Temos assistido com bastante preocupação, uma enxurrada de vídeos nas redes sociais sobre o Espiritismo, mas que trazem ideias que nada tem a ver com a Doutrina Espírita, tratando-se, em verdade, de interpretações pessoais, de acomodações indevidas do pensamento espírita a interesses próprios. Muitas falas contradizem francamente os princípios espíritas, conforme estão muito bem estabelecidos nas obras de Allan Kardec, que são a base do Espiritismo. Muitas pessoas, com ares de grande sabedoria, chegam mesmo a criticar Kardec, a encontrar erros nos Espíritos Superiores; outros vivem contextualizando os ensinos da codificação espírita com os tempos atuais, proclamando a necessidade de atualização dos textos; outros ainda rejeitam as produções mediúnicas; e o que é mais escandaloso, encontramos vídeos em que os princípios espíritas são adaptados às conveniências da pessoa, ou seja, são deturpados para defender uma posição pessoal ou de grupo.
Ainda temos que destacar, infelizmente, as afirmações gratuitas que são feitas com a citação de nomes de autores espíritas ou de médiuns, sem que a fonte seja declarada, ou seja, sem que se mostre a referência. Afirma-se que fulano disso aquilo, e pronto! Mas se disse, onde e quando disse? Se disse, onde está publicado? Há uma ocultação, deliberada ou não, da bibliografia doutrinária, sem que os livros espíritas apareçam.
Precisamos tomar muito cuidado. Não é porque um palestrante espírita afirmou isso ou aquilo, que devemos acreditar cegamente. Não é porque um espírito disse isto ou aquilo, que devemos confiar nele cegamente. Isso é dar provas de pouco estudo, de pouco conhecimento do Espiritismo, pois Allan Kardec sempre nos alertou que tudo deve passar pelos crivos da lógica, do bom senso, da razão e da universalidade do ensino dos espíritos. E como temos as obras básicas norteando nosso conhecimento, toda e qualquer fala deve ser comparada aos ensinos contidos nessas obras, e se estiver em desacordo, deve ser rejeitada.
Temos assistido dois fenômenos principais na divulgação do Espiritismo: primeiro, falta de estudo e conhecimento; segundo, inserção de ideias e interpretações pessoais.
A falta de estudo, que deve ter início com as obras assinadas por Allan Kardec, que nunca devem ser abandonadas, pelo contrário, devem ser lidas, estudadas e meditadas por toda a vida, acarreta males incontáveis na divulgação e prática do Espiritismo.
As ideias e interpretações pessoais devem ficar restritas aos que pensam em contrário ao Espiritismo, que não devem falar em nome do mesmo, pois falam por si próprios. Que essas pessoas se declarem espiritualistas, mas não espíritas.
Muitas pessoas são facilmente influenciáveis, acreditando no que estão assistindo e ouvindo, pois não sabem utilizar a razão, têm dificuldade em discernir entre o falso e o verdadeiro, e assim são enganadas por esses aproveitadores da boa fé. Frequentam o centro espírita, mas não estudam o Espiritismo, conhecendo-o superficialmente através das palestras nas reuniões públicas, e quando fazem parte de um grupo de estudo, normalmente ficam na dependência do facilitador, pois não criaram o hábito salutar da leitura e da meditação sobre o que estão lendo.
É necessário que os dirigentes das instituições espíritas priorizem a necessidade do estudo do Espiritismo, mantendo campanha permanente para mostrar essa necessidade e importância, fazendo todos os esforços para levar os frequentadores ao conhecimento mais aprofundado. Nesse esforço, a existência e funcionamento regular de uma biblioteca e de uma livraria são fundamentais. Agora, não adianta manter esses serviços sem fazer a sua divulgação constante. A livraria pode funcionar com uma coleção básica de livros, nunca faltando as obras da codificação espírita, e disponibilizando um catálogo para que os interessados possam fazer suas encomendas, ou seja, a livraria pode funcionar por demanda, sem necessidade de estoque, que nem todo centro espírita pode fazer.
Somente o conhecimento real do Espiritismo, por meio do estudo sério e aprofundado, pode minimizar os estragos que falsos espíritas estão fazendo pelas redes sociais e pelas transmissões online.
O assunto é sério e demanda esforços contínuos e corajosos dos verdadeiros espíritas, para que o Espiritismo, com o tempo, não seja descaracterizado, o que poderá acontecer se ficarmos omissos na defesa da Doutrina Espírita.
Um comentário:
Muito boa reflexão.
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