, que o ato de educar é a mesma coisa que o ato de ensinar? E quem disse, e igualmente provou, que é possível ensinar alguém quando esse algu…

Se não educarmos, como será o futuro?

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Uma professora de educação física do ensino fundamental no ensino público constata: os colegas professores estão pessimistas e os alunos só querem saber de celular, funk e liberdade sem responsabilidade. Não é somente essa professora que constata essa realidade. Temos mais de 2 milhões de professores na educação básica (infantil, fundamental e médio) - dados do Inep/MEC - e esta é uma constatação geral.
O ensino fundamental tem 48,6 milhões de alunos - crianças e adolescentes -, e o ensino médio tem 7,9 milhões de alunos (jovens), segundo dados do Censo Escolar 2017. O que será da sociedade brasileira no futuro não muito distante se essas crianças, adolescentes e jovens não forem despertadas, não forem sensibilizadas para a vida, para aprender a amar, a respeitar e a fazer ao outro somente o que gostaria que o outro lhe fizesse?
Há um descaso com a educação das nossas crianças e dos nossos jovens, e a escola pode até ensinar muitas coisas, mas não está desenvolvendo a forma…

Por que os pássaros voam?

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Um menino se aproximou e perguntou:
- Por que os pássaros voam?
Olhei para o menino, em seguida estendi meu olhar para o céu e, voltando minha atenção para aquela criança com sua curiosidade, indaguei:
- E qual é a sua resposta para essa pergunta?
Ele esfregou os olhinhos miúdos, pensou um pouco, e respondeu convicto:
- Os pássaros voam porque eles não têm medo de cair.
Satisfeito consigo, saiu apressado sem me dar tempo a qualquer palavra.
Então fiquei ali, pensando e olhando para o céu. Será mesmo que os pássaros voam porque não têm medo de cair, ou será por outro motivo?
E por que o homem anda? E também posso perguntar: por que os peixes nadam? E poderia fazer mil perguntas aparentemente desconexas, tudo porque preciso descobrir o que leva um pássaro a voar e sempre voar.
E o que tudo isso tem a ver com educação?
Somos pobres criaturas humanas chumbados ao solo pelas nossas preocupações imediatas, esquecidos que a cabeça está acima do pescoço para que possamos olhar para o céu. E …

Filhos precisam ter espaço e autonomia

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Para nossa reflexão trago uma narrativa feita por uma nossa amiga, a respeito de sua irmã e seus filhos. Narra nossa amiga que um dos filhos de sua irmã casou e foi morar em bairro mais distante. Seu aniversário se aproximava e a mãe anunciou que faria a comemoração do mesmo, solicitando-lhe a presença, a qual ele negou, alegando que ela sabia que ele não gostava de festas e comemorações e, ademais, estava agora casado, e ele já havia solicitado à esposa que nada fizesse alusivo a essa data, e, se tivesse que haver alguma festa, esta seria em sua nova morada, com ele a convidar familiares e amigos. A mãe se desgostou a ponto de ficar choramingando pelos cantos e deixando entrever que considerava a atitude do filho um gesto de ingratidão.
Cremos que os sentimentos da mãe em comemorar o aniversário do filho eram legítimos, entretanto totalmente fora de propósito por dois motivos: primeiro, porque ela sempre soube que ele detestava festas de aniversário e que, por isso, sempre que podi…