segunda-feira, 29 de novembro de 2021

As eleições e a educação

Há pouco menos de um ano para as eleições presidenciais em nosso país, estamos assistindo intensa movimentação dos partidos políticos para indicação de seus candidatos ou a realização de coligações partidárias que viabilizem um único candidato representando vários partidos. Os analistas políticos extravasam suas opiniões em textos, vídeos e comentários nas tevês e rádios. As redes sociais fervilham em prós e contras. Enfim, o jogo teve início e alguns presidenciáveis já são conhecidos.

Passando em revista as falas desses pré candidatos, lembrando que alguns não se lançaram ainda oficialmente, e também levando em conta que muitos temas ou não foram devidamente abordados, ou foram apenas pincelados por eles, o que nos chama a atenção, mais uma vez, pois é cenário de quase todas as eleições, é que o tema educação é bem pouco falado.

Vemos uma grande preocupação com os rumos da economia, a questão da pobreza e da miséria pelo ângulo social, o combate à corrupção e alguns outros temas já trazidos à tona pelos candidatos ou possíveis candidatos, mas é fato que nenhum mostrou até o momento o mínimo conhecimento ou preocupação com a educação, ou seja, novamente estamos assistindo tudo ser prioridade, menos a educação.

E quando alguém fala da educação, a confunde com o que se ensina nas escolas, num debate desgastante sobre os conteúdos e as disciplinas curriculares, quando sabemos que isso faz parte da educação, mas não é a educação.

No jogo de cena político partidário temos uma polarização em três vias: candidatos ultra conservadores à direita, candidatos de centro, a chamada terceira via, e candidatos de esquerda. Todo o debate, por enquanto, está focado nisso. É um debate pobre. Ninguém está falando de projeto de governo. Os holofotes estão alinhados nas pessoas, nos indivíduos e o que eles representam nessas três vias.

É claro que aguardamos o desenrolar dos acontecimentos, a confirmação das candidaturas e das coligações, naquela expectativa que os projetos de governo comecem a ser apresentados para um debate mais profundo com a própria sociedade, e que esse debate não seja camuflado, ou seja, com um discurso verbal que não corresponda às verdadeiras intenções, como já cansamos de assistir.

Ainda há tempo para que os partidos políticos e seus candidatos à Presidência da República entendam a importância da educação, o que ela verdadeiramente é, suas finalidades, e o quanto deve ser prioridade no planejamento e nas ações do governo federal. Educação que não sofra com ingerência ideológica nem de direita, centro ou esquerda, mas educação que liberte as consciências, que dê autonomia com responsabilidade, que permita a preparação para a vida coletiva, que faça as pessoas aprenderem a pensar por si mesmas, que sensibilize os sentimentos, que leve os indivíduos ao viver ético e solidário.

Temos a esperança, teimosamente, que surja uma luz no fim do túnel, e o candidato escolhido pelo voto da população brasileira seja aquele que tenha em seu programa de governo a melhor visão sobre a educação, e que esta não esteja perdida no meio de páginas e mais páginas falando de outros temas.

Quando a educação for prioridade, e não os conchavos políticos que priorizam pequenos grupos de terceiros interesses, nossa nação finalmente se engrandecerá e será respeitada internacionalmente.

Como acabar com a miséria, a inflação, a corrupção, a violência, a injustiça, se não investimos na educação, único caminho que pode acabar com esses males em sua raiz? Se não preparamos as novas gerações na ética e na solidariedade, permitindo que diariamente milhares de indivíduos adentrem à nossa sociedade sendo egoístas e insensíveis aos outros?

Podemos aprender muitas coisas nos bancos escolares e outras instituições sociais, mas se não aprendemos o essencial, que é saber fazer ao outro somente o que gostaríamos que ele nos fizesse, todos esses aprendizados só servem para fazer mal a nós mesmos e à sociedade em que vivemos, como assistimos em nossa história e nos dias de hoje.

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Um grito de alerta

Precisamos olhar com mais atenção e carinho para as crianças, que nem sempre conseguem viver minimamente sua infância, entre brincadeiras, sonhos e úteis aprendizados para a vida, isso porque, segundo o Unicef (Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância), atualmente 160 milhões de crianças trabalham no mundo, por diversos motivos, a maioria no enfrentamento da miséria, auxiliando suas famílias a subsistirem.

