quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Professor, meu amigo

Já se vão os tempos em que o professor era a autoridade máxima dentro da sala de aula, inquestionável e não participativo, senhor absoluto do conhecimento, delegando para a direção escolar os conflitos por ventura existentes entre os alunos e entre ele e os estudantes. Essa postura, aliás, é uma das responsáveis da degradação pedagógica de nossas escolas e do crescente desafio à autoridade por parte das crianças e jovens, subvertendo uma ordem que parecia ser a mais adequada, mas que com o tempo mostrou-se perversa e antipedagógica.

Hoje compreendemos que o professor deve manter ampla interação com seus alunos, e não apenas na sala de aula, mas em todos os ambientes da escola. O professor deve ser amigo do aluno. Deve ser o orientador do seu desenvolvimento cognitivo, e também afetivo, em conjunto com os pais e responsáveis, estimulando-o a fazer descobertas e a ter autonomia e criticidade, sempre acompanhadas do cumprimento dos deveres e responsabilidades consequentes.

Isso não é novidade. Pestalozzi, no início do século XIX, exercia isso no Instituto de Iverdon, em plena Suíça fervilhando para ser república. Depois, na primeira metade do século XX, Freinet, por exemplo, revolucionava o ensino a partir do interior da França. E não apenas ele, pois vários outros educadores, com suas ideias e experiências na chamada Escola Nova, também conhecida como Escola Ativa, mostravam novos caminhos de interação professor e aluno, escola e família.

No Brasil podemos destacar as ideias e projetos de Anísio Teixeira, Lauro de Oliveira Lima, Paulo Freire, Anália Franco, Eurípedes Barsanulfo, entre outros, dedicando-se a estabeçecer uma relação afetiva, prazerosa, entre o ensino e a aprendizagem, antecipando-se aos questionamentos que hoje realizamos com relação ao processo educacional propiciado pela escola.

No final do século XX projetou-se para o mundo a Escola da Ponte, na Vila das Aves, cidade do Porto, em Portugal, tendo à frente o educador José Pacheco, que há alguns anos dedica-se a transformar a escola brasileira, teimosamente apontando para o que está errado e o que pode dar certo, incentivando os professores a deixarem o velho para trás, insistindo que não existem problemas de aprendizagem e sim de "ensinagem" (e concordamos com ele plenamente).

Convidamos todos os professores, todos os pedagogos, todos os gestores escolares, a conhecerem esses e outros grandes educadores, num repensar a educação e a escola. Isso para mudar o paradigma ainda vigente, que carrega resquícios da velha autoridade professoral, para que na escola o clima seja mais afetivo, mais participativo, com o professor fazendo seus alunos trabalharem em grupos e projetos de pesquisa, sempre com alegria, embora não perdendo a chamada autoridade moral, que não se confunde com a autoridade do "aqui mando eu".

Um caminho possível é a Escola do Sentimento, projeto do Instituto Brasileiro de Educação Moral (IBEM), que todos podem conhecer em www.educacaomoral.org.

Enfim, ser amigo, uma espécie de segundo pai ou segunda mãe, parece-nos o futuro do professor, se queremos realmente fazer das nossas escolas um mundo mágico de saberes e vivências para toda a vida.

Um comentário:

Unknown disse...

Essa tentativa deu errado no seu mais profundo entendimento e norteou uma prática para educandos não brasileiros. Freire na sua concepção de EJA conseguiu designar ao futuro a missão de renovar a interação de docente e discente mas ainda vivemos o que Comenius criou, uma educação em série. Instrumentalizar um indivíduo e distribuir cartilhas a dezenas de outros para que o primeiro os cuide e todos alcancem os objetivos ao mesmo tempo para que outras dezenas entrem em seu lugares e aprendam por um método infalível, inquestionável e onipotente.
Percebamos que não evoluímos mas regredimos pois nem o manual temos mais e não avisaram os profissionais que havia mudado e a demanda deveria ser tratada de outra forma.
Gosto muito do Saviani, um sociólogo, educador brasileiro que desenvolve a ideia de educação para o Brasil mas ainda não conseguiu contaminar os educadores com tal percepção.

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