sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Mais uma edição da ReConstruir

Está no ar a edição de setembro da revista ReConstruir - a sua revista sobre educação -, publicação on line do Instituto Brasileiro de Educação Moral (IBEM).

Nesta edição a reportagem principal discute os valores morais e a ética na educação. Traz meu artigo sobre responsabilidade educacional. Entrevista com o educador espanhol Álvaro Marchesi sobre cidadania e respeito ao aluno. E tem ainda artigos, reportagens, contando histórias e muito mais, tudo com acesso gratuito na internet.

Leia a ReConstruir em www.educacaomoral.org.br/reconstruir.

Boa leitura!

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O que é educação moral

Há mais de dez anos lançamos o Projeto Educação Moral para Formação do Homem, onde desenvolvemos uma filosofia espiritualizante da educação, com a aplicação da Pedagogia da Sensibilidade para chegarmos à Escola do Sentimento. A base do projeto e da filosofia é a educação moral do ser. Em que consiste essa educação é o objeto deste texto.

Devemos esclarecer que entendemos o homem, seja ele criança, jovem ou adulto, como um ser criado por Deus e dotado de potencialidades a serem desenvolvidas pelo processo de educação, conforme entendimento do mestre Pestalozzi, de quem colhemos maravilhosas inspirações. Essas potencialidades, já o sabe a ciência, podem ser classificadas em dois grandes grupos: a inteligência (ou cognitivo) e o emocional (ou sentimento). O homem é dotado de inteligência e de sentimento, e hoje aprendemos com as pesquisas psicológicas que não basta realizar o desenvolvimento congnitivo (da inteligência). É necessário, igualmente, realizar o desenvolvimento emocional do indivíduo. Aqui está a base da educação moral.

Desenvolver emocionalmente significa trabalhar para que o indivíduo incorpore ao seu psiquismo as virtudes (que ainda muitos educadores consideram uma palavra fora do vocabulário da pedagogia), ou, se quiserem, os valores humanos que o façam uma pessoa honesta, solidária, cooperativa, paciente, trabalhadora, persevernate, justa, ética, cidadã. Esse é o trabalho da educação moral. E deixemos claro não se tratar de educação religiosa. A educação moral nada tem a ver com a religião, com nenhuma doutrina religiosa, por melhor que ela seja.

A educação moral, conforme escrevemos no livro "A Educação Moral e Sua Aplicação na Família e Escola", que teve como primeira edição o título "O Espírito da Educação", pode ser assim entendida:

"Entendemos a educação como sendo formadora da moral e da inteligência do homem, em outras palavras, como sendo o elemento que desenvolve toda a potencialidade existente no ser humano, por isso que compreender a educação é saber direcionar o homem no mundo. Educar é transformar. Educar é potencializar. Educar é trabalhar tanto a inteligência quanto a moral, para que o homem saiba, através da moral, o que fazer da inteligência. Compete à educação levar o homem para objetivos definidos em sua vida, em que ele tome atitudes baseadas na sua plena consciência, sabendo que não vive isolado ou apenas para si, mas numa coletividade, numa sociedade organizada em que, se tem direitos, possui também deveres. A educação do caráter gera responsabilidades. A educação moral gera seres sensibilizados, com sentimento no coração, que irão buscar o desenvolvimento da inteligência para o progresso comum"

Na educação moral.trabalhamos para que o indivíduo, na sua singularidade, faça crescer seu senso moral diante de situações-desafio que o fazem pensar e colocar-se no contexto da vida. Com sua criticidade aguçada, saberá então dinstinguir o bem e o mal, para si e para os outros, sem discursos falseadores.

Ainda em meu livro acima citado, escrevemos:

"Moral é a regra da boa conduta, da distinção que fazemos entre o que é bom e o que é ruim, para nós e para os outros, utilizando um ensino milenar daquele que se considerava Mestre: façamos aos outros somente o que queremos eles nos façam. O homem moral se preocupa com o interior para melhor equacionar o exterior. A cultura tem o valor que merece mas a conquista de virtudes é primordial. Ele valoriza a alma antes que o corpo e percebe este corpo como parte de si mesmo, que também deve ser cuidado enquanto instrumento de crescimento para a alma. A educação moral irá trabalhar com duas realidades essenciais: o bem e o mal, o que é bom e o que é ruim na formação do caráter. Este nosso enunciado pode levar muitos teóricos da educação julgarem ser necessário estabelecer o que deve ser ensinado e o que não deve ser ensinado, mas não é isso o que estamos propondo, mesmo porque tudo deve ser ensinado, ou melhor, tudo deve ser facultado ao educando conhecer, ao mesmo tempo em que, exercitando suas potencialidades morais e intelectuais, sob a orientação do educador, vai separando o joio do trigo, entendendo o que lhe faz bem ao caráter e faz bem para o próximo na sua conduta social".