Desse assombroso número de crianças trabalhando no lugar de brincar e frequentar a escola, e tendo alimentação muito aquém de suas necessidades de crescimento sadio, muitas vezes enfrentando doenças, outro número se destaca: metade delas, ou seja, 80 milhões de crianças, exercem atividades de grande risco à saúde e ao desenvolvimento.

É simplesmente assombroso, uma afronta indigna aos direitos humanos e, mais especificamente, aos direitos da criança e do adolescente.

Mas ainda é pior.

Uma em cada dez crianças em todo o mundo está submetida ao trabalho infantil, e nos últimos dois anos, acompanhando a crise da pandemia da Covid-19, nove milhões de crianças no mundo passaram a trabalhar para poder sobreviver.

Reflitamos: toda criança tem direito à convivência social e de acessar conhecimentos científicos e humanísticos. Isso está nas leis e acordos internacionais que protegem a infância, mas o desrespeito é tão forte, que a impressão que se tem é que não essas leis acordos não existem, ou simplesmente são ignoradas, sem maiores consequências.

Toda criança tem igualmente direito a conhecer visões de mundo para além daquelas defendidas pelas doutrinas religiosas e políticas de suas famílias, assim tendo formação integral para a cidadania, podendo utilizar sua autonomia para fazer escolhas de acordo com a ética e a solidariedade, paradigmas essenciais para termos uma humanidade melhor, mais justa, com indivíduos que saibam respeitar os direitos dos outros.

O que fazemos hoje com as crianças refletirá na sociedade amanhã. Temos que quebrar o trabalho infantil dando condições dignas para as famílias se sustentarem; proporcionando educação de qualidade nas escolas; realizando melhor distribuição da riqueza, hoje concentrada em poucos; promovendo justiça igual para todos e assim por diante, ou seja, tudo fazendo para uma sociedade mais solidária, cooperativa, justa e digna de ser chamada de civilização humana.

A criança também é um ser humano. A criança também tem sentimento. A criança também pensa. A criança também possui direitos.

A criança não é um adulto em miniatura, como se pensava tempos atrás, o que resultou na exploração da mão de obra infantil nos tempos da revolução industrial, com cenas chocantes de infâncias perdidas.

Criança precisa ser amada e orientada, acolhida e educada. Criança precisa ter espaço para se desenvolver sadiamente. É para tudo isso que existe o período infantil.

Não esperemos que as autoridades públicas se sensibilizem para as 160 milhões de crianças trabalhando no mundo. Façamos a nossa parte através das redes sociais e outros meios de comunicação, esclarecendo e estimulando ações da sociedade civil no sentido de combater esse desvio humano, e apoiando-as decisivamente com nossa contribuição financeira, material e pessoal.

Façamos ecoar este grito de alerta pelo bem da própria humanidade.

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Problemas na educação dos filhos

Muitos pais confundem o amor aos seus filhos com permissividade, liberdade excessiva, chegando mesmo alguns a não permitir que outros familiares chamem a atenção dos seus filhos, afirmando que somente eles podem dizer “não” aos mesmos. Isso é um equívoco de funestas consequências, pois é por amor que os pais devem dar limites, chamando a atenção, promovendo regras e combinados, cobrando as responsabilidades e os deveres. O amor também disciplina. O amor deve educar, e para isso não pode prescindir da energia – não confundindo essa energia com castigos corporais ou com tirania, totalmente antipedagógicos e contrários ao respeito que devemos aos filhos. Agir com energia não é agir com violência.

Igualmente há confusão com a ternura dedicada aos filhos, muitas vezes excessiva, melosa e que os tornam dependentes do pai ou da mãe, ou que os protegem em demasia, acobertando os pequenos desvios de caráter. Ternura e esclarecimento devem estar de mãos unidas, pois é pela educação que os limites devem ficar claros, que os filhos devem entender da necessidade de respeitar o espaço dos outros, e que, quando isso é ultrapassado, deve haver a devida reparação. Ternura em excesso gera verdadeiros tiranos ou, pelo contrário, verdadeiros dependentes. É preciso procurar o equilíbrio nas manifestações de afeto e carinho junto aos filhos.

