segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Viver sempre


As pesquisas mostram que o número de suicídios na sociedade brasileira vem aumentado ano após ano, e o que era restrito ao mundo dos adultos, passou a fazer parte também do mundo dos jovens, dos adolescentes e até das crianças, numa gama variada de causas, quando o ser humano procura como solução aos seus problemas o ato do suicídio ou autoextermínio, num gesto extremo que causa muita comoção e dor aos que ficam. Diante disso, temos que perguntar: tirar-se a própria vida é mesmo solução?

Para o Espiritismo essa ação é um atentado contra a vida, que pertence a Deus, e não é solução, pois a vida continua no mundo espiritual; a morte é apenas do corpo biológico. Essa informação é fundamental, ou seja, somos almas imortais, não morremos, apenas passamos por uma transição entre dois planos, ou duas dimensões da vida, o que significa que os problemas que aqui carregávamos, continuarão conosco, com o agravante de ter de assumir as consequências desse ato, que é um atentado contra a lei divina.

Pessoas há argumentando que a vida terrena está muito difícil, que as aflições se acumulam, e que diante das dores e sofrimentos a única saída é o autoextermínio. Equivocam-se essas pessoas, pois Deus, o Senhor da Vida, é justo, bom e misericordioso, e nos oportuniza a encarnação para podermos reparar o que fizemos em existências passadas, ao mesmo tempo em que temos todas as possibilidades de continuar nosso aperfeiçoamento intelectual, moral e espiritual.

Nada, absolutamente nada nos acontece por acaso, pois tudo tem a sua razão de ser. Face às nossas imperfeições morais, estamos inseridos num mundo de expiações e provas, onde o mal ainda predomina sobre o bem, mas onde temos o potencial divino para resistir às más tentações, cabendo-nos acionar a vontade para superarmos as más influências e, com resignação, perseverança e paciência, darmos continuidade ao viver, e viver sempre, pois é isso o que Deus quer de cada um dos seus filhos.

Para fazer face às provas e expiações, temos um roteiro seguro e infalível: o Evangelho. Seguindo os ensinos de Jesus, teremos fortaleza de ânimo para prosseguir, sabendo que toda dor, que todo sofrimento, passará, pois não estamos abandonados, tendo um Anjo da Guarda que vela por nós, além de Espíritos Amigos e Familiares que nos amam e nos auxiliam, mas sem nunca atropelar nosso livre arbítrio.
Disse Jesus que seu fardo é leve e seu jugo é suave, pois o Evangelho é todo amor, assim como a vida é regida pela lei de amor, provinda de Deus, o Pai e Criador.

Aqui na Terra muitas vezes amargamos provas que foram solicitadas por nós mesmos antes de reencarnarmos, então não temos do que nos queixar, e sim trabalhar com todo esforço para seguirmos em frente, dia após dia, sem murmurações inconvenientes, procurando nos melhorar, praticando sempre o bem ao nosso alcance. Quanto às expiações, são consequência do que fizemos em outras existências, mas não estamos aqui apenas para sofrer, e sim para aprender a amar, a fazer a caridade, lembrando que todo bem realizado automaticamente repara um mal cometido no passado.

As comunicações de suicidas, através da mediunidade, como vemos, por exemplo, na segunda parte do livro O Céu e o Inferno, de Allan Kardec, atestam que o suicídio é a pior escolha, acarretando muitos sofrimentos, e nunca sendo solução.

Para fazer face às desilusões e ao desgosto pela vida, é necessário uma mudança completa na educação que hoje desenvolvemos. Há que se realizar uma transformação nos seus fundamentos e nos seus valores, para que a educação seja regida por uma filosofia espiritualista tal qual o Espiritismo, dando às crianças e aos jovens um novo sentido de viver, ideais mais enobrecidos, numa formação do caráter que leve em conta o bem para todos, o respeito aos direitos dos outros e a continuidade da vida após a morte.

Que os pais, como primeiros educadores das almas que se apresentam como filhos, orientem-nos através dessa visão imortalista; que os professores, como mestres da educação, trabalhem a formação do caráter em conjunto com a formação do intelecto. Pais e professores, famílias e escolas, numa união de esforços para atacar e destruir o egoísmo, e por consequência o orgulho, que são as causas de todos os males, numa exaltação à vida, pois o melhor remédio, apontado pela Doutrina Espírita, é sempre viver, e viver com alegria, tendo no Evangelho o suporte para tudo vencer, elegendo o amor e o bem como construtores da felicidade, hoje e amanhã.

Nenhum comentário:

Podcast - Ninguém pertence a ninguém

A violência contra a mulher e o feminicídio são o assunto do podcast Análise & Crítica, que você assiste em: https://open.spotify.com/ep...