Como a educação moral ainda é considerada uma novidade, e sua implantação na escola vista como um mistério, pois não parece se encaixar no que hoje se faz no processo ensino-aprendizagem, convidamos os leitores para conhecer o Projeto Educação Moral para Formação do Homem, dando posibilidade aos educadores de fazerem salutares reflexões, pois é concordância geral que novos rumos precisam aclarar a educação, a práxis educacional. O projeto está disponível em www.educacaomoral.org.br.

Enquanto isso, deguste, caro leitor, este texto. Saboreie seu conteúdo e dispa-se de pré-conceitos, única maneira de maravilhar-se com a educação moral e perceber que, com ela, podemos ser diferentes e fazer a diferença.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Desviar verbas da educação poderá ser crime hediondo

O desvio de verbas da saúde e da educação pode se tornar crime hediondo. Projeto aprovado pela Comissão de Educação do Senado inclui na lei dos crimes hediondos as ações de corrupção, peculato ou formação de quadrilha quando estiverem relacionadas a licitações, contratos, programas e ações nas áreas de saúde e educação.

O objetivo da proposta é endurecer as penas para evitar fraudes com recursos públicos em duas áreas consideradas essenciais para a população.

Para virar lei, o projeto precisa ser aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado e pela Câmara.

Autor do projeto, o senador Lobão Filho (PMDB-MA) disse que 70% dos recursos públicos desviados no país são da saúde e da educação. Entre 2007 e 2010, diz a Controladoria-Geral da União, foram desviados por prefeituras mais de R$ 600 milhões nessas duas áreas.

O projeto altera a lei 8.072, de 1990, que define o rol de crimes hediondos. Estão na lista latrocínio (roubo seguido de morte), estupro e falsificação de produtos para fins terapêuticos e medicinais, entre outros. Esses crimes são inafiançáveis, sem possibilidade de anistia e com penas de até 30 anos de reclusão.

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Historicamente sempre assistimos governadores, prefeitos e secretários de educação desviarem as verbas destinadas à educação, sem que os mesmos fossem punidos, apesar dos escândalos. Hohje discute-se uma Lei de Responsabilidade Educacional e agora essa proposta de Crime Hediondo para desvio de verba pública destinada à educação. É um avanço, sem dúvida, embora não saibamos se esses projetos de fato vão se tornar lei e, se isso acontecer, que mecanismos interpretativos serão sancionados, abrindo brechas no seu entendimento e aplicação.

É triste constatar que precisamos de leis rígidas para controlar o que deveria ser prioridade de todo governante, de todo administrador público. E mais triste é verificar que, se de um lado estamos preocupados em combater o desvio de verba pública destinada à educação, de outro lado pouco esforço estamos fazendo em mudar a educação, em transformá-la efetivamente em formadora do senso moral dos indivíduos.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Cidadania moral e ética como disciplina no ensino fundamental

Esta notícia está no site da Band - www.band.com.br - e foi postada dois dias atrás, ou seja, dia 11:
 
O currículo do ensino fundamental terá a disciplina cidadania moral e ética. A decisão, em caráter terminativo, foi aprovada nesta terça-feira, dia 11, pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado. A medida também inclui no currículo do ensino médio a disciplina ética social e política.

O Projeto de Lei do Senado 2/2012, de autoria do senador Sérgio Souza (PMDB-PR), modifica a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), incluindo a disciplina como obrigatória para o ensino fundamental. Entre as justificativas de Sérgio Souza para o projeto, está “a necessidade de aprimoramento da LDB, com a criação de disciplinas que deem aos estudantes melhor formação ética, social e política, o que os capacitará para o correto entendimento dos principais problemas sociais do nosso país e do mundo”.

A diretora executiva do Todos pela Educação, Priscila Cruz, criticou a medida e o excesso de disciplinas já constantes do currículo da educação básica. “Que horas que os alunos vão conseguir aprender aquilo que é essencial? Não que [o projeto de lei do Senado] não seja importante, realmente vivemos uma crise de valores na sociedade. O que acontece é que tudo recai na escola. Não tenho dúvidas que o aluno deve refletir sobre questões de ética, mas não se aprende na teoria. É no dia a dia”, defende.

Priscila Cruz considerou “desnecessária” mais uma disciplina e destacou que o conteúdo deve ser trabalhado de forma transversal em todas as disciplinas. “Não se pode separar ética, ela tem que estar presente em todos os conteúdos. Como tema transversal é perfeito. Cidadania é ética, e isso a gente vivencia”, completou.

A comissão também aprovou hoje, em decisão terminativa, o projeto de lei que modifica a Política Nacional do Livro. Com a mudança, os livros eletrônicos serão equiparados aos tradicionais na legislação brasileira, inclusive na isenção de impostos.

Em outra decisão, foi aprovado o parecer favorável do senador Cristóvam Buarque (PDT-DF) ao projeto de lei que considera crime hediondo o desvio de verbas destinadas a programas de educação e saúde (PLS 676/2011). A matéria agora vai para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), onde receberá decisão terminativa.

