sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Ensino Universitário

Repercute a decisão do Ministério da Educação (MEC) em cancelar o vestibular de duas faculdades de Medicina do interior do Estado do Rio de Janeiro, além de exigir cumprimento de normas em outras instituições de ensino superior, restringindo o acesso a alguns cursos enquanto as normas não forem cumpridas. É, devemos dizer, repercussão positiva, pois todos sabem da verdadeira explosão de cursos superiores autorizados pelo MEC desde a década de 1980, com a consequente queda da qualidade do ensino, e que medidas urgentes precisavam ser aplicadas.

A supervisão dos cursos universitários veio em boa hora, talvez tardia, e deve o MEC ser rigoroso, pois não é possível assistirmos levas de alunos diplomados sem qualificação para o exercício da profissão. Se isso é extremamente perigoso na área das ciências exatas, não menos perigoso é na área das ciências humanas, onde destacamos os cursos de Pedagogia que não preparam os alunos, futuros professores, para o trabalho em sala de aula.

Certa vez, conversando com um grupo de pedagogas, fiz, com referência ao assunto que abordávamos, citação de autores e livros, e percebi um olhar de perplexidade e estranhamento. Aprofundando a questão, descobri que nenhuma, e eram formadas por faculdades diferentes, conhecia nem autores, nem livros. Eram verdadeiras analfabetas pedagógicas, se me permitem inventar o termo.

Desse jeito, encontrar um bom professor, realmente preparado para o ofício, só por "milagre", que é realizado pela força de vontade de quem tem amor para exercer o magistério, e realiza pelo processo da autoeducação o que a faculdade não lhe dá.

Já fiz palestra em sala de aula com oitenta alunos exprimidos em carteiras que não podiam sair do lugar por falta absoluta de espaço, sobrando míseros centímetros entre o quadro branco para anotações e a primeira fileira. Senti-me como deve se sentir um animal encurralado.

Essa realidade é o retrato da educação bancária criticada por Paulo Freire, que nem todo aluno de Pedagogia conhece.

Fala-se muito em ensino de qualidade, quando o correto é abordarmos educação de qualidade, mas nem um nem outro teremos enquanto os cursos superiores de formação continuarem sem qualidade.

Que o MEC proceda rigorosa supervisão, e que os cursos considerados inapropriados sejam embargados, para o bem da educação brasileira, que não pode curvar-se ao interesse particular de grupos empresariais que transformam o ensino universitário numa caixa registradora.

Pensemos nisso!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

E a Vida do Outro, Como Fica?

O presidente dos Estados Unidos Barack Obama assinou decreto autorizando o financiamento público para pesquisas e ações sobre o aborto, com a justificativa que o Estado não deve interferir em questões íntimas da família. Sua ação retirou as restrições do governo americano sobre grupos que oferecem serviços de aborto. Ainda na sua justificativa, Obama disse que "minha intenção é prevenir a gravidez indesejada e ampliar o acesso à educação reprodutiva, a anticoncepcionais e a serviços médicos preventivos".

A intenção pode ser boa, mas a justificativa traz em si mesma uma contradição. Para prevenir a gravidez indesejada os serviços de educação e saúde são imprescindíveis, e nisso concordamos com Obama, mas financiar clínicas particulares que divulgam informações sobre o aborto e o incentivam não é promover educação reprodutiva, nem disponibilizar serviços médicos preventivos.

E mais: outra vez a decisão sobre a vida alheia é repassada para os pais e os médicos. Continua o pensamento reducionista que o feto não é gente, não é uma pessoa em desenvolvimento, e que a gravidez indesejada, que ocorre em grande parte por motivo da sexualidade sem controle, pode ser resolvida com o descarte desse ser. Não é solução, é um crime que lesa a consciência e a lei divina.

Você, que está lendo este texto, gostaria de ter sido abortado e não estar nesta existência, perdendo assim as oportunidades de estudar, namorar, crescer nos ideais, sonhar, passear, enfim, de fazer tudo o que já fez, está fazendo e ainda quer fazer?

