quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O desvio do Enem: de avaliação para vestibular

Assistimos o sucateamento e banalização do ensino brasileiro através da desfiguração do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que, em definitivo, tornou-se um vestibular para o ensino superior, com toda pompa e circunstância, como diziam os nobres imperiais.

Já não se disfarça essa banalização. As notícias e reportagens por toda a mídia revelam que as escolas levaram para a sala de aula o espírito e os métodos dos antigos cursos pré-vestibulares, e que muitos alunos, inclusive da rede pública de ensino, se valem dos chamdos cursos preparatórios para reforço do estudo, cursos esses que já se prepararam para contemplar esse novo filão de mercado.

O Enem está em desvio de função, não serve mais para a finalidade a que foi criado, que era o de avaliar a evolução dos estudantes desse segmento de ensino. Agora as notas valem para garantir vaga nas faculdades, ou seja, nos cursos universitários, e o exame tornou-se uma máquina famigerada engolidora do ensino e destruidora da educação. Os adolescentes são devorados sem cerimônia pelo estresse, acúmulo de matérias, estudos intermináveis, memorizações, numa luta desenfreada pela conquista de uma vaga no ensino superior.

E o grande pai, ou seja, o Ministério da Educação, a tudo assiste complacente e, pior, incentivando tal absurdo. Triste fim de um teste que deveria avaliar, como ferramenta para melhora contínua do ensino médio, e que se vê desfigurada, agora servindo apenas como vestibular para outro segmento de ensino.

Não vamos aqui discutir os interesses que estão por trás desse acontecimento. As consciências responsáveis haverão de entender a situação de derrocada a que chegamos, mais cedo ou mais tarde, quando haveremos de corrigir esse desvio e realizar avaliações decentes e pedagogicamente mais corretas.

A continuarmos desse jeito, que adianta homenagear Paulo Freire? Ou realizar encontro internacional de práticas pedagógicas inovadoras? Se o discurso não é acompanhado pela prática, é como navegarmos para afundar ao largo, sem chegar ao porto.

Acudam os deuses da educação, para que não percamos o rumo em definitvo.

sábado, 11 de outubro de 2014

O discurso e o exemplo: uma dialética educacional para cosntrução da cidadania

Lendo e relendo, pois precisamos sempre aprender e reaprender, deparei-me com o livro "Pedagogia da Solidariedade", de Paulo Freire, educador que marcou, e sempre marcará, a educação progressista. E nele (re)descobri esta frase profunda: "Nós temos que dar exemplos. É absolutamente importante saber que a educação demanda exemplos, testemunho. O discurso, o discurso democrático do professor, que não se funda na prática, que distorce, que nega a prática, é uma contradição".

Em educação o maior e melhor recurso que um(a) professor(a) pode utilizar é o exemplo, pois ele tem uma força viva que impregna o ato educativo de autoridade moral, num perfeito diálogo entre o que se discursa, o que se quer, o que se propõe, com a vivência desse mesmo discurso por parte do(a) educador(a). Quando o(a) professor(a) não é o que fala e o que solicita a seus alunos, cai em contradição. Dizer que suas aulas são democráticas e participativas, e estabelecer tempo máximo de fala de cada aluno, e não aceitar ser contrariado, é típico do(a) educador(a) que tem a democracia apenas nas palavras, e não nas atitudes.

Muitos projetos educativos não alcançam seus objetivos, não obtém os resultados esperados, porque o(a) educador(a) realiza sua práxis mecanicamente, sem vida, sem se doar, sem humanização e afetividade, aplicando as técnicas e exigindo padrões de comportamento que são desmentidos pela sua indiferença e pelas suas atitudes contrárias ao que estabelece para os alunos. É impossível que a educação se realize.

E quando falamos em educação, falamos também em ética, pois uma é indissociável da outra. Trabalhamos para o desenvolvimento de outro ser humano, e quando o fazemos, temos que ter em mente que ao mesmo tempo trabalhamos para o nosso desenvolvimento, que é sempre contínuo, nunca se esgota, daí porque entendermos que somos construtores de nós mesmos ao longo do tempo. Podemos ilustrar essa questão com aquela professora que todos os dias chegava na escola de mau humor, irritada, cansada e murmurando contra o baixo salário e os alunos, considerados por ela apenas como um problema. Não é possível educar dessa maneira. Pedia silêncio, mas era a primeira a falar em alto som. Pedia comportamento exemplar, mas era a primeira a quebrar as regras. Como querer cidadãos éticos sem dar o próprio exemplo?

A educação requer exemplos, do(a) professor(a), sim, desse(a) que é responsável pelo desenvolvimento da autonomia e criticidade de seus educandos. Isso só pode acontecer se professores(as) trabalharem o auitoconhecimento, que deságua na auto-educação.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Professor, meu amigo

Já se vão os tempos em que o professor era a autoridade máxima dentro da sala de aula, inquestionável e não participativo, senhor absoluto do conhecimento, delegando para a direção escolar os conflitos por ventura existentes entre os alunos e entre ele e os estudantes. Essa postura, aliás, é uma das responsáveis da degradação pedagógica de nossas escolas e do crescente desafio à autoridade por parte das crianças e jovens, subvertendo uma ordem que parecia ser a mais adequada, mas que com o tempo mostrou-se perversa e antipedagógica.

