segunda-feira, 26 de julho de 2021

Algumas considerações sobre educação dos filhos

A Patrícia é mãe de dois filhos na faixa de 6 a 8 anos de idade, e em conversa queixava-se de ter dois furacões dentro de casa, com os garotos sendo muito ativos e desobedientes, brigando entre si e fazendo do lar verdadeira zona de guerra, tudo isso aliado a mau comportamento na escola e nas festas da família. Em suas queixas, ela dizia não entender porque os filhos eram assim, pois tanto ela quanto o pai tudo faziam por eles, nada lhes faltava, e mesmo assim não demonstravam gratidão e carinho. Ameaças e castigos não surtiam o efeito desejado, e ela se sentia desiludida com a escola, pois acreditava que as professoras dariam um jeito nos meninos, mas isso não aconteceu.

Vamos então a algumas considerações muito importantes e úteis para os pais conseguirem melhor educar os filhos, procurando auxilia a mãe Patrícia e tantas outras mães e pais.

Desconsiderar a importância dos bons exemplos no lar e outros lugares, é correr riscos desnecessários. Os filhos tendem a copiar os pais.

Transformar os filhos em bibelôs, dando de tudo, mas deixando em segundo plano a formação do caráter, é criar monstros ou recalcados.

Ajudar os filhos em tudo, chegando mesmo a fazer por eles, é fazer com que não deem importância às coisas e comportamentos, afinal os pais ali estão para acobertar.

Por outro lado, sobrecarregar os filhos com obrigações e responsabilidades incompatíveis, é gerar revolta e prejudicar a saúde orgânica e o bom desenvolvimento da personalidade.

A presença junto aos filhos não pode ser substituída por babás ou mesmo pelos avós, pois nada é mais importante na formação dos filhos do que o afeto, a dedicação, os exemplos e a corrigenda dos pais.

Na educação, os pais não podem desconsiderar que os filhos são individualidades diferentes com personalidade diferenciada, ou seja, não são iguais, portanto a educação não pode ser a mesma.

Os pais devem dar autonomia, liberdade para o desenvolvimento dos filhos, não tomando decisões por eles, nem os protegendo em demasia do mundo, pois os filhos precisam ter espaço para seus próprios pensamentos e atitudes.

No trajeto escolar, os pais devem se manter presentes, acompanhando os estudos realizados pelos filhos, auxiliando-os sempre que necessário, mas nunca fazendo as tarefas no lugar deles.

Em tudo, evitar superstições, crendices sem fundamento, fantasias, dando aos filhos explicações honestas sobre a vida e a humanidade, fazendo-os pensar.

Solicitar aos filhos a cooperação nas tarefas domésticas, na medida de suas possibilidades, habituando-os ao trabalho para o bem coletivo.

Cuidado, muito cuidado, com mesadas e facilidades, sem levar em consideração os méritos e a justiça.

Temos que essas considerações sejam úteis aos pais para educarem os filhos de forma mais equilibrada, lembrando que o mais importante é o trabalho na formação do caráter, na correção de más tendências, pois é isso que os fará serem ou não bons cidadãos, boas pessoas.

Alguns filhos necessitam de maior atenção e exercício da autoridade sobre eles. Os pais devem ficar atentos e não deixar o tempo passar para corrigi-los, dar-lhes limites, fazer com que assumam as consequências dos seus atos.

Essa é a verdadeira arte da educação. 

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Seguindo o exemplo

Observando duas irmãs, uma de sete e outra de quatro anos, constatei, mais uma vez, o quanto o exemplo é uma força viva da natureza e da educação. A mais velha é um tanto quanto mandona e violenta, não é muito de respeitar os outros, e normalmente é exigente para com seu querer, e não poupa a irmã menor, chegando mesmo a arrancar-lhe os brinquedos, empurrá-la e xingá-la, no que temos aqui já muito assunto para tratar. Mas o foco deste texto está na reação da menina de quatro anos, tanto com relação a irmã, quanto, principalmente, com as outras pessoas.

A menina sempre revelou mais docilidade aliada a uma inteligência, a um raciocínio superior ao da irmã mais velha. Seu comportamento, portanto, era diferenciado, mas ultimamente tem se tornado mais agressiva, mais exigente, revelando em seu comportamento estar assimilando a influência exercida sobre ela pela irmã. Observamos que não se trata simplesmente de uma autodefesa, mas de mudança comportamental, de atitudes, inclusive nas brincadeiras com os adultos.