A justificativa de não interferência nas questões íntimas da família leva-nos a pensar que o governo não deveria legislar também sobre as questões das dfrogas, das bebidas alcóolicas, sobre pais e mães que violentam seus filhos, pois esses e outros assuntos não dizem respeito somente à família? Se a família pode decidir sobre fazer ou não o aborto, com amparo legal, não pode igualmente decidir se o pai deve ou não fazer sexo com a filha (estupro), ou se os filhos podem ou não se drogar?

Sabemos que a liberação dos costumes não é o melhor caminho para construção de uma sociedade sadia. Aí está a história mostrando que muitas civilizações e impérios caíram por causa da dissolução moral dos costumes, na família e na sociedade.

E encerramos estas considerações com a pergunta: e a vida do outro, como fica?

Nossa resposta em próximo artigo, por enquanto, pense, pense muito no assunto antes de responder.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Onde Estão Meus Vinte Anos?

Recebi de um dos meus leitores o vídeo "Onde Estão Meus Vinte Anos?", com Charles Aznavour acompanhado de duas jovens cantoras francesas, interpretando esse grande sucesso da música francesa e internacional, trazendo o vídeo a legenda em português da letra da música, onde o compositor olha para sua existência e percebe que, no ardor da sua juventude, seus valores foram vinculados aos prazeres imediatos e, agora, com idade mais avançada, um vazio, um arrependimento lhe visita o ser, pois os amigos morreram, os prazeres passaram, as discussões nada construíram. E ele encerra perguntando: onde estão meus vinte anos?

Nada preciso falar da interpretação, pois o nome Charles Aznavour fala por si da excelência musical, portanto, ressalto a importância de se trabalhar a música, através do vídeo, com os jovens e mesmo com as pessoas da chamada meia idade, ou seja, até os quarenta anos.

Hoje, em que vemos, tristemente, jovens se drogarem e alcoolizarem em baladas nas boates e viagens turísticas em navios, precisamos alertá-los que esses prazeres passam e deixam consequências desastrosas para o corpo e o a alma, isso quando não trazem a morte prematura.

Podemos trabalhar o vídeo de forma pedagógica, nas escolas e nos centros religiosos, com muito bons resultados, levando os jovens a debaterem o significado da letra em confronto com a realidade da vida e os melhores objetivos para uma vida com qualidade, no respeito a si mesmo, ao próximo e à sociedade.

Vamos reunir os jovens, distribuir a letra da música para uma leitura prévia e uma conversa. Na sequência projetar o vídeo, pelo menos duas vezes, e, então, estimular um amplo debate sobre valores e o que queremos de nós mesmos perante a vida. Como conseguir paz, justiça social, qualidade de vida, matando-se aos poucos com drogas, sexo livre, violência e alcoolismo?

Quem quiser o vídeo basta escrever um comentário e solicitar, que enviarei com prazer.

Espero que você, leitor, se ainda for jovem, não precise, lá na frente do tempo que passa, fazer a pergunta: "onde estão meus vinte anos?".

Pensemos nisso!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Previdência que Funciona

Finalmente assistimos a Previdência Social, ainda que com algumas falhas, funcionar decentemente a benefício do trabalhador brasileiro. A informatização de todos os serviços, com a base de dados digitalizada desde 1976, ano em que as empresas passaram a entregar a RAIS, permite agora que aposentadoria e pensões saiam em tempo recorde, com a promessa do trabalhador ficar no máximo meia hora dentro da agência, salvo casos que requeiram alguma prova documental.

O sistema está em implantação gradual e nem tudo são maravilhas, mas isso é fácil de compreender, pois o gigantismo da Previdência Social sujeita o processo a falhas, que o governo promete corrigir com agilidade.

A informatização não é uma mágica, ela não funciona automaticamente, depende do trabalho do homem, mas é, sem dúvida, o caminho que os serviços públicos devem tomar, pois na era da tecnologia da informação não dá mais para ficar carregando papel, preenchendo protocolos, aguardando trinta ou mais dias e ser prisioneiro da malha burocrática.

