quarta-feira, 30 de agosto de 2023
segunda-feira, 28 de agosto de 2023
Os dramas sociais e a responsabilidade humana
Vários países estão sofrendo forte pressão em suas fronteiras face ao processo de grandes levas populacionais de outros países que querem adentrar em seu território, onde sonham conseguir melhor condição de vida. Isso está acontecendo, por exemplo, com os países europeus, com os Estados Unidos e outras nações. Conclama-se a esses países terem políticas públicas claras de acolhimento, albergamento e encaminhamento humanitário para os refugiados de outros países, e isso é justo e necessário, mas não é solução, pois a migração de populações inteiras tem suas causas que precisam ser combatidas. Por que essa massa de migrantes pedindo socorro e correndo risco de morte em travessias muito perigosas? Porque seus países estão mergulhados em guerras civis, em crises econômicas, em perseguições políticas realizadas por governos totalitários, e tudo isso leva à fome, à miséria, à injustiça social, à corrupção, à perseguição por pensar diferente, à falta de educação, de oportunidade de trabalho digno e bem remunerado,à falta de qualidade na saúde pública.
A solução não está simplesmente em destinar verbas públicas emergenciais a esses países, pois pesquisa realizada pela Organização das Nações Unidas mostrou que de cada cinco dólares destinados a programas de ajuda humanitária, dois a três dólares desaparecem por causa da corrupção e enriquecimento ilícito de poucos. Temos, pois, um grave problema de ordem moral a ser resolvido, o que somente pode acontecer com a educação, que normalmente não é prioridade dos governantes dessas nações.
Isso não quer dizer que os países ricos devam paralisar a ajuda humanitária, pois não se pode condenar a população a mais sofrimento, mas que devem fazer pressão sobre esses governos para que os mesmos mudem suas políticas públicas, condicionando o auxílio a realizações práticas nos campos da educação, da saúde, do emprego, do saneamento básico, do desenvolvimento econômico e da garantia dos direitos humanos.
É natural que diante de quadros emergenciais tenhamos a ação humanitária de organizações como a Cruz Vermelha, Médicos sem Fronteiras, Unesco e outras, que realizam trabalho exemplar e merecem todo apoio, entretanto o ideal é a mudança de postura dos governantes dessas nações empobrecidas e mergulhadas em despotismo e guerra civil, para que as causas sejam erradicadas em sua raiz, e que não fiquem perpetuamente dependentes da ajuda humanitária internacional, que nem sempre chega à população.
Já passou a hora de entendermos a necessidade da fraternidade e da solidariedade acima de interesses políticos mesquinhos. O governante, seja ele quem for, seja de qual ideologia for, tem compromisso com o bem estar coletivo, de todos, e comete crime de lesa humanidade quando sanciona privilégios e cerceia a liberdade, liberdade que é direito inalienável do indivíduo.
Os dramas sociais existem, isso é fato, mas a responsabilidade por sua existência não é de Deus, e sim nossa responsabilidade, pois somos nós, os seres humanos, que criamos as diferenças, que alimentamos os preconceitos, que aplaudimos o desgoverno, que mantemos as injustiças e os privilégios, e que fomentamos o monstro devorador implacável da guerra, gerando dor, sofrimento, miséria, destruição e ódios.
Onde a solução para tão grave questão social? A solução está na educação, mas a educação como entendida pelo Espiritismo, ou seja, a educação moral do espírito imortal, aquela que dá ao indivíduo perspectiva transcendente para o viver, aquela que combate as más tendências do caráter e faz desenvolver as virtudes, colocando no mundo homens e mulheres de bem, que não mais admitirão a existência da injustiça e da miséria, e que tudo farão, em nome do amor, para estabelecer a paz, a ética, a cooperação entre as pessoas e entre as nações.
Longe ainda podemos estar dessa nova humanidade, contudo mais próximo dela ficaremos se não mais adiarmos a educação moral numa visão espiritualista, como a que nos entrega a Doutrina Espírita, que revive em espírito e verdade os ensinos morais de Jesus, como os encontramos no Evangelho, a luz imperecível do amor maior que deve iluminar os passos, os corações e as mentes de todos os seres humanos.
quarta-feira, 23 de agosto de 2023
segunda-feira, 21 de agosto de 2023
O envekhecimento e a vida futura
Faz parte da vida humana envelhecer, acumulando anos de vida com suas experiências e aprendizados, adentrando à chamada terceira idade, o que leva toda pessoa que está vivendo a velhice a pensar na morte, que um dia fatalmente chegará. Esse é um assunto que merece reflexões a partir da visão espiritualista da vida que os princípios da Doutrina Espírita nos apresentam. Muitos encaram a morte como o fim da vida, o fim de tudo: são os materialistas; os espíritas encaramos a morte como continuidade da vida, retorno da alma ao mundo espiritual, sobrevivendo ao fenômeno da extinção do veículo físico que é o corpo orgânico, e mantendo a sua individualidade. Cremos que a alternativa espiritualista, e mais especificamente a alternativa espírita, é a que melhor responde aos anseios e dúvidas dos que já estão com a idade avançada.
