segunda-feira, 28 de outubro de 2024

A educação é a essência da doutrina espírita

Por que afirmamos que a educação é a essência da doutrina espírita? Porque ao estudarmos o Espiritismo compreendemos que ele é uma doutrina, ou seja, um conjunto de princípios filosóficos, científicos e religiosos, cuja finalidade é auxiliar o ser humano no seu melhoramento moral, para que assim tenhamos a transformação moral da humanidade. Como sabemos que todos somos Espíritos reencarnados num processo de aperfeiçoamento, estamos diante, na verdade, de um processo educacional abrangente, profundo, envolvendo nossa realidade espiritual ao longo da eternidade, dando novo significado ao existir aqui na Terra, este planeta mãe, abrigo divino que nos propicia aprendizados valiosíssimos através de provas e expiações que nos impulsionam para frente e para o alto.

É por descuidarmos da educação e confundi-la com a instrução, com a transmissão de conhecimentos, que temos assistido quadro tão difícil na sociedade humana, às voltas com altos índices de criminalidade, com corrupção, com discriminações e guerras. A educação é o desenvolvimento harmônico, equilibrado, tanto da inteligência quanto do sentimento, portanto, a educação deve ser entendida de forma integral, e não unilateral, e não pode ser atribuição exclusiva da escola, pois também envolve a família, o centro espírita e demais instituições humanas.

Ora, qual é a doutrina, com sua filosofia e estudos científicos, que melhor compreende a educação? Não temos dúvida em afirmar que é o Espiritismo, com sua visão da alma imortal, da vida futura, da comunicabilidade entre mortos e vivos, da pluralidade das existências, tudo isso com a perspectiva da lei de evolução.

Assim também entende Léon Denis, filósofo espírita e contemporâneo de Kardec, quando pronuncia na introdução de seu livro O Problema do Ser e do Destino: Uma dolorosa observação surpreende o pensador no ocaso da vida. Resulta também, mais pungente, das impressões sentidas em seu giro pelo espaço. Reconhece ele então que, se o ensino

ministrado pelas instituições humanas, em geral – religiões, escolas, universidades –, nos faz conhecer muitas coisas supérfluas, em compensação quase nada ensina do que mais precisamos conhecer para encaminhamento da existência terrestre e preparação para o Além. Aqueles a quem incumbe a alta missão de esclarecer e guiar a alma humana parecem ignorar a sua natureza e os seus verdadeiros destinos”.

Léon Denis, além de ter sido profundo estudioso do Espiritismo, foi um dos fundadores, em França, da Liga de Ensino, tendo ministrado centenas de palestras, na França e outros países, sobre educação, numa visão espiritualista que o Espiritismo lhe propiciou, portanto, temos uma palavra abalizada nessa questão.

Necessitamos entender com maior profundidade o Espiritismo como doutrina de educação, ou como obra de educação, no dizer de Leopoldo Machado, elegendo a educação como tema prioritário dos serviços do centro espírita, colocando em maior grau de importância o serviço de evangelização espírita, que deve ser entendido como serviço de evangelização espírita da família, atendendo crianças, adolescentes, jovens e adultos.

Não basta conhecer a Doutrina Espírita. Não basta frequentar o Centro Espírita. Não basta fazer parte de um grupo de estudo espírita online. Se essas coisas são importantes e úteis, mais importante e mais útil é aplicar os princípios doutrinários a si mesmo, realizando consigo o processo de educação moral, para que então sejamos conhecidos como verdadeiros espíritas, dando exemplo daquilo que estudamos e, muitas vezes, ensinamos aos outros.

Os dirigentes dos centros espíritas precisam acordar para a importância da evangelização das novas gerações, promovendo incessantemente esse serviço, e também fazendo esforços para a melhor capacitação, ou qualificação, dos evangelizadores, assim como para a melhor adaptação física dos ambientes em atendimento às especificidades das faixas etárias.

Lembremos que é princípio básico do Espiritismo a reencarnação, o nascer de novo ensinado por Jesus, e que no amanhã, nesse futuro que a imortalidade nos reserva, haveremos de retornar ao planeta, num novo corpo. Que sociedade queremos aqui encontrar? Isso depende do que estamos fazendo hoje com os Espíritos que Deus nos confia, em educá-los ou deseducá-los, pois sempre colheremos de acordo com o que semeamos.

Mãos à obra! Eduquemos com Jesus, à luz da imortalidade e da reencarnação, compreendendo que gerações não evangelizadas é que tornam a sociedade humana infeliz. 