Hoje compreendemos que o professor deve manter ampla interação com seus alunos, e não apenas na sala de aula, mas em todos os ambientes da escola. O professor deve ser amigo do aluno. Deve ser o orientador do seu desenvolvimento cognitivo, e também afetivo, em conjunto com os pais e responsáveis, estimulando-o a fazer descobertas e a ter autonomia e criticidade, sempre acompanhadas do cumprimento dos deveres e responsabilidades consequentes.

Isso não é novidade. Pestalozzi, no início do século XIX, exercia isso no Instituto de Iverdon, em plena Suíça fervilhando para ser república. Depois, na primeira metade do século XX, Freinet, por exemplo, revolucionava o ensino a partir do interior da França. E não apenas ele, pois vários outros educadores, com suas ideias e experiências na chamada Escola Nova, também conhecida como Escola Ativa, mostravam novos caminhos de interação professor e aluno, escola e família.

No Brasil podemos destacar as ideias e projetos de Anísio Teixeira, Lauro de Oliveira Lima, Paulo Freire, Anália Franco, Eurípedes Barsanulfo, entre outros, dedicando-se a estabeçecer uma relação afetiva, prazerosa, entre o ensino e a aprendizagem, antecipando-se aos questionamentos que hoje realizamos com relação ao processo educacional propiciado pela escola.

No final do século XX projetou-se para o mundo a Escola da Ponte, na Vila das Aves, cidade do Porto, em Portugal, tendo à frente o educador José Pacheco, que há alguns anos dedica-se a transformar a escola brasileira, teimosamente apontando para o que está errado e o que pode dar certo, incentivando os professores a deixarem o velho para trás, insistindo que não existem problemas de aprendizagem e sim de "ensinagem" (e concordamos com ele plenamente).

Convidamos todos os professores, todos os pedagogos, todos os gestores escolares, a conhecerem esses e outros grandes educadores, num repensar a educação e a escola. Isso para mudar o paradigma ainda vigente, que carrega resquícios da velha autoridade professoral, para que na escola o clima seja mais afetivo, mais participativo, com o professor fazendo seus alunos trabalharem em grupos e projetos de pesquisa, sempre com alegria, embora não perdendo a chamada autoridade moral, que não se confunde com a autoridade do "aqui mando eu".

Um caminho possível é a Escola do Sentimento, projeto do Instituto Brasileiro de Educação Moral (IBEM), que todos podem conhecer em www.educacaomoral.org.

Enfim, ser amigo, uma espécie de segundo pai ou segunda mãe, parece-nos o futuro do professor, se queremos realmente fazer das nossas escolas um mundo mágico de saberes e vivências para toda a vida.

domingo, 14 de setembro de 2014

Todo mundo apoia a educação

Quem tem acompanhado os debates políticos, e a propaganda eleitoral gratuita e obrigatória pela televisão, está vendo que a maioria dos candidatos aos governos estaduais e à presidência da república prometem apoio à educação, ou dizem que já fizeram muito por ela. Agora, será mesmo que vão cumprir as promessas educacionais, ou será que realmente já fizeram alguma coisa pela educação?

É preciso lembrar que em momento eleitoral as promessas vazam das bocas com muita facilidade, até porque os candidatos sabem que a educação de qualidade para todos é um anseio da população. Alguns dirão que a educação está lá no plano de governo e que, portanto, é um compromisso. Entretanto, nem sempre o que está escrito é o que será realmente feito.

E de qual educação esses candidatos falam? Estão preocupados com uma educação que desenvolve o senso moral da criança e do jovem? Com uma educação que transmite valores éticos? Com uma educação que forma cidadãos conscientes e com senso crítico? Uma educação que trabalha o desenvolvimento das virtudes?

Por tudo isso, precisamos ficar ligados e não nos deixarmos seduzir por promessas e discursos que mascaram a verdade.

Um evento com experiências transformadoras

Estivemos no Educação 360 - Encontro Internacional, realizado na cidade do Rio de Janeiro, nos dias 05 e 06 de setembro. As dependências da Escola SESC de Ensino Médio, em Jacarepaguá, receberam professores, pais e interessados que tiveram contato com palestras, painéis e apresentações de experiências educacionais brasileiras e internacionais.

O evento, no todo, foi muito bem-vindo, e fazemos votos que seja repetido em breve tempo, mas mostrou algumas coisas que podem ser melhoradas. As acomodações, todas muito bonitas, podem ser mais confortáveis, pois pufs e banquinhos sem encosto são extremamente cruciantes para quem tem de ficar sentado por até 90 minutos. Outra coisa que podemos questionar é a forma como as inscrições foram feitas. Só foi permitido a participação num período, manhã ou tarde, de um dia, ou seja, quem se inscreveu para a quinta-feira pela manhã não pode se manter no evento no restante do dia, e nem participar da sexta-feira.

Como exemplo dessa situação não muito boa, só pude conversar com o querido professor José Pacheco, da Escola da Ponte (Portugal), ali pelo pátio, mas não pude assistir sua participação no evento, pois estava inscrito para a quinta-feira pela manhã, e ele falaria no período da tarde desse mesmo dia.

Bem, fora essas questões, o conteúdo aberto ao público foi muito bom (mas faltou a Escola da Ponte, o Projeto Âncora e outros), e foi gratificante verificar o interesse dos educadores pelas propostas transformadoras, embora este e aquele que ali estava só para criticar e achar tudo uma utopia. Que fazer? Um dia haverão de sair de sua zona de conforto.