Mas antes de falarmos sobre a vida futura, façamos algumas reflexões sobre a vida terrena e, permita-me o leitor, colocar-me nessas reflexões, afinal já estou quase na casa dos setenta anos, portanto sou um vivenciador do envelhecimento corporal, mas procurando me manter como um idoso, pois segundo os estudiosos do assunto há diferença, e significativa, entre ser “velho” e ser “idoso”. Velho é a pessoa que para no tempo, que não entende dessas coisas modernas, que foge da tecnologia, que vive recordando o passado, “aqueles bons tempos”, e deixa o tempo passar, inutilmente, aguardando a morte. Já o idoso é aquela pessoa que, embora com a idade mais avançada, vive o dia a dia como ele é, ocupando-se utilmente, acompanhando os avanços humanos nas mais diversas áreas, sabendo o que acontece e não se entregando à ociosidade, de acordo com a sua capacidade física e mental.
Como vemos, existe significativa e profunda diferença entre “velho” e “idoso”. Estou procurando me manter na lista dos idosos, estudando, realizando, procurando ser útil, preservando a saúde, sem deixar o tempo passar pela janela, nem ocupar os dias jogando dama ou cartas na praça, o que considero muito tedioso e inútil. Nada contra quem o faz, não estou tecendo julgamento, cada um faz o que quer com seu livre arbítrio, mas exerço o direito de refletir sobre o uso do tempo na vida, ainda mais quando se tem – e o tenho – visão espiritualista sobre o nascer, viver e morrer, na certeza de ser uma alma que não está a simples passeio aqui pela Terra.
Refletindo sobre a velhice, devemos reconhecer que mesmo com a saúde debilitada, sempre temos algo a fazer, como, por exemplo, passar nossa experiência de vida aos mais jovens, em especial aos netos e/ou bisnetos, dando-lhes bons e sábios conselhos. Podemos ser contadores de histórias, daquelas baseadas em bons exemplos, enquanto as forças físicas permitirem. Ser útil até o final da existência, essa deve ser a força a nos mover, em qualquer circunstância, tendo resignação quanto ao que podemos fazer e o que não mais podemos fazer, pois Deus sabe de nós e não nos falta com seu amparo.
Agora, se estamos com boa saúde, tanto física quanto mental, por que se entregar a uma aposentadoria ociosa, dizendo já ter, profissionalmente, trabalhado muito, quando podemos ainda realizar muitas coisas? Por que se entregar ao desânimo, à inutilidade, dizendo que apenas esperamos a morte chegar? Não, definitivamente não. Estamos na Terra para realizar o aprendizado do “amai-vos uns aos outros”, o que não depende de profissão remunerada ou de idade, pois sempre é tempo de aprender a amar, de se colocar a serviço do bem.
Quanto à morte, somente Deus o sabe, não temos controle sobre ela. Se não sabemos quando vamos morrer, nem como vamos morrer, por que ficarmos preocupados com ela? Temos que tocar a vida em frente, continuando a ter sonhos, ideais a alcançar e, se eles forem interrompidos pela visita da dona morte, paciência, mesmo porque a vida continua, e como continua, vamos prosseguir estudando, aprendendo, trabalhando e nos aperfeiçoando, apenas que não no mundo material, e sim no mundo espiritual.
Como nos lembra o filósofo, professor e escritor José Herculano Pires, precisamos aprender a nos preparar para a chegada da morte, reconhecendo que os desígnios divinos são soberanos e sempre para o nosso bem, e que a vida continua, existe vida futura, pois somos imortais. Se, vez ou outra, perguntarmos “quanto tempo de vida ainda tenho?”, respondamos com toda certeza: a eternidade, pois a existência física é limitada e passageira, mas a vida do espírito é para todo o sempre!
