segunda-feira, 31 de julho de 2017

Uma nova sociedade passa por uma nova educação

Sonhamos com aquele dia em que as manchetes jornalísticas não sejam mais a corrupção, a violência, o tráfico, a injustiça. Sonhamos com uma sociedade onde se possa andar na rua com tranquilidade, onde as relações tenham por base a solidariedade. Sonhamos com menos competição e mais colaboração. Sonhamos com o despertar num dia onde o respeito ao meio ambiente será lugar comum, onde o capitalismo selvagem terá cedido lugar a uma justa distribuição da renda. Então despertamos do sonho com aquele enunciado popular: "pois vá sonhando, que nem tão cedo isso vai acontecer", ou com este outro: "isso até pode acontecer, mas dificilmente você vai conseguir vivê-lo", ou seja, vai morrer antes, de tanto tempo que vai levar para acontecer. Será mesmo? Tudo bem, talvez não dê para ver essa nova sociedade e esse novo mundo em vida, mas que podemos acelerar esse processo, disso não tenho dúvida.

Você já está formulando as perguntas: como? qual o caminho? Não existe um único caminho, mas sim vários caminhos que devem convergir para o mesmo fim, pois nossa sociedade está de tal forma doente e repleta de anomalias, que deveremos caminhar ao mesmo tempo pelo social, pela segurança pública, pela saúde, pela educação. Um conjunto de ações, constantes, para determinar um novo homem e uma nova sociedade.

Mas nada dará certo se o nosso objetivo não for o homem ético e a sociedade humanizada. E não estamos falando apenas das próximas gerações, mas de nós mesmos, aqui e agora, que devemos nos transformar para a ética, a honestidade, o amor e a fraternidade. Afinal, nossos governantes apenas representam o que somos. Eles fazem em maior escala o que fazemos em menor escala, ou mesmo em grandes proporções, como temos visto fazer os grandes empresários. Eles são retrato de nós mesmos, que os elegemos, que os escolhemos.

Há uma teimosa complacência nossa com tudo o que estamos assistindo, pois não reagimos, não nos decidimos atacar o mal pela raiz, mas isso é bem compreensível, pois teríamos que agir na nossa zona de conforto, e poucos são os que querem transformar a si mesmos para dar o bom exemplo aos demais. Queremos que os outros se transformem, pior que isso gritamos contra governantes e políticos, mas se sobrar uma vaga, quem dirá que vamos fazer diferente?

Então um caminho primordial é relegado às traças, é constantemente falseado: a educação.  E lá vai ela nublada por provas, testes, notas, cotas, apostilas, confundindo-se qualidade com quantidade, ensino com memorização de conteúdos e assim por diante. A escola, sua legítima representante, não recebe verbas adequadas, fica engessada em burocracias, é obrigada a seguir metodologias obsoletas, vive sucateada, roubada e vilipendiada. E a família, outra instituição fundamental na educação, fica desorientada entre intenso tiroteio de gênero e outras questões, já não mais sabendo os pais o que fazer, e lotam-se salas de psiquiatras e neurologistas em busca do elo perdido da vida.

Para onde vamos se a educação é descaracterizada?

Felizmente temos luz no fim do túnel e mesmo no seu caminho. São projetos como os da Escola da Ponte, do Projeto Âncora, da Escola do Sentimento, entre outros, que nos dão alento a continuar a falar da educação humanizada, transformadora, criativa, ética, afetiva e formadora da autonomia moral, como principal caminho para termos uma nova sociedade.

E deixamos aqui um convite. Visite www.educacaomoral.wix.com/ibem e veja que é possível sim, através de uma nova educação, termos uma nova sociedade.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Por uma nova política de educação

Assistimos, estarrecidos, o jogo político brasileiro repetindo a velha fórmula do "toma lá, dá cá", que insiste em perdurar em todas as instâncias governamentais, quando, por interesses pessoais ou de grupo, instala-se uma barganha vergonhosa de verbas, cargos e favores entre a administração pública e os partidos políticos, desonrando a nação brasileira, pois instala-se o espetáculo da falta de ética, de honestidade, de caráter, tudo em nome da manutenção do poder, das regalias e dos acordos escusos, deixando-nos atônitos diante de tanta falta de vergonha, de tanta hipocrisia, com governantes e políticos na contramão dos anseios da população, que já não sabe mais o que fazer para mudar esse quadro deprimente de falta de consideração com o povo e com a nação.

