segunda-feira, 31 de março de 2025

Podcast - Os pais e a vida de seus filhos


Ouça no Spotiy (link abaixo) o episódio #0113 do podcast Análise e Crítica, com o tema Os pais e a vida de seus filhos.

Comento a minissérie Adolescência (Netflix) e as graves questões que envolvem o relacionamento entre os pais e os filhos.

Ouça em:

A escola que não deveria existir


Marcus De Mario

Está fazendo sucesso a minissérie Adolescência, e, de fato, merecesse esse sucesso. Em quatro episódios intensos, com ótima atuação de atores e atrizes, temos farto material para pensar e refletir com profundidade sobre quem somos, o que estamos fazendo aqui e o que queremos ser na vida, com oportunos questionamentos sobre a família, o relacionamento social, o papel da escola, entre outros temas igualmente de relevância. No modo materialista de encarar a vida, os personagens se perdem numa rede psicológica que não entendem. Quem mar os seus entes queridos, mas não sabem como fazer isso e, diante de um crime inesperado, totalmente fora do previsto, ficam perplexos, paralisados, atônitos. Como faz falta uma visão espiritualista da vida, como faz falta o sentido de humanização, como faz falta a religiosidade, é o que podemos constatar. Mas não estamos aqui para descrever o roteiro da minissérie, e sim para focar nossa análise na escola que aparece no segundo episódio, e que no dizer dos personagens policiais, mais parece uma prisão, uma penitenciária.
É o retrato da escola que não deveria existir: repressora, arcaica, desvinculada da educação, despreocupada com os seres humanos que a fazem, sejam seus professores, seus alunos, os pais e demais funcionários. Tenta resolver os problemas com ordens, castigos, isolamentos e indiferença às questões emocionais e psicológicas. A cena do refeitório, em que o aluno negro sofre bullying, e o professor pede para que o aluno racista apenas pare com aquilo, seguindo em frente no que ia fazer, ou seja, sem parar para fazer a mediação do conflito, é bem o retrato de uma escola que há muito tempo se perdeu da educação e do seu papel de formação das novas gerações. Ainda mais emblemática é a cena em que os dois policiais, mal tendo entrado na escola, acompanhados pela diretora, passam por um professor emparedando dois alunos, fazendo um clássico sermão acompanhado de ameaças: chamar os pais, levar para a diretoria, aplicar uma suspensão, ou até mesmo sugerir a expulsão dos mesmos, assim livrando-se do “problema”.
Durante uma hora assistimos estarrecidos o retrato de uma escola falida, perdida em si mesma, desligada da realidade familiar e social dos alunos, com professores indiferentes e outros que sabem apenas gritar e ameaçar, caso da própria diretora. Agravando a situação, percebemos que os pais da história, ou seja, o policial e os do adolescente que está preso, nada sabem da escola em que seus filhos estudam, sendo completamente alheios ao ambiente frio, repressor e desumano em que os filhos vivem, isso agravado ainda mais com o não acompanhamento do que os adolescentes fazem através da internet e suas redes sociais, situação também pertencente aos professores, que vivem uma realidade paralela, desfocada da realidade dos alunos.
