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A escola está divorciada da educação

Os acontecimentos recentes no Brasil, nos Estados Unidos e outros países, de violência exacerbada dentro das escolas, com invasores assassinando alunos e professores e deixando dezenas de feridos, somados aos casos acentuados de bullying entre estudantes, destes com os professores, e também dos professores para com os alunos, nos levam necessariamente a refletir sobre o que está acontecendo e, mais do que isso, detectar as causas e procurar as soluções.

Devemos iniciar nossas reflexões a partir do entendimento sobre o que é educação e qual o papel da escola na sociedade humana, pois sem esse entendimento qualquer opinião desprovida de fundamento, de conhecimento sobre o que se opina, perderá sua validade.

São várias as definições possíveis sobre educação, mas uma sobressai pela sua importância e profundidade: educação é o processo de desenvolvimento do potencial cognitivo e afetivo do ser humano, respeitando suas fases de desenvolvimento psicogenético, permitindo ao mesmo desenvolver …

Caminhos transformadores da educação

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Existem muitos caminhos transformadores da educação e a questão não é dizer que esta ou aquela proposta é a ideal, é a correta. Se tomarmos esse caminho vamos nos fechar em posições entrincheiradas que acarretarão muitos males, e o progresso que se esperava realizar pode não acontecer. Temos a certeza da necessidade da transformação, e vários modelos inovadores estão acontecendo pelo Brasil e pelo mundo, renovando o processo ensino-aprendizagem, as práticas pedagógicas, os conceitos e assim por diante. Não podemos afirmar que este modelo é superior àquele, ou que este é que deve ser seguido em detrimento de outros modelos. Devemos alcançar a união de esforços, o respeito às ideias e práticas, mesmo que não concordemos com elas, mas sem perder a visão da necessidade de transformação. Em nosso país temos vários modelos transformadores de sucesso na escola, como, por exemplo, o Projeto Âncora, com sede em Cotia/SP; temos igualmente a Emef Des. Amorim Lima, na capital paulista; a Escola da S…

O livro e a educação do povo brasileiro

Pesquisas recentes nos entregam dois resultados alarmantes. A primeira pesquisa dá conta que, em média, o estudante universitário brasileiro, ao longo de um curso com quatro anos de duração, lê apenas um livro completo por ano, o restante dos estudos é feito com recortes do tipo copia e cola, com ampla utilização da internet, e também com a utilização de apostilas prontas entregues pelos professores.  Outra pesquisa, com universo mais amplo, mostra que o brasileiro é um péssimo leitor: não passa de três livros por ano. Bem, povo que não lê, que não estuda, não pode ter boa cultura e, portanto, boa educação.

Podemos lembrar aqui, corroborando os resultados dessas duas pesquisas, que boa parte das escolas brasileiras não possuem biblioteca e sala de leitura, e que também boa parte dos municípios brasileiros não possuem biblioteca pública. No Brasil o livro não é cultuado, a leitura não é incentivada, o conhecimento está em segundo plano. Temos que nos espantar com os males que afligem n…

Mentalidades, posturas e práticas

Uma professora, diante de texto apresentando a Escola do Sentimento, projeto esse que ajudei a desenvolver, exclamou, bastante sensibilizada: “Isto é maravilhoso, mas só consigo enxergar sua prática se for numa escola que está iniciando”. Ela, mesmo com boa vontade, não conseguia perceber que qualquer escola, seja púbica ou particular, seja de qual segmento de ensino for, seja qual for o tempo de existência que tiver, qualquer escola, pode iniciar, a qualquer tempo, o processo para implementação dos princípios, valores, filosofia e metodologia da Escola do Sentimento, que é um projeto pedagógico de escola inovadora, uma escola que equilibra o desenvolvimento cognitivo com o desenvolvimento moral do educando. Diante disso, cabe a pergunta: por que essa professora, e tantas outras, não consegue “enxergar” a renovação do ensino, da aprendizagem, da educação, na sua escola, na escola em que ela trabalha?
Buscando responder essa oportuna indagação, lembro que boa parte dos professores, e …

A falência do ensino brasileiro

Os péssimos, alarmantes e decadentes índices do ensino brasileiro, conforme avaliações oficiais publicadas pelo Ministério da Educação, mostrando que tanto o ensino fundamental quanto o ensino médio estão literalmente falidos, atestam a vergonhosa situação em que nossa nação está inserida, com altíssimos índices de analfabetismo, de violência, de corrupção, de hipocrisia e de tantos outros males que todos os dias invadem as mídias. Em contrapartida, e num flagrante contraste, temos uma Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) considerada como avançada, acompanhada por Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) bem planejados, e agora com a Base Nacional Curricular Comum (BNCC) que surge para melhor organizar o ensino em todo o território nacional. Apesar desses instrumentos pedagógicos, não conseguimos, nem de longe, cumprir o Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece metas qualitativas e quantitativas para serem alcançadas no prazo de um decênio. É muito fácil …

Professores da educação básica estão insatisfeitos com sua profissão

Apenas 21% dos professores da educação básica no Brasil afirmam estar totalmente satisfeitos com a atividade docente, enquanto um terço deles (33%) diz estar totalmente insatisfeito com a profissão.

É o que mostram os dados da pesquisa "Profissão Docente". O levantamento é uma iniciativa do Todos Pela Educação e do Itaú Social, com realização do Ibope Inteligência em parceria com a Conhecimento Social.

A pesquisa ouviu 2.160 professores da educação básica (desde a educação infantil até o ensino médio) de todo o Brasil, tanto da rede pública como da rede privada. A coleta foi realizada por telefone entre os dias 16 de março e 7 de maio deste ano. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

De acordo com o levantamento, 78% dos professores afirmam ter escolhido a carreira principalmente por aspectos ligados à afinidade com a profissão, como o prazer por ensinar ou transmitir conhecimento (34%) e a aptidão e talento para ser professor (13%).

Ao mesmo tempo, quase metade dos…

E o jeitinho brasileiro continua

Apesar de há anos estarmos assistindo o poder judiciário levar para trás das grades prisionais centenas de pessoas condenadas por corrupção, por improbidade administrativa, por desvios de recursos públicos e outras questões, num combate incessante pela moralidade, pela ética, continuamos a assistir o famoso jeitinho brasileiro acomodando as situações e encontrando subterfúgios para escapar da lei e da ordem.
Aproximando-se o período eleitoral, vemos a movimentação de jovens políticos, ou pelo menos candidatos a tal configuração, que estão se preparando para ludibriar o eleitor. Expliquemos: muitos são filhos ou sobrinhos de políticos famosos, que estão sob investigação, que respondem a processos e que protagonizam escândalos. Ou seja, estão com o nome sujo. O que fazem então esses jovens apadrinhados por esses políticos? Estão registrando na justiça eleitoral nomes que não têm ligação com a família, ou seja, estão encobrindo o nome de família, para não serem identificados com o padri…