quarta-feira, 11 de março de 2009

Adolescência, Gravidez e Escola

A Agência Brasil envia a seguinte notícia:

"Gravidez na adolescência afasta jovens das salas de aula - Nem a metade dos adolescentes de 15 a 17 anos está matriculada no ensino médio, etapa escolar indicada para essa faixa etária, e 18% estão fora da escola. O quadro pode ser ainda mais pessimista para as jovens. Quando cadernos e livros dão lugar às fraldas e mamadeira, boa parte das mães adolescentes acaba desistindo da escola. Segundo informações do Ministério da Educação, um terço das jovens nessa faixa etária que estão fora da escola já é mãe".

A notícia possui dois conteúdos distintos. Primeiro, que menos da metade dos jovens está matriculada no ensino médio. Segundo, que das jovens que estão fora da escola, o motivo é a gravidez.

O que acontece entre o ensino fundamental e o ensino médio? Por que, historicamente, perdemos aproximadamente metade dos alunos na passagem entre esses dois segmentos do ensino? Os anos passam, os projetos pedagógicos mudam, gerações se sucedem nos bancos escolares, e continuamos com uma grande defasagem, conforme atestam os dados disponibilizados pelo Ministério da Educação.

Na minha época de estudante escolar - ainda peguei o antigo primário - era preciso fazer um ano de curso de admissão, realizar as provas e, caso aprovado, ingressar no antigo ginasial, hoje segundo segmento do ensino fundamental. Fazer o ginásio era uma glória, uma honra, e depois, ingressar no curso colegial, atual ensino médio, era coroar com brilhantismo os estudos. A faculdade ainda era vista como opção para poucos, com o famigerado vestibular eliminando a maioria. No meio desse caminho a lei mudou e os cursos primário e ginasial foram unidos no 1º grau, com o fim da admissão. Agora temos a educação infantil, o ensino fundamental, o ensino médio e o ensino superior. Palavras diferentes, realidades não muito diferentes.

A chave da questão está na qualidade do ensino que as escolas oferecem, e na interação social que estimulam. Com o crescimento absurdo das chamadas comunidades, antigas favelas, temos uma expressiva parcela da população vivendo uma segmentação social discriminatória, que envolve os jovens no mundo das drogas, da violência, do subemprego e da sexualidade sem controle. E eis a gravidez, levando meninas a partir dos 12 anos a serem mães.

A necessidade da orientação sexual no currículo é uma demanda ainda não atendida, e isso ocorre porque não conseguimos responder uma grave e profunda pergunta: Quem vai exercer a orientação sexual dos jovens dentro da escola? E mais: Qual adulto está preparado para exercer essa orientação? Quais serão os parâmetros norteadores desse trabalho? E como envolver pais e responsáveis num tema considerado por muitos um verdadeiro tabu?

Será que a gravidez na adolescência pode ser resolvida com a distribuição gratuita de preservativos? E isso resolve a promiscuidade sexual?

Alguns educadores querem que a escola se adapte a essa realidade, construindo creche, permitindo tempo adequado para amamentação dos filhos por parte das alunas-mães. Não cremos que essas atitudes sejam solução. Atenderão paliativamente a situação estabelecida, mas não podem ser classificadas como ações pedagógicas de prevenção.

Enquanto não tivermos um olhar profundo sobre a questão, estabelecendo padrões morais para orientação da sexualidade, ficaremos na superfície, com medidas paliativas.

Pensemos nisso!

terça-feira, 10 de março de 2009

Palavra Infeliz

Vivemos uma síndrome do diploma e da autosuficiência acadêmica só comparável ao século 19, quando fazer parte de uma academia - científica, musical, literária - equivalia a ter sempre a última e definitiva palavra, mesmo que essa palavra fosse absurda. Foi assim que os acadêmicos rejeitarm diversas descobertas científicas, ditas impossíveis ou mera loucura. O quadro não mudou muito, embora vivamos no século 21.

A Secretaria de Estado da Educação de São Paulo lançou no início de 2008 uma nova proposta curricular através do Jornal do Aluno em conjunto com a Revista do Professor. Hoje esses materiais estão reunidos no Caderno do Professor. Pois bem, alunos e professores da rede estadual de ensino protestaram, e protestam, alegando que o currículo foi imposto aos alunos e professores; que ele não se articula com as matérias dos livros didáticos; que ele tem linguagem difícil; que esse currículo traz sugestões de atividades com temas que não são do conhecimento dos alunos.

Todo esse rumor está estampado em comunidades virtuais - mais de 50 só no Orkut.

Essa polêmica serviu à revista Educação, edição nº 142, para um dossiê sobre "Quem decide o que se ensina". E a revista foi ouvir a Secretaria, representada pela assessora Maria Inês Fini, que afirmou:

"Nossa obrigação, como Secretaria de Educação, é propor. Os professores usaram e reagiram. Comunidade no Orkut é uma leviandade. (...) Somos professores, autores de livros. Sabemos o que estamos fazendo".

A palavra da assessora é infeliz. O fato dos membros da Secretaria acumularem certificados de mestrado e doutorado não lhes dá esse direito de se colocar acima do bem e do mal, ignorando solenemente o professorado, decidindo em nome de milhares de professores, muitos dos quais possuem diplomas de pós graduação e mestrado, e se encontram exercendo de fato o magistério, enquanto, sabemos, muitos mestres e doutores nunca saíram do gabinete universitário ou de uma secretaria. Podem exercer o ofício científico de elaborar propostas pedagógicas, mas daí a crerem ser detentores de todo o saber, vai muito longe.

Currículo emanado de um gabinete, ignorando a realidade, sem participação daqueles que fazem a escola, está fadado a muitas críticas e a morrer no caminho. Quando os mestres e doutores da educação vão entender que elaboração curricular pressupõe participação coletiva?

Ah, mas esses mestres e doutores escrevem livros. E temos que concordar com tudo o que escrevem? Será o professor destituído de razão, de pensamento crítico? Decerto que não.

Apesar de todos os avanços culturais, continuamos a assistir a imposição de cima para baixo, da Secretaria para as escolas, sem a existência de comunicação e, muito menos, participação.

A arrogância, prepotência e orgulho de muitos mestres e doutores em educação são pedras no caminho do ensino. Enquanto deixarmos o academicismo tomar conta do trabalho curricular, continuaremos a assistir fracassos pedagógicos.

O mínimo que se esperava da assessora era uma atitude de humildade, informando que a Secretaria da Educação estava estudando as reclamações. Mas sua palavra deixou tudo bem claro: quem entende somos nós, os outros que fiquem no seu lugar. Esqueceu que esses outros, em maioria, também possuem diploma de Pedagogia.

Pensemos nisso!

Vídeo - O Jovem e a Dinâmica Educacional

O vídeo sobre educação espírita O Jovem e a Dinâmica Educacional aborda a importância da participação do jovem no processo ensino-aprendizag...