Onde está a causa? Por que isso se repete historicamente em nossa nação? Qual o fator que nos leva a não aprender com as lições do passado, mesmo recente? Tais perguntas são extremamente necessárias, e encontrar respostas é mais do que urgente, pois um basta tem que ser dado, uma mudança, uma transformação é extremamente necessária.

Somos individualidades, isso é certo, e nossa união forma a coletividade, o que também é certo. Como indivíduos, pensamos e agimos de formas diferentes, pois temos liberdade de pensar e liberdade de formatarmos hábitos. Mas vivendo coletivamente, sofremos diversas influências e por elas nos deixamos muitas vezes conduzir. É a heteronomia, quando regras, condutas de fora nos comandam. Um bom exemplo é o famoso "jeitinho brasileiro", que impõe que devemos ser sempre um pouco desonestos, quebrar as regras, burlar a lei, como se essa fosse a única maneira de se dar bem, de vencer na vida, mesmo que traga prejuízos para os outros. Entretanto, nossa autonomia moral deve dizer não a isso, no entendimento que pensar nos outros e não prejudicá-los é muito mais importante para uma boa convivência social.

Como conseguir a autonomia moral? Somente pela educação, que envolve tanto a família quanto a escola. Educação que leve as novas gerações a desenvolver o sentimento, o emocional, e que trabalhe virtudes e valores. Educação norteada pelo aprender a fazer ao outro somente aquilo que se queira que o outro lhe faça.

Para alcançar essa educação necessitamos de uma nova política educacional, que transcenda a atual, que não leva em consideração o ser integral e espiritual que somos, que não leva em consideração a ética, e que está preocupada apenas com conteúdos curriculares e avaliações quantitativas.

Não basta termos escolas classificadas como inovadoras e criativas. Não basta termos famílias engajadas no processo escolar de seus filhos. Se isso não for acompanhado pelos bons exemplos dos professores e dos pais, se não for acompanhado da formação do caráter dos alunos e dos filhos, nada mudará no cenário social e político de nossa nação.

Apontamos o caminho para uma nova política de educação. Que esforços para essa nova realidade aconteçam, se multipliquem e contagiem a todos, pois está em jogo o futuro do nosso Brasil.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Desenvolvendo competências socioemocionais na infância

Um fenômeno tem atingido o mundo empresarial: a dificuldade de contratação de colaboradores com boa competência socioemocional, ou seja, muitas vezes o candidato revela bons conhecimentos técnicos, mas na área socioemocional deixa a desejar, o que é considerado pelos empresários como uma deficiência que impacta diretamente os resultados da empresa no cenário de negócios do século 21.

Entre as competências socioemocionais desejadas estão:

– Gerenciar impulsos emocionais
– Resolver problemas
– Tomar iniciativa
– Ser flexível
– Comunicar-se bem e trabalhar em equipe
– Perseverar e ser resiliente
– Demonstrar empatia

Estudos revelam que essas competências são desenvolvidas na primeira infância, até os 5 anos de idade, e que está havendo uma falha no processo educacional, pois família e escola não estão focadas na formação do caráter da criança.

Em uma pesquisa do Wall Street Journal, feita com 900 executivos, 93% disseram que as habilidades socioemocionais eram tão importantes ou mais importantes do que habilidades técnicas e 89% relataram dificuldades em encontrar empregados com essas habilidades. E à medida que mais tarefas elementares se automatizam, o restante de vagas, frequentemente, exige que os trabalhadores tenham atributos socioemocionais que não podem ser feitos pelos computadores.