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

O que é educação

Muitas pessoas gostam de opinar sobre a educação, mas nem sempre sabem, de fato, o que é a educação, confundindo-a, por exemplo, com o que se ensina na escola, quando a instrução, a aquisição de conhecimentos faz parte da educação, mas não é a educação. Falam de educação para o trânsito, educação da cidadania, educação para a paz, educação profissional, como se houvessem muitas educações, quando a verdade é que todas essas coisas fazem parte da educação. Há os que acreditam que somente a escola educa, deixando a família de lado, mas quando se referem à escola confundem a educação com o currículo, com a metodologia, com os conteúdos que são ensinados, quando todas essas coisas fazem parte da educação, mas isoladas não a representam. E se temos os que olham somente a escola, temos igualmente os que focam apenas na família, pois esta é que deve educar, segundo eles, dando limites aos filhos, entre outras coisas. Acontece que a educação deve estar presente na família, na escola e na sociedade, não sendo exclusividade dos pais ou dos professores, mas sendo dever de todos.

Podemos falar em pilares essenciais da educação, em valores e princípios da educação, em finalidade e objetivos da educação, contudo, compreendamos que tudo isso depende da filosofia que rege a educação. Essa filosofia pode ser materialista ou espiritualista, e é essencial que definamos qual filosofia sobre o ser humano e a vida regerá a educação, que é a formação integral do ser humano, o desenvolvimento integral do ser humano, trabalhando o cognitivo e o emocional. Mas esse desenvolvimento integral pode ser mais ou menos abrangente, mais ou menos transcendente, dependendo da filosofia que norteia a visão sobre o ser e o existir.

Façamos aqui um parêntesis: não confundamos a educação integral do ser humano com o horário integral na escola, pois são coisa bem distintas. Podemos ter horário integral, com o aluno chegando, por exemplo, às sete da manhã e saindo às cinco da tarde, envolvido por estudos e outras atividades, e não termos, de fato, educação integral. Temos visto muitas escolas de horário integral que não levam em consideração o desenvolvimento emocional, o desenvolvimento do senso moral das crianças e jovens. A carga de estudos e atividades extracurriculares é tão grande, que muitos se queixam de não ter tempo para si mesmos, para interagir com colegas e professores, estando sempre sobrecarregados por provas, trabalhos, notas, projetos. Isso não é educação integral.

Defendemos que a filosofia que rege a educação seja espiritualista, ou seja, que leve em consideração que o ser humano é uma alma imortal em evolução para a angelitude, ou perfeição, tanto intelectual quanto moral. Essa filosofia dará a ele um ideal superior de viver, impulsionando-o para utilizar sua vontade, seu querer, em se melhorar, colocando para fora seu potencial. Eis a verdadeira educação.

Que adianta ter muitos conhecimentos e ser violento? Que adianta ter diplomas escolares e ser desonesto? Inteligência e sentimento devem se dar as mãos, do contrário a educação integral não estará acontecendo.

Entre as filosofias espiritualistas existentes, elegemos o Espiritismo como a melhor, mais clara e objetiva, para reger a educação, pois a filosofia espírita explica racionalmente, e com base na observação e estudo dos fatos, o que é a alma, o que é Deus, o que acontece depois da morte, os mecanismos da reencarnação, o funcionamento da lei divina e assim por diante, numa visão que transcende o nascer, viver e morrer, mostrando que temos vida futura e que estar aqui na Terra é oportunidade valiosa para novos aprendizados e realização do progresso espiritual.

A educação, segundo o Espiritismo, abrange a formação do caráter, o desenvolvimento cognitivo, a correção de más tendências, a aquisição de bons hábitos, o desenvolvimento do senso moral, a visão transcendente sobre si mesmo e a vida. A educação deve proporcionar ao ser humano os elementos que o auxiliarão a desenvolver o potencial divino, em germe, que traz consigo, e já desenvolvido até certo ponto em existências anteriores a esta, no mecanismo da reencarnação.

Aprendemos com o Espiritismo que somente a educação pode realizar a transformação da humanidade, compreendendo que essa transformação é de ordem moral, para que a inteligência esteja voltada para o bem comum, o bem de todos. Para isso, as famílias, as escolas, as igrejas e a sociedade humana como um todo, devem se dar as mãos, num trabalho conjunto, fazendo hoje o que seremos amanhã, ou seja, trabalhando no presente a educação que fará no futuro uma humanidade bem melhor. 

