segunda-feira, 25 de maio de 2020

Educação e formação moral

Escola também é responsável pelo desenvolvimento de valores morais

Para falarmos de educação, em qualquer circunstância, é preciso ter um mínimo de conhecimento sobre a mesma. O mesmo acontece quando nos dispomos a comentar sobre o pensamento deste ou daquele educador. Neste texto vamos fazer esforço de aliar uma coisa com outra, vamos falar ao mesmo tempo da educação e do pensamento de um educador.

Há um livro muito importante, leitura obrigatória para todo educador, de um autor festejado por uns e amaldiçoado por outros, do qual vamos focar na sua essência educativa, e não no seu viés ideológico-político, que não nos interessa debater. Estamos falando do livro Pedagogia da Autonomia, do célebre, para o bem e para o mal, Paulo Freire.

No capítulo 1, onde ele faz primeiras reflexões sobre a prática educativa, chama-nos a atenção, no item 5, Ensinar exige estética e ética, o seguinte pensamento: “Transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente humano no exercício educativo: o seu caráter formador. Se se respeita a natureza do ser humano, o ensino dos conteúdos não pode dar-se alheio à formação moral do educando. Educar é substantivamente formar.”

O exercício educativo é um exercício humano pois envolve pessoas, seres humanos, motivo pelo qual não pode ser um exercício meramente técnico, mecânico, burocrático, onde ensinar conteúdos toma o lugar de formar consciências. O professor é um ser humano. O aluno é um ser humano. Ambos estão num processo vivo de desenvolvimento, de permuta de conhecimentos e experiências, de pensamentos e sentimentos, de realidades distintas que convivem no mundo social.

Diz nos ainda Paulo Freire da necessidade de respeitarmos a natureza do ser humano no processo educacional. Parece um pensamento óbvio, mas não é. Basta acompanhar o dia a dia de uma escola de ensino fundamental para verificar o quanto muitos professores tratam os alunos como objetos, coisas e assim por diante; o quanto entram em sala de aula dispostos a descarregar conteúdos sem nenhuma preocupação com o ritmo individual dos alunos; o quanto se desesperam diante de perguntas e pensamentos mais críticos; o quanto consideram estar fazendo um trabalho perdido, pois as crianças e adolescentes de hoje para nada prestam.

Claro que nem tudo está perdido, pois temos também muitos professores que procuram dar o seu melhor, que são criativos e dinâmicos, que amam o que fazem, que respeitam os alunos, que transformam as escolas em referências educacionais. Bem que esses professores podiam se multiplicar, para o bem do nosso futuro.

Voltemos ao pensamento de Paulo Freire: “o ensino dos conteúdos não pode dar-se alheio à formação moral do educando.”

Esse pensamento está na contramão dos que acreditam que formação moral é exclusividade dos pais e da família, pois os professores já têm muito com o que se preocupar com a enorme carga de ensino. Ora, é por aplicar essa filosofia, que os professores perdem excelentes oportunidades de auxiliar na formação moral dos alunos, contribuindo assim com os pais no desenvolvimento de cidadãos éticos e solidários.

O ato de ensinar é também ato de fazer pensar. O ato de ensinar é também ato de preparar para a vida. Desse modo o processo central da educação sai do eixo do ensinar para o eixo do aprender, com plena participação do educando, quando então temos o verdadeiro ato educativo.

Se você gosta ou não gosta de Paulo Freire, isso não está em discussão neste texto. Mais importante é refletirmos co maturidade sobre o ensinar, o aprender e a formação moral das novas gerações.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Paciência na educação das crianças

Inteligência Emocional na Educação dos Filhos | Escola da Inteligência

As crianças são de todos os tipos: irriquietas, calmas, perguntadeiras, caladas, energéticas, tímidas, saudáveis, doentias, num universo difícil de catalogar, tais são as variedade físicas, intelectuais, comportamentais, emotivas e de personalidade. Cada criança é um mundo em si mesma. Uma coisa é certa: para educar uma criança temos que nos dotar de paciência, o que parece estar em falta para muitos pais.

É comum vermos pais que que se exasperam por ter de repetir mais de uma vez uma explicação; se desequilibram diante de uma desobediência; gritam e xingam por qualquer coisa que a criança faça e que lhes desagradem; agridem verbalmente e fisicamente com a intenção de controlá-la. Tudo isso revela falta de paciência, além de mostrar o quanto os pais se equivocam quanto às melhores atitudes para educar as crianças.

Temos igualmente que destacar os castigos, às vezes irreais e não racionais, como proibir uma criança que nem chegou aos cinco anos de idade, de assistir desenhos e filmes na televisão e na internet por trinta dias! Nessa fase ela está vivendo o mundo do imaginário, das descobertas, não possui realidade de certos perigos e, claro, adora brincar com tudo que possa ter acesso. No lugar de um castigo desproporcional, e que ela não entende, os pais devem se dotar de paciência para mostrar o que pode ou o que não pode, que existem limites, existem perigos, assim mostrando os limites, tão importantes na educação.