“Habilidades acadêmicas e técnicas o levarão a uma profissão, mas se você realmente quer ir mais longe, precisa ser um bom ouvinte, gerenciar suas emoções e trabalhar bem em uma equipe. Os empregadores não podem incutir essas habilidades do dia para a noite – fazem parte do poder cerebral desenvolvido nos primeiros anos das crianças”, diz Wilbert W. James, presidente da Toyota Motor – Kentucky/EUA.

Trabalhar a formação do caráter, os valores humanos, a sensibilização dos sentimentos, é o que o Instituto Brasileiro de Educação Moral vem realizando, atendendo professores e escolas de todo o Brasil. Seu trabalho está disponível em www.educacaomoral.wix.com/ibem.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Crianças pobres em países ricos

O Centro de Pesquisas Innocenti, órgão da Unicef, a agência para educação da Organização das Nações Unidas - ONU, publicou relatório que nos deixa preocupados. Para que o leitor tenha a dimensão dessa nossa preocupação, transcrevo um resumo do relatório, conforme publicado pelas principais mídias:

"Uma a cada cinco crianças nos países ricos vive na pobreza, segundo relatório da Unicef, que estabelece uma classificação sobre o bem-estar infantil.
Dois países do norte da Europa - Alemanha e Suíça - lideram em termos de progresso social em favor das crianças, enquanto Romênia, Bulgária e Chile encerram a lista, segundo a Unicef, que observa que os três últimos têm renda per capita menor.
Este não é o caso de Estados Unidos (37º entre 41 países) ou da Nova Zelândia (34º), o que revela que "renda nacional elevada não basta para garantir bons resultados em termos de bem-estar para as crianças", destaca o relatório elaborado pelo centro de pesquisas Innocenti da Unicef.
Eslovênia, na nona posição, supera amplamente países mais ricos em vários indicadores.
A classificação inclui 41 países da União Europeia (UE) e foi elaborada com base em nove dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável definidos em 2015 pela ONU, como redução da pobreza e da fome, e promoção da saúde, bem-estar e educação.
Em média, uma a cada cinco crianças (21%) nestes 41 países de "alta renda" vive na pobreza, apesar de grandes desigualdades: uma a cada dez na Dinamarca e Islândia, enquanto na Espanha (16ª posição) o índice é de 30,5%, no México (38º), 31,6%, e no Chile, 25,5%". 

 Façamos dois destaques que merecem reflexão:

1 - Renda nacional elevada não basta para garantir bons resultados em termos de bem-estar para as crianças.

2 - Em média, uma a cada cinco crianças em países de "alta renda" vive na pobreza.

Temos assistido muitos países caminharem em direção a escolas ligadas em alta tecnologia, com ambientes físicos bem elaborados, mas, como se percebe pela pesquisa, isso não é garantia de excelência em educação, de educação que transforme a sociedade com o tempo e traga melhor justiça social. Mesmo em países de alta renda, com todas as crianças na escola e com famílias bem estruturadas do ponto de vista econômico, a pobreza não foi erradicada, o que, no nosso entendimento, fortalece a luta que fazemos pela educação moral, ou seja, a educação que transmite valores, que dá autonomia com responsabilidade, que ensina a respeitar os outros, que dignifica a inteligência para que a mesma promova o bem, em suma, educação que desenvolve o caráter da pessoa, desde a infância, promovida tanto pela família quanto pela escola.

Esse é o caminho, que escolas transformadoras, ainda consideradas experimentais (até quando?), estão promovendo.

E precisamos, nesse contexto, também repensar a família e seu papel na educação das novas gerações, pois os males sociais estão evidentes, se acumulando, numa espécie de ciclo vicioso.

Enquanto tivermos crianças vivendo na pobreza não podemos nos considerar uma civilização, pois se, de fato, colocássemos amor em tudo o que fazemos, não poderíamos mais ter esse quadro em nossa humanidade.

