sexta-feira, 28 de abril de 2017

Pela ordem, pela paz e pela não-violência

Todo cidadão tem o direito de reinvindicar das autoridades públicas o cumprimento dos seus deveres e a obediência àas leis, assim como pode manifestar-se em conjunto para pressionar por mudanças e mostrar sua insatisfação e indignação. Deve, entretanto, entender que reeinvindicações e manifestações devem ser realizadas de forma pacífica, ordeira, e sem restringir o direito do outro de não aderir. Quando utilizamos de atos violentos, invasivos, como é o caso do vandalismo, e em protesto impedimos que os outros circulem e trabalhem normalmente, estamos infringindo a própria lei que queremos que os os outros obedeçam. Nenhum radicalismo é bem-vindo, pois nada traz de bom e útil.

Precisamos entender que por trás de muitas manifestações e reinvindicações, está o interesse de grupos por vantagens que dizem respeito somente a eles, embora isso esteja disfarçado com um discurso aparentemente popular. Por esse motivo precisamos exercer o bom senso, aprofundar o conhecimento sobre a questão e, mesmo que a causa seja justa, entender que não é a violência o melhor caminho, que não é o radicalismo a melhor solução, e sim a conscientização paulatina de todos pelos meios disponíveis de comunicação e pelas manifestações obedecendo a ordem, sempre de forma pacífica. Bombas, quebra-quebra, gritos de ordem, enfrentanentos agressivos não se coadunam com uma nova e melhor ordem social.

Lembremos de Gandhi, o apóstolo hindu da não-violência, que enfrentou os colonizadores britânicos sem nunca ter agredido ninguém, paulatinamente levando a população da Índia a pressionar pela liberdade, pela plena autonomia e independência de sua nação, até o ponto em que os colonizadores ficaram em situação de ingovernabilidade, tendo que realizar acordos até sua retirada completa do país. Levou tempo, mas Gandhi conseguiu, motivo pelo qual foi chamado de Mahatma, ou seja, Grande Alma. É um exemplo muito forte que deve calar fundo em nossa consciência. E por falarmos em exemplo, lembremos de outro humanista, ativista e pacifista que marcou a todos nós: Martin Luther King. Trabalhou incansavelmente pelo fim da segregação racial nos Estados Unidos sem nunca ter compactuado com qualquer retaliação contra os opressores. E não poderíamos deixar de citar, com reverência, a Nelson Mandela, que pacientemente suportou o peso da prisão e fez com que a população negra da África do Sul entendesse que o passado deveria ficar no passado, que o futuro somente seria melhor se no presente houvesse compreensão, perdão e reconciliação.

É entristecedor assistir grupos radicais criarem baderna na tentativa de provocar uma paralisão geral, sem que isso esteja no anseio da população. E também é lamentável ver as autoridades públicas reagirem através da repressão violenta dos órgãos de segurança. Uns e outros estão equivocados.

Mannifestemos nossas angústias, nossas apreensões e aspirações por uma nação melhor, por leis mais justas, pelo fim de privilégios e tudo o mais que vise uma sociedade brasileira mais equilibrada e exemplo para o mundo, mas façamos isso respeitando o direito do outro e obedecendo parâmetros de civilidade, sob pena de sermos classificados como povo que desconhece os princípios mínimos e razoáveis da ética, da moral e da cultura de uma verdadeira civilização, de um povo esclarecido.

Quando vamos entender que seremos melhores na medida em que nos melhorarmos, e que isso somente pode ser feito através da educação?

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Diante da crise

A nação brasileira está passando nos últimos tempos por momentos complicados, que tem repercutido na atmosfera social, levando a uma incerteza quanto ao futuro. Entre os vários episódios ocorridos podemos destacar as delações premiadas levando autoridades públicas, parlamentares e outras pessoas aos tribunais; o impeachment da presidente da república; a falência financeira de vários estados; o eclodir da violência com o crescimento da criminalidade; o aumento do desemprego por motivo da crise econômica.

Diante desse quadro muitas pessoas adentram pela desesperança, pela desmotivação, ou reagem subvertendo a ordem e os valores morais, como no caso de saques na ausência da autoridade policial, ou em manifestações públicas que descambam para a violência, ou mesmo em praças esportivas com a explosão do ódio e da agressividade selvagem. São demonstrações do quanto estamos ainda vinculados aos instintos e ao imediatismo, procurando na violência ou na repressão dos órgãos de segurança pública, solução para problemas que na verdade são de ordem moral.

