Marcus De Mario
Você já reparou a facilidade que muitas pessoas têm de declarar inocência e honestidade diante de um escândalo em que tiveram participação, e como sustentam essa declaração mesmo diante de provas contundentes? Isso se chama hipocrisia, ou seja, quando a pessoa sabe que sua declaração é falsa, mas a sustenta com foros de verdade, quando é uma mentira. A hipocrisia anda de mãos dadas com a falsidade e com o mau caráter. Isso acontece por conta da inferioridade moral que nos caracteriza, o que motivou Jesus a declarar que seu reino ainda não era deste mundo e, de fato, ainda não é, pois o nosso progresso moral está muito longe de conseguir colocar em prática os ensinos contidos no Evangelho. Entretanto, se o reino de Jesus, que é o reino do amor e da bondade, ainda não é deste mundo, isso significa que um dia será, então temos que perguntar: o que temos de fazer para consolidar o Evangelho na humanidade?
A resposta é simples, mas ao mesmo tempo possui um significado profundo: precisamos colocar em prática os ensinos contidos no Evangelho. Para isso, como prioridade, precisamos aprender a nos amar, pois Jesus foi muito claro quando falou dos dois maiores mandamentos da lei divina: amar a Deus acima de todas as coisas, e ao próximo como a nós mesmos. O que está faltando é justamente o amor, termos mais sentimento, estarmos mais humanizados.
Precisamos ser mais honestos conosco mesmo e com Deus, reconhecendo que temos pela frente uma imensa luta a fazer contra o egoísmo e o orgulho, não simplesmente dos outros, mas conosco mesmo, pois todos somos mais ou menos egoístas e orgulhosos, daí sermos também desonestos, corruptíveis, vaidosos, prepotentes em maior ou menor grau, a depender dos interesses e das circunstâncias. É uma verdade que machuca, mas é uma verdade que não podemos mais esconder, e que revela o quanto temos de caminhar para conseguir amar a todos sem nenhum tipo de distinção.
Ora, para caminhar basta colocar um pé adiante do outro, sucessivamente, mas esse ato mecânico deve ser acionado pelo nosso querer, pela nossa vontade, pois somente alcançaremos melhora espiritual se assim o quisermos. O convite da Boa Nova está conosco há mais de dois mil anos, e o Espiritismo, há mais de cento e sessenta anos nos refaz esse convite. O que estamos esperando para nos por a caminho?
A caminhada evolutiva não é feita aos saltos, mas sim gradualmente, mas com decisão firme, e uma boa resolução a tomar e vivenciar é, daqui em diante, sermos honestos, com todas as pessoas e em todas as ocorrências da existência humana.
A honestidade vai muito além de simplesmente não mentir, roubar ou trapacear. Ela é a base da confiança, englobando integridade, transparência e respeito, devendo ser cultivada tanto nas relações interpessoais quanto consigo mesmo. Iniciemos pelo trabalho diário de autoconhecimento, percebendo-nos como almas imortais destinadas à perfeição; em seguida trabalhemos para viver de acordo com o que acreditamos – no Evangelho e no Espiritismo –, e não para agradar as expectativas dos outros; continuemos o processo utilizando a sinceridade e a transparência no relacionamento com os outros, dizendo o que precisa ser dito de forma respeitosa e sabendo se colocar no lugar do outro; e aprofundando o processo, assumamos os próprios erros sem querer culpar os outros, e rejeitemos qualquer forma de vantagem indevida ou artifícios mal-intencionados.
Você pode se imaginar sendo honesto, conforme acabamos de descrever, e você vivendo com pessoas que também estão realizando esse trabalho de praticar a honestidade? A comunidade em que você vive não seria bem mais feliz? O mundo não seria muito mais feliz?
Temos que ter facilidade em assumir os próprios erros, assim como temos de ter facilidade em assumir a verdade, e a vivência dos ensinos morais de Jesus irá nos facilitar imensamente isso, mesmo que tenhamos que empenhar uma tremenda luta íntima e contra os apelos egoístas da humanidade, mas vai valer a pena, pois vamos dormir tranquilos, em paz, por estarmos fazendo o certo, e no futuro, pois que a vida continua, colheremos a semeadura da honestidade que praticamos.
Sejamos honestos e acabaremos com a corrupção. Sigamos o Evangelho e implantaremos o amor nas relações humanas.