Está na hora de mudanças profundas na educação, a partir da filosofia que a rege, e não podemos mais simplesmente assistir a injustiça social, a violência, o egoísmo, a hipocrisia darem as coordenadas nessas área essencial para o crescimento humano.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Ações em favor de uma boa educação

E lá se vão mais de 15 anos de atividades na capacitação de professores e humanização das escolas, com a realização de palestras, treinamentos, cursos e publicação de material pedagógico. Tudo por uma educação de melhor qualidade, por uma escola transformadora, visando o estabelecimento de uma sociedade melhor através de indivíduos autônomos e conscientes de suas responsabilidades e de seus deveres. Estou falando do Instituto Brasileiro de Educação Moral, o IBEM, organização educacional não governamental realizada por educadores voluntários, que doam amor aos projetos, acreditando que esse amor faz a diferença.

A primeira proposta de trabalho é a Pedagogia da Sensibilidade, que podemos resumir como sendo um caminho que propõe trabalhar na escola o equilíbrio entre o desenvolvimento cognitivo e o desenvolvimento emocional da criança e do jovem, trabalhando a aplicação da educação moral, o que exige, naturalmente, o esforço de auto-educação dos professores, e a integração da família nesse processo.

A segunda proposta de trabalho é a Escola do Sentimento, servindo de guia para a transformação escolar com base na autonomia dos alunos, no professor como tutor, na formação de grupos de pesquisa e conhecimento, num currículo aberto, tendo no amor a base de todo processo ensino-aprendizagem. Uma escola humanizada para uma humanidade socialmente justa e mais afetiva, que viva em maior harmonia e equilíbrio.

A terceira proposta de trabalho é o Vivendo Sempre em Paz, um projeto que desenvolve a cultura da paz, envolvendo a escola, a família e a comunidade, através de ações pedagógicas contínuas na aplicação da regra de ouro da educação: aprender a fazer ao outro o que gostaria que o outro lhe fizesse.

Essas três propostas atendem diversas necessidades dos educadores e transformam a educação para que a formação de crianças e jovens seja uma formação humana, moralizante e espiritualizante, sem nenhum vínculo com qualquer religião formal.

Para conhecer o trabalho do Instituto Brasileiro de Educação Moral - IBEM, fazer contato e realizar uma parceria, acesse www.educacaomoral.wix.com/ibem.

Vamos arregaçar as mangas e trabalhar por uma educação transformadora!

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Uma educação e outra educação

Temos convicção que somente a educação pode resolver os problemas individuais do ser humano e coletivos da humanidade, e já deixamos isso muito claro em nossos escritos, palestras e ações. Entretanto muitas pessoas não acreditam nisso, colocam dúvidas, e quando o fazem deixam claro que possuem uma compreensão equivocada sobre o que seja educação, não conseguindo vislumbrar como ela poderá fazer esse quase "milagre". 

Esse equívoco acontece porque a maioria das pessoas quando pensa em educação, vincula o pensamento exclusivamente à escola, e logo traz à memória os bancos escolares, os professores ensinando conteúdos, as provas e notas acontecendo. Como essa educação, ou essa escola, transformará o homem e a humanidade? Essa perplexidade é justa, pois também nós, quando nos referimos à educação, não acreditamos que esse modelo escolar chamado de conservador ou tradicional, conseguirá alterar qualquer coisa em nossa sociedade. Contraditório? Não, realidade.

Para começo de conversa, a educação não se restringe à escola. Ela também pertence à família. E entenda-se que não são duas instituições antagônicas, separadas, com papeis distintos. Devem se unir, interagir, complementar-se. Tanto o desenvolvimento cognitivo (intelectual) quanto o desenvolvimento emocional (moral), devem ser estimulados e trabalhados pela família e pela escola, cada uma em seus respectivos campos de ação, mas em íntima comunhão, para que o processo educativo atinja seus objetivos na formação das novas gerações, ou seja, das crianças e dos jovens.

