quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O desvio do Enem: de avaliação para vestibular

Assistimos o sucateamento e banalização do ensino brasileiro através da desfiguração do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que, em definitivo, tornou-se um vestibular para o ensino superior, com toda pompa e circunstância, como diziam os nobres imperiais.

Já não se disfarça essa banalização. As notícias e reportagens por toda a mídia revelam que as escolas levaram para a sala de aula o espírito e os métodos dos antigos cursos pré-vestibulares, e que muitos alunos, inclusive da rede pública de ensino, se valem dos chamdos cursos preparatórios para reforço do estudo, cursos esses que já se prepararam para contemplar esse novo filão de mercado.

O Enem está em desvio de função, não serve mais para a finalidade a que foi criado, que era o de avaliar a evolução dos estudantes desse segmento de ensino. Agora as notas valem para garantir vaga nas faculdades, ou seja, nos cursos universitários, e o exame tornou-se uma máquina famigerada engolidora do ensino e destruidora da educação. Os adolescentes são devorados sem cerimônia pelo estresse, acúmulo de matérias, estudos intermináveis, memorizações, numa luta desenfreada pela conquista de uma vaga no ensino superior.

E o grande pai, ou seja, o Ministério da Educação, a tudo assiste complacente e, pior, incentivando tal absurdo. Triste fim de um teste que deveria avaliar, como ferramenta para melhora contínua do ensino médio, e que se vê desfigurada, agora servindo apenas como vestibular para outro segmento de ensino.

Não vamos aqui discutir os interesses que estão por trás desse acontecimento. As consciências responsáveis haverão de entender a situação de derrocada a que chegamos, mais cedo ou mais tarde, quando haveremos de corrigir esse desvio e realizar avaliações decentes e pedagogicamente mais corretas.

A continuarmos desse jeito, que adianta homenagear Paulo Freire? Ou realizar encontro internacional de práticas pedagógicas inovadoras? Se o discurso não é acompanhado pela prática, é como navegarmos para afundar ao largo, sem chegar ao porto.

Acudam os deuses da educação, para que não percamos o rumo em definitvo.

sábado, 11 de outubro de 2014

O discurso e o exemplo: uma dialética educacional para cosntrução da cidadania

Lendo e relendo, pois precisamos sempre aprender e reaprender, deparei-me com o livro "Pedagogia da Solidariedade", de Paulo Freire, educador que marcou, e sempre marcará, a educação progressista. E nele (re)descobri esta frase profunda: "Nós temos que dar exemplos. É absolutamente importante saber que a educação demanda exemplos, testemunho. O discurso, o discurso democrático do professor, que não se funda na prática, que distorce, que nega a prática, é uma contradição".

Em educação o maior e melhor recurso que um(a) professor(a) pode utilizar é o exemplo, pois ele tem uma força viva que impregna o ato educativo de autoridade moral, num perfeito diálogo entre o que se discursa, o que se quer, o que se propõe, com a vivência desse mesmo discurso por parte do(a) educador(a). Quando o(a) professor(a) não é o que fala e o que solicita a seus alunos, cai em contradição. Dizer que suas aulas são democráticas e participativas, e estabelecer tempo máximo de fala de cada aluno, e não aceitar ser contrariado, é típico do(a) educador(a) que tem a democracia apenas nas palavras, e não nas atitudes.

Muitos projetos educativos não alcançam seus objetivos, não obtém os resultados esperados, porque o(a) educador(a) realiza sua práxis mecanicamente, sem vida, sem se doar, sem humanização e afetividade, aplicando as técnicas e exigindo padrões de comportamento que são desmentidos pela sua indiferença e pelas suas atitudes contrárias ao que estabelece para os alunos. É impossível que a educação se realize.

E quando falamos em educação, falamos também em ética, pois uma é indissociável da outra. Trabalhamos para o desenvolvimento de outro ser humano, e quando o fazemos, temos que ter em mente que ao mesmo tempo trabalhamos para o nosso desenvolvimento, que é sempre contínuo, nunca se esgota, daí porque entendermos que somos construtores de nós mesmos ao longo do tempo. Podemos ilustrar essa questão com aquela professora que todos os dias chegava na escola de mau humor, irritada, cansada e murmurando contra o baixo salário e os alunos, considerados por ela apenas como um problema. Não é possível educar dessa maneira. Pedia silêncio, mas era a primeira a falar em alto som. Pedia comportamento exemplar, mas era a primeira a quebrar as regras. Como querer cidadãos éticos sem dar o próprio exemplo?

