segunda-feira, 28 de novembro de 2022

E se diminuir a idade?

Continuam as mídias de comunicação a publicar reportagens e notícias sobre violência dentro das escolas, assim como violência praticada por menores de idade na sociedade e, diante disso, temos os que são adeptos da diminuição da idade penal para 16 anos (algumas pessoas pensam em 14 anos). Será que isso é solução? Será que levar para a prisão os adolescentes resolve o problema da violência e da criminalidade?

Lendo o educador italiano Franco Cambi, encontramos um pensamento merecedor de sérias reflexões, e que tem tudo a ver com essa questão:

A família, em qualquer sociedade, é o primeiro lugar de socialização do indivíduo, onde ele aprende a reconhecer a si e aos outros, a comunicar e a falar, onde depois aprende comportamentos, regras, sistemas de valores, concepções do mundo. A família é o primeiro regulador da identidade física, psicológica e cultural do indivíduo e age sobre ele por meio de uma fortíssima ação ideológica.”

Perguntamos: o que a família está fazendo com a educação dos seus filhos? Que formação física, psicológica e cultural está dando para a novas geração que diariamente é lançada na sociedade?

O papel essencial da família na educação das crianças e dos jovens precisa ser reavaliado, assim como sua interação com a escola que, por sua vez, precisa repensar sua dinâmica, sua finalidade e sua integração com a vida, mas o nosso foco neste texto é a família e não a escola.

A família é a primeira escola do indivíduo. É no seio familiar onde a criança aprende não apenas a andar, falar, brincar, mas aprende valores, comportamentos, ideais, absorvidos dos ensinos e dos exemplos dos pais ou responsáveis. Mesmo indo para a escola formal, a criança retorna para a família, onde dá continuidade aos seus aprendizados e ao seu crescimento físico e psicológico. A família é sua escola para o resto da vida.

Que indivíduos a família está formando?

Indivíduos cooperativos, solidários, éticos, responsáveis, cumpridores dos seus deveres, com pensamento no bem coletivo, ou indivíduos egoístas, indiferentes, violentos, voltados apenas para si mesmos?

Podemos reduzir a idade penal para a idade que quisermos e o problema da violência e da criminalidade continuará, pois não é a cadeia, a penitenciária, que irá corrigir a deseducação propiciada atualmente pela família, com suas honrosas e necessárias exceções.

O problema é de educação, não é de segurança pública ou de justiça. Estas atuam combatendo os efeitos, mas não alcançam as causas. Somente a educação alcança a raiz do problema e tem o poder de corrigir os desvios hoje existentes na formação das crianças e dos jovens.

Quando aprendermos a dar o devido valor à família na sua missão de educar, entendendo-se essa educação como formação física, psicológica e cultural de que nos fala Cambi e, indo ainda mais longe, como formação moral, do caráter, começaremos a corrigir esses desvios da juventude e, então, não necessitaremos de leis mais rígidas nem de construção de mais prisões.

Felizmente já temos muitos que assim entendem e estão trabalhando pela melhor educação das crianças e dos jovens, apoiando a família que, apesar de todos os problemas que enfrenta, continua a ser a melhor escola, a escola essencial na formação dos indivíduos.


segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Uma nova ordem mundial

Depois de um conflito considerado mundial, como foi a Segunda Guerra, países de todo o mundo concluíram da necessidade de se unirem em torno de objetivos comuns, como a cooperação internacional e a paz mundial, e criaram no ano de 1945, especificamente no mês de outubro, a Organização das Nações Unidas (ONU), que substituiu em novas bases a Liga das Nações, que havia fracassado no objetivo de evitar conflitos armados entre as nações.

Passados mais de 75 anos, muitas vozes clamam por mudanças na ONU, estabelecida que foi a partir de um cenário não mais existente. As circunstâncias agora são outras e o equilíbrio de forças econômicas e militares estão bem diferentes daquela época, quando Estados Unidos, Inglaterra e União Soviética (que nem existe mais) eram as grandes potências. Hoje temos a França, a Alemanha, a China, a Índia, o Brasil, a Rússia (que substituiu a União Soviética em escala menor), o Japão e outras nações com grande destaque mundial, portanto merecedoras de um protagonismo maior na própria Organização.

Há um clamor em crescimento para transformação dos mecanismos que regem o Conselho de Segurança da ONU, principalmente quanto ao poder de veto hoje concedido à China, Rússia, Reino Unido, Estados Unidos e França, considerado arbitrário e antidemocrático. Não se quer um maior número de nações com esse direito, o que se deseja é abolir o direito de veto, para que prevaleça sempre a tomada de decisão da maioria, como deve ser em qualquer assembleia que se diga democrática.