Antes de encerrar, outra nota negativa: que preços foram aqueles praticados pela cantina? Um assalto, é o mínimo que podemos dizer.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Conselho escolar aprova uso de AR-15 por vigilantes

O conselho escolar de Compton, na Califórnia, decidiu, por votação, armar policiais do campus com fuzis AR-15, de acordo com a estação de rádio pública Los Angeles KPCC. Alguns pais e alunos estão expressando desconforto, citando os mesmos tipos de problemas desencadeados pela força policial militarizada de Ferguson, Missouri, depois que Michael Brown, um jovem negro desarmado, foi morto por um policial branco.

Os policiais do campus em Compton deverão ser treinados e terem as novas armas dentro de um mês. O sindicato da polícia local diz que seus oficiais não são os únicos em busca de tais armas. De acordo com os sindicalistas, os distritos escolares de Los Angeles School PD, Baldwin Park School PD, Santa Ana School PD, Fontana School PD, San Bernandino School PD também autorizam seus policiais a usar esse tipo de armamento.

O sindicato defende o fuzil semi-automático para os policiais do campus sob o argumento de que, sem ele, os diretores não estariam preparados para enfrentar assassinos em massa portando rifle ou coletes a prova de bala. Oficiais da Polícia Escolar passarão por um curso de formação, seguido por um teste de proficiência de tiro em um campo de tiro, além de um exame escrito. As armas são projetadas para aumentar a precisão com munição capaz de perfurar coletes. Segundo o sindicato, "a segurança de nossos alunos, funcionários e pais é muito importante para nós".

Num artigo recente, o colunista do New York Times Ross Douthat refutou esse argumento. Segundo ele, "as evidências de que a polícia mais militarizada é necessariamente crucial para parar esses assassinos parecem fracas". Ele citou os exemplos de Sandy Hook, onde o assassino cometeu suicídio um minuto e meio depois de os policiais chegarem; de Aurora, em que o atirador se entregou à polícia; e da Virginia Tech, em que um assassino também atirou em si mesmo, em vez de atacar a polícia. Dessa forma, Ross Douthat questiona o uso de equipamentos da SWAT por departamentos de polícia no campus alegando que eles não farão diferença quando um psicopata aparecer.

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Eis a notícia veiculada pelo jornal O Globo em sua edição de 21/08/2014, o que nos levou a ficar parados diante da tela do computador, depois de sua leitura, imaginando o quanto desconhecemos a educação e o quanto acreditamos que segurança pública militarizada é solução para o que é da alçada da educação moral, da formação do caráter, da transmissão de valores humanos. Na medida em que família e escola deixam de lado esse trabalho, não podemos nos espantar de ver a violência aumentando dentro das escolas e do lar, além da sociedade como um todo.

Chegamos a um nível tal de estresse, de antagonismos, de egoísmo, que muitas crianças e adolscentes não acreditam que possa existir um mundo em paz, não acreditam que o diálogo e a cooperação sejam caminhos melhores para resolver conflitos.

Vigilantes armados, detectores de metais nas portas, cãmeras de vigilância e outras medidas equivalentes mostram apenas nossa falência em educar.

Temos certeza que tudo precisa mudar, e que a Escola do Sentimento, que idealizamos e promovemos através do IBEM é o caminho. Conheça essa proposta em www.educacaomoral.org.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Quando sinto que já sei

Assista o vídeo "Quando Sinto que Já Sei", um documentário que revisa a educação e mostra projetos escolares inovadores e de sucesso.


terça-feira, 29 de julho de 2014

O caminho é a educação

Existem frases que são marcantes, tanto pelo aspecto de impacto à nossa consciência, como pela carga de veracidade que carregam. São frases para serem sempre lembradas e debatidas, e no campo da educação isso não é diferente. Um educador que nos deixou frases relevantes é Paulo Freire, brasileiro, autor de diversos livros, um transformador, na prática, da educação nacional. Relembremos uma de suas frases:

"Não acredito que somente a educação poderá reformar a sociedade; mas sem ela essa reforma será impraticável".

Concordamos com o ilustre educador, pois tratando-se da sociedade humana multicultural, a educação, sozinha, não poderá reformá-la, transformá-la, ainda mais quando insistimos em perecebê-la apenas como instrução escolarizada, o que ela também é, mas não tão somente. A educação deve fazer parte de todo o processo sócio-cultural, sendo promovida pela família, pela escola e por todas as instituições sociais, inclusive as empresas, levando o indivíduo a ser honesto, colaborador, ético, pois é disso que estamos necessitados.

Se sozinha a educação não tem o poder total de transformação da sociedade, é fato que sem ela essa mesma sociedade jamais se transformará, ou o fará de forma muita lenta entre espasmos de convulsões como, por exemplo, as guerras ou sublevações civis sem freios.

Como os governos insistem em tratar a educação como área subalterna, não lhe dando a devida prioridade, e como, ao longo das últimas décadas, a escola foi relegada ao papel menor de passadora de conhecimentos através de matérias curriculares, cujos conteúdos muitas vezes estão desvinculados da própria vida, daí a famosa pergunta dos estudantes: "por que eu tenho que saber isso? para que serve?". Ora, enquanto a educação for confundida com instrução, memorização, exames, provas e notas; enquanto for considerada exclusividade da escola, que fica isolada no contexto em que se situa, a sociedade conhecerá apenas injustiça, miséria, corrupção, violência, guerra, exatamente o que temos assistido, ano após ano, em nosso Brasil.