Mas tudo isso dá muito trabalho! Sim, claro que dá, mas os pais precisam lembrar que quando foram crianças seus pais fizeram isso com eles. Normalmente somos gratos a nossos pais, ou deveríamos ser, pois lá atrás no tempo eles se sacrificaram por nós. Agora é a nossa vez de sacrificar um pouco da nossa vida a favor dos nossos filhos pequenos.

Na primeira infância, que normalmente vai até os seis anos, a criança é muito dependente do adulto. É aos pucos que vai controlando o próprio corpo, fazendo aprendizados, desenvolvendo o pensamento abstrato. Os pais precisam ter consciência disso se não querem atropelar os filhos no seu crescimento. Por isso sempre recomendo aos pais estudarem um pouco de psicologia da infância e também de pedagogia. Conhecendo melhor o universo infantil, educarão melhor.

Não basta, entretanto, esse estudo. Os pais precisam se educar, pois a criança é muito suscetível aos exemplos que recebe. Se os pais são irrequietos, nervosos, bagunceiros, os filhos terão a tendência de imitar esse mesmo modo de ser. Então faço a pergunta que não quer calar: como exigir do filho que não faça bagunça com os brinquedos, se os pais mantém o lar numa eterna bagunça? Como querer que não fale palavrões, se vivem a utilizá-los?

Paciência para se educar e paciência para educar os filhos, eis o que os pais necessitam, se querem bem cumprir a sagrada missão que lhes compete e da qual não podem abrir mão, sob pena de, amanhã, com os filhos independentes, jovens, serem esquecidos por eles, ou, o que é ainda pior, erem por eles maltratados.

Dotem-se os pais de paciência e amor, de dedicação e bons exemplos, e não somente o lar será um recanto de paz e solidariedade, mas a sociedade humana muito lhes agradecerá por entregarem ao seu seio cidadãos éticos, conscientes, responsáveis e educados.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Entendendo a educação

A importância da BNCC na Educação Infantil | YOU - Bilingual Education

O educando, seja qual for sua faixa etária, é um ser integral objeto da educação, ou seja, é com ele, para ele, por causa dele que a educação existe. 

O educando não é uma coisa. Também não é um objeto. Igualmente não pode ser classificado como um boneco. 

Quando está numa sala de aula, o professor deve ter consciência que os alunos à sua frente são seres humanos, são almas dotadas de potencialidades perfectíveis, esperando por estímulos positivos que auxiliem seu processo de crescimento interior. São seres humanos ansiosos por aquisição de conhecimentos e também por conquista de si mesmos, para vivenciarem plenamente ideais superiores de vida. 

Todo professor deve estar consciente do seu papel de educador de almas. 

A criança, o adolescente, o jovem e o adulto possuem fases distintas de desenvolvimento, fases essas que possuem ampla interação com os contextos educacionais que já estudamos. Para que melhor ele se eduque, o processo educacional deve trabalhar em harmonia com todos os contextos. 

O educando é a causa da educação. O conteúdo curricular não é a causa da educação. A carga horária de ensino não é a causa da educação. As disciplinas curriculares não são a causa da educação. 

É e sempre será a causa da educação o próprio homem. Somente a insensibilidade e a ignorância podem trabalhar tudo, menos a criança que ali está, rica em si mesma, inteligente e afetiva, com seus olhos repletos de esperança, depositando toda sua confiança no professor, pois sua vida está nas mãos e no coração daquele mestre. 

Minha memória está repleta de cenas vivas com crianças, jovens e adultos. Abraços bem apertados, sorrisos de alegria, palavras de agradecimento, lágrimas de gratidão, felicidade em aprender, e tantas outras cenas que talvez um livro não pudesse conter todas as descrições. São cenas vivas porque sempre me dediquei com todo amor ao ato de educar, mesmo trabalhando com adultos em cursos de capacitação, pois reconheço em todos eles seres humanos, iguais a mim mesmo, com suas potencialidades aguardando meu afeto, meu ideal, minha visão integral, mesmo com falhas, pois eles sentem em mim mais do que um coordenador, a sagrada esperança de ter encontrado um educador, e eu somente poderei chegar a esse patamar se compreender que diante de mim está outro ser humano. Assim deve ser todo professor. 

Pais e professores, em sua maioria, não possuem visão plena da influência que a educação exerce na vida de seus filhos e alunos. As preocupações de ordem material e intelectual sufocam a educação, substituída pela instrução, verdadeiro adestramento para a vivência social. 

Exemplo do que estamos falando é a escola que, de forma geral, sempre com suas exceções, está preocupada em realizar a preparação dos seus alunos para as provas universitárias, direcionando todos os seus esforços para o conteúdo curricular, deixando em segundo plano a formação do caráter, a sensibilização dos sentimentos e outros fatores essenciais da verdadeira educação. 