Como adeptos da doutrina espírita, compreendendo a criança como um espírito reencarnado, tendo por base do processo educacional o amor e a fraternidade, nossa visão sobre a escola é bem outra, a partir de uma visão bastante diferenciada do que seja a educação. É o Espiritismo que nos dá a esperança de construir uma escola diferente e que faça a diferença, uma escola humanizada e espiritualizada, participativa e criativa, mesmo que não siga os princípios do Espiritismo, mesmo que não seja vinculada a nenhuma religião. E, felizmente, essa escola existe e está espalhada pelo mundo, com exemplos dignos de serem seguidos, onde crianças e adolescentes participam ativamente do processo de seu desenvolvimento intelectual e emocional, tendo na escola uma extensão da família, ou a considerando uma grande família que lhes dá suporte para serem bons cidadãos.
No movimento espírita temos igualmente esses exemplos, e temos tido oportunidade de, bimestralmente, nas edições da Revista Educação Espírita, trazer esses bons exemplos escolares: Escola Espírita Joanna de Ângelis (Japeri/RJ); Mansão do Caminho (Salvador/BA); Obra Social Célio Lemos (São José dos Campos/SP); Remanso Fraterno (Niterói/RJ); Lar Anália Franco (Jundiaí/SP); Educandário Espírita Eurípedes Barsanulfo (Goiânia/GO); Escola Espírita Prof. Ney Lobo (Manaus/AM); Escola Espírita Chico Xavier (Palmas/TO); entre outras instituições espíritas voltadas para a educação, com escolas humanizadas e que baseiam seu trabalho no desenvolvimento dos valores humanos, na vivência da ética, e no desenvolvimento da espiritualidade.
Sobre essa escola recomendamos a leitura de um livro não espírita, mas muito importante, escrito pelo educador brasileiro Rubem Alves: Escola Com Que Sempre Sonhei Sem Imaginar Que Existia. Nessa obra ele fala da visita feita à Escola da Ponte, na cidade do Porto, em Portugal, uma escola inovadora que durante muito tempo teve à frente o educador José Pacheco, de quem também recomendamos a leitura de seus livros. Embora esses dois educadores não tenham contato com a doutrina espírita, seus pensamento e suas ações têm um casamento muito bom com o que a filosofia espírita da educação promove, assim como as escolas espíritas terão um bom modelo na Ponte, que ao longo do tempo tem sido objeto de estudo e aplicação na renovação escolar e educacional.
Não podemos esquecer que o centro espírita é uma escola de almas, ou seja, dos espíritos reencarnados, e que, nas devidas proporções e sem perder as diretrizes doutrinárias que devem lhe sustentar, deve proporcionar o estudo e a vivência do Espiritismo, nas legítimas bases dos ensinos morais do Evangelho, sendo, portanto, uma escola dinâmica, trabalhando da criança ao adulto, de forma integral, no desenvolvimento do potencial divino de cada um.
Voltando para a escola apresentada na minissérie Adolescência, temos que exclamar que ela é a escola que não deveria existir, assim como o centro espírita parado no tempo, alheio às exigências dos novos tempos sociais, também não deveria existir. E pais alienados, que não acompanham o desenvolvimento dos filhos, que não demonstram afeto, também não deveriam existir. Mas tudo isso existe, e compete a nós, que abraçamos a realidade espiritual da vida, trabalhar incessantemente para a transformação das escolas, dos centros espíritas e da família, legitimando o amor, a fraternidade, a solidariedade e a espiritualidade nas instituições humanas, a partir da transformação moral de nós mesmos.