A educação é transmissão de valores. É desenvolvimento do senso moral. É potencialização das virtudes do ser humano. Não se faz isso somente com aulas de português, matemática e outras matérias dadas por professores estressados, mal humorados e com baixos salários. E nem com uma escola isolada, que não interage com a família e com a comunidade.

Paulo Freire ainda está distante da educação brasileira. Querem mantê-lo somente nas discussões catedráticas de mestrado e doutorado do mundo acadêmico, mas não podemos permitir que isso se perpetue. Ele é da escola, é da família, é da comunidade.

Perguntam-nos porque não apresentamos a Pedagogia da Sensibilidade e a Escola do Sentimento, projetos que desenvolvemos através do Instituto Brasileiro de Educação Moral - www.educacaomoral.org -, nas universidades. Até apresentamos, mas preferencialmente para os alunos dos cursos de pedagogia, evitando propositadamente que "academizem" nossa proposta, daí porque escrevemos e palestramos para os professores da educação básica, abrangendo os educadores da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio, porque eles são os transformadores, eles podem fazer a diferença.

Então, se a educação, sozinha, não pode fazer milagres, sem ela a sociedade nunca conseguirá se transformar para melhor.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Campanha pela Escola do Sentimento no Rio de Janeiro

Amigos(as), hoje é um dia muito especial para o Instituto Brasileiro de Educação Moral (IBEM), pois estamos lançando oficialmente a campanha para implementação da Escola do Sentimento na cidade do Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, teremos nossa sede física para trabalhar, unindo todos os colaboradores hoje trabalhando apenas on line.
 

A intenção é, inicialmente, alugar uma casa ou galpão no bairro da Penha, onde a maioria dos colaboradores se situam. Implementaremos a sede do IBEM, disponibilizando cursos de capacitação presenciais, e agilizaremos a implantação da Escola do Sentimento através da educação infantil.
 

Contamos com sua ajuda, com sua participação.
 

Existem dois modos de colaborar/0001:
 

1 - Associando-se ao Clube Amigos do IBEM, contribuindo mensalmente com o valor mínimo de R$10,00.
 

2 - Fazendo contribuição espontânea através de depósito/transferência para a conta do IBEM no banco Bradesco: Agência 0663-7, Conta 74393-3, CNPJ 03.322,662/0001-76.
 

Lembramos que o IBEM é uma organização não governamental sem fins lucrativos, e seus diretores são voluntários, não recebem remuneração.
 

Conheça nosso trabalho em www,educacaomoral.org.
 

Caminhe conosco. Faça sua inscrição no Clube Amigos do IBEM através do site ou enviando seus dados para educacao@educacaomoral.org.
 

Vamos nos unir para concretizar a Escola do Sentimento!

Marcus De Mario
Diretor Geral

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Os planos de governo e a educação

Uma leitura dos planos de governo e dos discursos dos candidatos à Presidência da República e dos Governos Estaduais revela que a educação, sempre ela, não é prioridade para nenhum candidato. Não que a educação não esteja contemplada nos planos já disponibilizados para o eleitor, pois ela ali está, mas a abordagem não é de profundidade, atem-se mais às questões do ensino escolar e, muitas vezes, são abordagens genéricas, quando se fala da educação mas não se define exatamente qual é o entendimento sobre a questão, nem se define com transparência as ações.

Os velhos discursos políticos repletos de chavões e promessas, não faltam. E a saúde, o transporte, a economia, a segurança pública ganham destaque, esquecendo-se os candidatos que todas essas coisas, para realmente funcionarem a contento, precisam da educação, e não estamos aqui falando dessa edeucação escolar que leva em conta apenas o português e a matemática nos exames nacionais. Que adianta termos jovens diplomados no ensino superior, se serão corruptos, desonestos ou indiferentes?

A prioridade da administração pública deveria ser a educação moral, fazendo com que as escolas, em conjunto com as famílias, trabalhassem também o desenvolvimento do senso moral, o exercício da cidadania, a valorização da vida, a ética no comportamento social, enfim, o desenvolvimento das virtudes. E para isso não é necessário criar mais disciplinas, inserir mais matérias para estudar. É preciso, isso sim, mudar o pensamento filosófico que rege a educação em nosso país e dar uma nova dinâmica à escola, pois senso moral, ética e virtudes não devem ser conteúdo de mais uma aula, devem estar presentes em todo o currículo e em todas as ações pedagógicas, com ampla participação dos educandos.

Para os que consideram isso um discurso bonito mas utópico, recomendamos conhecer o trabalho vitorioso de José Pacheco, conhecido pela Escola da Ponte, e agora à frente do Projeto Âncora, em Cotia/SP. E também conhecer o trabalho do Tião Rocha, lá nas Minas Gerais. Igualmente, o trabalho das Escolas Waldorf (temos várias no Brasil). E a Escola do Sentimento, projeto do Instituto Brasileiro de Educação Moral, do qual fazemos parte.