O que acontece até os dias de hoje é que decisões do Conselho de Segurança, formado por 15 países, são derrubadas por um único país detentor do direito de veto, que por razões estritamente políticas a seu favor, derruba um consenso entre todos os demais países, daí a consideração de termos uma organização que está longe de ser uma verdadeira democracia.

Reconhecemos que muito devemos à ONU nos mais diversos aspectos da vida humana, pois ela realmente tem contribuído para que vivamos melhor, e tem evitado uma nova guerra mundial, apesar dos inúmeros conflitos nacionais e regionais ainda existentes. Para novos tempos, uma nova organização mundial das nações, ou talvez melhor dizendo, uma nova dinâmica para a Organização das Nações Unidas, que necessita ser mais ágil diante das demandas de um mundo globalizado, não podendo ficar à mercê de um único protagonista detentor de um direito de veto que não mais se justifica.

As nações mais ricas precisam olhar com espírito de colaboração para as nações mais pobres, num concerto mundial pela justiça social. A pandemia da Covid 19 mostrou claramente o desequilíbrio e a falta de colaboração. As nações mais ricas imediatamente fecharam acordos com os laboratórios de pesquisa e os fabricantes de medicamentos e vacinas, pensando na proteção de suas populações, deixando à míngua os países mais pobres, cujos governos tiveram muita dificuldade em conseguir elaborar campanhas de vacinação e imunização de seus cidadãos. Faltou colaboração e milhões de pessoas morreram, além de milhões terem ficado com sequelas da ação do vírus.

A ONU tem se mostrado impotente diante de conflitos armados, como a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, entre outras guerras que assolam nosso planeta neste exato momento, ficando à mercê da decisão política de poucas nações que ainda se consideram mandatárias, como se estivessem acima do bem e do mal coletivos. Isso precisa mudar!

Estamos diante de uma nova ordem mundial, de um novo jogo de forças e da procura por uma democracia autêntica na maior instituição humana existente. É tempo, pois, de repensarmos o papel e a estrutura da Organização das Nações Unidas, para que ela possa cada vez mais humanizar a convivência entre nós, os seres humanos.

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Professor dos novos tempos

Convidado para promover com professores de uma escola, capacitação para aplicação do projeto pedagógico Escola do Sentimento, iniciei realizando uma roda de conversa onde primeiro disse que numa escola inovadora trabalhamos espaços de aprendizagem coletiva, dispondo os alunos em grupos de pesquisa e desenvolvimento do conhecimento, priorizando o trabalho por projetos, e onde o professor não dá aula, e sim orienta o aluno, fazendo-se um tutor do processo. Foi nesse ponto que muitos olhos arregalaram, e um professor fez uso da palavra, num misto de espanto e incredulidade: "Como assim? Eu não vou dar aula? Mas eu só sei trabalhar se tiver um quadro disponível e uma caneta na mão!". Imediatamente lembrei do antigo quadro negro, ou verde, e o giz que tanto caracterizou a escola, a ponto de tornar-se referência do ensino, mas que agora procuramos transformar. E não tardou para que surgisse outra objeção: "Isso não vai dar certo, é dar muita autonomia para os alunos, eles vão fazer o que bem entendem!". Como já me acostumei com essas reações negativas não fiquei impressionado, pois ali estava para apresentar um proposta pedagógica muito bem estruturada, pois em educação não se pode ser aventureiro.

Essas reações contrárias denotam dois aspectos principais dos professores, de uma forma geral: primeiro, uma espécie de horror, de aversão ao novo, numa luta para manter o status, a zona de conforto já estabelecida; segundo, ignorância pedagógica sobre procedimentos e metodologias que vão muito além do ensinar. Mesmo diante dessas contrariedades, perguntei: e por que não podemos fazer diferente?

Professor que não se sensibiliza diante de uma folha ao vento; que não se alegra com o sorriso de uma criança; que não se faz poeta inspirado para fazer da educação uma poesia além das palavras, não é um verdadeiro professor, não é um professor dos novos tempos.

E outra nossa informação é recebida de forma cética: a necessidade de amar a educação, amar os alunos, acreditando no amor como instrumento pedagógico de transformação. E disse uma professora: "Não precisamos de amor na escola, precisamos de segurança pública". E outra professora complementou: "Como eu vou amar esses adolescentes que só sabem agir com violência?". E ainda tivemos mais esta manifestação: "Eu até amo o que faço, mas com salário baixo e más condições de trabalho, fica difícil". Sim, reconheço que dificuldades existem, como a violência, o salário insuficiente, condições escolares precárias e outras, mas nada disso impede que o nosso amor seja mais forte e promova as mudanças necessárias. Insisto: temos que amar, e amar, e amar cada vez mais a educação.