Uma sociedade que se considere civilizada não pode submeter-se à ordem e à legalidade apenas quando há coerção da autoridade policial, sendo que na sua ausência essa mesma sociedade atropela as leis, as regras de boa convivência, e se manifesta em atos de selvageria ou, ao contrário, de indiferença.

Precisamos encontrar equilíbrio revisando nossos valores de vida e nossas atitudes no coletivo, reconstruindo, sem traumas, a zona de conforto em que até então vivíamos, e que nos satisfazia, mas que agora a crise social está nos solicitando transformar.

E para onde vamos? Par os valores morais da vida, humanizando-nos e espiritualizando-nos, aprendendo paulatinamente, e com perseverança, a colocar em prática a regra de ouro da educação: aprender a fazer ao outro o que gostaria que o outro me fizesse.

É uma regra universal e para todos os tempos que, desejemos ou não, nos liga a Jesus, ícone do cristianismo, regra que tem por alicerce o amor ao próximo, justamente o que está faltando, e que deveria ser o norteador da educação, pois se temos muitos aprendizados na família e na escola, falta-nos aprender o essencial, até hoje menosprezado pelos pais e professores, que são os encarregados do ensino.

De que adianta alta dose de conhecimentos se nos falta o sentimento?

Precisamos substituir a autoridade da segurança pública, via policiamento ostensivo e embates violentos, pela autoridade da educação moral, via desenvolvimento do caráter e das virtudes, em manifestações de justiça e de amor. Assim realizando, as crises haverão de minimizar e mesmo desaparecer com o tempo, e o desânimo e a desesperança serão substituídos pelo trabalho incessante e a perspectiva de um futuro cada vez melhor.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

A solução está na educação moral

Nossa experiência de vida, afinal já ultrapassamos a casa dos sessenta anos, nos permite dizer que estamos diante de um quadro social profundo de crise de valores, tanto individuais quanto coletivos, provocando escândalos os mais diversos, em todas as áreas de atuação humana. Apesar de aparentemente o mundo estar perdido, como dizem muitas pessoas, não vemos motivo para desânimo, pelo contrário, pois estamos fazendo uma revisão dos nossos valores de vida, estamos repensando a ética e aprimorando nossa justiça. Muitas pessoas se deixam levar por uma onda de pessimismo, mas a verdade é que para reconstruir a nós mesmos e a sociedade em que vivemos, o trabalho é penoso, exigindo perseverança e paciência.

Não é fácil sair da zona de conforto que criamos e na qual vivíamos, e que agora tem suas estruturas abaladas, necessitando de reformas. Viver numa casa em obras é penoso, mas o resultado final compensa. É nisso que temos de pensar no momento: nossos valores estão em ebulição, estão questionados, e temos que reformulá-los, pois o que parecia legítimo já não o é mais, o que parecia correto está equivocado. Agora precisamos também pensar no outro, e não somente em nós mesmos.

Essa crise de valores já estava anunciada, sendo acelerada após a segunda grande guerra mundial, e poderia ter sido evitada, ou pelo menos muito minimizada, se desde aquela época, e estamos falando da década de 40 do século 20, tivéssemos nos aplicado na implantação da educação moral nas famílias e nas escolas. Isso mesmo, nessas duas tão importantes instituições sociais.

A escola tem a missão de educar, mas essa misssão só é completa se conjugada com a família, pois ela é a primeira escola, o lar é onde os filhos ganham a orientação provinda dos exemplos, é onde ganham o desenvolvimento dos hábitos, e todos sabemos que isso pode ser positivo ou negativo. E o papel da escola é muito mais do que instruir, do que ficar em procedimentos pedagógicos atrelados a conteúdos de matérias, ou disciplinas, curriculares.

O tempo passou e várias gerações deixaram de receber a educação moral, os bons exemplos, os valores e virtudes que fariam da nossa sociedade atual exemplo de justiça, paz e amor. O que temos assistido é injustiça, violência e egoísmo. Jovens e adultos imediatistas, materialistas e que não pensam nem no próximo nem no dia de amanhã.