Começamos a vislumbrar o que seja educação: transmissão de valores, sensibilização dos sentimentos, despertamento das potencialidades espirituais do ser, estímulo à aquisição dos saberes, promoção do homem e da mulher de bem. Tudo isso passa pela humanização do ensino - na família e na escola -, o que exige do educador, seja ele, pai, mãe, professor, uma crescente dose de amor ao ato de educar.

Falando mais especificamente da escola, ela deve ser participativa, comunitária, trabalhando por projetos e grupos de estudo e pesquisa, envolvendo pais, responsáveis e a comunidade em seu entorno. Assim promoverá a autonomia responsável dos educandos (alunos), a aquisição da ética no proceder, colocando em prática a chamada regra de ouro da educação: aprender a fazer ao outro somente o que gostaria que o outro me fizesse.

Se a escola e a família se derem as mães nesse trabalho, não veremos frutificar um ser humano renovado em seus valores, e por isso, uma sociedade menos violenta, sem corrupção, mais justa, em paz, ou seja, tudo o que hoje desejamos, aspiramos ardentemente e sonhamos?

No Brasil e no mundo temos escolas nessa direção, e famílias fazendo parte de comunidades de aprendizagem. Convido meus leitores a conhecer algumas dessas propostas, como a Escola da Ponte, em Portugal, o Projeto Âncora, em Cotia, SP, o Centro Educacional Conhecer, em Leopoldina, MG, entre outros.

Visite a página https://www.facebook.com/educacao.marcusdemario/ e mergulhe nesse mundo fantástico, transformador da educação.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Pela ordem, pela paz e pela não-violência

Todo cidadão tem o direito de reinvindicar das autoridades públicas o cumprimento dos seus deveres e a obediência àas leis, assim como pode manifestar-se em conjunto para pressionar por mudanças e mostrar sua insatisfação e indignação. Deve, entretanto, entender que reeinvindicações e manifestações devem ser realizadas de forma pacífica, ordeira, e sem restringir o direito do outro de não aderir. Quando utilizamos de atos violentos, invasivos, como é o caso do vandalismo, e em protesto impedimos que os outros circulem e trabalhem normalmente, estamos infringindo a própria lei que queremos que os os outros obedeçam. Nenhum radicalismo é bem-vindo, pois nada traz de bom e útil.

Precisamos entender que por trás de muitas manifestações e reinvindicações, está o interesse de grupos por vantagens que dizem respeito somente a eles, embora isso esteja disfarçado com um discurso aparentemente popular. Por esse motivo precisamos exercer o bom senso, aprofundar o conhecimento sobre a questão e, mesmo que a causa seja justa, entender que não é a violência o melhor caminho, que não é o radicalismo a melhor solução, e sim a conscientização paulatina de todos pelos meios disponíveis de comunicação e pelas manifestações obedecendo a ordem, sempre de forma pacífica. Bombas, quebra-quebra, gritos de ordem, enfrentanentos agressivos não se coadunam com uma nova e melhor ordem social.

Lembremos de Gandhi, o apóstolo hindu da não-violência, que enfrentou os colonizadores britânicos sem nunca ter agredido ninguém, paulatinamente levando a população da Índia a pressionar pela liberdade, pela plena autonomia e independência de sua nação, até o ponto em que os colonizadores ficaram em situação de ingovernabilidade, tendo que realizar acordos até sua retirada completa do país. Levou tempo, mas Gandhi conseguiu, motivo pelo qual foi chamado de Mahatma, ou seja, Grande Alma. É um exemplo muito forte que deve calar fundo em nossa consciência. E por falarmos em exemplo, lembremos de outro humanista, ativista e pacifista que marcou a todos nós: Martin Luther King. Trabalhou incansavelmente pelo fim da segregação racial nos Estados Unidos sem nunca ter compactuado com qualquer retaliação contra os opressores. E não poderíamos deixar de citar, com reverência, a Nelson Mandela, que pacientemente suportou o peso da prisão e fez com que a população negra da África do Sul entendesse que o passado deveria ficar no passado, que o futuro somente seria melhor se no presente houvesse compreensão, perdão e reconciliação.