Criança deve ser sinônimo de alegria, de fantasia, de sonhos, de brincadeiras. Um lar alegre, feliz, e o contato com a natureza, devem propiciar momentos de prazer. Entretanto, o que fazemos? Vivemos a brigar com as crianças, a achá-las inoportunas, que somente nos dão trabalho, que não sabem obedecer e assim por diante. Colocamos no esquecimento o fato de que já fomos crianças, já vivemos o mundo infantil, querendo olhar as crianças tão somente do nosso ponto de vista adulto, dos nossos interesses e comodismos.

Devem os pais revisitar seus valores de vida, pois conforme estes, é como educarão os filhos. Na maioria das vezes o que fazemos é viciá-los através de maus exemplos, de falsos valores.

A ternura é importante, mas seu excesso, ocultando os erros dos filhos, é prejudicial na formação do caráter. Em crescendo, a antiga criança, agora um adulto, tenderá a sofrer, aprendendo com a própria vida, pois antes recebera excesso de mimos e agrados, em nome do amor, não sendo preparado convenientemente para os desafios existenciais, pelo contrário, tendo na dor sua educadora, quando isso poderia ter sido evitado pelos pais, bastando não cometer excesso de zelo e preparando os filhos para a vida.

Cada filho é um universo único, é uma individualidade com a sua história, com as suas tendências, com as suas ideias e com o seu próprio ritmo de aprendizado, motivo pelo qual os pais não podem dar a mesma educação para filhos que são diferentes.

Os problemas que os pais enfrentam na educação dos filhos, muitas vezes decorrem do mal uso da educação, ou mesmo da ignorância sobre a verdadeira finalidade da educação, e desta estar distanciada da formação moral e da espiritualização do ser. Pais e professores ensinam muitas coisas às crianças, mas não trabalham o essencial.

Que os pais melhor se preparem para colocar em prática a educação de seus filhos, visando estabelecer no mundo uma humanidade formada por pessoas éticas, com visão do coletivo, que viverão plenamente a bandeira que caracteriza todo aquele que se põe acima das coisas do mundo: solidariedade.

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Ensino familiar ou escola para todos?

Na discussão entre o ensino domiciliar, ou familiar, e a o ensino na escola, cremos que partidarizar uma ou outra opção não é o melhor caminho, e que essa discussão está contaminada por radicalismos de ambas as partes, dos que defendem a escola, e também dos que defendem o direito dos pais de ensinar no lar.

O que impede a união, a integração entre a escola e a família? Por que os professores não podem se deslocar para o lar de um aluno quer se encontre acamado, impossibilitado de frequentar a escola? Qual é o impedimento dos pais e responsáveis terem participação nas atividades desenvolvidas pela escola?

Se essas coisas não estão acontecendo, a discussão não deveria estar centrada no porquê de não estarem acontecendo? Não deveríamos estar discutindo por que a escola não é para todos, ou de todos, com a participação de todos?

Nessa discussão, entra também a questão da escola ter um endereço, estar fisicamente situada numa rua, que está num bairro, que pertence a uma cidade e, ao mesmo tempo, manter-se distante da realidade comunitária, desconhecendo seu entorno e não permitindo a participação direta dos agentes sociais. Por que isso acontece? O que podemos fazer para mudar isso?

Que os pais e responsáveis têm o direito de fazer escolhas para seus filhos, não se discute, pois naturalmente querem o melhor para eles, mas será que a preocupação não deveria estar em discutir a escola, sua finalidade e seus procedimentos pedagógicos?

A verdade é que adentramos o século 21 com uma escola que está parada no século 19. Fazemos algumas maquiagens, como reforma física e introdução de aparelhos tecnológicos modernos, mas a metodologia de ensino continua a mesma, carregando, ano após ano, os mesmos problemas, que já estão saturados, de tão velhos e conhecidos, necessitados de uma verdadeira transformação.

Um desses velhos problemas, na verdade o problema central da discussão em torno da escola, é a substituição que foi feita da educação pelo ensino. Hoje em dia, e não adianta tentar tapar o sol com a peneira, a escola não é mais um centro de educação, é um centro de ensinagem. Ensina-se matemática, língua portuguesa, história, biologia e outras matérias/disciplinas, de acordo com um currículo previamente formatado, e os alunos tentam aprender.