O exemplo da Previdência Social, que sempre foi considerada lenta, burocrática, ineficiente deve ser seguido por outras instâncias governamentais, como o caso da Saúde, em que os serviços públicos funcionam de mal a pior, tanto na esfera federal quanto estadual e municipal das grandes cidades brasileiras.

O caso da Previdência Social não é isolado, e percebemos que faltava vontade política, querer fazer. Temos plena certeza que, a despeito dos esforços de muitos servidores honestos e competentes, o que falta a muitos serviços públicos é a boa vontade de administradores e políticos em querer fazer o que deve ser feito, a bem da população que depende desses serviços.

Quando o querer aparece e suplanta a má vontade dos interesses de grupos que se locupletam com a burocracia, fomentando a corrupção, tudo se resolve e de forma até mesmo espetacular, pois o anúncio do Ministério da Previdência Social, dando novo sopro de vida ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), deixou muita gente incrédula, inclusive a imprensa, que correu para o instituto com seus repórteres, constatando que o anúncio do Ministro é uma verdade.

Quem disse que este país não é sério, e que as coisas aqui não dão certo?

Pensemos nisso!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Uma Nova Esperança

Quem não conhece a expressão "A esperança é a última que morre"? O mundo deposita esperança no novo presidente norte-americano, Barack Obama, que inicia seu mandato em alguns dias e dá sinais de implantação de uma nova política, menos aguerrida, menos prepotente e mais cooperativa. Espera-se uma nova ordem econômica mundial e menos guerras.

Barack Obama já confirmou o fim da prisão de Guantânamo, a retirada das tropas americanas do Iraque, menos intervenção no Conselho de Segurança da ONU, privilégio a parcerias com países emergentes. São políticas que agradam a todos, embora demoradas para surtir efeito, pois nada se fará da noite para o dia. Em alguns setores, como a questão Israel/Palestina, é ainda obscura a nova posição americana.

Mas, não é a política internacional o que mais preocupa, e sim a política interna. Nunca os Estados Unidos esteve com endividamento público tão grande e com uma escalada vertiginosa de desaceleração econômica, com o consequente desemprego da população. Até quando o governo terá capacidade para fabricar dinheiro e despejar bilhões de dólares na iniciativa privada? E será esse o melhor caminho?

A primeira parcela - aproximadamente 350 bilhões de dólares - do socorro emergencial chegou às mãos dos empresários à beira da falência e não retornou à economia, pois as empresas deram preferência a investir em aplicações financeiras, enxugar a produção e demitir funcionários. O que acontecerá com a segunda parcela? Obama afirma destiná-la generosamente para socorro ao mercado imobiliário, e está pressionado para exercer forte controle sobre a iniciativa privada.

Se os Estados Unidos não iniciarem, ainda este ano, uma reação econômica interna, sua situação tenderá, a médio prazo, a ficar insustentável. Será a queda do país todo poderoso que sempre mandou e desmandou?

O poder tem limites, mas o governo americano, nos últimos tempos, extrapolou essas linhas demarcatórias arrogando-se o direito de estar acima do direito de todos, e agora amarga desastrosas consequências.

A nova esperança conhece no seu histórico pessoal a pobreza, o preconceito racial, a atividade social organizada a benefício de comunidades menos privilegiadas. Viveu o mundo político e conhece os meandros dos interesses de grupo. Faz um discurso diferenciado e, tudo isso, faz com que acreditemos em transformações, em mudanças.

Vamos aguardar mantendo a esperança, pois o mundo precisa renovar sua esperança em dias melhores e mais felizes.

Pensemos nisso!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Paciência

Recebi de meus amigos o texto reproduzido abaixo, do qual não sei seu autor, mas as palavras revelam sensatez e provocam o pensar, por isso, tenha paciência e leia até o fim, pois a mensagem é muito importante.