quarta-feira, 26 de março de 2025

Sembradores de Luz - Grupo de Apoio aos Educadores Espíritas


Sembradores de Luz  - Grupo de Apoio aos Educadores Espíritas, está fazendo importante trabalho junto à evangelização espírita, espalhando sementes pelo mundo em quatro áreas de trabalho: Educadores, Família, Juventude e Infância, com o objetivo de atender às diferentes necessidades de educadores, pais e jovens, publicando materiais em diversas línguas.

Quem somos?

Somos educadores espíritas que, conhecedores da importância da educação para a transformação moral da Humanidade e sabedores das necessidades dos educadores e pais para viabilizar este processo, decidimos criar este Grupo de Apoio Virtual que busca atender, de modo amplo e à luz da ensinamentos espiritas, as necessidades primordiais das crianças e jovens, de modo a promover o conhecimento filosófico, o aprimoramento moral e o ensejo à transformação social através do trabalho no bem, assim como investir na qualidade na relação familiar, célula primeira da sociedade.

Nosso propósito

Nosso propósito consiste na convergência de esforços cada vez mais acentuada, recursos e ações conjuntas, alcançar os objetivos de promoção do estudo, da prática e da divulgação da Doutrina Espírita às crianças, jovens e famílias. 

Acompanhe o trabalho de Sembradores de Luz em

www.sembradoresdeluz.org

terça-feira, 25 de março de 2025

Vídeo - Educação Espírita - Uma Nova Escola


O Espiritismo possui uma visão dinâmica sobre a escola e a educação.

Assista os vídeos Educação Espírita toda terça-feira, às 09 horas.

sexta-feira, 21 de março de 2025

Revista Educação Espírita


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Podcast - A reencarnação, a educação e a evolução


Ouça o podcast #0112 - A reencarnação, a educação e a evolução, com Marcus De Mario, clicando no link abaixo:

As tendências de caráter da criança


Marcus De Mario

Um casal do qual privamos de sincera amizade, possui dois filhos, um na faixa de oito anos de idade e outro com seis anos, e sabemos dos esforços dos pais em amá-los e educá-los, sem fazer qualquer distinção, tratando-os igualmente, orientando-se pelos ensinos do Evangelho esclarecidos pela Doutrina Espírita, da qual são adeptos. Apesar dos esforços em ligá-los ao bem, à caridade desinteressada, o menor demonstra sem equívocos uma índole, um caráter visivelmente egoísta, interesseiro, e tem muita dificuldade em lidar com limites, além de se mostrar, dependendo da situação, adepto do uso da mentira. Isso contrasta com seu irmão mais velho que, pelo contrário, desde tenra idade sempre mostrou ter bom caráter, índole pacífica, sendo excelente cooperador no ambiente doméstico e bom aluno na escola, o que o outro absolutamente não é. Sendo os pais os mesmos, assim como o tratamento dispensado aos dois, perguntamos: de onde vem essa distinção tão evidente no caráter de um e de outro, que é demonstrada pela criança antes mesmo que a educação e o meio social possam influenciá-la?
A ciência, considerando o ser humano apenas e tão somente a partir do nascimento, sem levar em consideração a pré existência da alma, apesar de muito pesquisar e nos entregar diversas teorias do desenvolvimento da criança, não consegue elucidar essa questão, ainda mais quando procura circunscrever as questões morais às funções cerebrais e neurológicas. Por sua vez, as religiões, embora considerando a alma, não possuem, em sua maioria, o correto entendimento, faltando-lhes a chave da reencarnação e a evolução individualizada de cada ser ao longo de várias existências. Esse é precisamente o entendimento do Espiritismo, que lançou ao mundo a ciência do espírito, demonstrando que somos seres espirituais provisoriamente utilizando um corpo material, pois que a morte não existe e a vida continua na dimensão espiritual, e nada perdemos de encarnação a encarnação, tudo pertence ao espírito, manifestando-se na nova personalidade e novo corpo como ideias inatas e tendências de caráter.
