Procurando um sentido para viver

Assisti o filme Trem Noturno para Lisboa, produção de 2013 com o ator Jeremy Irons interpretando um professor suíço que abandona suas aulas em colégio tradicional e sua vida conservadora na cidade de Berna, para dar um mergulho na cidade de Lisboa atrás da história de um médico e escritor português que lutou na resistência contra a ditadura de Antonio Salazar. Claro que a história dos personagens e a reconstituição de época chamam a atenção, mas o mais importante é verificar que o professor, em contato com os escritos e os dramas nele contidos, vai se transformando e adquirindo um novo sentido para seu viver, ele que até então era ateísta, materialista e um tanto quanto desiludido com os seres humanos.

Assistir o filme é uma boa recomendação, mas meditar sobre seu conteúdo é o que mais recomendo, e se perguntar ao final: por que eu vivo? qual o sentido da minha existência? o que tenho feito para mudar o mundo?

E por se tratar de um professor, essas perguntas possuem maior profundidade, afinal ele lida com a formação de adolescentes e jovens, e até então nada mais fazia do que se restringir ao currículo, seguir o livro didático e dar notas através de provas. Acontece que professores e pais são os grandes educadores das almas iniciantes da romagem terrena. Ele, já em terras lisboetas, indaga-se do seu papel diante da sociedade, de sua vida chata, sem desafios, quando se vê diante de personagens que atuaram para mudar a história de um país, que se arriscaram em nome de um ideal.

O que estamos fazendo? Assistindo o tempo passar ou agindo para fazer o nosso tempo? O que nos move? Estamos fazendo perguntas e procurando respostas, ou aceitando passivamente o que nos dão?

Diante de um cenário nada tranquilo que estamos vivendo, tanto no Brasil quanto no Mundo, ficamos aparvalhados, olhando para a tela da televisão ou do computador, sem ação efetiva, ou, incomodados, nos predispomos a falar, solicitar, fazer alguma coisa?

Sair da passividade, deixar a inércia do "deixo a vida me levar", "vamos aguardar para ver como fica", não significa usar da violência, esquecer o código de ética que deve fazer com que respeitemos sempre os direitos dos outros. A ruptura com o comodismo não tem o significado de violentar as consciências ou agredir fisicamente, seja a outra pessoa ou o patrimônio público. Significa romper consigo mesmo e buscar novas atitudes, positivas, de colaborar para o bem coletivo.

Ressignificar a vida, eis a mensagem que o filme nos passou.

Quem sabe não está na hora de pegar um trem e fazer uma viagem ao profundo da alma para libertá-la das amarras do comodismo e do conformismo? O personagem professor iniciou essa viagem quando salvou uma jovem de cometer o suicídio numa ponte, mas será que necessitamos de uma cena tão dramática para iniciar nossa nova vida, nossa mudança existencial?

Pensemos nisso.

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