segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Uma reflexão necessária

Estamos no terceiro milênio da cristandade, realizando o século 21, entretanto temos a impressão que os ensinos daquele que teve seu nome atrelado a esse período humano, estão longe de serem apreendidos e praticados, pois insistimos em resolver nossas diferenças através da de toda espécie de violência, culminando em guerras e ameaças de devastação sistêmica das nações e suas populações. Chegamos a um ponto que não se trata mais de uma luta entre democracia e comunismo, como tínhamos até o final da década de 1980, quando esfacelou-se o bloco das repúblicas soviéticas. Agora temos uma luta aberta entre líderes totalitários e líderes capitalistas, onde a ideologia passa longe.

Os chamados países comunistas, ou de esquerda, são democracias, mas com lideranças despóticas, conservadoras e que não pensam duas vezes em cercear a liberdade dos seus cidadãos, mantendo um sonho comum de hegemonia mundial e liderança perpétua sobre seus governados.

Já os chamados países democráticos, de direita ou de centro, são governos capitalistas e beligerantes, onde a busca do maior lucro possível e a manutenção do poder político e econômico sobrepuja o humanismo.

Para todos, independente de suas ideologias, da forma de governo e tudo o mais, falta algo em comum: sentimento.

E porque falta sentimento? Por que temos falhado na educação.

Temos uma educação que é confundida com o ensino, quando o ensino faz parte da educação mas não a substitui. Preocupamo-nos em dar às crianças e aos jovens muitos conhecimentos, mas não trabalhamos com eles a essência da vida: somos seres humanos dotados não apenas de inteligência, mas também de sentimento.

Enquanto não entendermos o profundo significado da educação e deixarmos de lado as questões relacionadas à formação moral, continuaremos a ter líderes insensíveis, que não sabem se colocar no lugar do outro, que não levam em conta a não ser seus próprios interesses egoísticos, defendendo ideais indefensáveis e inconfessáveis, deixando-se corromper e corrompendo com facilidade os outros, subservientes a interesses políticos e econômicos de grupos que não representam a coletividade.

Educar é essencialmente formar. É desenvolver de forma equilibrada todo o potencial humano. É trabalhar, junto com os conhecimentos, a empatia, a solidariedade e a ética.

Como estamos muito longe do que deveria ser a educação, continuamos a assistir a ameaça de guerra pairando sobre nossas cabeças, e não apenas ameaças, mas guerras reais onde uma nação tenta prevalecer e dominar outra. Continuamos a assistir discursos militarizados, onde as armas através da segurança pública violenta são receitadas como remédio infalível para controlar a população, os bandidos e os milicianos, quando vemos que isso não dá os resultados esperados,

E perguntamos: por que continuamos a falar e a fazer o que nunca deu bom resultado? Por que as escolas continuam a despejar conhecimentos sem levar em conta o sentimento? Por que as famílias continuam a se preocupar com a formação técnica e profissional dos seus filhos, sem levar em conta o sentimento?

Relembremos Albert Schueitzer: “A Reverência pela Vida não me permite considerar minha felicidade como propriedade pessoal. Em momentos em que gostaria de alegrar-me sem preocupações, ela desperta em mim a lembrança de misérias vistas ou sabidas. Assim como a onda não existe por si mesma, mas é sempre parte da movediça superfície do mar, assim também eu não posso viver minha vida por si mesma, mas sempre como parte da experiência que se desenrola ao meu redor.”

Reflitamos...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Família e escola

Disse o professor Anderson, em conversa sobre educação:

A família deve desenvolver a formação moral dos filhos e a escola deve dar às crianças conhecimentos. O papel dos pais tem a ver com a área sentimento, já o papel dos professores tem a ver com a área cognitiva.

Respeito esse pensamento, mas não concordo.

Essa dicotomia entre família e escola tem provocado muitos estragos na educação das novas gerações, até mesmo uma guerra entre uma e outra, com os pais reclamando dos professores e das escolas, e os professores reclamando dos pais e da família.

Esquecem todos que tanto a família quanto a escola são pessoas em interação, e que muitos pais são professores, e que muitos professores são pais.

Vemos a família e a escola como duas instituições humanas essenciais, ambas existentes para propiciar, em conjunto, o pleno desenvolvimento das crianças e dos jovens, considerando-os seres integrais dotados tanto de inteligência quanto de sentimento.