"Ah! Se vendessem paciência nas farmácias e supermercados... Muita gente iria gastar boa parte do salário nessa mercadoria tão rara hoje em dia.

"Por muito pouco a madame que parece uma 'lady' solta palavrões e berros que lembram as antigas 'trabalhadoras do cais'...

"E o bem comportado executivo? O 'cavalheiro' se transforma numa 'besta selvagem' no trânsito que ele mesmo ajuda a tumultuar...

"Os filhos atrapalham, os idosos incomodam, a voz da vizinha é um tormento, o jeito do chefe é demais para sua cabeça, a esposa virou uma chata, o marido uma 'mala sem alça'.

"Aquela velha amiga uma 'alça sem mala', o emprego uma tortura, a escola uma chatice. O cinema se arrasta, o teatro nem pensar, até o passeio virou novela.

"Outro dia, vi um jovem reclamando que o banco dele pela internet estava demorando a dar o saldo, eu me lembrei da fila dos bancos e balancei a cabeça, inconformado...

"Vi uma moça abrindo um e-mail com um texto maravilhoso e ela deletou sem sequer ler o título, dizendo que era longo demais.

"Pobres de nós, meninos e meninas sem paciência, sem tempo para a vida, sem tempo para Deus. A paciência está em falta no mercado, e pelo jeito, a paciência sintética dos calmantes está cada vez mais em alta.

"Pergunte para alguém, que você saiba que é 'ansioso demais' onde ele quer chegar? Qual é a finalidade de sua vida? Surpreenda-se com a falta de metas, com o vago de sua resposta.

"E você? Onde você quer chegar? Está correndo tanto para quê? Por quem? Seu coração vai agüentar? Se você morrer hoje de infarto agudo do miocárdio o mundo vai parar? A empresa que você trabalha vai acabar? As pessoas que você ama vão parar? Será que você conseguiu ler até aqui?

"Respire... Acalme-se... O mundo está apenas na sua primeira volta e, com certeza, no final do dia vai completar o seu giro ao redor do sol, com ou sem a sua paciência...

"NÃO SOMOS SERES HUMANOS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL. SOMOS SERES ESPIRITUAIS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA HUMANA".

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Cursos a Distância

Lembro aos meus amigos e leitores que estão abertas as inscrições para os cursos a distância promovidos pelo IBEM - Instituto Brasileiro de Educação Moral.

A Educação a Distância (EAD) do IBEM oferece três cursos para o 1º semestre de 2009:

>> Educação Moral
>> Pedagogia da Sensibilidade
>> Escola do Sentimento

As inscrições são gratuitas e a mensalidade é de apenas R$ 50,00 (com desconto para professores públicos).

Consulte todas as informações em www.educacaomoral.org.br.

E não perca essa oportunidade. As aulas, feitas totalmente pela internet, começam em fevereiro.

Autoridade do Professor

Por que o professor tem perdido a autoridade em sala de aula? O que está acontecendo para assistirmos quase diariamente notícias sobre violência de alunos contra professores? Desrespeito, xingamentos, agressões contra professores estão se tornando comuns no ambiente escolar.

Diz-se que antigamente isso não acontecia. A autoridade do professor era inquestionável. Ai do aluno que fizesse bagunça, que faltasse com o respeito, que fizesse um gracejo fora de hora. Ia direto para a sala do diretor e tomava uma suspensão. E se chegasse em sala de aula sem o dever de casa feito, castigo!

Não foram bons tempos. Era uma autoridade imposta, cerceadora da criatividade e liberdade do aluno.Fazia com que os alunos se sentissem diminuídos, humilhados mesmos, e, mesmo assim, não impedia a bagunça, a traquinagem e o desrespeito às regras, pois a indisciplina sempre existiu. Por esse motivo, de tanto gritar, ameaçar, suspender o professor perdeu a autoridade imposta e ficou sem nenhuma autoridade.