É entristecedor assistir grupos radicais criarem baderna na tentativa de provocar uma paralisão geral, sem que isso esteja no anseio da população. E também é lamentável ver as autoridades públicas reagirem através da repressão violenta dos órgãos de segurança. Uns e outros estão equivocados.

Mannifestemos nossas angústias, nossas apreensões e aspirações por uma nação melhor, por leis mais justas, pelo fim de privilégios e tudo o mais que vise uma sociedade brasileira mais equilibrada e exemplo para o mundo, mas façamos isso respeitando o direito do outro e obedecendo parâmetros de civilidade, sob pena de sermos classificados como povo que desconhece os princípios mínimos e razoáveis da ética, da moral e da cultura de uma verdadeira civilização, de um povo esclarecido.

Quando vamos entender que seremos melhores na medida em que nos melhorarmos, e que isso somente pode ser feito através da educação?

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Diante da crise

A nação brasileira está passando nos últimos tempos por momentos complicados, que tem repercutido na atmosfera social, levando a uma incerteza quanto ao futuro. Entre os vários episódios ocorridos podemos destacar as delações premiadas levando autoridades públicas, parlamentares e outras pessoas aos tribunais; o impeachment da presidente da república; a falência financeira de vários estados; o eclodir da violência com o crescimento da criminalidade; o aumento do desemprego por motivo da crise econômica.

Diante desse quadro muitas pessoas adentram pela desesperança, pela desmotivação, ou reagem subvertendo a ordem e os valores morais, como no caso de saques na ausência da autoridade policial, ou em manifestações públicas que descambam para a violência, ou mesmo em praças esportivas com a explosão do ódio e da agressividade selvagem. São demonstrações do quanto estamos ainda vinculados aos instintos e ao imediatismo, procurando na violência ou na repressão dos órgãos de segurança pública, solução para problemas que na verdade são de ordem moral.

Uma sociedade que se considere civilizada não pode submeter-se à ordem e à legalidade apenas quando há coerção da autoridade policial, sendo que na sua ausência essa mesma sociedade atropela as leis, as regras de boa convivência, e se manifesta em atos de selvageria ou, ao contrário, de indiferença.

Precisamos encontrar equilíbrio revisando nossos valores de vida e nossas atitudes no coletivo, reconstruindo, sem traumas, a zona de conforto em que até então vivíamos, e que nos satisfazia, mas que agora a crise social está nos solicitando transformar.

E para onde vamos? Par os valores morais da vida, humanizando-nos e espiritualizando-nos, aprendendo paulatinamente, e com perseverança, a colocar em prática a regra de ouro da educação: aprender a fazer ao outro o que gostaria que o outro me fizesse.

É uma regra universal e para todos os tempos que, desejemos ou não, nos liga a Jesus, ícone do cristianismo, regra que tem por alicerce o amor ao próximo, justamente o que está faltando, e que deveria ser o norteador da educação, pois se temos muitos aprendizados na família e na escola, falta-nos aprender o essencial, até hoje menosprezado pelos pais e professores, que são os encarregados do ensino.

De que adianta alta dose de conhecimentos se nos falta o sentimento?

Precisamos substituir a autoridade da segurança pública, via policiamento ostensivo e embates violentos, pela autoridade da educação moral, via desenvolvimento do caráter e das virtudes, em manifestações de justiça e de amor. Assim realizando, as crises haverão de minimizar e mesmo desaparecer com o tempo, e o desânimo e a desesperança serão substituídos pelo trabalho incessante e a perspectiva de um futuro cada vez melhor.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

A solução está na educação moral

Nossa experiência de vida, afinal já ultrapassamos a casa dos sessenta anos, nos permite dizer que estamos diante de um quadro social profundo de crise de valores, tanto individuais quanto coletivos, provocando escândalos os mais diversos, em todas as áreas de atuação humana. Apesar de aparentemente o mundo estar perdido, como dizem muitas pessoas, não vemos motivo para desânimo, pelo contrário, pois estamos fazendo uma revisão dos nossos valores de vida, estamos repensando a ética e aprimorando nossa justiça. Muitas pessoas se deixam levar por uma onda de pessimismo, mas a verdade é que para reconstruir a nós mesmos e a sociedade em que vivemos, o trabalho é penoso, exigindo perseverança e paciência.