Se a educação ainda não promoveu uma sociedade cooperativa, solidária, é porque não foi entendida como valoroso instrumento formador das consciências, dos valores humanos, transformada que foi em um mero processo de ensinagem e aprendizagem de conteúdos curriculares pré estabelecidos e não questionáveis. A educação verdadeira é a educação moral, é aquela que disponibiliza ao aluno o crescimento integral de seu potencial humano. Para isso um novo olhar sobre a educação e a escola; um novo olhar sobre o aluno e a aprendizagem; um novo olhar sobre o ser humano e a sociedade, precisam acontecer, e vão acontecer com uma nova visão, uma nova filosofia, uma nova metodologia, uma nova escola, um novo professor.

O amor como base, a espiritualização do homem como meta, é o que apresentamos. Trabalhamos uma escola que leve cada aluno a aprender e colocar em prática o fazer ao outro somente o que gostaria que o outro lhe fizesse, a regra de ouro da educação.

Então, professor, por que não se abrir para o convite de fazer uma escola inovadora, de acreditar em si mesmo e nos alunos, para então transformar para melhor o mundo em que você mesmo vive?


segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Por que a educação tem poucas curtidas?

Já havia detectado o fenômeno nas minhas redes sociais, mas ampliei a pesquisa acessando outros perfis, comparando com temas que não tivessem relação direta com a educação. A verdade, muito dolorida, é que as postagens sobre educação têm infinita menor proporção de curtidas e comentários do que postagens sobre qualquer outro assunto, e não importa se é vídeo, imagem ou texto, e essas coisas associadas: quando se trata de educação, as pessoas não dão maior importância.

Isso acontece porque grande maioria considera a educação uma questão restrita à escola, de competência dos professores, ou seja, é um universo distante que não teria relação direta com a vida social. Mais importante é a segurança pública, a política, o reality show, a fake news e assim por diante. Agora, educação…

Esse equívoco de graves consequências tem levado a sociedade a profundos desequilíbrios. Primeiro, porque a educação é a base dos relacionamento sociais bons ou ruins; segundo, porque a educação é a formadora das consciências e, portanto, da ação humana na coletividade; terceiro, porque educação não é problema somente da escola, mas também da família e de todas as instituições humanas. A educação é a base da humanidade que temos e que desejamos ter.

Quem me acompanha nas redes sociais deve talvez considerar que estou sendo repetitivo com esta conversa sobre a importância da educação, mas é preciso falar desse assunto sempre, pois enquanto não compreendermos a importância e o papel da educação na sociedade não conseguiremos corrigir, ou pelo menos minimizar, os sérios desequilíbrios de que padecemos e todos conhecem.

Dizem que o mundo está muito violento, que temos problemas com as drogas, com a poluição do meio ambiente, com a miséria, com a injustiça social, com as guerras e uma infinidade de outras situações que se repetem há muito tempo e não conseguimos solucionar, e tudo isso é verdade, mas qual é o motivo, qual é a causa de não conseguirmos nos livrar desse cortejo de malefícios? Dizemos que a questão está em não darmos importância à educação, ou antes, de confundirmos a educação com a instrução, com a formação intelectual e profissional, pois isso não é educação, embora faça parte.

Vem de longe essa confusão entre instrução e educação, conhecimento e formação moral, e as consequências estão retratadas na sociedade humana atual.. A solução não está na construção de mais escolas, na contratação de mais professores, na disponibilização de mais verbas, na distribuição de mais livros didáticos, no aparelhamento tecnológico de mais escolas. Se tudo isso, até certa medida, é importante, nada disso será solução enquanto não mudarmos o entendimento quer temos sobre a educação.

As redes sociais e os mensageiros instantâneos fazem parte da nossa vida, são ferramentas muito úteis quanto utilizadas para promover o bem e não para espalhar mentiras, e deveriam ser utilizadas para engrandecer a educação, para divulgá-la e mostrar sua importância na formação do ser humano e, por consequência, da humanidade.

Lembremos Paulo Freire: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.”


Vídeo - O Jovem e a Dinâmica Educacional

O vídeo sobre educação espírita O Jovem e a Dinâmica Educacional aborda a importância da participação do jovem no processo ensino-aprendizag...