segunda-feira, 13 de julho de 2026

Mãe e filho: a questão do exemplo


Marcus De Mario

Trazemos para reflexão o relato feito por um amigo acerca de uma cena ocorrida em plena via pública, retratando um acontecimento que nos oferta ocasião para um belo estudo de caso no campo da educação. Eis o fato:

Estava esse amigo deslocando-se de volta à sua casa, depois de cumprido seu compromisso social, isso ainda dia claro, tendo que aguardar o sinal de trânsito oferecer-lhe oportunidade para atravessar a rua, no que era secundado por outras pessoas, entre elas uma senhora acompanhada de uma criança de seis ou sete anos de idade. Nisso que todos aguardavam, essa senhora, com a criança segura em sua mão, mostrando bastante impaciência, não esperou o sinal abrir, e foi atravessando a rua, quase sendo atingida por um carro. Ela não recuou, pelo contrário, continuou a atravessar, arrastando a criança e xingando o motorista, reclamando muito. Em sua opinião quem estava errado era o outro, no caso o motorista, e não ela, quando a verdade é que o sinal estava aberto para os veículos e não para os pedestres.


Pois bem, o que essa cena tem a ver com a educação?
Não sabemos ao certo se essa senhora era mãe ou avó da criança, mas isso é de menor importância, pois temos um adulto responsável por uma criança, e isso é o mais importante, visto que os pais têm a missão de educar os filhos, assim como os avós têm a missão de educar os netos, colaborando, portanto, com os pais. Mesmo que fossem tia e sobrinho, o papel educativo da pessoa adulta não estaria alterado.
Muitas vezes os responsáveis pela educação das crianças, que são espíritos reencarnados, esquecem da força que o exemplo possui na tarefa educativa, não vigiando suas falas e atitudes, que normalmente são imitadas e incorporadas pelo Espírito na fase infantil desta existência. Se o adulto não obedece as regras da melhor convivência social, se vive irritado, se não mede o que fala, a tendência da criança que convive com esse adulto é fazer o mesmo, pelo exemplo que está recebendo.


Temos pais que acreditam que isso é bobagem, afinal o filho é só uma criança, ainda não entende das coisas da vida, e não é uma única cena na rua, ou em casa, que fará a diferença. Pode ser que uma única vez caia no esquecimento, mas quando o comportamento é repetido várias vezes, torna-se uma marca, um padrão a ser seguido por quem está de camarote assistindo, absorvendo o que lhe é ensinado pelo exemplo.
São bem conhecidos os episódios ocorridos no ambiente escolar, quando a professora precisa conversar com os pais de um aluno agressivo, e acaba sendo agredida pelos mesmos. É aqui que vemos a propriedade do ditado popular que afirma “tal pai, tal filho”, ou seja, que os filhos tendem a seguir os valores e comportamentos dos pais, muitas vezes reforçando más tendências de caráter que este traz de suas existências passadas, quando elas deveriam ser corrigidas pela educação.


Essa senhora da cena descrita e que nos serve de estudo de caso, poderá alegar que ela sempre foi assim e não é agora que vai mudar. Já ouvimos isso muitas vezes, mas essa fala é um grande equívoco, porque a educação, e nesse caso mais particularmente a autoeducação, não tem prazo de validade, não possui um período de idade certo para acontecer, deve ser promovida incessantemente, ainda mais quando se é responsável por uma criança que, amanhã, será o adulto que vai fazer a sociedade em que vivemos. Não gostaríamos que ela fosse um adulto vinculado ao bem, ao respeito, à ética do viver? É bom que assim queiramos, pois amanhã poderemos estar na dependência dele.


Como nos ensinam os Espíritos Superiores nas lições que Allan Kardec compilou e publicou em O Livro dos Espíritos, a educação deve ser compreendida mais amplamente como sendo a educação moral do espírito reencarnado, motivo pelo qual temos trabalhado a Educação do Espírito, na proposta de integrar o desenvolvimento cognitivo com o desenvolvimento emocional, ou em outras palavras, o desenvolvimento da inteligência com o desenvolvimento moral, ou do sentimento.


Esse é o caminho para destruirmos o egoísmo e o orgulho, as duas chagas morais que entretém todos os vícios. Para que essa caminhada seja coroada de êxito, não podemos esquecer que é de nossa competência, dos adultos, o desenvolvimento constante da autoeducação, pois somente pode ser considerado um educador aquele que se educa.


Para isso, temos um exemplo inquestionável: Jesus, nosso guia e modelo. E se ele é nosso guia e modelo, a ele devemos fazer todos os esforços em seguir, com isso, ao mesmo tempo, servindo de exemplo, mesmo imperfeitamente, às crianças que o Pai nos confiou, procurando bem educá-las, para que o amanhã da humanidade seja melhor do que o hoje.

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