Não é fácil sair da zona de conforto que criamos e na qual vivíamos, e que agora tem suas estruturas abaladas, necessitando de reformas. Viver numa casa em obras é penoso, mas o resultado final compensa. É nisso que temos de pensar no momento: nossos valores estão em ebulição, estão questionados, e temos que reformulá-los, pois o que parecia legítimo já não o é mais, o que parecia correto está equivocado. Agora precisamos também pensar no outro, e não somente em nós mesmos.

Essa crise de valores já estava anunciada, sendo acelerada após a segunda grande guerra mundial, e poderia ter sido evitada, ou pelo menos muito minimizada, se desde aquela época, e estamos falando da década de 40 do século 20, tivéssemos nos aplicado na implantação da educação moral nas famílias e nas escolas. Isso mesmo, nessas duas tão importantes instituições sociais.

A escola tem a missão de educar, mas essa misssão só é completa se conjugada com a família, pois ela é a primeira escola, o lar é onde os filhos ganham a orientação provinda dos exemplos, é onde ganham o desenvolvimento dos hábitos, e todos sabemos que isso pode ser positivo ou negativo. E o papel da escola é muito mais do que instruir, do que ficar em procedimentos pedagógicos atrelados a conteúdos de matérias, ou disciplinas, curriculares.

O tempo passou e várias gerações deixaram de receber a educação moral, os bons exemplos, os valores e virtudes que fariam da nossa sociedade atual exemplo de justiça, paz e amor. O que temos assistido é injustiça, violência e egoísmo. Jovens e adultos imediatistas, materialistas e que não pensam nem no próximo nem no dia de amanhã.

E não será a segurança pública a solução do problema. Precisamos de sentimento, de humanização, de um trabalho porfiado na educação que espiritualize, que humanize, que desenvolva as visrtudes, que forme o caráter. E já se vão mais de 70 anos do fim da Segunda Guerra, e ainda não compreendemos que a melhor opção é a educação moral das crianças e jovens.

Quanto mais tempo adiarmos a verdadeira solução, mais tempo teremos de crises e escândalos. Saiamos da retórica, da teoria, do discurso, para vivenciarmos, tanto na família quanto na escola, os novos tempos de uma sociedade mais justa e feliz, novos tempos dependentes da nossa educação moral e das novas gerações.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Os muros de concreto e a falência da sociedade

A cidade do Rio de Janeiro vive uma realidade iniciada há décadas: favelização social com a ocupação de morros e outras áreas por favelas, também chamadas de comunidades. Segundo o Censo 2010 do IBGE, temos 1.393.314 pessoas em 763 favelas na cidade, o que significa que 22,03% da população (6.323.037 nesse ano) vive em aglomerados subnormais, como classifica oficialmente o instituto. Todos sabemos que boa parte dessas favelas são dominadas pelo tráfico de drogas ou pelas milícias, com alto índice de violência, que nem mesmo a intervenção das Unidades de Polícia Pacificadora - UPPs tem resolvido. Tiroteios e mortes são comuns, num índice alarmante, e nem mesmo as crianças são poupadas, muitas delas uniformizadas e em plena atividade escolar, como temos visto através dos noticiários. E face a mais uma morte de uma criança dentro de uma escola inserida em uma favela, o prefeito do Rio de Janeiro dclara a solução para o problema: vai blindar com muro de concreto todas as escolas municipais que estão em favelas e comunidades. Por que não blinda também as moradias dos cidadãos que vivem de forma ordeira e honesta nessas comunidades? Eles também não merecem essa proteção? E os postos de saúde e outras instituições de caráter sócio-educacional ali existentes?