Quando nossos políticos e administradores públicos vão priorizar a educação, começando pela educação de si mesmos, para que esse quadro de corrupção, desvio de verbas, favorecimentos ilícitos, formação de grupos econômicos excludentes e tantas outras coisas do mesmo teor, parem de machar nossa história?

Aguardamos uma postura mais ética, consciente e cidadã por parte de todos, deixando de lado a política partidária, que mina a saúde da estrutura político-administrativa de nosso país, para pensar e trabalhar pelo povo que fez a escolha e colocou um voto de confiança em quem deveria representá-lo.

domingo, 20 de julho de 2014

O poeta da educação alçou voo



O poeta da educação, Rubem Alves, alçou voo da Terra depois de iluminá-la com sua visão sobre o que existe de mais importante na vida humana: a educação com sentimento. Ele iluminou nosso entendimento sobre muitas questões existenciais e fez a diferença com seus escritos e suas palestras.

Sempre tive imenso prazer em ler seus artigos e seus livros, que encantavam-me e encantam, não apenas pelas palavras poéticas, pelo sentimento que carregam, mas pelo pensamento arguto, crítico e profundo, abrindo nosso entendimento e sensibilizando nosso coração.

Mas a vida continua. Suas cinzas vão adubar a natureza, seus escritos vão continuar embalando nossas vidas, e sua alma vai continuar a trabalhar com alegria.

Obrigado, Rubens Alves.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Sentir, amar e crescer

Há uma onda científica invadindo a educação, com os educadores procurando respaldar suas opiniões com estatísticas e resultados de pesquisas, preferencialmente realizadas por institutos acadêmicos de nível superior. É moda citar a pesquisa da Universidade tal e qual, o trabalho desenvolvido em laboratório pelo doutor tal. E assim nossa educação torna-se cada vez mais "científica", respaldada pelo mapeamento das regiões cerebrais, pelos estudos do comportamento e assim por diante. Todo mundo faz pesquisa e todo mundo teoriza através dos resultados das pesquisas. É uma onda gigante onde poucos conseguem nadar a contento e salvar-se, salvando também a educação.

Os educadores, e também os pesquisadores e cientistas, precisam compreender que a educação do ser é uma arte, e essa arte não está instalada em alguma função neuronal, até porque mapear o cérebro e suas reações a estímulos é estudar os efeitos e não as causas.

A ciência tem sua importância, mas daí a querer que todo pensamento educacional e toda ação educativa tenha rigorosos padrões científicos, que são essencialmente quantitativos, é extrapolar do fundamento maior da educação que é o amor. Para amar aquele a quem se educa e ver os maravilhosos resultados da aplicação desse sentimento maior, não é necessário cientificar, é necessário amar o que se faz e acreditar no que se faz.

Quando encontramos uma professora do ensino fundamental contar histórias de sua luta pelo crescimento dos seus alunos, e vemos seus olhos brilharem, e seu corpo todo tremer de emoção relembrando cenas de puro amor pela educação, onde consegue vencer tendências negativas das crianças e dos pais, não há como também não se emocionar e reconhecer os prodígios que o amor pode realizar.

Só se aprende a amar amando, e isso é tão verdadeiro que a experiência em sala de aula demonstra que só não ama aquele que não se deixa sensibilizar por esse sentimento. A frieza e indiferença de muitos professores é responsável por muitas falhas da educação e por muitos fracassos do sistema de ensino.

Podemos muito bem iniciar uma aula com música para relaxar e meditar, ou com um poema para motivar as fibras íntimas da alma, ou com uma dramatização sobre questões da vida para fazer pensar. Podemos dar uma aula dialogando, colocando os alunos em círculo e promovendo debate, ou distribuindo-os em pequenos grupos de trabalho. Com criatividade, flexibilidade e afetividade podemos mudar todo o ambiente e as relações dentro da sala de aula.

Quando o aluno sente que é amado, aí ele cresce. É como a planta que é adubada, aparada e regada, e dá generosamente seus frutos, suas flores.

Precisamos dizer a eles sobre nossa satisfação de estar em sala de aula, sobre nossa alegria de participar com eles do processo de aprendizagem, sobre nosso amor pela educação e sobre nossa crença neles mesmos. E caminhar com eles derrubando rótulos, estereótipos e preconceitos que vivem no coração de muitos professores.

Como lembrou uma professora em sentido depoimento, se tivéssemos mais amor ao que fazemos teríamos muito mais histórias bonitas para contar do que reclamações para fazer.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Aulas tradicionais são ineficientes

Quantas vezes durante uma aula entediante tudo o que você mais quis era estar na sua cama dormindo? Talvez o problema estivesse na metodologia de ensino. Pelo menos é o que defende um novo estudo de pesquisadores norte-americanos.

A análise revela que universitários submetidos a aulas tradicionais, em formato de palestras, são mais propensos à reprovação do que alunos em contato com métodos de aprendizado mais ativos e estimulantes.

"As universidades foram fundadas na Europa Ocidental em 1050 e aulas tradicionais tem sido a forma predominante de ensino desde então",  diz o biólogo Scott Freeman, da Universidade de Washington. Ele e um grupo de colegas analisaram 225 estudos sobre métodos de ensino.

A conclusão é que abordagens de ensino que transformam os alunos em participantes ativos reduzem taxas de reprovação

Os resultados foram publicados nesta quarta-feira, 12, na Proceedings of the National Academy of Sciences, e mostram que abordagens de ensino que transformam os alunos em participantes ativos, em vez de apenas ouvintes, reduzem taxas de reprovação e impulsionam notas em cerca de 6%.