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

Novas pedagogias para a evangelização espírita

 Quando a Campanha Nacional de Evangelização Espírita Infantojuvenil foi lançada, lá na metade dos anos 1970, tendo à frente o Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira, importante material pedagógico de apoio foi elaborado pelo Departamento de Infância e Juventude da FEB, surgindo as apostilas com orientações aos evangelizadores, planos de curso, planos de aula, sugestões de atividades, assim como incentivo à realização de cursos de capacitação. Tudo foi muito importante, impulsionando o movimento espírita a trabalhar pela orientação moral e espiritual das crianças e dos jovens, mas estamos fazendo uma referência histórica, voltando cinquenta anos no tempo, aproveitando para fazer um preito de gratidão a todos que naquela época trabalharam intensamente pela evangelização espírita, legando-nos contribuições valiosas. Contudo, como dissemos, cinquenta anos foram passados na ampulheta do tempo, e uma revisão se faz necessária, pois não é mais admissível que continuemos a trabalhar um currículo fechado, com evangelizadores que apenas dão aula de conteúdos doutrinários.

Currículo fechado é aquele elaborado pela coordenação, ou pela equipe de evangelizadores, estabelecendo os temas, semana após semana, que serão trabalhados nas diversas turmas da evangelização, ao longo do ano, sem que haja espaço para novas demandas, ou seja, o evangelizador recebe o currículo e já sabe, desde o início do ano, todas as aulas que deverá desenvolver até o final desse mesmo ano, uma por uma, semana após semana. O currículo fechado não permite que o evangelizador atenda demandas específicas das crianças, ou dos jovens; não leva em conta a realidade social, cultural e outras realidades dos alunos; não permite espaço para o evangelizador estender algum tema, mesmo que isso seja necessário. O currículo fechado é, pedagogicamente falando, ineficaz, está na contramão do que deve ser feito para atender as necessidades dos espíritos que compõem a nova geração.

Quanto à aula, ninguém sabe como ela surgiu e porque foi padronizada nas escolas, como também ninguém sabe porque, em média, ela tem a duração de cinquenta minutos. Hoje sabemos que os alunos devem ter ampla participação no processo de aprendizagem, afinal eles são seres que pensam e sentem e, na visão espírita, trazem intensa bagagem vinda das existências passadas. Não podem, portanto, ficarem passivos, apenas recebendo explicações do evangelizador, que não faz outra coisa a não ser tentar ensinar, muitas vezes sem uma boa didática, sem a utilização de uma metodologia atraente, criativa e participativa.

Diante desse quadro, de uma certa estagnação nos procedimentos pedagógicos da evangelização espírita, é natural que as crianças e os jovens se sintam desmotivados, provocando o fenômeno do esvaziamento dessa atividade no Centro Espírita, pois a falta de dinamismo e de participação no processo, faz com que não queiram mais frequentar a evangelização espírita.

Sabemos que outros fatores também contribuem para esse esvaziamento, que a questão pedagógica não é a única vilã, mas temos que é um fator muito importante, e que o serviço de evangelização espírita necessita absorver novos olhares pedagógicos, novas metodologias, renovando-se para poder ser mais eficaz e atraente.

Na questão curricular, por que não trabalhar por eixos temáticos, ciclos e participação mais ampla das crianças e jovens? Temos uma boa proposta nesse sentido da educadora espírita Lucia Moysés, como vemos em seu livro A Evangelização Mudando Vidas, lembrando que Lucia Moysés é pedagoga, tendo trabalhado amplamente nessa área na Universidade Federal Fluminense. Outra proposta encontramos com o educador espírita Walter Oliveira Alves, também pedagogo e professor universitário, em sua obra Prática Pedagógica na Evangelização, em três volumes, trabalhando a educação do espírito e o desenvolvimento intenso das mais diversas artes.

Quanto à aula, propomos que o evangelizador seja um facilitador e orientador do processo de aprendizagem, ou em outras palavras, seja um tutor das crianças e jovens, colocando-os para trabalhar em grupos de estudo e pesquisa, desenvolvendo projetos com base nos eixos temáticos, assim fazendo da sala de aula um espaço de aprendizagem coletiva, evitando dar aula, mas incentivando os evangelizandos a fazerem suas próprias descobertas, numa nova dinâmica, amplamente participativa.

Seja como for, pois temos diversas novas propostas pedagógicas a serem estudadas e levadas em consideração, que o serviço de evangelização espírita das novas gerações nunca deixe de priorizar, na teoria e na prática, a formação do caráter, a vivência dos ensinos morais de Jesus, para que possa ocorrer em mais brteve tempo a transformação moral da humanidade.

Pensemos, e coloquemos em ação, novas propostas pedagógicas para a evangelização espírita.

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

O que eu posso fazer

Estamos diante de uma humanidade com muitos paradoxos: comunicação global instantânea e ao mesmo tempo milhões de pessoas na miséria; pedidos de paz nas relações humanas e guerras espalhadas por várias nações; ações humanitárias de organizações não governamentais e corrupção envolvendo autoridades públicas. E poderíamos continuar essa lista colocando lado a lado muitas coisas boas com muitas coisas ruins. Isso nos mostra que, realmente, o mundo está precisando de mudança, e mudança para melhor, onde não tenhamos tantas desigualdades, tantas contradições.