Lembro dos meus tempos de ginásio dos professores que nos davam medo só pelo semblante carrancudo. Determinadas aulas não eram prazerosas, eram sessões de tortura. Era difícil até mesmo decorar a matéria, método muito em uso naqueles dias.

Perdida a autoridade, o que se faz? Reconquistá-la! Para isso exige-se mudança de mentalidade e postura. A começar reconhecendo que o aluno é um ser humano com inteligência e afetividade. Merece respeito e amizade. E que aula com calor humano é muito melhor.

Expulsar o aluno não é também uma violência? E violência pode resolver outra violência?

Certa vez, a coordenadora pedagógica atendeu o professor que trazia três alunas adolescentes para um "castigo", pois tinham se agredido em sala de aula. Ela olhou para as três, reconheceu uma que já havia dado vários "problemas" de indisciplina e falou: "Sabia que você tinha que estar nisso!". Dispensou as outras duas alunas e enviou a "problemática" para a sala de leitura, como castigo, devendo lá ficar por três horas consecutivas. Na sua concepção, livros e leituras são um tormento, e não instrumentos para imaginar, sonhar e criar.

Todo professor sabe que, durante sua formação, o que mais se houve como conselho do professores mais experientes é que "não se pode perder o controle da turma", não se pode dar confiança aos alunos, senão eles abusam", "para mantê-los quietos em sala pratique as faltas disciplinares". E não são apenas conselhos, são ensinos transmitidos em muitas Faculdades de Pedagogia.

Que o professor se trabalhe afetivamente. Que se reconheça no outro. Numa palavra: que faça todos os esforços para, como ser humano renovado e crente no potencial de seus alunos, obtenha gradualmente a autoridade moral de quem acredita na educação e ama o que faz.

Pensemos nisso!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Guerra e Paz

O mundo ainda convulsiona-se em guerras e fala-se em acordo de paz, ajuda humanitária, convocando-se o Conselho de Segurança das Nações Unidas para intervir. Os lados em conflito defendem suas razões para atacar o outro, e os dias, as semanas, os meses passam sem que haja solução e, quando ela existe, é paliativa, as tensões continuam, as acusações não são solucionadas.

Qual a origem da guerra? O egoísmo do homem. É o egoísmo que alicerça o orgulho, o ódio, o interesse econômico, a hipocrisia política, o poder militar. E é pela educação, aviltada e manipulada, que mantemos o egoísmo e alimentamos a guerra, geração a geração.

Mas o homem progride, malgrado os que querem manter o poder em suas mãos, e progride não apenas em ciência e tecnologia, progride igualmente em moral, rebelando-se contra as injustiças, a opressão, o preconceito, a violência. É que o homem está cada vez mais consciente de si mesmo e da vida, por isso assistimos clamores contra a guerra e apelos veementes pela paz.

Contudo, falta amor no coração dos homens. Os laços com o ódio, com as desavenças do passado histórico, ainda são fortes. Muitos se consideram escolhidos, eleitos, poderosos, como tendo primazia sobre outros, quando, na verdade, somos todos iguais. Tire-se a cor da pele, a capa da religião, a distinção sócio-cultural e todos os homens se igualarão, porque são iguais.

O mundo é a nossa casa e requer que seus moradores se entendam para que haja harmonia na convivência e na exploração dos recursos.

Devemos fazer todos os esforços no combate ao egoísmo, secando a fonte do ódio e do rancor, e isso se faz através de uma educação que eleja o amor como sua base, seu roteiro e sua finalidade.

Podemos viver em paz, desde que queiramos a paz. Ela requer menos individualismo e mais cooperação. Sim, é possível, e exemplos não faltam.

Pensemos nisso!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Cotas e Bônus: Muito Além do A Favor ou Contra

Diante da discussão sobre as cotas e bônus para ingresso na universidade, tenho mantido postura de leitor das opiniões alheias, meditando sobre as diversas argumentações a favor ou contra. São muitas as pressões para declinar minha opinião e, de fato, como exige o assunto, e como educador, não posso me furtar a estudá-lo, o que faço com este artigo. Infelizmente nem todos que opinam estudam com profundidade a matéria, daí resultando em opiniões apaixonadas e raciocínios superficiais, tendo como consequência debates que pouco produzem e, muitas vezes, acabam em falta de respeito entre os debatedores, o que é lamentável.

