Aprendemos com a leitura e estudo de O Livro dos Médiuns, obra que os Espíritos Superiores e Allan Kardec dedicaram à mediunidade, que não existe médium perfeito em nosso planeta, que ainda se encontra no estágio de mundo de expiações e provas, e, por esse motivo, não temos nenhum endeusamento quanto ao médium Chico Xavier, não o consideramos um semideus, ou que ele não possa ser criticado, pois além de médium com diversas faculdades mediúnicas, era também um ser humano sujeito às vicissitudes da vida corporal, como qualquer outro ser humano, mas com um diferencial importante: durante toda a sua existência lutou para ser humilde e caridoso, sempre estudando a Doutrina Espírita, e procurando pautar seus pensamentos, palavras e ações pelos ensinos morais de Jesus Cristo, consoante os encontramos no Evangelho.
Não chegamos a conhecer pessoalmente a Chico Xavier. Nunca estivemos em Pedro Leopoldo ou Uberaba, onde ele residiu e trabalhou. Tivemos oportunidade de estar com ele tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro, mas circunstâncias outras fizeram com que acabássemos não comparecendo aos eventos, e assim nunca tivemos contato direto com ele. Apesar disso, desde a adolescência lemos suas obras psicografadas, assim como acompanhamos os relatos biográficos trazidos por diversos amigos e amigas que com ele conviveram, como Ramiro Gama, Clóvis Tavares e Nena Galves.
Durante muitos anos fizemos a leitura dominical da coluna assinada por José Herculano Pires (Irmão Saulo), publicada no jornal Diário de São Paulo, onde ele trazia mensagens psicografadas pelo médium mineiro, às vezes acompanhadas de palavras explicativas do próprio Chico Xavier, colocando na sequência seu comentário. Essas publicações deram origem a vários livros, como Diálogo dos Vivos, Astronautas do Além, Chico Xavier Pede Licença, entre outros, e Herculano Pires foi amigo e defensor de Chico Xavier, como podemos ver no excelente livro Na Hora do Testemunho.
Transferindo-me da capital paulista para a cidade do Rio de Janeiro, isso no final da década de 1970, travei amizade com Gerson Simões Monteiro, de saudosa memória pelo muito que fez pela divulgação espírita e pelo movimento de unificação. Ele, sim, conheceu pessoalmente Chico Xavier, e gostava de contar como foi o primeiro encontro entre ambos, na cidade de Uberaba. Gerson acabara de passar pelo drama da desencarnação de seu filho, então com dois anos de idade, vitimado pelo câncer. Resolveu então procurar consolo junto ao médium, que ainda não conhecia, encetando viagem na companhia de sua esposa. Logo após a chegada, foram à farmácia para comprar um medicamento e, ali, à porta, encontraram o médium, que estava de saída. Gerson o abraçou, em lágrimas, dizendo, aflito, que a dor era muito grande. Chico lhe disse: “Meu irmão Gerson, hoje à noite vá ao grupo espírita. O que está lhe acontecendo é uma provação necessária para você e uma expiação que seu filho tinha que enfrentar, mas tenha fé em Deus e acalme-se”. E assim se despediram.
Depois, mais calmo, conversando com sua esposa, nosso amigo, agradecendo a Deus por esse encontro providencial com o médium mineiro, lembrou de dois detalhes muito importantes. Ele não havia se apresentado ao médium, então, como Chico Xavier o havia chamado pelo nome, se eles nunca se tinham visto? E como foi falando da criança se, no desespero da dor, ele, Gerson Monteiro, nem havia contado o motivo da aflição? Esses detalhes, que poderiam passar despercebidos, mostram-nos que não há como colocar em dúvida as faculdades mediúnicas de Chico Xavier.
Há pessoas que não questionam a mediunidade de Chico Xavier, mas não aceitam, por vários motivos, a literatura assinada por Emmanuel e por André Luiz, e temos todo o respeito por quem assim pensa, embora não concordemos com essa opinião, mas compreendemos que divergências existem e, desde que tenham base no bom senso, devem ser levadas em conta. Agora, tem pessoas que estão confundindo a mediunidade com a pessoa do médium, fazendo ataques sem fundamento a Chico Xavier, aos Espíritos e aos espíritas que nele confiam. Ataques muitas vezes raivosos e que faltam com o respeito a quem tem outra opinião, o que denota que esses críticos estão faltando com o que deve caracterizar o verdadeiro espírita: fraternidade.
Chico Xavier teve uma vida dedicada ao amor do próximo, à caridade material e moral e, em depoimentos pessoais, sempre deixou claro sua dedicação à Codificação Espírita, nas obras assinadas por Allan Kardec, obras essas que sempre estudou.
Podemos não concordar com a totalidade das opiniões de Chico Xavier, de Emmanuel e de André Luiz, divergindo nisto e naquilo, mas daí a condenar toda a obra literária do médium, vai uma grande distância, e temos que tomar muito cuidado para não sermos pedra de tropeço na regeneração moral da humanidade.
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