Parece que para o senhor prefeito importante é proteger alunos e professores, mesmo que os moradores estejam sob o jugo do tráfico, da milícia, da violência. Desde que as balas perdidas não entrem na escola ...

Concretar muros no entorno das escolas que estejam em áreas de risco é decretar a falência da sociedade carioca, é mostrar a falta de visão da autoridade pública, é abrir o espaço urbano generosamente para o mal. Não importa o que esteja acontecendo do lado de fora, desde que a escola esteja protegida. Entretanto, por que os milhões de reais que serão gastos para a construção desses muros não são gastos com a urbanização da favela? Com a introdução de mais creches e escolas? Com a instalação de posto de saúde? Com a instalação de água, esgoto e luz para todos? Em outras palavras: muros não resolvem, o que resolve é intervenção social com educação, cultura, saúde e saneamento.

Durante a campanha eleitoral muito foi falado em gestão humanizada, em prestação de serviços de qualidade à população, com menos obras pela cidade, a não ser aquelas realmente necessárias. Mas agora vamos assistir a construção de muros de concreto em dezenas, ou centenas, de escolas.

Se muros, cercas eletrificadas, alarmes, seguranças armados, câmeras de vigilância, muros de concreto trouxessem a paz e a justiça social, há muito o Rio de Janeiro - e outros grandes centros urbanos brasileiros - estaria classificado como melhor cidade para se viver.

Agora é a hora de não mais adiar projetos sociais nas favelas e comunidades da cidade maravilhosa, e sim a Prefeitura, com as parcerias público-privadas, mergulhar com tudo no resgate desses aglomerados subnormais, integrando-os aos bairros em que se situam, ou transformando-os definitivamente em bairros, mas não apenas no papel, e sim de fato.

E que o investimento em educação de valores humanos, em educação moral, em educação humanizada, em educação que gera autonomia responsável, seja visto como a solução dos males que impregnam nossa sociedade. Temos consciência que esse resultado não é de curto prazo, mas com certeza gerará uma sociedade regenerada em médio e longo prazo.

A educação é tudo. A escola é muito importante. A família é fundamental. Enquanto estivermos fugindo da realidade com paliativos e máscaras, o mal continuará a sair vitorioso e em festa.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Educando o espírito

Temos trabalhado há bom tempo uma visão espiritualizada e humanizada da educação, sempre acreditando que através dela faremos um mundo bem melhor. Nesse esforço lançamos a Pedagogia da Sensibilidade e a Escola do Sentimento, projetos destinados às escolas, com os quais temos desenvolvido palestras, seminários e treinamentos, sem qualquer vínculo religioso, abraçando o professorado principalmente do ensino fundamental.

Também tenho desenvolvido o Projeto Educação do Espírito, esse destinado às escolas espíritas de evangelização infantojuvenil, numa proposta pedagógica transformadora que inclui a família como um todo, envolvendo também os pais e responsáveis.

Muitos bons frutos tenho colhido, mostrando que o amor deve ser a base da educação, e que novas gerações educadas no bem e na espiritualidade conseguem renovar os padrões morais da sociedade humana, descortinando um futuro de maior justiça social, bem diferente do que temos assistido atualmente.

Tudo isso numa visão integral do ser humano, considerando-o uma alma imortal, que precisa ter seus vícios de toda ordem transformados em virtudes ativas, aprendendo a ética da convivência solidária, o amor compreensivo, a paz da fraternidade, ou seja, tudo aquilo que sempre sonhamos mas que não estávamos vislumbrando no horizonte.

Todos os projetos podem sr vistos em www.marcusdemario.wixsite.com/marcusdemario.

Devemos seguir em frente, vendo na educação o melhor caminho para renovação de ideias e ideais. Quanto mais cedo trabalharmos a humanização e espiritualidade na educação mais cedo veremos os bons frutos dessa inalienável semeadura.

Vídeo - O Jovem e a Dinâmica Educacional

O vídeo sobre educação espírita O Jovem e a Dinâmica Educacional aborda a importância da participação do jovem no processo ensino-aprendizag...