Os pais têm sua culpa, pois a filha mais velha é superprotegida pela mãe, que não admite que nenhuma outra pessoa chame a atenção de sua filha, ou mesmo lhe diga não. Em sua concepção, somente ela, a mãe, pode educar sua filha, o que é um equívoco perigoso, ainda mais quando essa educação é permissiva. Quanto ao pai, dá mais importância ao celular, redes sociais e e-commerce do que às filhas, com as quais não têm uma convivência participativa como se desejaria e seria mais adequado no processo educacional das crianças.

Permissividade e omissão por parte dos pais prejudicam profundamente a educação dos filhos. Uma precisa de limites, corrigendas, disciplina, a outra necessita de proteção e estímulo para não se deixar influenciar por exemplos negativos, mas essa omissão e permissividade permitem que a filha mais velha seja indisciplinada e violenta, e a filha mais nova saia da docilidade natural para a agressividade.

Os pais, mesmo que trabalhem profissionalmente, devem, nas horas de convívio com os filhos, se preocuparem primeiro com a educação que estão dando aos mesmos, depois nos outros afazeres. Devem também manter diálogo aberto e constante com os avós e com os professores, para que o processo educacional siga um norte, ou seja, tenha uma diretriz, emanada deles, os pais, pois se assim não fizerem as crianças ficarão sendo jogadas para lá e para cá: os pais permitem, os avós não permitem, os professores reclamam e a vida familiar está sempre conturbada, confusa, o que é muito ruim para os filhos.

E tudo fica mais agravado com a constatação que a família não possui rotinas pré estabelecidas, tudo acontecendo de qualquer jeito, em qualquer tempo. Filhos que não conhecem rotinas tendem a serem adultos desorganizados, sem planejamento, prejudicando a si mesmos e aos outros.

É missão dos pais a educação dos filhos, e para isso o primeiro movimento é realizar a própria educação, pois os exemplos são da máxima importância junto às crianças.

O segundo movimento dos pais é observar as tendências de caráter dos filhos. Para uns deve ser exercida a correção de suas más inclinações morais, para outros deve ser exercido o apoio às suas boas qualidades morais.

Em todos os casos, os pais não podem perder sua autoridade moral, pois se isso acontecer teremos a falência da educação. A autoridade moral não pode ser substituída por gritos, ameaças, castigos e violência física e/ou psicológica, que são anti pedagógicos, desvirtuam o processo educacional, os quais devem ser repudiados veementemente.

Infelizmente temos visto muitos pais como os que aqui retratamos, considerando que os problemas serão resolvidos quando os filhos iniciarem o período escolar, ou seja, não educam os filhos e jogam todo o peso da responsabilidade educacional para a escola e os professores, quando a escola não existe para substituir a família, nem os professores trabalham para fazer o que os pais devem fazer.

Não é uma questão de quem deve fazer o quê, mas de união de esforços, lembrando os pais que a moralização e espiritualização dos filhos é, antes, sua competência, e que para isso a maior força de que podem dispor é o exemplo.

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Escola e família

Não se sabe ao certo quando a família se afastou da escola, ou quando a escola se afastou da família, ou mesmo se o sistema escolar sempre colocou a família de lado, ou se a família nunca considerou que devia participar da escola, mas é fato que a escola se queixa da falta de participação da família, e que a família se queixa da falta de abertura da escola. Estamos diante de um conflito, de um dilema que prejudica a educação e a sociedade há muito tempo.

Para encontrarmos uma solução precisamos entender que tanto a família quanto a escola são as duas mais importantes organização sociais de educação do ser humano; uma não é mais importante que a outra: as duas são essenciais, portanto, devem trabalhar em conjunto, com suas especifidades, mas unidas no mesmo propósito que é o de oferecer a melhor educação para as novas gerações.

Enquanto ficarmos em discussões estéreis sobre o papel de cada uma, o que compete a cada uma, tratando-as de forma isolada, a educação ficará, como está, incompleta, e as crianças e jovens estarão igualmente incompletas, não recebendo o que deveriam receber, entrando na sociedade mal preparadas para encarar a vida de frente e serem transformadoras da humanidade para melhor.

A escola reclama que convida (ou convoca?) a família para reuniões específicas, mas que os pais e responsáveis muitas vezes não comparecem, não mostrando interesse. Mas como podem se interessar por essas reuniões quando na maioria das vezes os professores e a direção escolar só sabem reclamar dos seus filhos? Ou ficam em falas técnicas intermináveis e de pouco proveito? Quando não se tem espaço para um verdadeiro diálogo, onde a escola não está aberta para ouvir?

