segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

O desenvolvimento integral


Marcus De Mario

As escolas e as famílias estão muito interessadas no desenvolvimento intelectual das crianças, e isso é importante, mas devemos dizer que não é o mais importante. Claro que adquirir conhecimentos, trabalhar habilidades e realizar uma formação técnico-profissional são coisas que fazem parte da educação, mas na verdade a educação é muito mais do que isso. Temos que levar em consideração que a criança, enquanto ser humano que é, além de pensar, também sente; além de raciocinar, também se emociona; além de memorizar, também raciocina. O que estamos dizendo é que a criança deve realizar seu desenvolvimento intelectual junto com o desenvolvimento emocional. Quando isso não acontece, porque estamos priorizando o intelectual, o cognitivo, podemos ter uma pessoa com muitos conhecimentos e ao mesmo tempo ser insensível e indiferente para com os outros. Não estamos afirmando que isso sempre irá acontecer, mas é grande a probabilidade, e basta olhar para a convivência humana para constatar isso.

Somos seres integrais: inteligência mais sentimento, razão mais emoção, espírito mais corpo. Aqui entramos com as informações prestadas pela Doutrina Espírita, considerando que todo ser humano é um Espírito reencarnado, trazendo imensa e profunda bagagem de outras existências, que recebe os elementos da sua preparação no mundo espiritual, e que incorpora os aprendizados da atual encarnação. Por tudo isso somos seres complexos e em construção, e uma educação que não leva essa realidade em consideração, é uma educação falseada, prejudicial ao processo de evolução do Espírito rumo à perfeição.

Allan Kardec informa que a educação, e ele está se referindo especificamente à educação moral, deve combater as más tendências que o Espírito esteja trazendo, e ele toca aqui num ponto essencial: o caráter, que nada tem a ver com a inteligência. Aliás, ele ainda diz que quando conhecermos a arte da educação moral tanto quanto conhecemos a arte da educação intelectual, faremos uma grande transformação nos indivíduos e na humanidade, pois está faltando desenvolvimento do senso moral, está faltando sentimento, e sobrando egoísmo e orgulho.

Hoje em dia queremos avaliar as crianças com a aplicação de provas de matemática e língua portuguesa, na esperança de encontrar alguns gênios infantis, mas o fato é que até podemos encontrá-los, mas isso nada dirá do seu caráter, da sua índole moral. E perguntamos: de que adianta ter uma criança craque em matemática e/ou português, se, ao mesmo tempo, é mentirosa, desonesta, bagunceira, egoísta? Não está faltando alguma coisa? Claro que está: está faltando o que, na verdade, é essencial: um bom caráter! E de pessoas com mau caráter já estamos fartos, pois eles fazem muito mal para as pessoas e para as coletividades.

Proclama o Espiritismo a necessidade da educação integral, isso porque o ser humano é um ser integral, dotado do potencial divino desde sua criação. É por isso que Jesus afirma que somos a luz do mundo, que somos o sal da terra, como lemos no seu formidável e profundo Sermão da Montanha, que todo educador deveria estudar.

Resumindo o que dissemos até agora, a educação deve trabalhar ao mesmo tempo o desenvolvimento da inteligência e do sentimento. Estamos carentes de sentimento no coração, de honestidade nas ações, para que as conquistas intelectuais gerem o bem para todos, e isso depende da educação, que por sua vez depende do que os educadores estão fazendo, no que eles acreditam e, infelizmente, temos mais professores do que educadores. Professor é aquele que ensina, que transmite conhecimentos, preso a normas, currículos, métodos; educador é aquele que guia, incentiva, orienta, facilita o processo de aprendizagem. O professor prende o educando ao seu querer, ao seu saber; o educador dá asas para o educando voar por conta própria. O professor acredita que somente ele sabe; o educador aprende o tempo todo na partilha com o educando.

O desenvolvimento integral, do educando e do educador, mescla os conhecimentos com os sentimentos, não esquecendo que ambos são Espíritos imortais e reencarnados, e que ambos fazem sua jornada rumo à perfeição, numa caminhada que é, ao mesmo tempo, individual e coletiva, pois somos seres de relação, nunca estamos sós, e dependemos uns dos outros.

As escolas e as famílias devem ser espaços legítimos de convivência, onde as pessoas devem se sentir bem, devem se respeitar e se solidarizar, aprendendo o tempo todo, enriquecendo a própria alma, afinal, tanto a escola quanto a família são institutos de educação, e quando isso é esquecido, sinal de problemas, muitos problemas, pela frente.

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