"A mudança nas taxas de insucesso é enorme", diz Freeman. Para Eric Mazur, físico da Universidade de Harvard, que fez campanha contra aulas tradicionais por 27 anos, esse é "realmente um artigo importante". "A impressão que tenho é que é quase antiético dar palestras, se você tem esses dados", avalia.

Freeman diz que ele começou a usar as novas técnicas, mesmo com turmas grandes. Segundo a Science, embora ainda utilize slides do Power Point, apresenta apenas perguntas e interage com os alunos, inclusive chamando de forma aleatória. "Meu curso de biologia introdutório ganhou 700 alunos", afirma.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

A Educação Proibida

Excelente documentário (legendado) sobre a escola, o ensino e a educação. Assista, reflita e reposicione-se enquanto professor, pai, responsável. Precisamos fazer diferente para fazer a diefernça.


segunda-feira, 31 de março de 2014

Estupro, fatores culturais e educação

Repercute na mídia o resultado da pesquisa a respeito do pensamento do brasileiro sobre a questão do estupro, revelando que, mesmo entre as mulheres, predomina o que se convencionou chamar cultura machista. Na verdade, vemos mais além. Quando homens e mulheres dizem que o estupro acontece por culpa da mulher que não se dá ao respeito, exibindo o corpo com sensualismo, como se estivesse solicitando que isso aconteça, temos duas questões a debater: a primeira, inevitável diante dessa postura, é saber até que ponto o sensualismo feminino possui parcela de culpa; a segunda questão vai para o lado masculino: até que ponto o descontrole da sexualidade por parte dos homens, deixando-se levar por impulsos instintivos, possui parcela de culpa? O assunto, como se vê, possui mão dupla. É muito cômodo jogar toda a culpa na mulher, assim como o contrário, culpabilizando apenas o homem.

Agora, a cultura, ou culturas, não se sustentam sozinhas, elas estão inseridas num contexto maior de crenças e atitudes formatadas pela sociedade ao longo do tempo, e que são perpetuadas ou modificadas pela educação, seja ela familiar ou escolar, formal ou informal (e aqui entram os veículos diversos da mídia, entre outros). O que estamos fazendo com a educação das novas gerações? Quais valores temos sustentado através das diversas instituições sociais que influenciam o viver humano?

Quando vemos cervejarias patrocinando competições esportivas, percebemos uma incongruência: como pode a bebida alcoólica, um verdadeiro desastre para o organismo humano e para as relações vivenciais, estar aliada à prática de esportes? Temos nesse fato uma inversão de valores perigosa, pois a mensagem passada é a de que se beber não se deve dirigir, o mesmo não se aplica em se tratando de fazer este ou aquele esporte, o que não é verdade. A bebida alcoólica, e não importa qual, é totalmente incompatível com a prática esportiva, seja ela amadora ou profissional.

Temos, então, várias instituições sociais abonando o que é abominável, deixando brechas escancaradas para outras situações de valores invertidos, como o uso licencioso da sexualidade e o abuso do sensualismo, tanto por parte da mulher quanto do homem. E as escolas, o que estão fazendo? E a família, o que está fazendo? Há um verdadeiro jogo de empurra entre família e escola quando se trata de abordar as questões da formação do caráter, do desenvolvimento do senso moral, da orientação da sexualidade, da formação do senso crítico, do trabalho em valores humanos. E o tempo vai passando, e as situações vão se agravando, e acontece o escândalo provocado pelo resultadio de uma pesquisa, mas será que sairemos do escândalo, da indignação para, de fato, fazermos alguma coisa na base de tudo isso, que é a educação?

Urge colocar em prática a regra de ouro da educação, ou seja, aprendermos a fazer ao outro somente o que gostaríamos que o outro nos fizesse. Com a aplicação dessa regra saberemos nos respeitar como seres humanos; combateremos a corrupção e a desonestidade; implantaremos a solidariedade; teremos paz e felicidade, pois tudo isso é resultado da vivência dessa regra.

Não basta apontar um culpado, o homem ou a mulher. Na questão do estupro, como em tantas outras, não podemos ficar nos efeitos, temos que remontar às causas, ou à causa principal: educação.

Se é verdade que vários fatores culturais concorrem para esse estado de semibarbárie que vivemos, com o estupro sendo justificado, mesmo que por vias tortas, não é menos verdade que esses fatores culturais, que culminam em ações comportamentais, são sustentados por uma educação falseada que há décadas, ou mais tempo, entrega os homens aos seus instintos imediatistas, como se a satisfação de impulsos primitivos fosse tudo nesta vida que Deus nos dá.

Pensemos seriamente sobre isso.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Passei de ano, mas não aprendi

Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Data Popular, em parceria com o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), aponta que 46% dos alunos da rede estadual paulista dizem ter passado de ano sem aprender a matéria, e somente um em cada três consideram a escola boa ou ótima. Para 70% dos estudantes ouvidos, o colégio onde estudam é violenta.

A pesquisa “Qualidade da Educação nas escolas estaduais de São Paulo” ouviu 700 professores, 700 pais e 700 alunos da rede estadual de São Paulo. De acordo com o estudo, metade dos pais e 30% dos alunos avaliam a escola como ótima ou boa. O conceito "regular" aparece para 36% dos pais e 42% dos alunos. Já 14% dos pais e 25% dos alunos acha a escola ruim ou péssima.