Houve um tempo em que a pedagogia não admitia as ideias inatas e as tendências de caráter, e talvez muitos pedagogos ainda não admitam, mas a realidade não deixa dúvida, pois contra os fatos não há argumento contrário possível. Negar por negar não é explicar racionalmente e com base em observações bem estudadas. Temos no exemplo que trouxemos uma evidência clara da distinção de caráter entre irmãos, filhos dos mesmos pais e por ambos educados no mesmo lar. A pedagogia espírita, levando em consideração a pré existência da alma e a lei da reencarnação, evidencia a importância de se trabalhar as tendências de caráter da criança através da educação tanto na família quanto na escola.
Abordando essa questão tão importante, Allan Kardec considera que a educação deve combater as possíveis más tendências de caráter que a criança traz, ou seja, o espírito traz consigo ao reencarnar, pois se isso não for feito durante o período infantil, tenderá esse ser em crescimento a cristalizar essas más tendências, que desabrocharão completamente a partir da adolescência, quando ele inicia o pleno controle sobre seu corpo físico. Para combater essas más tendências de caráter, os pais devem dar bons exemplos e boas orientações morais; devem dialogar sempre, construindo combinados e regras, que os filhos deverão obedecer de livre vontade, sempre assumindo as consequências da quebra desses combinados e regras; devem também trabalhar incessantemente pelo desenvolvimento das virtudes, quais a caridade, a bondade, a solidariedade e a fraternidade. Numa palavra, os pais devem desenvolver no lar a educação moral, a única que pode destruir o egoísmo e o orgulho, que são a base das más tendências de caráter.
Cada filho é uma individualidade única, com seu histórico evolutivo e com seu projeto reencarnatório, e entre eles existem aqueles que ainda são rebeldes à lei divina e aos esforços educacionais, que procuram manter sua zona de conforto. É assim que encontramos crianças mandonas, prepotentes, mentirosas, sem limites, violentas, retratando o caráter do espírito reencarnado, clamando por uma educação que lhe redirecione na vida, mostrando que tudo isso faz mal a ele e aos outros, e que estamos aqui neste mundo para aprender a fazer aos outros somente o que desejamos que os outros nos façam, a regra áurea da educação moral.
Sabemos o quanto é desafiador lidar com esses espíritos, mas eles também são filhos de Deus, que os confia aos pais terrenos para que estes possam educá-los, lembrando que não existindo o acaso, pais e filhos possuem ligações espirituais que remontam a outras épocas existenciais, e que se encontrarem na mesma família, sob o mesmo teto, é oportunidade valiosa de superar o passado e no hoje, e através da lei de amor construir um futuro mais feliz.
Quando a educação moral é deixada de lado, as consequências não podem ser boas, nem para a família, nem para a sociedade, como estamos vivenciando na época atual, mas com sua aplicação teremos em médio e longo prazos frutos que propiciarão a renovação moral da humanidade, de geração em geração, como aprendemos com o Espiritismo.

