segunda-feira, 11 de maio de 2026

Amor e criatividade


Marcus De Mario

Disse um professor que para transformar a educação só o amor não basta. Temos um pensamento um pouco diferente sobre esse tema, pois consideramos que o amor é o fundamento da educação, ou em outras palavras, é a essência da educação. Então, o amor deve ter a força de transformar o processo educacional, de romper paradigmas, de fazer uma nova escola. O problema não está no amor, mas em como o entendemos e aplicamos, confundindo-o com paternalismo, com acomodação, com afetividade melosa, quando o amor, como profundo sentimento, deve estar aliado à criatividade, a uma visão dinâmica da educação.

De fato, não basta dizer amar a educação, ou melhor dizendo, amar dar aula, pois aula não é sinônimo de educação, nem de escola. Professor que somente sabe reproduzir conteúdo curricular, que aplica sempre o mesmo tipo de avaliação, que gosta de ensinar mas não de dialogar, não pode ser visto como um educador. Falta a ele dinâmica, criatividade e, acima de tudo, falta-lhe compreender efetivamente o que é educação.
Agora, sendo o amor a base do trabalho educacional que deveria ser desenvolvido na escola, e isso não acontecendo, a culpa não é do amor, e sim das pessoas que se distanciam desse sublime sentimento, deixando-se engessar por rotinas excludentes, e por isso mesmo violentas, fazendo da escola um mero instituto de ensino, quando ela deveria ser uma instituição educadora, no mais profundo entendimento.

Quem ama, como bem lembrava Içami Tiba, educa! E para educar trabalha com entusiasmo, perseverança, criatividade, renovando-se constantemente, respeitando os educandos, compartilhando saberes e preocupando-se com a ética do respeito aos direitos de cada um.

Se a escola anda longe da educação, é porque está faltando amor nos corações dos professores, e assim não conseguem sensibilizar os alunos. É preciso, através do amor, superar os entraves burocráticos e pedagógicos que hoje mantém a escola parada no tempo, distanciada da modernidade e da verdadeira ciência da educação, que é o significado da palavra pedagogia.

Muitas pessoas clamam por uma escola diferente, pela transformação da escola, mas esquecem que isso é dependente de um novo olhar sobre a educação, recolocando o amor no centro do processo, pois somos pessoas lidando com pessoas. Como pode haver relacionamento sadio onde o amor não existe, ou está encoberto por camadas de poeira de preconceitos?
Neste ponto, devemos fazer uma pergunta: existem escolas onde se trabalha com amor e criatividade? E se existem, essas escolas fazem a diferença?

Sim, essas escolas existem e fazem a diferença. Comecemos pela Escola da Ponte, lá em Portugal, na cidade do Porto. Se você não a conhece, faça um passeio pelo YouTube, e você ficará encantado com sua história, com sua metodologia. Em terras brasileiras vamos destacar o Centro Educacional Conhecer, das famosas terras mineiras, lá na cidade de Leopoldina. Faça uma visita online acessando o Instagram, e você ficará encantado, novamente, com uma escola onde o amor rege o trabalho com as crianças.

Amor e criatividade devem estar sempre juntas, transformando a educação e a escola, mesmo porque o amor é criativo, é fonte inesgotável de ação.
E como estamos falando de educação, lembremos que ela não está circunscrita à escola. A educação abrange igualmente a família, pois o lar também deve ser considerado uma escola, ou melhor, um instituto de educação. É a conjugação da família com a escola, tendo o amor como essência pedagógica, que haverá de transformar as pessoas, que por sua vez transformarão a sociedade.

Estamos falando de um processo de médio e longo prazo que, se não o estivéssemos adiando, já estaria mostrando seus resultados. Você não acredita? Recomendo a leitura do livro Leonardo e Gertrudes, do educador Pestalozzi, que pode ser classificado como um romance pedagógico, cuja história bem retrata o que estamos afirmando. E por falar em Pestalozzi, aproveite seu passeio pelo YouTube para conhecer um pouco do Instituto de Yverdon, lá na Suíça, que em sua época, século XIX, foi considerado exemplo para todas as escolas.

O que está matando a educação, e também a escola e a família, é a acomodação ao processo de ensinagem (ensinar, ensinar…), quando deveríamos educar (amar, amar…).

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