Temos assistido diariamente escândalos os mais diversos, tais sejam os da corrupção, da violência, do desrespeito aos direitos humanos, da destruição da natureza, da criminalidade, atingindo patamares que nos assustam, num cortejo incessante de hipocrisia, egoísmo, orgulho, prepotência, vaidade por parte de muitas pessoas, enquanto outras se mostram indiferentes, dando-nos a impressão que o mal dominou as mentes e os corações, lembrando que deixar de fazer o bem quando se pode fazê-lo, já é um mal. O que está acontecendo? Onde encontrar o remédio para tantos males que flagelam a sociedade humana?
Muitas autoridades públicas, senão a maioria, alardeiam projetos de segurança pública, de distribuição de renda, de novas leis, principalmente em tempos que antecedem as eleições, sem que, de fato, vejamos indícios de melhora, mesmo quando esses projetos são colocados em prática. Por que essas práticas falham? O que está faltando?
Temos em nosso entendimento que o remédio que está sendo aplicado é ineficiente, por conta de não ser adequado à moléstia, não atingindo a causa. Muitas vezes combatemos os efeitos, numa batalha previamente perdida, pois se a causa não for atingida, não haverá solução, mas apenas paliativo, o que fará com que a causa do mal volte mais tarde, e ainda com mais força. E qual é a causa? Pelos seus efeitos podemos reconhecê-la: o egoísmo. O que estamos vivenciando é uma crise moral, ou crise de valores, vendo o ser humano pensar apenas em si e nos seus interesses, ou, quando muito, nos interesses do grupo ao qual pertence. Quem assim se movimenta, não é sensível ao coletivo, pois o egoísta não quer saber de fraternidade, solidariedade e caridade, agindo apenas a seu próprio proveito, alimentando o egoísmo com sua visão materialista da vida, ou seja, que é preciso usufruir agora, antes que a morte chegue, pois que ela representa o fim. Então, o indivíduo se lança na luta pelo poder, pelo acúmulo de riquezas, não medindo esforços, e pouco ou nada se preocupando com o prejuízo que causa aos outros.
Com o Espiritismo passamos a ter outra visão sobre a vida, não mais considerando a morte como o fim, e sim como continuidade, pois o espírita entende que o ser humano é uma alma imortal, e que existe o mundo espiritual, que nada mais é que outra dimensão da vida, onde a alma continua seu progresso, até ter a necessidade de nova experiência corporal na dimensão material da vida, e assim sucessivamente, neste e em outros mundos, até atingir, com o tempo, o estado de pureza espiritual. A solidariedade e a fraternidade passam a ter novo valor, assim como a caridade e a humildade, valores muito importantes para solução dos problemas sociais, pois adentram ao campo moral, e estamos certos que a crise atual não é política ou econômica, e sim de ordem moral.
Os Espíritos Superiores são taxativos ao afirmarem que somente a educação moral pode destruir o egoísmo, portanto, a solução da atual crise passa pela aplicação continuada, perseverante, da educação moral. Não se trata de ensinar moral na visão desta ou daquela religião ou filosofia, e sim de estudar, compreender e praticar as regras de conduta ensinadas por Jesus e que constam do Evangelho: perdoar as ofensas, amar a Deus, fazer sempre o bem, amar ao próximo, respeitar o direito do outro, e assim por diante, que o Espiritismo resgatou em espírito e verdade, sem nenhum viés teológico ou ideológico, apenas apondo a imortalidade da alma e a reencarnação como princípios salutares que elucidam os ensinos do guia e modelo da humanidade.
A educação moral é aquela que combate as más inclinações de caráter que o espírito esteja trazendo, ao mesmo tempo em que trabalha pelo desenvolvimento do seu potencial divino, colocando em prática a arte da formação do caráter e do estabelecimento dos bons hábitos de previdência, ordem responsabilidade, que levarão a pessoa a se melhorar moralmente, assim contribuindo com a melhora moral da sociedade.
A família, a escola e demais instituições humanas, precisam engajar-se no trabalho da educação moral junto à sociedade como um todo e, em destaque, junto às novas gerações, pois sem a educação moral estaremos combatendo apenas os efeitos, mantendo o egoísmo imune, o verdadeiro causador de tantos problemas que mancham a humanidade terrena.
Diante da crise moral de nossos tempos, o remédio eficaz também deve ser moral, e ele está todo contido na educação bem entendida, que vai muito além do ensinar e aprender conhecimentos, pois é urgente entendermos a educação como formadora da alma imortal, trabalhando a ética, a empatia, a resiliência e o amor ao próximo, como pilares essenciais para renovação das pessoas e da coletividade em que estão inseridas.
A educação moral é a única força capaz de destruir o egoísmo e resolver a crise moral que estamos vivendo.
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