A professora Keylliane, dedicada ao trabalho numa escola de educação infantil, expôs em roda de conversa estar muitas vezes perdida diante de crianças espertas, ágeis, críticas e, ao mesmo tempo, criativas, sonhadoras e tecnológicas, junto com outras que são apáticas, pouco interativas, enfim, numa turma de crianças em que o universo é imenso. O que fazer? Como trabalhar com individualidades tão ricas, com aproximações, mas também com grandes diferenças entre si? O que estimula algumas crianças, nada representa para outras, e nossa amiga professora gostaria de aplicar uma receita que servisse para todos os seus alunos, assim facilitando o trabalho que procura realizar.
De fato, o mundo infantil é fascinante por ser muito rico nas suas variadas expressões, e nenhuma criança é igual à outra. Personalidades, habilidades e competências variam quase que ao infinito, e a aprendizagem acontece de modos variáveis, e não sempre do mesmo jeito, então entender isso é fundamental para o melhor trabalho pedagógico. Em educação não existe uma receita pronta e invariável, do tipo faça sempre assim e vai dar sempre certo. Não acontece desse jeito.
Para quem trabalha com crianças, estudar sobre psicologia do desenvolvimento é um bom caminho, mergulhando nas pesquisas e conclusões de Piaget, Vigotsky e Wallon, assim como de outros, pois eles estudaram as crianças e perceberam a existência de estágios de desenvolvimento e como as influências externas atuam sobre elas. Também entenderam como se processa a aprendizagem, deixando-nos um rico material de estudo, ampliado pelos educadores que até hoje muito estudam e escrevem a respeito.
Agora, há um componente que eles não levaram em consideração, e que é muito importante, fundamental: que a criança é um espírito reencarnado. O Espiritismo, como ciência que é, estuda a realidade espiritual do ser humano, entregando-nos considerações profundas e que transformam nosso entendimento sobre a criança, o período infantil e a educação.
Somos todos filhos de Deus, fomos criados por ele, e todos somos destinados a atingir o maior grau de perfeição possível, um dia sendo espíritos puros ou perfeitos. Somos construtores de nós mesmos, desenvolvendo a inteligência e o sentimento, mas não fazemos isso sozinhos, pois necessitamos do convívio social, da interação com as outras pessoas, recebendo a influência que exercem sobre nós, assim como também exercemos influência sobre elas, ou seja, somos ao mesmo tempo influenciadores e influenciados, ou em outros termos, somos ao mesmo tempo educadores e educandos, de existência em existência através dos mecanismos da reencarnação.
Reencarnar é necessário para obtermos novos aprendizados e experiências, e aqui estamos para dar continuidade ao nosso aperfeiçoamento, cada um recebendo de acordo com suas obras, com seus merecimentos. As existências passadas ficam guardadas no profundo da alma, revelando-se através das ideias inatas e das tendências de caráter. Como somos seres milenares, individualidades cada uma com sua história, com seu progresso, é natural que tenhamos habilidades, competências, personalidades diferentes. Fisicamente falando duas crianças podem ser gêmeas, mas seus gostos, suas ideias, seu modo de pensar e de agir, nunca serão idênticos, embora possam se assemelhar, pois trata-se de duas individualidades, de dois espíritos que não se confundem.
Sim, o Espiritismo muito elucida o período infantil com os princípios da imortalidade da alma e da reencarnação, e ainda mostra que a manifestação do espírito é dependente do desenvolvimento dos órgãos físicos, e que nessa fase da vida, assumindo um noco corpo, uma nova personalidade e uma nova realidade social, o espírito pensa como criança, obedecendo estágios de desenvolvimento e sendo dependente dos encarregados de sua educação.
Tanto os pais quanto os professores, com esse entendimento, saberão adequar seus esforços na educação para as necessidades individuais dos seus filhos e alunos, ao mesmo tempo em que trabalham para sua socialização. Não há como educar todas as crianças exatamente do mesmo jeito, nem como querer que todas as crianças aprendam da mesma maneira, pois cada uma tem seu ritmo, seu tempo e seu entendimento.
Há tempo para a brincadeira, para a fantasia, como há tempo para o pensamento mais abstrato, e tudo isso acontece meio junto e misturado, motivo pelo qual a infância é tão maravilhosa e dá aos educadores ensejo de realizarem muitas coisas, não esquecendo que também já foram crianças, já estiveram mergulhados nesse mundo fascinante.
Com amor, dedicação, estudo e criatividade, a Keylliane, assim como todas as professoras da educação infantil, darão uma contribuição maravilhosa para a formação dessas novas gerações, principalmente se tiverem consciência da realidade espiritual e imortal que é de todos: crianças, jovens e adultos, todos caminhando rumo à perfeição.
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