Como podemos separar a inteligência do sentimento?

Também opinou a professora Clarissa:

Mas tem que ter limite a participação dos pais na escola, pois eles mais atrapalham do que ajudam, dando opiniões que nada tem a ver.

Respeito esse pensamento, mas não concordo.

Os pais também são educadores e, embora muitos não conheçam pedagogia e psicologia, metodologia e didática, isso não quer dizer que não tenham que participar do processo pedagógico da escola, que não possam aprender e opinar, e interagir com os professores e demais profissionais da educação.

E porque a escola não pode preparar minimamente os pais para que estes entendam melhor o processo educacional?

Por que os professores se esquecem que já foram crianças, que já foram adolescentes, e que agora estão pais (pelo menos muitos deles)?

Reflexão bastante oportuna diante da fala da professora Beatriz, que exerce o magistério numa escola pública:

Nunca deixarei que meus filhos estudem numa escola pública, não existe nada pior. Eles vão estudar em boas escolas particulares.

Ela deve se considerar péssima professora, assim como deve ter essa mesma consideração com suas colegas professoras, pois é ela que faz a escola pública. Será que ela já pensou sobre isso?

A escola deve levar em consideração a família dos seus alunos. Os pais e responsáveis devem interagir com a escola dos seus filhos.

Quando houver união entre a escola e a família, com certeza a educação das novas gerações terá muito a ganhar em qualidade.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

150 milhões de crianças vivendo na pobreza em todo o mundo

O UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) informa que no período da pandemia mais de 150 milhões de crianças no mundo passaram a viver na pobreza, com privação total ou parcial de seus direitos fundamentais.

A maior emergência global de saúde da história gerou a pobreza multidimensional, com privação de direitos básicos:

- acesso à água potável.
- acesso à educação.
- acesso à saúde.
- acesso ao saneamento básico.
- acesso à alimentação.

Cerca de 45% das crianças ao redor do mundo foram severamente privadas de pelo menos um desses direitos durante a pandemia.

Em novembro de 2020 mais de 5 milhões de meninas e meninos de 6 a 17 anos não tinham acesso à educação no Brasil.

No Brasil 14.3% das crianças e dos adolescentes não têm o direito à água garantido.

11% das crianças e dos adolescentes de até 17 anos no Brasil não têm o direito à moradia garantida.

No Brasil 3,1% das crianças e dos adolescentes vivem em casas sem sanitário.

Diante desse quadro o UNICEF faz um apelo a você: SEJA A MUDANÇA PARA AS GERAÇÕES FUTURAS.

Faça sua doação em www.unicef.org

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Convivência em Família


 

Dois bons exemplos

Dizem que nos tempos atuais não é nada fácil lidar com os jovens, que andam desgarrados da obediência, da disciplina, do respeito e dos bons valores para melhor viver. Estudos apontam graves desvios na família com relação à educação dos filhos, e os professores, na escola, se sentem perdidos, impotentes, sem saber o que fazer.

Pensando no professor e na escola, trago dois exemplos bem significativos do trabalho educacional a ser feito com o jovem, e com muito bom resultado.

O primeiro caso é contado pelo Milton Soares, professor de matemática, já aposentado, que durante muitos anos trabalhou numa escola particular com jovens do ensino médio. Diz o Milton que das janelas da sala de aula dava para ver o cinema da cidade, e era difícil controlar os alunos, ansiosos para faltar às aulas e usar o cinema para passar as horas.

Quando dava falta deste ou daquele aluno, era comum os jovens responderem: “foi ao cinema, está engando o gerente”. Aproveitando a ocasião, o professor Milton olhou para os alunos e disse:

Sabe, vocês, quando vão ao cinema, pensam que enganam o gerente, entrando e ficando na brincadeira, na zoação, ou mesmo dormindo enquanto o filme é projetado. Não, vocês não estão enganado o gerente. Para entrar vocês pagaram o ingresso, portanto o gerente já está no lucro, e para ele pouco importa se vocês vão ou não assistir o filme. Vocês estão enganando a vocês mesmos, que gastam dinheiro e nada sabem sobre o filme que está na tela. Gastam tempo e dinheiro de forma inútil. Por favor, avisem seus colegas que hoje faltaram, que eles não estão enganando o gerente.

