segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

A educação e sua essência

Para falarmos de educação, em qualquer circunstância, é preciso ter um mínimo de conhecimento sobre a mesma. O mesmo acontece quando nos dispomos a comentar sobre o pensamento deste ou daquele educador. Neste texto vamos fazer esforço de aliar uma coisa com outra, vamos falar ao mesmo tempo da educação e do pensamento de um educador.

Há um livro muito importante, leitura obrigatória para todo educador, de um autor festejado por uns e amaldiçoado por outros, do qual vamos focar na sua essência educativa, e não no seu viés ideológico ou político, que não nos interessa debater. Estamos falando do livro Pedagogia da Autonomia, do célebre, para o bem e para o mal, Paulo Freire.

No capítulo 1, onde ele faz primeiras reflexões sobre a prática educativa, chama-nos a atenção, no item 5, Ensinar exige estética e ética, o seguinte pensamento: “Transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente humano no exercício educativo: o seu caráter formador. Se se respeita a natureza do ser humano, o ensino dos conteúdos não pode dar-se alheio à formação moral do educando. Educar é substantivamente formar.”

O exercício educativo é um exercício humano pois envolve pessoas, seres humanos, motivo pelo qual não pode ser um exercício meramente técnico, mecânico, burocrático, onde ensinar conteúdos toma o lugar de formar consciências. O professor é um ser humano. O aluno é um ser humano. Ambos estão num processo vivo de desenvolvimento, de permuta de conhecimentos e experiências, de pensamentos e sentimentos, de realidades distintas que convivem no mundo social.

Diz nos ainda Paulo Freire da necessidade de respeitarmos a natureza do ser humano no processo educacional. Parece um pensamento óbvio, mas não é. Basta acompanhar o dia a dia de uma escola de ensino fundamental para verificar o quanto muitos professores tratam os alunos como objetos, coisas e assim por diante; o quanto entram em sala de aula dispostos a descarregar conteúdos sem nenhuma preocupação com o ritmo individual dos alunos; o quanto se desesperam diante de perguntas e pensamentos mais críticos; o quanto consideram estar fazendo um trabalho perdido, pois as crianças e adolescentes de hoje para nada prestam.

Claro que nem tudo está perdido, pois temos também muitos professores que procuram dar o seu melhor, que são criativos e dinâmicos, que amam o que fazem, que respeitam os alunos, que transformam as escolas em referências educacionais. Bem que esses professores podiam se multiplicar, para o bem do nosso futuro.

Voltemos ao pensamento de Paulo Freire: “o ensino dos conteúdos não pode dar-se alheio à formação moral do educando.”

Esse pensamento está na contramão dos que acreditam que formação moral é exclusividade dos pais e da família, pois os professores já têm muito com o que se preocupar com a enorme carga de ensino. Ora, é por aplicar essa filosofia, que os professores perdem excelentes oportunidades de auxiliar na formação moral dos alunos, contribuindo assim com os pais no desenvolvimento de cidadãos éticos e solidários.

O ato de ensinar é também ato de fazer pensar. O ato de ensinar é também ato de preparar para a vida. Desse modo o processo central da educação sai do eixo do ensinar para o eixo do aprender, com plena participação do educando, quando então temos o verdadeiro ato educativo.

Se você gosta ou não gosta de Paulo Freire, isso não está em discussão neste texto. Mais importante é refletirmos com maturidade sobre o ensinar, o aprender e a formação moral das novas gerações.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Conversa para pensar

Numa roda de conversa informal, ouvi a Cláudia, que é professora dedicada do ensino fundamental em escola pública, amiga que compartilha alguns dos mês pensares sobre educação, dizer emocionada:

Tenho estado muito preocupada com as crianças lá na escola. Elas estão reproduzindo nos seus discursos e nas suas ações a defesa e a prática do que, na verdade, é a hipocrisia e a corrupção que assistimos nos escalões dos governos.

A Samanta, que é mãe, perguntou:

Você não é professora de matemática?

Ao que a Cláudia confirmou:

Sim, sou professora de matemática no primeiro e no segundo segmento do ensino fundamental.

A essa resposta, finalizou a Samanta:

Então não entendo sua fala, pois sua função na escola não é se preocupar com o que deve ser preocupação dos pais, você está na sala de aula para ensinar matemática, não é assim?

A professora Cláudia, no sem bom senso e sem querer polemizar, contrapôs:

Minha amiga, se como professora, que na minha visão é o mesmo que educadora, eu me preocupar apenas com o que tenho de ensinar dentro dos conteúdos da disciplina curricular, eu não estarei, na verdade, sendo educadora, pois estarei ignorando o que é essencial: os seres humanos em desenvolvimento que estão comigo e que serão os seres humanos mais ou menos conscientes da nossa sociedade, onde vivemos. Devo ser uma colaboradora dos pais na educação das crianças, e se os pais não estão fazendo a contento sua parte, pelo menos eu devo fazer o meu melhor, afinal a escola também é lugar de educar.

