Suspender, Expulsar Prender

A escola possui certas tradições que podem ser questionadas, mas que estão incorporadas ao fazer pedagógico como se fossem normais. Exemplo disso é tirar o aluno da sala de aula. Várias causas justificam essa atitude: porque ele estava fazendo bagunça; porque não estava prestando atenção na aula; porque desrespeitou a professora; etc. Se o tirar da sala de aula não resolver, ou seja, se o aluno não se "emendar" e passar a obedecer as regras, ele é encaminhado para a Diretoria, que providenciará uma advertência e uma boa conversa com os responsáveis. Se isso também não resolver, é dado mais um passo para disciplinar o aluno: suspensão. Assim, ele ficará dois ou três dias fora da escola, para ver se pensa um pouco e volta melhor. Contudo, se o aluno continuar desrespeitoso, agressivo, bagunceiro, falando palavrões, ameaçando colegas e professores, com comportamento e atitudes consideradas graves, uma nova tradição é utilizada: chama-se a polícia e lá vai o aluno para a delegacia. Neste momento a escola tenta uma intervenção pseudo-educacional: solicitar aos pais a transferência do aluno-problema para outra escola. Então, e finalmente, se nenhuma dessas ações derem o desejado resultado, aciona-se a prerrogativa da expulsão. O aluno está fora da escola, banido como pessoa indesejável.

Passeando o olhar pelo dicionário, descobrimos que escola é estabelecimento de ensino. Nessa definição não há nenhuma ressalva sobre quem deve aprender, levando-nos a supor que são todas as crianças e jovens regularmente matriculadas. Mas essa é uma definição dicionarista, pois, na verdade, numa definição mais pedagógica, escola é o instituto social de educação dos indivíduos que formam a coletividade. É parceira da família e da sociedade, devendo saber trabalhar com as diferenças, com a singularidade de cada indivíduo.

Na medida em que a escola institucionaliza a retirada da sala de aula, a advertência, a suspensão, o fichamento policial e a expulsão, ela demonstra, como fato, sua falência enquanto instituto social de educação.

A escola está tão preocupada em disciplinar, ensinar conteúdos, preparar para o mercado de trabalho, fazer com que o aluno tenha condições de passar em concursos e excluir os alunos "difíceis", que desumanizou o ensino e colocou na lata do lixo a educação.

Educar e ensinar com amor é possível e temos exemplos maravilhosos espalhados pelo Brasil e pelo mundo. Uma leitura da seção "Experiências Que Dão Certo", da revista eletrônica ReConstruir - www.educacaomoral.org.br/reconstruir - dá bem a dimensão desse universo de uma boa prática pedagógica com excelentes resultados.

É urgente humanizar a escola. Colocar o amor como base do processo educacional.

Advertir, suspender, expulsar ... Isso é ranço de uma prática tradicionalista medieval. É caminhar na contramão do verdadeiro processo de educação.

Pensemos nisso!

Comentários

Gisele Nunes disse…
Adorei! É muito difícil, mas ninguém disse que seria fácil acreditar e semear uma escola melhor, quando muitos (pais e professores) esperam ainda uma escola cheia de regras e punições!

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