Sobre a aprovação automática feita pela progressão continuada, quase metade dos alunos ouvidos disseram tem passado de ano sem aprender o conteúdo, e 75% dos estudantes e 94% dos pais afirmaram serem contra o sistema no qual mesmo com notas insuficientes os estudantes não são reprovados no final do ano letivo.

Os alunos disseram faltar cinco vezes por mês. Os pais afirmaram que participam da vida escolar do filho, mas apenas um em cada quatro pai ou mãe já foi a a alguma reunião do conselho escolar do filho.

Segundo a pesquisa, 44% dos professores e 28% dos alunos da rede estadual paulista já sofreram algum tipo de violência em suas escolas. Metade dos alunos dizem já terem presenciado casos de discriminação de raça, origem migratória e orientação sexual na escola. Segundo a pesquisa, pais e professores consideram a falta de segurança o maior problema do lugar onde as crianças estudam.

Os professores apontaram que para oferecer mais qualidade na educação é preciso investir em infraestrutura (22%), valorizar os professores (20%) e aprimorar o relacionamento com os pais (18%). Para os pais, é preciso ter atividades extracurriculares (39%), qualificação dos professores (17%) e mais tecnologia (15%). Para os alunos, é necessário investir em atividades extracurriculares (29%), mudança no método de ensino e formato das aulas (21%) e mais tecnologia (15%).

Entre as soluções sugeridas, a pesquisa aponta maior investimento em infraestrutura e qualificação dos professores, e uma participação maior dos pais.
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A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo emitiu nota de esclarecimento onde apela para um linguajar retórico, informando que faz todos os esforços para recuperação dos alunos e para o combate à violência. Pelo visto, esses esforços não estão funcionando a contentto.

Os resultados da pesquisa apontam um drama há muito conhecido dos brasileiros, e que não acontece apenas em São Paulo. Como a educação não é prioridade, os anos passam e os problemas continuam, e uma massa de jovens, todos os anos, faz sua inserção social sem o mínimo preparo, tento intelectual quanto emocional.

No Estado do Rio de Janeiro, há um contínuo esvaziamento no ensino médio da filosofia e da sociologia, com os professores sendo pressionados para não entrar no campo da ética. É claro, qual governante quer ter cidadãos que saibam pensar e saibam fazer uso do senso crítico?

Entretanto, se trabalhássemos desde a educação infantil a ética, o pensar, o senso moral, tudo seria diferente.

Você acredita nisso?

segunda-feira, 10 de março de 2014

O vexame brasilero na educação

Tendo que acordar com duas ou três horas de antecedência, andar quilômetros, ou ser transportado de caminhão, e não encontrar na escola nem água potável, nem banheiro, esse é o retrato dos alunos de muitas escolas públicas de ensino fundamental pelo nosso Brasil, principalmente nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, como mostrou reportagem exibida pelo programa "Fantástico", da Rede Globo, em reportagem levada ao ar no dia 09 de março. E os alunos sofrem outros problemas: falta de carteiras, equipamentos quebrados, falta de sala de aula adequada. E quando chove chegar na escola e ter aula é praticamente impossível. E sofrem também os professores, que ainda possuem baixo salário.

Esse é o nosso verdadeiro vexame nacional. Em pleno século 21, com programas sociais de combate à miséria mudando o país, temos ainda que conviver com esses absurdos no que é fundamental, mesmo essencial: as péssimas condições do ensino brasileiro, com o descaso de governos municipais e estaduais, que desviam as verbas da educação, mantém esse quadro de horror pelos subúrbios das cidades maiores e pelo interior das cidades menores, e ficam, prefeitos, secretários e governadores completamente impunes, sem que a legislação possa alcançá-los.

Não é de hoje que essas denúncias acontecem, pelo contrário, isso é histórico em nosso país. São décadas e décadas acumuladas de descaso educacional. E o quadro não é tão melhor nas grandes cidades. As capitais brasileiras vivem às voltas com problemas na rede de ensino, e a prática pedagógica está longe de ser a ideal, tanto que violência, repetência, analfabetismo são recorrentes nas escolas públicas de ensino fundamental e de ensino médio.

O país é o que fazemos das novas gerações. Quando a escola não tem estrutura física adequada, sofre com estrutura pedagógica deficiente, o currículo não trabalha a humanização do ser, sua consciência cidadã e deixa de lado o desenvolvimento, nesse ser, do senso moral, das virtudes, temos o caos repetido de tempos a tempos em nossa sociedade.

Os administradores públicos alegarão que os problemas apresentados pela reportagem são pontuais, referindo-se às escolas da zona rural, mas essa alegação não tem base, pois não importa onde a escola esteja situada, ela tem que ser uma boa escola, pois alunos, professores e pais estão sendo desrespeitados, tratados como se nada representassem, quando são seres no mundo, cidadãos de direitos que não podem ser cassados.

Para termos um novo Brasil precisamos entender a educação e melhor trabalhar o ensino escolar. Deixo o convite aos responsáveis por essa situação vexatória para conhecerem o Instituto Brasileiro de Educação Moral (IBEM) em www.educacaomoral.org. Quem sabe não se sensibilizam e começam a mudar nossa história para melhor.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Brasileiros Sem-Escola

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), 92,5% das crianças e dos jovens de 4 a 12 anos estão na escola. É um índice bem expressivo, mas os 7,5% que estão fora da escola significam 3.366.299 pessoas que não tem direito de aprender.