E não será a segurança pública a solução do problema. Precisamos de sentimento, de humanização, de um trabalho porfiado na educação que espiritualize, que humanize, que desenvolva as visrtudes, que forme o caráter. E já se vão mais de 70 anos do fim da Segunda Guerra, e ainda não compreendemos que a melhor opção é a educação moral das crianças e jovens.

Quanto mais tempo adiarmos a verdadeira solução, mais tempo teremos de crises e escândalos. Saiamos da retórica, da teoria, do discurso, para vivenciarmos, tanto na família quanto na escola, os novos tempos de uma sociedade mais justa e feliz, novos tempos dependentes da nossa educação moral e das novas gerações.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Os muros de concreto e a falência da sociedade

A cidade do Rio de Janeiro vive uma realidade iniciada há décadas: favelização social com a ocupação de morros e outras áreas por favelas, também chamadas de comunidades. Segundo o Censo 2010 do IBGE, temos 1.393.314 pessoas em 763 favelas na cidade, o que significa que 22,03% da população (6.323.037 nesse ano) vive em aglomerados subnormais, como classifica oficialmente o instituto. Todos sabemos que boa parte dessas favelas são dominadas pelo tráfico de drogas ou pelas milícias, com alto índice de violência, que nem mesmo a intervenção das Unidades de Polícia Pacificadora - UPPs tem resolvido. Tiroteios e mortes são comuns, num índice alarmante, e nem mesmo as crianças são poupadas, muitas delas uniformizadas e em plena atividade escolar, como temos visto através dos noticiários. E face a mais uma morte de uma criança dentro de uma escola inserida em uma favela, o prefeito do Rio de Janeiro dclara a solução para o problema: vai blindar com muro de concreto todas as escolas municipais que estão em favelas e comunidades. Por que não blinda também as moradias dos cidadãos que vivem de forma ordeira e honesta nessas comunidades? Eles também não merecem essa proteção? E os postos de saúde e outras instituições de caráter sócio-educacional ali existentes?

Parece que para o senhor prefeito importante é proteger alunos e professores, mesmo que os moradores estejam sob o jugo do tráfico, da milícia, da violência. Desde que as balas perdidas não entrem na escola ...

Concretar muros no entorno das escolas que estejam em áreas de risco é decretar a falência da sociedade carioca, é mostrar a falta de visão da autoridade pública, é abrir o espaço urbano generosamente para o mal. Não importa o que esteja acontecendo do lado de fora, desde que a escola esteja protegida. Entretanto, por que os milhões de reais que serão gastos para a construção desses muros não são gastos com a urbanização da favela? Com a introdução de mais creches e escolas? Com a instalação de posto de saúde? Com a instalação de água, esgoto e luz para todos? Em outras palavras: muros não resolvem, o que resolve é intervenção social com educação, cultura, saúde e saneamento.

Durante a campanha eleitoral muito foi falado em gestão humanizada, em prestação de serviços de qualidade à população, com menos obras pela cidade, a não ser aquelas realmente necessárias. Mas agora vamos assistir a construção de muros de concreto em dezenas, ou centenas, de escolas.

Se muros, cercas eletrificadas, alarmes, seguranças armados, câmeras de vigilância, muros de concreto trouxessem a paz e a justiça social, há muito o Rio de Janeiro - e outros grandes centros urbanos brasileiros - estaria classificado como melhor cidade para se viver.

Agora é a hora de não mais adiar projetos sociais nas favelas e comunidades da cidade maravilhosa, e sim a Prefeitura, com as parcerias público-privadas, mergulhar com tudo no resgate desses aglomerados subnormais, integrando-os aos bairros em que se situam, ou transformando-os definitivamente em bairros, mas não apenas no papel, e sim de fato.

E que o investimento em educação de valores humanos, em educação moral, em educação humanizada, em educação que gera autonomia responsável, seja visto como a solução dos males que impregnam nossa sociedade. Temos consciência que esse resultado não é de curto prazo, mas com certeza gerará uma sociedade regenerada em médio e longo prazo.

A educação é tudo. A escola é muito importante. A família é fundamental. Enquanto estivermos fugindo da realidade com paliativos e máscaras, o mal continuará a sair vitorioso e em festa.

Vídeo - O Jovem e a Dinâmica Educacional

O vídeo sobre educação espírita O Jovem e a Dinâmica Educacional aborda a importância da participação do jovem no processo ensino-aprendizag...