Lemos na Constituição Federal, a lei maior de nosso país, que "A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho" (Art. 205).

Como podemos observar, não há distinção de pessoa, ou seja, a educação é um direito de todos. Para que esse direito seja promovido igualitariamente, propõe-se o Estado a:

"I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; II - garantir o desenvolvimento nacional; III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação" (parágrafos do artigo 3º da Constituição Federal).

Se não temos justiça e solidariedade; se não erradicamos a pobreza e a marginalização; se não promovemos desenvolvimento e reduzimos as desigualdades sociais; se existem preconceitos de todos os tipos, gerando discriminação; é porque não estamos fazendo o que deveríamos fazer e que consta na lei máxima como um dever. E digo que não estamos fazendo, porque o poder emana do povo e a educação deve ser promovida com a colaboração da sociedade, ou seja, não é tarefa de competência exclusiva do governo, como lemos acima na transcrição do artigo 205.

Bastaria cumprir a lei para termos uma nação sem necessidade de cotas, bônus, vestibular e outras coisas, como, por exemplo, a aprovação automática, mas é fato que a lei não é cumprida, e por esse motivo padecemos de inúmeros problemas sócio-educacionais que requerem medidas de urgência para minorar suas danosas consequências. Entretanto, devemos lembrar que medidas emergenciais não são solução, mas paliativos.

Pois bem, ainda estudando a Constituição Federal no que se refere à educação, lemos no artigo 206:

"O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII - garantia de padrão de qualidade. VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal".

O texto da lei é claro: igualdade de condições para o acesso e permanência na escola, ou seja, mais uma vez não há distinção de pessoa, nem de classe social, cor, religião, sexo, etc.

Finalizando nosso estudo sobre as disposições da lei, lemos no Artigo 2º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional:

"A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho".

Cremos não haver dúvida quanto aos deveres do Estado e da sociedade em promover uma educação de qualidade para todos, sem nenhum tipo de distinção, através de escolas públicas e particulares em todos os níveis de ensino. Se isso não acontece, não é simplesmente porque existem preconceitos contra negros e índios, contra pobres e estudantes da rede pública de ensino, mas sim porque cultivamos, há séculos, o egoísmo e o orgulho, a hipocrisia e a vaidade através da educação, gerando, na prática, extratos culturais preconceituosos e discriminatórios, a favor de quem manda, de quem tem o poder o quer manter a todo custo, do que dão provas os famosos "currais eleitorais".

Em muitos estados brasileiros a percentagem de diretores escolares apadrinhados e indicados por políticos locais, nas escolas públicas, é da ordem de 30% a 50%.

Sabemos que a porcentagem do PIB aplicada à educação deve ser da ordem de 6% a 8%, e não os 4,4% atuais. Temos consciência da necessidade de uma Lei de Responsabilidade Educacional, criminalizando prefeitos, governadores e secretários de educação, que vivem desviando verbas e não cumprindo com os programas educativos em sua esfera de ação.

Diante de tudo isso, nossa conclusão é que cotas e bônus para ingresso na universidade são um paliativo que empurra para frente, quem sabe daqui há dez ou vinte anos, a solução, com um agravante: tudo estará mais complicado.

Por isso afirmamos: não se trata de ser a favor ou contra. A questão vai muito além: trata-se de cumprir a lei e fazer educação de qualidade para todos, dando oportunidades iguais e considerando toda pessoa da mesma forma, sem nenhuma distinção. Isso é papel da educação. É dever do Estado, e também da sociedade.

Vídeo - O Jovem e a Dinâmica Educacional

O vídeo sobre educação espírita O Jovem e a Dinâmica Educacional aborda a importância da participação do jovem no processo ensino-aprendizag...