A educação requer exemplos, do(a) professor(a), sim, desse(a) que é responsável pelo desenvolvimento da autonomia e criticidade de seus educandos. Isso só pode acontecer se professores(as) trabalharem o auitoconhecimento, que deságua na auto-educação.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Professor, meu amigo

Já se vão os tempos em que o professor era a autoridade máxima dentro da sala de aula, inquestionável e não participativo, senhor absoluto do conhecimento, delegando para a direção escolar os conflitos por ventura existentes entre os alunos e entre ele e os estudantes. Essa postura, aliás, é uma das responsáveis da degradação pedagógica de nossas escolas e do crescente desafio à autoridade por parte das crianças e jovens, subvertendo uma ordem que parecia ser a mais adequada, mas que com o tempo mostrou-se perversa e antipedagógica.

Hoje compreendemos que o professor deve manter ampla interação com seus alunos, e não apenas na sala de aula, mas em todos os ambientes da escola. O professor deve ser amigo do aluno. Deve ser o orientador do seu desenvolvimento cognitivo, e também afetivo, em conjunto com os pais e responsáveis, estimulando-o a fazer descobertas e a ter autonomia e criticidade, sempre acompanhadas do cumprimento dos deveres e responsabilidades consequentes.

Isso não é novidade. Pestalozzi, no início do século XIX, exercia isso no Instituto de Iverdon, em plena Suíça fervilhando para ser república. Depois, na primeira metade do século XX, Freinet, por exemplo, revolucionava o ensino a partir do interior da França. E não apenas ele, pois vários outros educadores, com suas ideias e experiências na chamada Escola Nova, também conhecida como Escola Ativa, mostravam novos caminhos de interação professor e aluno, escola e família.

No Brasil podemos destacar as ideias e projetos de Anísio Teixeira, Lauro de Oliveira Lima, Paulo Freire, Anália Franco, Eurípedes Barsanulfo, entre outros, dedicando-se a estabeçecer uma relação afetiva, prazerosa, entre o ensino e a aprendizagem, antecipando-se aos questionamentos que hoje realizamos com relação ao processo educacional propiciado pela escola.

No final do século XX projetou-se para o mundo a Escola da Ponte, na Vila das Aves, cidade do Porto, em Portugal, tendo à frente o educador José Pacheco, que há alguns anos dedica-se a transformar a escola brasileira, teimosamente apontando para o que está errado e o que pode dar certo, incentivando os professores a deixarem o velho para trás, insistindo que não existem problemas de aprendizagem e sim de "ensinagem" (e concordamos com ele plenamente).

Convidamos todos os professores, todos os pedagogos, todos os gestores escolares, a conhecerem esses e outros grandes educadores, num repensar a educação e a escola. Isso para mudar o paradigma ainda vigente, que carrega resquícios da velha autoridade professoral, para que na escola o clima seja mais afetivo, mais participativo, com o professor fazendo seus alunos trabalharem em grupos e projetos de pesquisa, sempre com alegria, embora não perdendo a chamada autoridade moral, que não se confunde com a autoridade do "aqui mando eu".

Um caminho possível é a Escola do Sentimento, projeto do Instituto Brasileiro de Educação Moral (IBEM), que todos podem conhecer em www.educacaomoral.org.

Enfim, ser amigo, uma espécie de segundo pai ou segunda mãe, parece-nos o futuro do professor, se queremos realmente fazer das nossas escolas um mundo mágico de saberes e vivências para toda a vida.

domingo, 14 de setembro de 2014

Todo mundo apoia a educação

Quem tem acompanhado os debates políticos, e a propaganda eleitoral gratuita e obrigatória pela televisão, está vendo que a maioria dos candidatos aos governos estaduais e à presidência da república prometem apoio à educação, ou dizem que já fizeram muito por ela. Agora, será mesmo que vão cumprir as promessas educacionais, ou será que realmente já fizeram alguma coisa pela educação?

É preciso lembrar que em momento eleitoral as promessas vazam das bocas com muita facilidade, até porque os candidatos sabem que a educação de qualidade para todos é um anseio da população. Alguns dirão que a educação está lá no plano de governo e que, portanto, é um compromisso. Entretanto, nem sempre o que está escrito é o que será realmente feito.

E de qual educação esses candidatos falam? Estão preocupados com uma educação que desenvolve o senso moral da criança e do jovem? Com uma educação que transmite valores éticos? Com uma educação que forma cidadãos conscientes e com senso crítico? Uma educação que trabalha o desenvolvimento das virtudes?

Por tudo isso, precisamos ficar ligados e não nos deixarmos seduzir por promessas e discursos que mascaram a verdade.

Um evento com experiências transformadoras

Estivemos no Educação 360 - Encontro Internacional, realizado na cidade do Rio de Janeiro, nos dias 05 e 06 de setembro. As dependências da Escola SESC de Ensino Médio, em Jacarepaguá, receberam professores, pais e interessados que tiveram contato com palestras, painéis e apresentações de experiências educacionais brasileiras e internacionais.

