Trabalhar o Evangelho com as crianças não é catequizá-las através desta ou daquela interpretação doutrinária, e sim ligá-las aos eninos morais de Jesus, ensinos esses que não ostentam bandeira de nenhuma igreja, de nenhuma denominação cristã, pois esses ensinos são universais, são o ponto de encontro de todas as religiões. Tomemos como exemplo o fazer ao outro somente o que desejamos que o outro nos faça, que é a base da melhor convivência humana. É, seguramente, a regra de ouro da educação, aprendizado valiosíssimo que serve para cristãos e não cristãos, podendo e devendo ser aplicado em todas as épocas e em todos os lugares. Por esse motivo, o Espiritismo não veio ensinar uma nova moral, e sim resgatar o que o Cristo nos ensinou, revivendo suas sublimes lições, e concitando aos adeptos colocarem em prática, no dia a dia, essas lições.
Com esse entendimento, destacamos a necessidade e importância da evangelização espírita, abrangendo da criança ao adulto, pois está faltando amor nos corações, está faltando sentimento nas ações, está faltando Jesus como guia e modelo. Não falta conhecimento, embora este nem sempre seja o melhor, mas é fato que somente conhecer não basta, é necessário sentir, deixando que a mensagem evangélica sensibilize a alma, pois somente assim conseguiremos combater e destruir o egoísmo que ainda trazemos e, muitas vezes, alimentamos.
A educação evangelizada nada mais é do que aquela defendida por Allan Kardec nas páginas de O Livro dos Espíritos, ou seja, a educação moral. Não se trata de uma educação moral teórica, nem de uma educação intelectualizada que acumula conhecimentos, e sim de uma educação dinâmica que, ao mesmo tempo, combate as más tendências de caráter e desenvolve as virtudes, que faz pensar e direciona o caráter para o bem de todos. A educação moral desenvolvida nas instituições espíritas deve ter por base as leis morais estudadas na terceira para de O Livro dos Espíritos, e o conteúdo de O Evangelho Segundo o Espiritismo, num manancial amplo e profundo, mesmo inesgotável, para a melhor preparação das novas gerações e a felicidade futura da humanidade.
Devem os evangelizadores espíritas unir a boa vontade com o amor e com o conhecimento, estudando a Pedagogia, a Psicologia e outras ciências correlatas, estudo esse feito individualmente e em grupo, assim como devem estudar a Pedagogia Espírita, pois o Espiritismo é uma filosofia que, através da imortalidade da alma e da reencarnação, transforma a educação. O estudo é imprescindível, para melhor conhecimento da Doutrina Espírita, assim como da metodologia, da didática, da criatividade e tudo o mais que está inserido no processo educacional, e que não pode ser colocado em segundo plano.
Se estamos às voltas com a violência, com a corrupção, com o fanatismo, com o radicalismo, o que nos tem assustado e causado muita apreensão, se não evangelizarmos, a tendência é que tudo isso, com o tempo, piore, mas podemos evitar que isso aconteça, priorizando os ensinos morais de Jesus, debruçando-nos ativamente pela Educação do Espírito, pois as crianças de hoje serão os adultos de amanhã, e esse futuro nos envolverá, queiramos ou não, pois fazemos parte da sociedade. Tratemos de evangelizar, de sensibilizar, de desenvolver a empatia e a resiliência nesses corações, para que entendam que para todo direito há um dever a cumprir, para toda liberdade há uma responsabilidade a assumir.
Criança evangelizada é criança amorosa, é criança que pensa em todos e não somente em si mesma, tendendo a ser um adulto que vai promover a justiça social, colocando em prática o amai-vos uns aos outros, porque aprendeu na infância, graças aos esforços dos seus educadores, inclusive dos evangelizadores espíritas.
Criança evangelizada é sinônimo de adulto responsável. Criança evangelizada é o futuro pai ou mãe que saberá promover a educação moral dos filhos. É assim que, de geração a geração, a humanidade melhorará, num processo contínuo, em harmonia com a lei divina do progresso.
Por tudo isso, chamamos a atenção dos dirigentes das instituições espíritas sobre a evangelização, que deve ser uma prioridade. Quanto mais adiarmos essa tarefa, ou a considerarmos de menor importância, mais estaremos nos prejudicando, pois, diante da reencarnação, haveremos de ter de retornar ao planeta, e devemos nos perguntar: que sociedade, nesse futuro, gostaríamos de encontrar? Isso depende da semeadura que estamos fazendo hoje.
Evangelizemos para salvar! Essa é a necessidade e a prioridade do momento, e de todos os tempos.
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