A educação é processo de desenvolvimento do ser integral que somos, acontecendo na família, na escola e também na vida comum social, por isso a necessidade de termos visão global sobre esse processo, e não uma visão compartimentada, pois tudo está interligado, tudo interage incessantemente. Formamos na humanidade uma verdadeira comunidade de aprendizagem. Aprendemos lendo um livro, navegando na internet, conversando com alguém, olhando a natureza. A educação é uma mescla de aprendizagens informais e formais, daí não ser mais possível olharmos a escola e a família como duas organizações autônomas e de caminhos distintos, que parecem estar em estado permanente de guerra entre seus representantes, os professores e os pais.

Já dizia mestre Pestalozzi que a escola deve se parecer o mais possível com um lar, deve ser uma grande família. E que os professores devem ser como pais para os alunos. Não se trata de fazer da escola substituta da família, mas de aproximá-la do núcleo humano onde somos acolhidos com carinho, amor, afeto. A escola deve ser uma organização viva, humanizada, afetiva, feita por pessoas com pessoas, aberta para a interação com outras organizações, principalmente a família. Nada de muros altos e portões trancafiados (há escolas que mais parecem presídios), e sim abertura para a comunidade, para a participação dos agentes sociais, dos pais, e dos alunos e professores com a comunidade.

Esse caminho é muito melhor do que o caminho hoje trilhado, quando, em família, chegando o convite (convocação!) para a reunião de pais na escola, os pais, os avós e outros responsáveis, entram em pânico para saber quem será o sacrificado da vez para comparecer àquele encontro chato onde se deverá ter muita paciência para ouvir reclamações e pedidos, e onde pouco se terá espaço para falar alguma coisa.

Até quando vamos continuar dissociando a escola da família, e a família da escola?

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Dez passos para construção da paz no mundo

Quando da publicação da Carta pela Paz no Mundo, ocorrida em 1º de janeiro de 2016, ofereci aos leitores um passo a passo para que, na prática, toda pessoa pudesse contribuir para termos paz no mundo.

Não é possível sonhar com uma humanidade solidária, fraterna, justa, ética e pacífica se cada um não fizer sua parte nesse sentido, pois a transformação coletiva é dependente da transformação individual, ou seja, se eu quero que o mundo tenha paz, eu preciso viver em paz comigo mesmo e com os outros.

Para isso temos então os dez passos para construção da paz no mundo:

1 – Procure amar os outros, como eles são, respeitando seus direitos, sem fazer exigências.

2 – Respeite o ponto de vista dos outros, pois cada um tem seu entendimento, sua visão das coisas e suas perspectivas da vida.

3 – Seja compreensivo e tolerante para com os outros, do mesmo modo que deseja que os outros o sejam consigo.

4 – Busque sempre o perdão em todas as circunstâncias.

5 – Seja a mudança que você deseja ver no mundo.

6 – Na administração pública pense sempre no bem estar coletivo.

7 – Substitua a agressividade pelo amor.

8 – Faça aos outros somente o que gostaria que os outros lhe fizessem.

9 – Combata os vícios morais, desenvolvendo as virtudes, aplicando a si mesmo a educação moral.

10 – Eleja a não violência e a paz como roteiros existenciais.

São dez passos perfeitamente possíveis de serem dados por qualquer pessoa acionando sua força de vontade, querendo estabelecer um novo paradigma, inciando pela família, a vizinhança, a comunidade do bairro, o ambiente profissional, e em todas as relações sociais que estabelecemos com os outros, mesmo porque somos seres interativos, estamos sempre nos relacionando, como no transporte coletivo, no supermercado, na rua e assim por diante.

A paz nas relações deve começar com minhas atitudes de compreensão, tolerância, calma, diálogo, combatendo assim o estresse, o nervosismo, o egoísmo, a prepotência e a violência. Amor, cooperação e solidariedade estabelecem um mundo mais pacífico, e todos podemos ser pacíficos, estabelecendo a paz como objetivo a ser alcançado.

Se não aprendemos na escola, e muitas vezes também na família, a cultura da paz, sempre é tempo, pelo autoconhecimento e autoeducação, de educarmos nossos pensamentos, palavras e ações para o paradigma da paz, pois viver em paz faz bem para nós e para os outros, quando a violência, seja ela física ou por palavras, somente faz o mal para nós e para os outros.

Deixo meu convite para você refletir com profundidade sobre os dez passos para construção da paz no mundo, e, mais do que isso, para você iniciar a prática de cada um no seu dia a dia, sem se preocupar com as outras pessoas, pois será a força do seu exemplo que fará com que, paulatinamente, os outros também iniciem, por sua vez, o movimento pela pacificação das relações humanas.

Vídeo - O Jovem e a Dinâmica Educacional

O vídeo sobre educação espírita O Jovem e a Dinâmica Educacional aborda a importância da participação do jovem no processo ensino-aprendizag...