quarta-feira, 16 de agosto de 2023
segunda-feira, 14 de agosto de 2023
Espiritismo e curas espirituais
Vez ou outra a imprensa publica notícias sobre má conduta deste ou daquele médium de cura, dizendo que ele é um médium espírita. A questão a que nos atemos é quanto à representação do Espiritismo, uma doutrina séria de caráter científico e filosófico com graves consequências de ordem moral. Esclarecemos que cirurgias e tratamentos espirituais não representam o Espiritismo. Médiuns de cura não são exclusividade do Espiritismo. E quando essas cirurgias e tratamentos se revestem de uma aura mística, passam muito longe de representar uma doutrina qual a espírita, que não admite nenhum tipo de ritual. Não estamos aqui para debater a veracidade ou não das curas espirituais promovidas pelo médium e seus adeptos, pois isso não nos compete, e sim para dizer que nenhum médium, seja quem for, por si só represente o Espiritismo, que é obra dos espíritos, tendo seus princípios muito bem explicados nas obras organizadas por Allan Kardec. Lamentamos profundamente o equívoco que se faz entre o Espiritismo e os médiuns, tomando-se um pelo outro, quando absolutamente distintos. O Espiritismo é muito sério e nada tem a ver com instituições ditas espíritas que mais parecem hospitais místicos, portanto em conflito com os postulados da doutrina que dizem representar.
Quando a seriedade do Espiritismo em promover a transformação moral do homem e da humanidade é substituída por reuniões de tratamento espiritual, onde multidões acorrem para obter cura de males orgânicos, quando na verdade o Espiritismo não veio substituir a medicina, não sendo objetivo da Doutrina Espírita a cura de corpos, e sim a redenção de almas, temos um sério desvio de finalidade da doutrina e do centro espíritas.
Temos assistido verdadeiros espetáculos mediúnicos, em nome do Espiritismo, acontecendo pelo território nacional, com médiuns psicógrafos viajando e anunciando o recebimento público de cartas de familiares desencarnados; médiuns de pintura mediúnica fazendo apresentações de suas habilidades, como se os artistas plásticos de outrora estivessem a seu emprego; instituições ditas espíritas que priorizam o chamado tratamento espiritual, com práticas conflitantes com os princípios tão bem estudados e esclarecidos nas obras de Allan Kardec, obras que são a base segura da doutrina. Temos também acompanhado com tristeza editoras, distribuidoras e livrarias espíritas dando guarida a uma literatura mediúnica pobre tanto em termos literários quanto doutrinários, fazendo um desserviço à boa divulgação do Espiritismo.
O Espiritismo é uma doutrina espiritualista pelo motivo de ter como base a crença na imortalidade da alma, a existência de Deus, a reencarnação, mas não se confunde com o Budismo, o Catolicismo, o Protestantismo, a Umbanda e outras doutrinas, todas igualmente espiritualistas, e que possuem princípios, crenças e práticas distintas. E em todas as doutrinas, em qualquer tempo, encontramos médiuns de cura, encontramos o fenômeno mediúnico, embora com outros nomes e outro entendimento. O que infelizmente acontece no Brasil é que muitos médiuns e organizações espiritualistas, não possuindo verdadeira identidade doutrinária, utilizam do movimento espírita para sua propaganda, passando por espíritas, quando na verdade nada tem com o Espiritismo. Mas, de quem é a culpa? Dos próprios espíritas, que agasalham essa situação, deixando a falsa informação crescer ao lado da verdade.
Ser médium e ter sua faculdade mediúnica exposta publicamente, tendo que manter-se humilde, honesto e fiel à Doutrina Espírita, não é fácil, é uma verdadeira prova, pois a fama, o renome, o assédio de todas as formas, podem levar o médium a perder-se. Que o digam médiuns como Chico Xavier, Yvonne Pereira, Divaldo Franco, Raul Teixeira, entre outros, para citarmos alguns dos mais conhecidos, que em seus depoimentos nos falam dos desafios existenciais que enfrentaram, dos assédios dos espíritos inferiores, das bajulações humanas de que foram vítimas, da luta constante em se manterem íntegros e fiéis observadores dos princípios do Espiritismo. Quando o médium se torna público e se vê às voltas com multidões, o bom combate da humildade se vê seriamente ameaçado, e não são poucos os que sucumbem.