A Samanta não continuou o diálogo, e os demais preferiram mudar de assunto. A Cláudia me lançou um olhar significativo, como querendo minha aprovação, e lhe enderecei um sorriso de confirmação, mas sem me aventurar a falar mais alguma coisa, pois o grupo de amigos não queria parar para pensar, para refletir, queria apenas amenidades, jogar conversa fora e deixar tudo como sempre esteve.

Trago então para meus leitores esse acontecido para fazer um convite à reflexão.

A escola é lugar de ensinar ou lugar de educar? Os professores são também educadores ou apenas pessoas que devem ensinar conteúdos curriculares? Escola e família devem se dar as mãos para a melhor educação das novas gerações, ou cada ente tem seu papel específico e deve fazer seu trajeto independente?

Tais são as reflexões a que me levou a professora Cláudia, e que repasso a você, neste salutar convite, creio eu, de pensarmos melhor sobre a educação e sua importância.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Respeito ao Educando - Vídeo

Este é o mais recente vídeo publicado pelo Ibem Educa, onde faço abordagem do tema Respeito ao Educando.



terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Educando para o futuro

Este texto tem duas abordagens: a primeira para os pais, a segunda para os jovens.

Iniciemos então com uma palavra aos pais: todos nós sabemos que as gerações se sucedem, o tempo passa, e a humanidade continua seu progresso. Todos nós sabemos que a existência é limitada, que um dia enfrentaremos a morte, e que filhos e netos formarão a nova sociedade humana. Então, diante dessa verdade, está na hora de nos preocuparmos com a educação que fornecemos àqueles que aqui vão nos substituir e continuar. E essa preocupação torna-se ainda mais grave e profunda quando sabemos que um dia iremos depender daqueles que hoje são crianças, os quais receberam de nós a educação. Como gostaríamos que eles nos cuidassem?

Analisando assunto tão grave e essencial que é a educação, encontramos nela diretrizes seguras, e a primeira diretriz é a da autoeducação, ou seja, que para bem educarmos é preciso primeiro que nos eduquemos. E como educação é conjunto de hábitos adquiridos, devemos iniciar a autoeducação corrigindo vícios e tendências, esforçando-nos para dar bons exemplos, pois de que adianta falar, pedir, orientar, se não fazemos aquilo que falamos?

Muitos de nós damos aos filhos, netos e sobrinhos grandes sermões, e ainda utilizamos de castigos, fazendo-os perder o direito de alguma coisa, entretanto, fazemos, de nossa parte, o contrário do que solicitamos que eles façam. Entendendo: queremos educá-los e que eles sejam educados, mas somos a deseducação em pessoa. Como pedir para falar baixo se conversamos aos gritos? Como castigar pelo uso de um palavrão, quando utilizamos essas palavras cotidianamente? Como pedir sempre a verdade, quando vivemos mentindo, inventando desculpas?

Por tudo isso a educação deve pensar o futuro, trabalhando a moralização e espiritualização do ser, o desenvolvimento de seu senso moral, das suas virtudes, tendo sempre o amor como base de todo o processo. E é por amor a nós mesmos que devemos nos educar. Comecemos agora, sem mais perda de tempo, pois o amanhã só depende de nós, e, com certeza, vamos querer uma sociedade melhor, tendo filhos e netos que vão nos proteger, amparar e cuidar com carinho.

Voltando agora meu olhar para os jovens, recordo um filme que, provavelmente, você que é jovem, não conhece. Refiro-me ao filme Juventude Transviada, de 1955, tendo como protagonista o ator James Dean, que veio a falecer cedo, logo após o lançamento do filme, numa vida de agitação social, alcoolismo e velocidade máxima, fascinado por corridas de automóveis, o que lhe custou a vida aos 24 anos de idade. No filme ele faz o papel de um jovem encrenqueiro vivendo de forma agitada em nova cidade, bem o retrato dele mesmo. Tanto no filme quanto na vida real ele não se dá bem, e é sobre isso que quero conversar com você: será que vale a pena viver como se o dia de amanhã não existisse?

Nos dias atuais muitos jovens se esgotam em baladas intermináveis, deixando-se alcoolizar e consumindo drogas. Disputam o pegar e ficar com outro, sem se darem conta da promiscuidade sexual de que são vítimas, considerando o outro e a si mesmos como objetos, e não como seres humanos. Se revoltam contra a sociedade por meio da violência ou da depressão, considerando-se totalmente independentes, como se não convivessem com os outros, e, em muitos e muitos casos, largando a vida na flor da juventude, esgotados, cansados e equivocados.

Talvez você pense que nada sei, que sou um educador com aquele discurso sobre moral e coisas do tipo, mas não se trata simplesmente disso, e sim de lhe provocar reflexão sobre o significado da vida, afinal não é possível que aqui estejamos só para gozar, gozar e mais nada.

Pense seriamente em ser útil a si mesmo e ao próximo, em ser um transformador, para melhor, da sociedade em que vive.

Encerrando minhas divagações educacionais, peço a pais e jovens que reflitam sobre minhas palavras, mesmo discordando delas, pois nada melhor do que o exercício do pensar olhando a vida que todos temos pela frente.

Vídeo - O Jovem e a Dinâmica Educacional

O vídeo sobre educação espírita O Jovem e a Dinâmica Educacional aborda a importância da participação do jovem no processo ensino-aprendizag...