A pergunta que se faz é o que eu posso fazer para mudar o mundo, ou seja, o que eu, individualmente, posso fazer, mesmo não tendo em minhas mãos o poder que certas pessoas têm de conseguir mobilizar os meios de comunicação, ou não tendo autoridade política para tomar decisões que impactam boa parcela da humanidade. O que eu, uma pessoa comum, posso fazer? Diante dessa pergunta talvez muitas pessoas pensem que, se podem fazer alguma coisa, essa alguma coisa seria bem pequena e nada impactante para realmente poder mudar o mundo. Será isso uma verdade?

Somos parte de uma coletividade e nossa ação individual é muito importante, pois a soma das ações individuais e dos pensamentos direciona a coletividade à qual pertencemos, a influencia em maior ou menor escala, então não podemos ficar acomodados e omissos, ainda mais diante das tecnologias de comunicação hoje disponíveis, que nos conectam de forma instantânea, como podemos constatar com as redes sociais. Quantas vezes já não assistimos uma ação individual numa rede social viralizar e se tornar um fenômeno mundial? Mas podemos, igualmente, mobilizar a vizinhança para uma ação coletiva na comunidade em que vivemos. Existem mil modos de agirmos para melhora da sociedade e, portanto, da humanidade.

Como espírita, temos consciência da lei da reencarnação, quando, por força da necessidade de darmos continuidade aos nossos aprendizados, e muitas vezes tendo que reparar algo realizado em existência anterior, aqui retornamos como construtores de nós mesmos e da sociedade em que vivemos. Para Deus, nosso Pai e Criador, devemos ser participantes ativos da vida, verdadeiros co-criadores, procurando utilizar a inteligência para construção do bem e do belo, ao mesmo tempo em que devemos nos elevar moralmente, com a observação das virtudes, tais como a humildade, a caridade, a bondade, a solidariedade, o respeito, entre outras.

Somos espíritos reencarnados, seres humanos com responsabilidades individuais e coletivas perante a lei divina, que nos projeta para a perfeição, para a felicidade. Somos dotados de livre arbítrio, dessa maravilhosa faculdade de fazer escolhas, mas é da lei divina que devemos sempre assumir as consequências dessas nossas escolhas, então temos diante de nós a sociedade que construímos com nossas escolhas passadas e presentes, tendo no hoje oportunidade de realizar mudanças, transformações, visando uma humanidade melhor no futuro mais imediato ou mais distante, lembrando que será necessário nascer de novo, ou seja, retornar a este mundo pela lei da reencarnação. E que mundo queremos nos receba nesse amanhã?

É simples lançar a culpa por todos os males sociais nas autoridades públicas, nos empresários gananciosos. Sim, eles, muitas vezes, carregam parcela expressiva dessa culpa, mas não com exclusividade. Individualmente também somos um tanto quanto egoístas, orgulhosos, vaidosos, hipócritas, corruptos, afinal a maioria esmagadora está na condição de espírito imperfeito, lutando contra vícios que desonram o caráter. Nossa ação, mesmo em menor escala, e aparentemente não tão nociva, não passa despercebida pela lei divina, que também leva em conta nossas boas ações, nossas intenções em fazer o bem ou, ao contrário, deixar as coisas do jeito que estão.

Então, sim, eu posso fazer alguma coisa, e de relevância, para mudar o mundo. Eu posso procurar me dar bem com familiares e vizinhos, amigos e colegas de trabalho, evitando brigas, desentendimentos, e estabelecendo a cordialidade, a solidariedade, o respeito e o entendimento. Eu posso mobilizar pessoas para auxílio a quem está desempregado, a quem está adoentado, a quem está passando por dificuldades, necessitando de uma mão amiga. Eu posso esclarecer, consolar e orientar sempre a favor da vida, combatendo o suicídio, a pena de morte, a eutanásia e o aborto. Eu posso exercer minha cidadania, com ética, junto aos representantes públicos do executivo, legislativo e judiciário para que eles respeitem o povo, para que trabalhem visando o bem comum.

E eu posso, e devo, procurar insistentemente ser um bom exemplo para os outros, para as novas gerações, para que minhas palavras, meus pensamentos, sejam sempre úteis, concretizando-se em ações visando o melhor para a coletividade, cumprindo assim minha missão neste mundo, que é de me aperfeiçoar e contribuir pelo progresso geral, priorizando a educação, humanização e espiritualização minha e de todos.


Vídeo - O Jovem e a Dinâmica Educacional

O vídeo sobre educação espírita O Jovem e a Dinâmica Educacional aborda a importância da participação do jovem no processo ensino-aprendizag...