terça-feira, 18 de março de 2025

Vídeo - O sentido da vida e a educação


Assista acima o vídeo Educação Espírita - O Sentido da Vida e a Educação, com Marcus De Mario.

Os episódios de Educação Espírita são publicados às terças-feiras, às 09 horas, no canal Orientação Espírita, no YouTube.

Acesse todos os episódios em www.youtube.com/OrientaçãoEspírita

segunda-feira, 17 de março de 2025

A criança é um espírito reencarnado


Marcus De Mario

Você já parou para se perguntar de onde vem a índole moral que a criança em tenra idade apresenta? Se ela ainda nem chegou aos dois anos de idade, e a educação dos pais não teve tempo e poder de exercer grande influência, como ela pode estar demonstrando certos conhecimentos e, mais do que isso, certos pendores para o bem ou para o mal? Você percebe nitidamente que esses conhecimentos e esses pendores são da própria criança, nada tem a ver com qualquer influência externa, e procura na ciência uma explicação, nada encontrando que satisfaça plenamente sua indagação. É que a ciência, ainda materialista, não leva em consideração a existência, sobrevivência e reencarnação da alma, tudo centrando no mundo biológico, ficando em apuros para explicar o que está além disso. Entretanto, com a ciência espírita, que pesquisa e estuda a realidade da vida espiritual e seu intercâmbio com a vida material, tudo se esclarece de forma clara, objetiva e sem permitir dúvida.
Para o Espiritismo o nascimento é apenas a culminância do processo reencarnatório, ou seja, do processo da volta da alma à vida corpórea, para cumprir uma nova existência, num novo corpo e numa nova situação social e de personalidade. Como a alma já teve outras experiências reencarnatórias, traz consigo as ideias inatas e as tendências de caráter, conforme as vivências tidas nessas outras existências, as chamadas vidas passadas. Nada fica perdido, tudo se encadeia, pois o esquecimento do passado é relativo, e o que não está no consciente está perfeitamente registrado e guardado no inconsciente. Então, diante dessa constatação, podemos afirmar com toda segurança que a criança é um espírito (alma) reencarnado.
A imortalidade da alma e a reencarnação são princípios básicos do Espiritismo, e esses princípios proporcionam verdadeira revolução pedagógica, mudando de perspectiva os esforços que fazemos na educação, pois a criança deixa de ser um ser vago, indefinido, ou um adulto em miniatura, derrubando conceituações neurológicas e psicológicas que tentam explicar o que não se pode explicar apenas do ponto de vista material, biológico.
Se temos com o Espiritismo uma nova ciência pedagógica, temos igualmente uma nova filosofia da educação que, por sua vez, determina uma nova prática de ensino, pois agora passamos a considerar a imortalidade da alma, sua sobrevivência ao fenômeno da morte, sua vida na dimensão espiritual e seu retorno ao mundo corpóreo em nova encarnação, tudo com a finalidade superior de desenvolvimento do seu potencial divino, rumo à perfeição tanto intelectual quanto moral.
Enquanto caminhamos ainda a passos lentos para adentrar com os conceitos espíritas sobre o ser e a vida nas escolas, universidades e gabinetes científicos, temos no serviço de evangelização da família propiciado pelos centros espíritas, o grande laboratório pedagógico da educação do espírito, com a oportunidade de trabalhar a criança, o adolescente, o jovem e o adulto a partir dessa visão transcendente, visão que é ao mesmo tempo revolucionária e transformadora.
Não basta afirmar que a criança é um espírito reencarnado, é necessário deixar-se penetrar por essa verdade, modificando pensamentos e ações, pois do contrário teremos um belo conceito, mas sem execução prática. Não basta ser professor na escola para ser evangelizador/educador no centro espírita. Isso pode acontecer, mas nem sempre dará os melhores resultados, pois o professor precisa se compenetrar da sua missão educadora do espírito imortal e reencarnado, do contrário, fará da evangelização espírita um repositório de velhos e descascados conceitos e práticas, na contramão do que nos apresenta a doutrina espírita.
Como todos nós passamos pelo processo de nascimento para uma nova existência, incluindo aqui a experiência pelo período infantil, podemos afirmar que, agora adultos, também somos um espírito reencarnado, e não podemos esquecer que já fomos crianças, que trouxemos conosco ideias inatas e tendências de caráter, assim como não podemos esquecer a influência que a educação exerceu sobre nós.
Diante disso, perguntemos: que educação estamos promovendo com as crianças? Estamos olhando para o futuro não apenas da existência terrena, mas para o amanhã depois da morte e, ainda mais, para o que virá em próxima existência material neste mundo? Estamos promovendo a formação do caráter para a honestidade, a bondade, a caridade e o amor? Estamos combatendo as más tendências que o espírito ainda está trazendo? Estamos desenvolvendo as virtudes que ele igualmente traz já em certo desenvolvimento?
Como vemos, afirmar que a criança é um espírito reencarnado muda tudo na educação, por isso podemos também afirmar, sem medo de errar, que o Espiritismo é essencialmente doutrina de educação do ser humano enquanto está na vida material, e também da alma que prossegue a vida no mundo espiritual.

