O Espiritismo ou Doutrina Espírita surgiu por meio de um livro lançado em 18 de abril de 1857, assinado por Allan Kardec, trazendo ensinos dos Espíritos através de diversos médiuns, assim constituindo O Livro dos Espíritos, considerada a obra básica, imprescindível, para se conhecer a doutrina. Na sequência, Kardec lançou a Revista Espírita, periódico mensal que teve sua direção por doze anos, num manancial muito rico de estudos e informações, assim como lançou outros livros: O Que é o Espiritismo, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese. E ainda temos, como publicações ocorridas após sua desencarnação, os livros Viagem Espírita em 1862 e Obras Póstumas. No total, considerando cada ano da Revista como um livro, temos 20 publicações literárias, enfeixando conteúdos sobre o Espiritismo e suas consequências na vida humana.
Se somarmos a isso os livros dos autores contemporâneos de Kardec, como, por exemplo, Léon Denis, Gabriel Delanne, Camille Flammarion, assim como outros autores que vieram depois, e ainda somando a literatura mediúnica que foi desenvolvida ao longo do século vinte, temos um manancial literário imenso que, para fazermos uma ideia dessa riqueza, basta citar a produção dos médiuns Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco que, juntos, somam aproximadamente 700 livros psicografados. Uma pesquisa no catálogo das principais distribuidoras do livro espírita nos lança num universo de três a quatro mil livros classificados como espíritas, de autores encarnados e desencarnados (Richard Simonetti e José Herculano Pires, só para citarmos esses dois autores, nos legaram mais de 100 obras).
Diante desse cenário literário imenso, não há como negar que o conhecimento correto e aprofundado do Espiritismo deve ser feito através da leitura, estudo e meditação do conteúdo dos livros espíritas, principalmente dos livros de Allan Kardec, que são a base do edifício doutrinário.
Na atualidade, temos o livro em dois formatos principais, o impresso (ou físico) e o digital, mas também temos o áudio book. Seja qual for a modalidade, um livro sempre será um livro, e não há como substituí-lo por vídeos curtos ou de palestras, que, necessariamente, têm por base o conteúdo dos livros, pois quem fala deve demonstrar conhecimento, e o conhecimento é obtido através de estudo, que, por sua vez, é feito por meio dos livros.
Segundo dados publicados pelas editoras e distribuidoras do livro espírita, as tiragens estão diminuindo. O lançamento de um livro obtinha, há dez ou quinze anos, a expressiva tiragem de 5 a 10 mil exemplares, hoje está no máximo em 3 mil exemplares, indicando acentuada queda nas vendas, com a diminuição da procura. Muitos Centros Espíritas deixaram de ter livraria, pois alegam que os frequentadores substituíram a leitura do livro por vídeos na internet.
Esses dados são muito preocupantes. Como podemos aprender uma doutrina que toca em todos os ramos do conhecimento humano, trazendo a informação da nossa realidade espiritual, se não estamos dando atenção e importância à leitura e estudo através da riqueza da literatura espírita?
Muitos coordenadores de grupos de estudo da Doutrina Espírita, sejam presenciais ou online, reportam a dificuldade em fazer com que os participantes leiam e estudem previamente, durante a semana que antecede a reunião do grupo. A maioria simplesmente não lê o tema de estudo, não se prepara adequadamente, não pesquisa, não faz leituras complementares, mesmo quando elas são indicadas, obrigando o coordenador a ter que ensinar, quando ele deveria ser um estimulador, facilitador e orientador do processo interativo de aprendizagem do Espiritismo.
Os dirigentes espíritas precisam urgentemente entender a necessidade de campanhas permanentes de incentivo à leitura do livro espírita; de estímulo à participação em grupos de estudo; de orientação sistematizada para esclarecimento da importância das obras básicas, ou seja, as obras assinadas por Allan Kardec.
Não é possível conhecer uma doutrina como o Espiritismo com leituras superficiais, ou apenas assistindo vídeos, por melhor que sejam, na internet. O livro espírita é imprescindível, e ele precisa não apenas ser lido, mas ser estudado e meditado.
Repetimos: o livro espírita, a partir das obras de Kardec, é a segurança para o melhor entendimento e vivência do Espiritismo.