Deixemos claro: não é missão do Espiritismo substituir a medicina. A mediunidade faz parte do Espiritismo, mas não o representa. A mediunidade curadora é uma verdade e possui sua importância, mas não pode substituir o estudo sério da doutrina e os esforços de cada adepto em realizar sua transformação moral. O Centro Espírita não é local para tratamentos espirituais intermináveis, com suas dependências sendo tomadas por macas, camas e todos vestindo branco ou qualquer outra cor. Essas coisas não são o Espiritismo, e é um dever do verdadeiro espírita, conforme assim considerado por Allan Kardec em O Livro dos Médiuns, esclarecer a opinião pública quanto ao que é e o que não é Espiritismo, quem, de fato, é ou não é espírita, para que assim médiuns de cura e organizações espiritualistas e místicas não sejam confundidos com o Espiritismo, ou Doutrina Espírita, conforme seus princípios expostos nas obras basilares de Allan Kardec.
quarta-feira, 9 de agosto de 2023
segunda-feira, 7 de agosto de 2023
A condição humana
Quem somos? Eis a pergunta que atravessa as civilizações humanas, desde a remota antiguidade, e que ainda hoje suscita intensos debates, colocando-se em lados opostos os materialistas e os espiritualistas. Para os materialistas o ser humano é apenas um ser biológico existente entre o nascimento e a morte. Para os espiritualistas o ser humano é um ser espiritual, uma alma, que pré existe e sobrevive à morte do corpo. Durante muito tempo esse antagonismo criou limites intransponíveis, barreiras concretas, isso porque a discussão sobre a existência humana encontra-se limitada pelo egoísmo e orgulho que ainda nos caracterizam, fazendo com que cada lado defenda sua posição, não admitindo o diálogo e uma conciliação entre os dois pensamentos.
Temos que o ser humano é uma alma, ou espírito, que se projeta num corpo animal, biológico, ou seja, que momentaneamente está encarnado. E apesar dessa posição espiritualista, não descarta, nem menospreza, a condição material, mesmo que passageira, pois aqui estamos envergando um corpo físico, dele necessitamos para a experiência humana no planeta e, portanto, temos uma dualidade interativa espírito-corpo. O corpo procede do arranjo biológico da concepção, desenvolve-se e, com o tempo, esgota suas energias até o fenômeno da morte acontecer, quando seus elementos constitutivos retornam à natureza. O espírito (alma) procede do ato da criação divina, evolui através das experiências e aprendizados proporcionados pelas diversas encarnações, até atingir o estado de perfeição a que se destina, vivendo na dimensão espiritual antes e depois da existência corpórea.
Como sabemos sobre nossa imortalidade? A intuição sobre essa verdade está em nossa consciência profunda e, além disso, está nos diversos fenômenos mediúnicos – ou psíquicos – presentes em todas as épocas da humanidade, e registrados em farta literatura, tanto religiosa quanto leiga, e também científica.
Várias crenças religiosas, ocidentais e orientais, assinalam a existência de locais específicos para morada da alma humana depois da morte, sempre de acordo com o que cada um faz na sua vida aqui na Terra, pressupondo, portanto, a sobrevivência da alma ao fenômeno da morte. Ora, se a alma sobrevive, isso significa que já existia, pois como pode sobreviver o que antes não existia?
A condição da vida espiritual está sempre de acordo com os valores que cultivamos durante a encarnação, e nosso planeta é verdadeira escola para o espírito, com expiações e provas que nos remetem a valorosos aprendizados, reparo de erros anteriormente cometidos, e construção de um futuro mais feliz.
Embora a condição humana na Terra seja relativa e passageira, ela é muito importante, sendo dádiva divina para o nosso progresso, que deve ser feito não apenas no horizonte intelectual, mas igualmente no horizonte moral. Como vemos, espírito e matéria se conjugam. Nem viver em contemplação, nem viver pelas sensações, é preciso ter equilíbrio, o que somente se alcança com o uso do bom senso. Essa é a proposta do Espiritismo, conforme o encontramos nas obras de Allan Kardec.
Os ensinos dos espíritos superiores sempre nos remetem à questão moral da vivência humana, resgatando os ensinos de Jesus, pois ele é o guardião da Terra. E Jesus, quando aqui esteve, não fundou uma igreja, não criou uma doutrina religiosa e, portanto, não está, com exclusividade, nesta ou naquela igreja. Jesus está presente nos corações que desejam compreender a realidade espiritual da vida e se esforçam em praticar a caridade, e isso independe de ser adepto desta ou daquela doutrina religiosa, deste ou daquele templo.
O Espiritismo possui um grave e profundo compromisso com o Cristianismo, pois representa o Evangelho em espírito e verdade, aliando a religião com a ciência, a realidade material com a realidade espiritual da vida. A condição humana fica exaltada pela transcendência que adquire diante da realidade do espírito imortal, deitando por terra o egoísmo e o orgulho que tantos males têm engendrado na história evolutiva da humanidade.
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