A partir do dia seguinte ninguém mais faltou às aulas de matemática.

O segundo caso é relatado pelo professor Jairo, que leciona numa universidade pública. Numa das turmas haviam quatro jovens alunos que viviam inventando histórias para se desculpar por atrasos, faltas, pouco estudo. Sempre tinham algo em comum para relatar e justificar suas faltas e notas baixas.

Um dia faltaram a uma prova. No dia seguinte vieram, os quatro, com a história que tinham ido à noite numa festa de amigos, vararam a madrugada e, no retorno, com a intenção de ir direto para a faculdade, tiveram problema com o carro, com um pneu furado e que precisou de conserto, inviabilizando a chegada em tempo para a prova.

O professor Jairo, tranquilo, disse-lhes que isso acontece, um imprevisto pode acontecer, mas que não se preocupassem, pois teriam dois dias para se preparar para a prova, que aplicaria para eles, como compensação.

No dia marcado, Jairo explicou que a prova teria apenas duas perguntas. A primeira valendo meio ponto, e a segunda valendo nove pontos e meio, e que eles fariam a prova separados, cada um numa sala, totalmente isolados.

A primeira pergunta, com múltipla escolha foi muito fácil. A segunda pergunta foi o problema:

Qual pneu do carro furou?

Nos dois casos, tanto o Milton quanto o Jairo fizeram os jovens pensarem. Fazer pensar é básico em educação. Então, diante desses dois exemplos, fica o convite para você pensar no que está fazendo e no que pode fazer na escola quanto a melhor educação dos jovens.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

A escola e o vestibular

É cada vez maior o número de escolas particulares conveniadas com grandes sistemas de ensino. Isso é preocupante porque esses sistemas de ensino são empresas que visam dois objetivos essenciais: muito lucro e preparação dos alunos para se darem bem nos exames de acesso a outros segmentos de ensino e nos concursos públicos. Seu material didático-pedagógico é todo formatado, não dando muito espaço para a criatividade e, é bom saber, vários dos atuais sistemas de ensino começaram como cursos pré-vestibulares, cresceram e acabaram entrando pelo ensino fundamental e médio.

Temos hoje uma verdadeira máquina empresarial de formar alunos para o vestibular e concursos, utilizando-se da mídia para espalhar pomposos resultados: primeiro lugar no curso tal da universidade tal. E os jovens, enganados, pensam que só estudando num colégio com a marca deste ou daquele sistema de ensino poderão se dar bem no famigerado concurso para ingresso no ensino superior ou no emprego público.

E, ainda mais preocupante, é ver as escolas, particulares e públicas, trabalhando para preparar seus alunos para os exames nacionais de avaliação do Ministério da Educação (MEC) e para o vestibular. O ensino está preso a se dar bem nas estatísticas das provas e exames.

Desde quando exames previamente anunciados, formatados sem levar em conta as diferenças regionais, que levam os estudantes a se prepararem especialmente para eles, podem avaliar o ensino? Não é uma avaliação, mas uma pseudo avaliação, que está levando as escolas a perderem seu foco na educação do ser ao priorizarem bons resultados nas avaliações oficiais e no vestibular.

A entrada no ensino superior deveria estar atrelada ao desempenho do aluno durante o ensino médio, mas isso condenaria cursinhos e sistemas de ensino à falência, o que não agrada o legislativo público, pois muitos deputados e senadores são sócios de empresas educacionais, assim como alguns membros do Conselho Nacional de Educação do MEC. Essa é a verdade. Nada estamos dizendo que reportagens nas mídias de comunicação não tenham esclarecido.

Alguns sistemas de ensino utilizam nomes de educadores famosos, em flagrante contradição com as teorias e práticas desses educadores, mas quem quer saber disso? O lucro gerado pela fábrica de vestibulandos é o que mais importa. É assim que o sistema capitalista neo liberal funciona.

Pobre educação, diminuída a ensino memorizado a serviço do vestibular. E dizem os organismos internacionais que já somos país desenvolvido ...

Vídeo - O Jovem e a Dinâmica Educacional

O vídeo sobre educação espírita O Jovem e a Dinâmica Educacional aborda a importância da participação do jovem no processo ensino-aprendizag...