A preocupação com a correção de maus hábitos, de preparação para a vida, de desenvolvimento de valores humanos, perdeu espaço significativo na escola, que aos poucos foi se fechando para a família e a comunidade, e expulsando a educação formadora, para a consolidação do ensinar e mais ensinar um monte de coisas que nem sempre são úteis, e, pior, desvinculadas da prática: aprende-se, mas ninguém sabe para que serve, está na tal grade curricular da disciplina.

Ensino por ensino, ou melhor dizendo, ensinagem por ensinagem, é fato que os pais e responsáveis, com boa vontade e um mínimo de preparação, podem desenvolver, mas e a interação social e preparação para vida dos filhos, como ficam? E como os pais vão conseguir trabalhar com seus filhos pedagogicamente, se muitos nada entendem de pedagogia?

Como vemos, a discussão vai muito além de ensino escolar versus ensino domiciliar.

Por que um e outro não podem existir e interagir pacificamente, para o bem da formação das novas gerações?

Seja como for, a questão central do debate é a compreensão da educação e do ensino, e não do ensino pelo ensino.

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Nem tudo faz parte do mundo infantojuvenil

Com o crescimento da internet e a evolução cada vez maior das redes sociais, dos games e da transmissão de séries e filmes através de streaming, isso aliado à alta tecnologia presente nos celulares e computadores, permitindo que qualquer pessoa acesse variado conteúdo de forma bastante livre, os pais se viram diante de um dilema educacional: proibir ou orientar sobre determinados conteúdos?

À primeira vista, proibir tem resultado mais imediato, exerce controle aparentemente mais seguro. Entretanto, precisamos convir que tudo o que é proibido fica mais convidativo para conhecer. Afinal, por que é proibido? Por que eu não posso assistir? Por que aquele determinado game pode me fazer mal?

Também parece mais produtivo na educação dos filhos cercear o uso do celular e da internet, duas febres poderosas consumindo crianças e jovens, chegando mesmo alguns pais a simplesmente proibir o uso, ou retirando os mesmos por longos períodos. Contudo, passado o período da restrição, estarão os filhos educados para melhor usar o celular e a internet?

Outros pais liberam a tecnologia e o acesso à internet, mas impõem o que pode e o que não pode, ainda mais diante de games e seriados muito violentos. No entanto, o que impede os filhos de acessarem esses conteúdos fora do lar?

Educar dá trabalho, é verdade, mas somente a educação pode resolver esses dilemas, e em educação entendemos que o melhor caminho é a orientação através do diálogo incessante, do fazer pensar e da ação dos bons exemplos.

Proibir e cercear nem sempre educam, na verdade nunca educam, apenas adiam as questões que precisam ser resolvidas.

Existem conteúdos, como aqueles que abusam da violência e da objetificação da sexualidade, que não fazem parte do mundo infantil e juvenil, mas que aí estão e podem ser acessados. Então compete aos pais e demais responsáveis sentar juntos, conversar e orientar, para que os filhos compreendam e apreendam que seu mundo é o de construção e consolidação do caráter, de se preparar convenientemente para a vida, de dar espaço para o brincar e estudar.

Assim agindo, os pais estarão oportunizando aos filhos o tempo necessário para que eles se fortaleçam moralmente para realizar as melhores escolhas com o tempo, na medida em que crescem, assumem tarefas e responsabilidades, e ganham experiência vivencial, sabendo discernir sobre o que efetivamente é bom para eles e para os outros.

Não se trata nem de proibir, nem de esconder, pois tudo o que é proibido, e tudo o que é encoberto, virá um dia à pauta da vida dos nossos filhos. Trata-se de prepará-los, sem cerceamento da liberdade, para que estejam melhor equipados para então fazer as escolhas que não tragam depois arrependimentos.

É por tudo isso que insistimos que os educadores devem ser orientadores e facilitadores do processo de educação das novas gerações.

Afinal, como lembrava o apóstolo Paulo, tão conhecido de todos nós, tudo me é lícito, mas nem tudo me convém, e para exercer conscientemente o papel decisório das escolhas, é preciso conhecer, mas sem que isso signifique necessariamente ter de mergulhar de cabeça para saber como é.

Vídeo - O Jovem e a Dinâmica Educacional

O vídeo sobre educação espírita O Jovem e a Dinâmica Educacional aborda a importância da participação do jovem no processo ensino-aprendizag...