domingo, 9 de março de 2025

Mudanças e transformações



Marcus De Mario

Estamos tão habituados a seguir padrões, que muitas vezes nos espantamos diante de uma nova ideia, de uma nova forma de fazer, tendo a tendência de rejeitar qualquer coisa que saia desse padrão. Isso é muito comum de acontecer na educação. Normalmente não questionamos porque existe aula; porque ela tem cinquenta minutos de duração; porque temos um currículo pré-formatado e fechado; porque o professor deve ensinar dando aula, e assim por diante. Simplesmente seguimos o padrão e, mesmo diante de maus resultados, continuamos a seguir o padrão, e quem questiona, quem tenta fazer diferente, é mal visto, suas ideias são rejeitadas e seu fazer diferente considerado impossível, até mesmo antipedagógico, embora possa estar muito bem estruturado.
Não somos contra o planejamento, a organização e a existência de regras, desde que tenham a devida flexibilidade e saibam conviver com o novo, pois os tempos avançam e as coisas mudam. Novas demandas surgem, novas tecnologias se apresentam, e os maus resultados devem provocar mudanças, transformações, pois indicam que o que se está fazendo não está dando bons resultados.
Essas considerações também envolvem os grupos de estudo e a evangelização da família desenvolvidas pelas instituições espíritas, que requerem dinamismo, criatividade, interação para darem bons frutos.
Como o nome já diz, grupo de estudo da doutrina espírita indica que o coordenador ou facilitador não deve ser aquela pessoa que ensina, que dá aula, que leva o conhecimento para os outros tentarem absorvê-lo. Essa postura não é adequada para um grupo de estudo, onde todos devem ser estimulados a ler, a pesquisar, a estudar, a debater, sendo o facilitador um estimulador desse processo, levando os participantes do grupo a pensar. Esse é o melhor método para que as pessoas compreendam os princípios do Espiritismo e saibam colocá-los em prática na vida. No início, por não estarem acostumados a isso, as pessoas talvez tenham alguma dificuldade, mas com o tempo farão a adequação e, no estilo roda de conversa, devidamente estimulados, superarão barreiras íntimas, fazendo ampla interação. Esse deve ser o espírito do estudo sistematizado da doutrina espírita.
Certa vez fomos convidados para assumir a coordenação pedagógica da evangelização espírita, e o diretor responsável nos solicitou que apresentássemos um planejamento. Informamos que nada faríamos sem antes conversar com os evangelizadores, sem ouvi-los, tanto nos pontos positivos quanto nos negativos, e que somente então poderíamos nos posicionar, sendo que o planejamento da evangelização seria feito em conjunto com os evangelizadores, a partir de algumas ideias básicas que tínhamos em mente, e que poderíamos modificar, pois estávamos abertos a isso. Nossa postura assustou o dirigente, acostumado que estava a seguir um padrão, onde tudo é estabelecido de cima para baixo, ou seja, diretor e coordenador planejam, dão as diretrizes, e os evangelizadores executam.
Os evangelizadores tiveram dificuldade, num primeiro momento, de se abrirem, de fazerem suas observações, pois esse não era o padrão, mas recebendo o estímulo necessário, começaram a avaliar o processo evangelizador que até então era desenvolvido, surgindo muitas críticas e muitas sugestões. Ao levarmos para o diretor o resultado do encontro de avaliação, ele não quis acreditar nas críticas e, diante de uma nova proposta pedagógica que apresentamos, como resultado da conversa e troca de ideias com os evangelizadores, disse-nos que provavelmente a proposta não daria certo, mostrando descrédito. Como não fomos impedidos de trabalhar, implementamos o novo olhar e o novo fazer pedagógico, colhendo resultados expressivos que demonstraram que a transformação realizada era, sem dúvida, o melhor caminho para evangelizar as crianças, os jovens e os adultos.
Apesar dos percalços naturais de implantação de um novo processo pedagógico, com a resistência de muitas pessoas – dirigentes, evangelizadores, pais – fomos em frente até onde foi possível, e esse trabalho deu origem ao Projeto Educação do Espírito, que apresentamos em dois livros: Aprendendo a Educação Espírita e Educando o Espírito. Ainda tivemos um desdobramento desse trabalho, culminando no lançamento do livro Prática Pedagógica para Pais e Educadores.
Se compulsarmos, por exemplo, as obras dos educadores espíritas Walter Oliveira Alves e Lucia Moysés, vamos encontrar propostas pedagógicas dinâmicas para a evangelização espírita, propostas inovadoras e de excelentes resultados, pois não estamos sozinhos nessa quebra de padrões, de paradigmas que pareciam absolutos, quando tudo é relativo e pode ser transformado.
Estejamos abertos ao novo pedagógico, sem nunca descurar dos princípios doutrinários do Espiritismo, para que possamos cumprir com a missão que nos cabe na humanidade de realizar sua transformação de ordem moral.

Vídeo - O Jovem e a Dinâmica Educacional

O vídeo sobre educação espírita O Jovem e a Dinâmica Educacional aborda a importância da participação do jovem no processo ensino-aprendizag...