Outro exemplo é o quadro normalmente encontrado nas famílias e que podemos compreender com a seguinte história: "O pai e a mãe estavam reformando o quarto da filha, que havia completado cinco anos de idade. Naquele momento estavam pintando as paredes, com o pai sobre uma escada, enquanto a mãe pintava a parede da metade para baixo. A filha entrou no quarto, com os braços cruzados sobre o peito, e, muito séria, perguntou: "Que diabos! Quando vocês vão terminar?". A menina saiu batendo os pés no chão, mostrando sua contrariedade, o que deixou o pai extremamente irritado. Este, olhando, atônito, para a esposa, perguntou: "Mas, que diabos, onde nossa filha aprendeu a falar assim?" E arrematou dando um chute no degrau da escada". 

Esta história retrata bem o poder da influência da educação, e o quanto os pais não são conscientes dessa influência. 

O educando é extremamente influenciável pelos exemplos, pelo que lhe é proporcionado. Se recebe bons estímulos desenvolve com mais facilidade suas potencialidades. Se não recebe esses bons estímulos, sua dificuldade em mostrar suas capacidades é maior. 

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Alunos perdidos

Educação, Cyberbullying E Conceito De Pessoas - Menino Estudante ...

Com a pandemia mundial do novo coronavírus, e a consequente quarentena social, as escolas tiveram suas atividades suspensas e, às pressas, foram organizadas plataformas de educação a distância ou o envio de atividades escolares via e-mail, além de organização de videoconferências e grupos de estudo, tudo isso depois que os portões escolares fecharem, ou seja, sem nenhum planejamento prévio, nem capacitação de professores e alunos para a nova realidade. Isso não nos surpreende, pois é histórico no Brasil a incompetência dos gestores em se adiantar a cenários futuros, além da conhecida precariedade dos cursos de formação e da formação continuada dos profissionais da educação.

Como muitas escolas e sistemas de ensino não têm capacidade e competência para elaborar e gerir uma plataforma de educação a distância, a solução encontrada foi enviar aos alunos, semanalmente, por e-mail, atividades escolares de cada disciplina curricular, para que o mesmos possam estudar e resolver exercícios que são enviados de volta aos professores. Parece estar o ensino resolvido. Não, não está. Os alunos estão soltos, dependem de sua vontade e esforços para estudar, nem sempre recebendo orientação adequada, e os professores muitas vezes esquecem que precisam agilizar as avaliações, dando retorno aos exercícios que lhes foram remetidos pelos alunos.

É o caso de um sobrinho que estamos acompanhando, cuja escola adotou esse sistema. Lá se vão três semanas de estudos individuais, resolução de atividades e envio das mesmas aos professores, e nenhum retorno foi dado até o momento. Ele deve estar pensando: para quê todo esse trabalho? Será que estou estudando corretamente? E minha compreensão sobre os diversos assuntos, estará certa? Onde estão os professores, que somente têm feito enviar semanalmente as tarefas? Ele é um aluno perdido em meio a uma pretensa e mal remendada educação a distância.

Quanto às escolas e sistemas de ensino que lançaram às pressas plataformas digitais de educação a distância, temos visto o noticiário mostrando alunos e pais igualmente perdidos. Primeiro, esqueceram os gestores que muitos não têm acesso á internet, o que que inviabiliza o acesso; segundo, que há um quantidade absurda de analfabetos funcionais, e digitais, em nosso país, e que sem orientação não conseguem ler e interpretar textos, fazer operações matemáticas básicas, lidar com dispositivos eletrônicos como smartphone e notebook e navegar na internet.

Sem levar nada disso em conta, pleiteiam esses gestores educacionais que a educação a distância na educação básica seja considerada compensatória, diante da lei, aos cursos presenciais. Como? No caos em que ela se transformou ou na sua inadequação, como contar essa situação em dias e horas letivos?

Para agravar essa situação, continuamos a ver a educação escolar centrada no ensino, no ensinar, ou na ensinagem do professor para o aluno, quando o processo deveria estar centrado no aluno e na aprendizagem. Quando gestores e pedagogos, nossos cientistas da educação, vão entender que não se deve ensinar, mas sim estimular o aprendizado através do fazer pensar, fazer pesquisar, fazer aprender, tendo o aluno, pessoa em desenvolvimento, como centro de todo processo educacional?

Se os alunos já se viam perdidos na escola, agora estão ainda mais perdidos fora dela, no ambiente familiar do lar, onde precisam dar conta de seu desenvolvimento intelectual e emocional sozinhos, muitas vezes sem apoio dos pais, que estão tão perdidos quanto seus filhos.

Diante desse quadro assustador, vemos o Ministério da Educação omisso, calado, deixando governos estaduais e municipais à revelia, tomando decisões aleatórias, assim como deixando as escolas e sistemas de ensino particulares sem orientação, dado que a legislação é falha, não dando cobertura para essa situação.

Pobres alunos! Pobre geração fadada a amargar mais uma desilusão existencial!

Vídeo - O Jovem e a Dinâmica Educacional

O vídeo sobre educação espírita O Jovem e a Dinâmica Educacional aborda a importância da participação do jovem no processo ensino-aprendizag...