O país avançou nas últimas décadas, mas graves distorções continuam existindo. Desse total, 192.312 têm algum tipo de deficiência, 764.513 moram na zona rural, 41.763 trabalham, o que é proibido por lei, 2.114.000 são negras, 2.730.888 são de famílias que ganham até 1 salário mínimo.

A exclusão afeta as camadas pobres da população. São crianças e jovens oriundas de populações pobres, sob risco de violência e exploração. A maioria tem entre 4 e 5 anos, ou entre 15 e 17, e grande parte vive nas regiões Norte e Nordeste.

Merece atenção também os problemas de infraestrtura da rede escolar. O número de escolas não é suficiente para atender à demanda, uma parcela considerável delas não oferece acessibilidade para alunos com deficiência, muitas funcionam em condições precárias e locais de difícil acesso. E mais: todas as pesquisas apontam para a discriminação racial, onde o acesso à escola e de conclusão dos estudos mostram que crianças e jovens negros estão em desvantagem em relação aos brancos.

Para fazer face a tudo isso, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Campanha Nacional pelo Direito á Educação, organizaram a campnaha Fora da Escola Não Pode! No link http://www.unicef.org/brazil/pt/br_foradaescolanaopode.pdf podemos conhecer a campanha e baixar a cartilha especialmente elaborada.

A inciaitiva é louvável e deve ser apoiada. Com ela podemos e devemos sensibilizar os administradores públicos, em todas as esferas governamentais, para que as verbas da educação sejam realmente utilizadas para atender as crianças e jovens de nosso Brasil. Se assim não fizermos, as verbas bilionárias dos royalties do petróleo irão passar bem longe das escolas, até porque não conseguimos ainda aprovar no congresso a lei de responsabilidade educacional. Hoje, secretários de educação, prefeitos e governadores são inatingíveis, vivendo numa zona de conforto, mesmo diante de escândalos de desvios das verbas que deveriam ser aplicadas na educação.

Não podemos mais assistir escolas públicas sucateadas ao lado de escolas privadas que, na verdade, são cursinhos pré-vestibulares disfarçados. Uma e outra são um desserviço para a educação das novas gerações, que não são trabalhadas no campo dos valores humanos, das virtudes, até porque, e aqui temos outra questão preocupante, os professores não são preparados para essa tarefa.

É por tudo isso que criamos o Instituto Brasileiro de Educação Moral (IBEM), convidando a todos os interessados numa verdadeira educação de qualidade, que conheçam e apoiem o trabalho, que pode ser visto em www.educacaomoral.org.

Nunca perderemos a esperança, continuando o trabalho de semear o bem e o belo nas mentes e nos corações.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Faltam Vagas na Educação Infantil

A informação é do Ministério da Educação (MEC): é preciso construir 19.770 unidades de creches e pré-escolas em todo o país, pois a insuficiência desses estabelecimentos de educação infantil é um problema crônico em nosso Brasil.

Até o final de 2014 o governo federal espera entregar à população 6.450 unidades escolares. É um grande esforço, mas insuficiente para fazer face à demanda da criançada até 5 anos, deixando  os pais preocupados, principalmente os que necessitam trabalhar fora e precisam deixar seus filhos com quem pode lhes dar apoio educacional. 

Agora, a questão não é apenas de construir creches e pré-escolas. E o pessoal habilitado para trabalhar nessas unidades educacionais? Isso é essencial e deve ser pensado com prioridade. Alertam as educadoras Dalva Souza e Leila Brandão: "Em se tratando de educação (...) o mais importante é quem são as pessoas que irão participar da educação da criança, quais são suas verdades, como elas veem a vida, quais as suas metas para o futuro, em que nível de consciência se encontram e como vivenciam o amor" (em Na Medida Certa, Lachâtre Editora).

Por isso não concordamos com a presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Cleuza Repulho, quando afirma que a solução do problema está na ampliação do investimento em educação. Na verdade não faltam verbas federais na educação, embora mais verbas sejam bem-vindas, na verdade falta melhor gerenciamento dessas verbas, assim como falta combate mais eficaz contra o desvio de recursos que acontecem na esfera estadual e municipal.

Contudo, mesmo que tenhamos mais verbas, melhor gerenciamento das mesmas e combate aos desvios, não estaremos indo ao essencial, que é a preparação do pessoal para o trabalho da educação infantil, preparação essa que é, ao mesmo tempo, humana e técnica. Sem isso, podemos até atingir a meta, em até cinco anos, de construir e equipar cerca de 20 mil unidades escolares de educação infantil em todo o país, mas se essas escolas não tiverem o pessoal habilitado pedagogicamente e humanamente, continuaremos a vivenciar graves desvios sociais, pois a educação infantil é a base de formação das novas gerações.

Precisamos pensar seriamente sobre isso, e tomar, urgentemente, as medidas cabíveis para corrigir essa grave distorção.


Vídeo - O Jovem e a Dinâmica Educacional

O vídeo sobre educação espírita O Jovem e a Dinâmica Educacional aborda a importância da participação do jovem no processo ensino-aprendizag...