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Também acredito que cidadania, moral e ética não devem fazer parte de uma única disciplina, e sim estarem presentes em todo o currículo escolar, em todas as atividades, envolvendo todos os professores, pois não será a teoria em sala de aula, descolada da prática do dia a dia da vivência humana, que atingirá o objetivo desejado.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Lei que Pune ou Escola que Educa?

A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 267/11, que estabelece punições para estudantes que desrespeitarem professores ou violarem regras éticas e de comportamento de instituições de ensino. Em caso de descumprimento, o estudante infrator ficará sujeito a suspensão e na hipótese de reincidência grave, encaminhamento à autoridade judiciária competente. A proposta muda o Estatuto da Criança e do Adolescente para incluir o respeito aos códigos de ética e de conduta como responsabilidade e dever da criança e do adolescente na condição de estudante.

Bem, amigo leitor, diante desse projeto de lei temos que fazer alguns questionamentos:

1) O adulto na condição de professor também não deveria ser penalizado por desrespeitar o código de ética e conduta da escola, quando desrespeita os alunos, repete indefinadamente a mesma aula e, caso mais grave, quando xinga, deprecia e mesmo agride um estudante?

2) Se a questão é tratar a indisciplina como caso de polícia, então porque não transformamos a escola em instituto para menores infratores, com todo o aparato de segurança pública? O problema é saber o que fazer com os estudantes não infratores.

3) Onde está a prova que reduzindo a idade penal - querem reduzir para 15 anos - termina a violência na escola?

O olhar sobre a educação e a escola está distorcido, e de há muito tempo, motivo pelo qual temos tantos problemas. Hoje os índices de repetência, de evasão escolar e de analfabetismo funcional no ensino fundamental continuam alarmantes. A deterioração do ensino médio é reconhecida inclusive pelas autoridades. E o sistema de cotas no ensino superior é uma aberração para mascarar as deficiências da base educacional.

Não se resolve a indisciplina, o desinteresse, o bullying, as drogas e a violência nas escolas com redução de idade penal, punições e polícia dentro da escola. Todas essas coisas falam da nossa falência em gerir a educação, da nossa incompetência em entender o que é educar.

Falta nas escolas humanização do ensino. Falta também desenvolver a educação dos sentimentos. Falta valorizar o estudante como ser humano. Falta igualmente melhor preparar os professores. Falta inserir a família no processo educacional formal. Falta adequar fisicamente a escola para sua finalidade. Falta trabalhar a cidadania. E falta desenvolver a resolução de conflitos.

Querem criar leis para punir. A escola existe para educar.

Será que esse tempo, da escola que educa, ninguém quer resgatar para o bem de nossa sociedade?

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Ensino Fundamental com Graves Problemas

Saiu no O Globo e é destaque no G1, o portal de notícias da Globo:

Divulgados há três semanas, os resultados do Ideb, principal indicador da qualidade da educação no Brasil, preocuparam o MEC principalmente pela estagnação do ensino médio de 2009 para 2011. Dados obtidos pelo GLOBO junto ao Inep, autarquia do MEC responsável pelas avaliações, revelam, no entanto, que os problemas que resultam no quadro preocupante do antigo 2º Grau começam antes, já ao final do ensino fundamental, onde o percentual de alunos com conhecimento considerado adequado é de apenas 17% no caso de matemática e de 27% em língua portuguesa.

Além disso, em matemática, um terço dos estudantes que completa o fundamental registrou nos testes do MEC notas que os colocam abaixo até do que se espera para um aluno do 5º ano, (4ª série do antigo primário). Os dados constam de um relatório feito pelo Inep com base no desempenho dos alunos na Prova Brasil, testes de português e matemática aplicados a estudantes da rede pública que fazem parte do cômputo da nota final do Ideb, indicador que reúne essas médias com taxas de aprovação.

Dito de outra forma, 83% dos jovens avaliados ao final do ensino fundamental demonstraram saber menos matemática do que deveriam, o que significa que têm dificuldades para resolver problemas envolvendo porcentagens e frações.

O cenário é menos pior no caso das provas de português e nos anos iniciais do ensino fundamental. Nessa disciplina, o percentual de estudantes com nível adequado chega a 27% ao final do fundamental (antigo ginásio), sendo que um quinto registrou nível de conhecimento abaixo do que se espera até no 5º ano.

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Diante desse quadro, a prioridade do MEC tem de ser o ensino fundamental, com ações determinantes para que os muncípios, responsáveis por esse segmento de ensino, cumpram pedagogigamente o que lhes compete, pois se isso não for feito, o ensino médio continuará a sofrer, e o ensino superior irá conhecer o maior declínio de qualidade de sua história.


Vídeo - O Jovem e a Dinâmica Educacional

O vídeo sobre educação espírita O Jovem e a Dinâmica Educacional aborda a importância da participação do jovem no processo ensino-aprendizag...