segunda-feira, 27 de junho de 2022

Respeitar e cuidar da comunidade da vida

Neste texto vou comentar o primeiro item da Carta da Terra, documento oficializado pela UNESCO no ano 2000, e que norteia as ações previstas até o ano 2030, como agenda da Organização das Nações Unidas (ONU), lembrando que em meu texto anterior publicado aqui no Análise & Crítica, apresentei na íntegra a carta.

O primeiro item refere-se ao Respeitar e Cuidar da Comunidade da Vida, estabelecendo quatro objetivos:

1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.

2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.

3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.

4. Garantir as dádivas e a beleza da Terra para as atuais e as futuras gerações.

Vivemos no planeta Terra, é a nossa casa. Cuidar da casa que nos abriga é um dever, todos sabemos disso, pois na medida em que não cuidamos dela, se deteriora, por melhor esteja construída. Internamente, a casa mal cuidada, ou sequer cuidada, fica suja, imunda, desorganizada, e todos os seus moradores terão muitas queixas a fazer, pois não conseguirão viver bem.

Do mesmo jeito que precisamos e devemos cuidar da casa que chamamos lar, seja ela feita de cimento e tijolos ou de outros materiais, devemos cuidar da casa maior, nosso planeta, pois dependemos de sua natureza, de tudo o que ela nos oferece, para sobrevivermos, lembrando que certas fontes naturais ou não são renováveis quando esgotadas, ou levam muito, muito tempo, para se renovarem.

Se desmatamos vastas áreas sem nenhum critério, os efeitos disso serão muito ruins para nós e todas as demais espécies vivas do planeta. Se poluímos inconsideradamente rios e lagos, teremos sérios e graves problemas para obter água potável. E assim poderíamos listar várias e várias atividades humanas que desrespeitam a natureza e deixam nossa casa planetária em estado degradante, tornando difícil nossa vida.

Questão de inteligência preservar o planeta. Respeitar a vida é fundamental para termos melhor vida na Terra.

Acreditamos que ninguém queira viver mal, não é mesmo? Então, porque temos explorado a natureza apenas pelo critério de produzir e consumir, esgotando os recursos primários que não permitirá mais produzir? É ilógico.

Nada existe na natureza que seja inútil, precisamos aprender a bem explorar seus recursos, mantendo-os para nós e para as novas gerações.

Respeitemos a Terra com sua exuberante diversidade.

Cuidemos das comunidades que representam a vida, com compreensão e amor.

Construamos uma sociedade humana democrática que seja justa, participativa, sustentável e pacífica.

E façamos todos os esforços para garantir tudo o que a Terra nos oferta para nós e para as futuras gerações.

A Carta da Terra precisa ser trabalhada nas escolas, no processo educacional que a todos conscientize da importância do planeta como nossa casa, nosso lar.

segunda-feira, 20 de junho de 2022

A carta da Terra

Você conhece a Carta da Terra?

Sua idealização e redação teve início no ano de 1987 pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, das Nações Unidas (ONU). Sua primeira versão ficou pronta em 1992 por ocasião da realização da Eco-92, conferência das Nações Unidas realizada na cidade do Rio de Janeiro. Finalmente, no ano 2000, a Carta da Terra foi ratificada e assumida pela Unesco, órgão da ONU para a ciência, a educação e a cultura, em cerimônia no Palácio da Paz, em Haia, Holanda, com a adesão de 4.500 organizações do mundo, incluindo o Brasil.

Sua finalidade é a busca de uma sociedade em que todos sejam responsáveis por ações de paz, respeito e igualdade, prezando pelo bem-estar mundial, incluindo a preservação do planeta.

A Carta da Terra possui 16 princípios básicos, em quatro grandes tópicos. Vamos conhecê-los.

1. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DA VIDA

1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.

2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.

3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.

4. Garantir as dádivas e a beleza da Terra para as atuais e as futuras gerações.


2. INTEGRIDADE ECOLÓGICA

5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial preocupação pela diversidade biológica e pelos processos naturais que sustentam a vida.

6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de precaução.

7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.

8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover a troca aberta e a ampla aplicação do conhecimento adquirido.

3. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA

9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental.

10. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimento humano de forma equitativa e sustentável.

11. Afirmar a igualdade e a equidade de gênero como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, assistência de saúde e às oportunidades econômicas.

12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social, capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, concedendo especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias.

4. DEMOCRACIA, NÃO VIOLÊNCIA E PAZ

13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e proporcionar-lhes transparência e prestação de contas no exercício do governo, participação inclusiva na tomada de decisões, e acesso à justiça.

14. Integrar, a educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de bida sustentável.

15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.

16. Promover uma cultura de tolerância, não violência e paz.

A Carta da Terra, de grande importância para o presente e o futuro da Humanidade, comporta uma ampla ação educacional envolvendo a família, a escola e a comunidade.

Voltaremos a esse assunto em nosso próximo texto.

terça-feira, 14 de junho de 2022

Ecologia, educação e mudança de hábitos


 

A alma da educação

Você já parou para pensar sobre o que é mais importante na educação? Qual é o centro do processo educacional? Pensar sobre isso é da máxima importância, pois trata-se de saber qual é a essência da educação e para onde devem convergir todos os esforços em educar. E a quem educamos? Ao ser humano, é a resposta positiva. Que é o ser humano? Uma alma em desenvolvimento, afirmamos. Nossa afirmação pode parecer estranha para alguns educadores, mas devemos lembrar que todos aspiramos por algo maior do que nós, todos possuímos potencialidades que vão além dos cinco sentidos corporais.

Todas as religiões, sejam ocidentais ou orientais, sejam cristãs ou não, proclamam a existência da alma enquanto criação divina, superior. A Psicologia surgiu para estudá-la (psico = alma + logia = estudo), mas é fato que com o tempo se distanciou da sua finalidade, o que precisa retomar com urgência. Assim, seja você religioso ou não, o fato é que a alma é objeto de consideração e estudo tanto do ponto de vista religioso quanto científico. Veja-se, por exemplo, a Física Quântica e a Psicologia Transpessoal, que partem da existência da alma, estudando-a.

Por que a alma está fora das cogitações da educação? Por que a espiritualidade do ser humano está fora do processo educacional realizado pelas escolas?

A existência da alma é a alma da educação, e isso já foi enunciado por diversos pensadores, filósofos e educadores ao longo da história humana.

Acontece que há uma geral confusão entre alma, espiritualidade, religiosidade e doutrina religiosa. Não defendemos esta ou aquela doutrina religiosa, nem tão pouco que elas sejam ensinadas nas escolas, a não ser do ponto de vista facultativo de acordo com os interesses dos alunos e dos pais. O que defendemos é a humanização do ser humano, o desenvolvimento de valores ético-morais calcados na religiosidade, ou seja, no ato da fé transcendente, fé que deve ser raciocinada, levando a criança e o jovem ao encontro com sua espiritualidade, sua essência, o eu profundo enquanto alma que é.

Desse ponto de vista propomos uma revolução educacional, e estamos bem cientes disso. A escola não deixaria de ser laica, pois continuaria desvinculada de qualquer doutrina religiosa – exceção feita às escolas declaradamente confessionais -, mas trabalharia o desenvolvimento da religiosidade ou espiritualidade.

Então teríamos uma escola preocupada com a essência da educação: o ser humano, Temas e atividades ligados à empatia, solidariedade, humanização, ética, cooperação, sustentabilidade e outros regeriam o processo educacional centrado nos aspectos da aprendizagem, exatamente o contrário do que hoje acontece, pois atualmente o processo está centrado na ensinagem, onde o professor é tudo e o aluno é nada.

Na medida em que desconsideramos a realidade da alma, afundamos a educação cada vez mais no atoleiro das disciplinas curriculares com seus conteúdos – que obviamente continuarão a existir, mas sem serem o essencial do processo -, desviando o processo educacional da formação de bons cidadãos, que tenham autonomia para pensar e saibam se colocar em ação pelo bem da coletividade humana e do planeta.

A educação da alma é o antídoto da corrupção, da injustiça, da miséria e da violência.