O evento, no todo, foi muito bem-vindo, e fazemos votos que seja repetido em breve tempo, mas mostrou algumas coisas que podem ser melhoradas. As acomodações, todas muito bonitas, podem ser mais confortáveis, pois pufs e banquinhos sem encosto são extremamente cruciantes para quem tem de ficar sentado por até 90 minutos. Outra coisa que podemos questionar é a forma como as inscrições foram feitas. Só foi permitido a participação num período, manhã ou tarde, de um dia, ou seja, quem se inscreveu para a quinta-feira pela manhã não pode se manter no evento no restante do dia, e nem participar da sexta-feira.

Como exemplo dessa situação não muito boa, só pude conversar com o querido professor José Pacheco, da Escola da Ponte (Portugal), ali pelo pátio, mas não pude assistir sua participação no evento, pois estava inscrito para a quinta-feira pela manhã, e ele falaria no período da tarde desse mesmo dia.

Bem, fora essas questões, o conteúdo aberto ao público foi muito bom (mas faltou a Escola da Ponte, o Projeto Âncora e outros), e foi gratificante verificar o interesse dos educadores pelas propostas transformadoras, embora este e aquele que ali estava só para criticar e achar tudo uma utopia. Que fazer? Um dia haverão de sair de sua zona de conforto.

Antes de encerrar, outra nota negativa: que preços foram aqueles praticados pela cantina? Um assalto, é o mínimo que podemos dizer.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Conselho escolar aprova uso de AR-15 por vigilantes

O conselho escolar de Compton, na Califórnia, decidiu, por votação, armar policiais do campus com fuzis AR-15, de acordo com a estação de rádio pública Los Angeles KPCC. Alguns pais e alunos estão expressando desconforto, citando os mesmos tipos de problemas desencadeados pela força policial militarizada de Ferguson, Missouri, depois que Michael Brown, um jovem negro desarmado, foi morto por um policial branco.

Os policiais do campus em Compton deverão ser treinados e terem as novas armas dentro de um mês. O sindicato da polícia local diz que seus oficiais não são os únicos em busca de tais armas. De acordo com os sindicalistas, os distritos escolares de Los Angeles School PD, Baldwin Park School PD, Santa Ana School PD, Fontana School PD, San Bernandino School PD também autorizam seus policiais a usar esse tipo de armamento.

O sindicato defende o fuzil semi-automático para os policiais do campus sob o argumento de que, sem ele, os diretores não estariam preparados para enfrentar assassinos em massa portando rifle ou coletes a prova de bala. Oficiais da Polícia Escolar passarão por um curso de formação, seguido por um teste de proficiência de tiro em um campo de tiro, além de um exame escrito. As armas são projetadas para aumentar a precisão com munição capaz de perfurar coletes. Segundo o sindicato, "a segurança de nossos alunos, funcionários e pais é muito importante para nós".

Num artigo recente, o colunista do New York Times Ross Douthat refutou esse argumento. Segundo ele, "as evidências de que a polícia mais militarizada é necessariamente crucial para parar esses assassinos parecem fracas". Ele citou os exemplos de Sandy Hook, onde o assassino cometeu suicídio um minuto e meio depois de os policiais chegarem; de Aurora, em que o atirador se entregou à polícia; e da Virginia Tech, em que um assassino também atirou em si mesmo, em vez de atacar a polícia. Dessa forma, Ross Douthat questiona o uso de equipamentos da SWAT por departamentos de polícia no campus alegando que eles não farão diferença quando um psicopata aparecer.

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Eis a notícia veiculada pelo jornal O Globo em sua edição de 21/08/2014, o que nos levou a ficar parados diante da tela do computador, depois de sua leitura, imaginando o quanto desconhecemos a educação e o quanto acreditamos que segurança pública militarizada é solução para o que é da alçada da educação moral, da formação do caráter, da transmissão de valores humanos. Na medida em que família e escola deixam de lado esse trabalho, não podemos nos espantar de ver a violência aumentando dentro das escolas e do lar, além da sociedade como um todo.

Chegamos a um nível tal de estresse, de antagonismos, de egoísmo, que muitas crianças e adolscentes não acreditam que possa existir um mundo em paz, não acreditam que o diálogo e a cooperação sejam caminhos melhores para resolver conflitos.

Vigilantes armados, detectores de metais nas portas, cãmeras de vigilância e outras medidas equivalentes mostram apenas nossa falência em educar.

Temos certeza que tudo precisa mudar, e que a Escola do Sentimento, que idealizamos e promovemos através do IBEM é o caminho. Conheça essa proposta em www.educacaomoral.org.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Quando sinto que já sei

Assista o vídeo "Quando Sinto que Já Sei", um documentário que revisa a educação e mostra projetos escolares inovadores e de sucesso.


Vídeo - O espírito e a reencarnação

As implicações da reencarnação na educação do espírito, é o tema da série Educação Espírita, com Marcus De Mario. Vamos refletir juntos! Tod...