É relativamente comum vermos crianças e jovens reclamarem o direito à sua liberdade, o direito à sua livre expressão, esquecendo, porém, que a liberdade deve ser acompanhada pela responsabilidade, pois não sendo assim fere o respeito que devemos ter com o direito do outro, pois a minha liberdade termina onde começa a liberdade do outro. Somos seres sociais, e na convivência uns com os outros, não podemos simplesmente fazer e falar o que bem entendemos. Aprendemos com Jesus que somente devemos fazer ao outro o que desejamos que ele nos faça, diretriz segura para uma conduta que produza apenas o bem. Se nos pomos a agir e falar o que bem entendemos, o outro terá o mesmo direito, e assim instalaremos o caos na sociedade, com diversos males que, fatalmente, acabarão por nos atingir também.
Para cada liberdade reclamada sempre haverá a contrapartida de uma responsabilidade a assumir. É assim o funcionamento da justiça divina, onde a cada um é dado sempre segundo as suas obras, ou seja, cada um responde pelo que faz do seu livre arbítrio. Não sendo assim, bastaria pedir perdão a Deus e tudo estaria resolvido, mas todo mal deve ser reparado e substituído pelo bem, motivo pelo qual muitas vezes, aqui na Terra, passamos por expiações, quando arcamos com as consequências do que fizemos em existências passadas, ou mesmo nesta atual existência, pois muitas vezes nos deixamos levar pelo egoísmo, pelo orgulho e pela imprevidência. Em outras palavras, o Espiritismo nos ensina que temos as causas anteriores e as causas atuais das nossas aflições neste mundo, não sendo possível transferir a nossa liberdade e responsabilidade para terceiros.
Estamos fazendo uma abordagem educacional, pois pertence ao processo de educação o esclarecimento sobre o uso da liberdade, assim como o assumir as responsabilidades pelas consequências desse uso. Esse processo tem início no lar, no seio da família, e deve ter continuidade na escola, assim conjugando-se pais e professores na sublime tarefa de educar. Agora, essa educação somente terá força se for acompanhada dos bons exemplos dos educadores, pois não basta ensinar, é preciso fazer o ensino ser acompanhado do exemplo de quem ensina.
Se o educador usa de sua liberdade de modo irresponsável; se não mede as consequências do uso que está fazendo do seu livre arbítrio,; se não assume a responsabilidade pelos danos causados aos outros, é um irresponsável, não podendo estar no papel de educador, seja como pai, mãe, professor, avô, avó, professora, tio, tia, evangelizador, evangelizadora, enfim, se tem aos seus cuidados uma criança ou um jovem.
O Espiritismo considera sagrada a missão de educar, compreendendo que o educador deve o tempo todo acionar o processo de sua autoeducação. Um sermão inteiro nunca terá a mesma força de um único bom exemplo.
Você dirá que o livre arbítrio é considerado sagrado pela lei divina; que os bons espíritos sempre respeitam o nosso livre arbítrio; nisso você terá plena razão, pois a Doutrina Espírita é essencialmente libertadora das consciências, o que não significa que tudo possamos fazer sem nada responder perante a lei maior que rege todo o universo. Ter o direito à liberdade de ação e expressão, não nos dá o direito de mentir, de caluniar, de fazer o mal, e ficar tudo por isso mesmo. Isso não acontece perante a lei humana, que é imperfeita, quanto mais perante a lei divina, que é perfeita. Mais cedo ou mais tarde, quer quando estivermos encarnados, quer no mundo espiritual, vamos ter que enfrentar as consequências do mal uso feito da liberdade, tendo compromisso de refazer, de reparar, de pedir perdão, levando-nos a enfrentar provas e expiações necessárias na reconstrução de nós mesmos e reconstrução dos laços de convivência.
Quando o processo educacional do espírito reencarnado deixa de lado a conjugação liberdade e responsabilidade, permitindo que o indivíduo adentre à sociedade ainda egoísta, orgulhoso, vaidoso, prepotente, hipócrita, indiferente, imediatista, gera uma infinidade de males, como a corrupção, a violência generalizada, a guerra e assim por diante.
Por tudo isso, acreditamos que as diretrizes morais emanadas do Mestre Jesus, encontradas no Evangelho, devam ser o parâmetro educacional para renovação dos indivíduos e da humanidade, no processo de transformação moral de que carecemos na atualidade. Essas diretrizes, estudadas e ampliadas pelo Espiritismo com a imortalidade da alma e a reencarnação, haverão de colocar a educação no caminho que verdadeiramente ela deve seguir, para que tenhamos um mundo de paz e justiça, fazendo o bem preponderar sobre o mal, até subjugá-lo completamente.
Somente a educação moral poderá destruir o egoísmo, que é a maior chaga da humanidade. Não esqueçamos disso.
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