Temos pelo mundo propostas pedagógicas nesse sentido, revestidas de inúmeros nomes: educação em valores humanos, educação em virtudes, educação ética, educação moral e assim por diante, com metas e dinâmicas diversificadas visando fazer do ser humano um ser além do corpo biológico, além do dia a dia, que alcance patamares mais altos de felicidade e paz.

É dessa educação que necessitamos, educação que leve em conta a alma, substituindo o materialismo pelo espiritualismo, quando então teremos uma Humanidade muito melhor, exatamente aquela que tanto sonhamos para podermos viver em paz uns com os outros.

terça-feira, 7 de junho de 2022

A realidade profunda do ser humano

Para entendermos a educação, antes, e de forma prioritária, precisamos entender o ser humano: quem ele é, quais as suas potencialidades, qual o seu destino. A visão que temos sobre o ser humano norteará o processo educacional que desenvolvemos. A educação deve formar o ser humano para ser um ser humano, ou em outras palavras, deve a educação desenvolver todo o potencial existente no ser humano para que este se torne um ser humanizado e espiritualizado. Mas de que ser humano estamos falando? De um animal racional ou de um ser transcendente? Importa antes de mais nada estabelecer o que entendemos por nós mesmos.

São muitas as correntes filosóficas, sociológicas, antropológicas e teológicas sobre o ser humano, mas podemos resumi-las, ou melhor, classificá-las em dois grandes grupos: materialistas e espiritualistas. No primeiro grupo estão todas as correntes de pensamento que consideram o ser humano apenas do ponto de vista biológico, social e cultural entre o nascer e morrer. No segundo grupo estão as correntes de pensamento que consideram o ser humano não apenas do ponto de vista do primeiro grupo, mas também como alma criada por Deus.

Se levamos em consideração a alma, ou espírito, a educação passa a ser algo mais do que a transmissão de conhecimentos, que não se justifica como finalidade mesmo diante do pensamento materialista, pois o ser humano é dotado não apenas de inteligência e da faculdade de aprender, mas igualmente de sentimento e da capacidade de pensar e de progredir.

Somos um complexo psíquico - mente e coração, inteligência e sentimento – que pensa, se emociona, se alegra, se frustra, se relaciona com os outros, utilizando a criatividade, a invenção, o sonho, se impulsionando através de ideais e esforços constantes. Diante disso, a educação não pode se resumir em transmissão e aquisição de conhecimentos.

Partimos, em nosso entendimento, que somos seres dotados de alma, ou seja, somos uma alma, e, portanto, necessitados de desenvolvimento intelectual ao mesmo tempo que desenvolvimento moral e espiritual.

É de se lamentar ver as gerações jovens receberem muita instrução sobre todas as coisas, quer na família e principalmente na escola, mas serem totalmente desorientados e mesmo ignorantes sobre a realidade mais profunda do ser e da vida. Terem especialização técnica voltada para uma profissão, mas não saberem se relacionar de forma equilibrada e saudável com os outros seres humanos e com o mundo em que vivem.

O espetáculo que temos à frente é uma frustração generalizada sobre o ensino, tanto por parte dos jovens quanto dos adultos, todos não preparados e não conscientes dos seus direitos fundamentais e do seu potencial espiritual.

As escolas ensinam muitas coisas, o tempo todo, abarrotando professores e alunos de tarefas de estudo, sem lhes dar tempo para pensar, meditar, refletir, elaborar por si mesmos, a essência da educação, por isso vemos levas e mais levas de seres humanos entrarem na sociedade despreparados para a vida, para formarem uma família que saberá promover a educação dos seus filhos, que saberão promover uma sociedade justa e pacífica, que saberá promover uma escola humanizada, porque todos saberão verdadeiramente o que é a educação e sua finalidade.

Tudo está interligado. Uma teia ou rede complexa como o é a vida humana.

Do entendimento espiritual do ser humano e da vida surgirá a educação ideal que necessitamos. Não vemos outro caminho para a renovação moral da Humanidade.

Vídeo - O Jovem e a Dinâmica Educacional

O vídeo sobre educação espírita O Jovem e a Dinâmica Educacional aborda a importância da participação do jovem no processo ensino-aprendizag...