segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Em busca de si mesmo


Marcus de Mario

Muitas pessoas não sabem quem são, não tem uma ideia muito definida sobre seu potencial e o que devem fazer na vida, deixando-se levar pelo dia a dia do trabalho profissional, do cuidar dos filhos, do desfrutar dos prazeres e emoções passageiras, tendo metas que não ultrapassam o viver corporal e material, embora todos saibamos que um dia a morte irá nos arrebatar desta vida, mas como isso aparentemente está longe de acontecer, vai-se vivendo sem um olhar para o futuro espiritual que nos aguarda, como demonstra e ensina o Espiritismo. Equivocam-se os que assim pensam, pois a morte, melhor denominada de desencarnação pela Doutrina Espírita, não tem tempo certo para acontecer, podendo chegar em nossa infância, adolescência, juventude, madureza ou velhice, ou seja, em qualquer tempo e em qualquer circunstância. Sendo isso historicamente comprovado, com as gerações se sucedendo, por que não pensamos nessa realidade da vida?

Enquanto vivemos neste mundo corporal, precisamos fazer esforços pelo nosso aperfeiçoamento intelectual e moral, para que possamos retornar ao mundo espiritual melhor preparados, com acréscimos de crescimento espiritual, tendo bem utilizado a oportunidade reencarnatória que nos foi concedida por Deus. Estar na Terra é uma experiência muito válida para desenvolvimento do nosso potencial divino, onde o passado, ou seja, as existências anteriores, não fica perdido, pelo contrário, pois todos trazemos ideias inatas e tendências de caráter que são fruto dessa multiplicidade existencial.

Lembra-nos o educador espírita Walter Oliveira Alves, em seu livro Educação do Espírito, que “é indispensável valermo-nos das conquistas passadas para, através do esforço e do trabalho no presente, amparado no ideal superior elevado e nobre, construirmos gradativamente nosso futuro”.
Do passado trazemos uma bagagem de vivências e aprendizados; no presente temos oportunidade de ação e trabalho, renovando ou não essa bagagem; no futuro teremos a colheita e a oportunidade de novas conquistas. Como vemos, as encarnações são solidárias entre si, e é no hoje que devemos encontrar a nós mesmos, compreendendo que esse encontro é interior, não adianta procurar quem somos em ações e coisas exteriores. O meu eu não é corporal, é espiritual.

Somos maravilhosas criaturas criadas por Deus, tendo por destino a perfeição, mas alcançá-la só depende de mim mesmo, e não dos outros ou das coisas que posso ter ou posso experimentar. A busca de mim mesmo exige que eu faça um encontro comigo mesmo, a sós, meditando e sentindo o potencial divino que está em mim, e então vivendo mais plenamente quem sou: espírito imortal e reencarnado.
Referindo-se à criança, fase pela qual todos passamos, Walter Oliveira Alves ainda lembra que “os estímulos exteriores vão acordando gradativamente as potências já desenvolvidas no passado. É necessário, pois, acompanhar o desenvolvimento natural e progressivo da criança, oferecendo-lhe os estímulos necessários, não somente para “acordar” o potencial que se encontra temporariamente “adormecido”, corrigir impulsos mal direcionados, como também para desenvolver, a partir daí, as demais potências da alma”.

Em outras palavras, o processo de descoberta de si mesmo deve ter início na infância, facilitando a adaptação do Espírito à humanidade, permitindo que ele seja um transformador moral da mesma, a partir de sua própria transformação, consciente de sua realidade imortal. Naturalmente isso não será pleno se ficar apenas no campo teórico, pois não adianta acumular conhecimentos e horas de meditação sem vivenciar as própria experiências, sem transformar impulsos e tendências, sem ampliar o potencial divino através do relacionamento cotidiano com os outros.

Nesse entendimento, afirma Walter:
Assim, o cristão somente estará aprendendo o Evangelho de Jesus à medida em que vai mudando a si mesmo, acomodando as suas estruturas inferiores aos ensinamentos novos que está querendo assimilar. Resumindo, não basta saber de cor os ensinamentos do Cristo, é preciso interiorizar esses ensinamentos nas estruturas profundas do Espírito, para que venhamos a viver conforme esses mesmos ensinamentos. Não basta saber, é preciso ser.

Eis o que nos ensina o Espiritismo. Esforcemo-nos para sermos verdadeiros espíritas, verdadeiros cristãos, se queremos ser felizes hoje e, com certeza, também amanhã.

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