Podemos fazer uma comparação que nos servirá de exemplo para melhor entendimento. Imaginemos que um homem comprou um bom pedaço de terra para ali construir sua casa e cultivar sua lavoura. Acontece que a terra comprada está inculta, repleta de árvores, plantas, ervas daninhas, pedras, impossibilitando assim qualquer plantio. O que fará o homem? Pacientemente trabalhará para limpar o terreno, o que lhe exigirá esforço, sacrifício e tempo. Em seguida terá que adubar a terra. Depois providenciará um sistema de irrigação, pois sem água será impossível qualquer tentativa. Confiante no seu trabalho, com perseverança alcançará bons resultados, e o terreno que antes era puro matagal entre pedras, tornar-se-á um belo sítio.
Assim igualmente com a Terra, do ponto de vista moral. Combater e destruir o egoísmo, a maiar chaga da humanidade, leva tempo e exige muito esforço pessoal, pois esse combate deve ter início conosco mesmo e não pode mais ser adiado, afinal o Evangelho já está conosco há mais de dois mil anos.
É urgente adentramos à vinha do Senhor, ou seja, é urgente permitirmos que seus ensinos morais nos transformem.
Seja onde estivermos, esteremos na vinha do Cristo, pois ele é o enviado de Deus para nos ensinar a lei de amor, e conosco está desde tempos imemoriais, auxiliando-nos para chegarmos também à perfeição. Estejamos, pois, com ele.
Todo aprendizado evangélico precisa ser seguido pela vivência do mesmo junto às outras pessoas, pois se assim não acontecer, teremos apenas conhecimento acumulado, e nada mais.
É muito cômodo aguardar que Jesus faça o que é de nossa competência, ou que os benfeitores espirituais realizem o que é nosso dever realizar.
Se discursar sobre o Evangelho tem sua validade, todo discurso que não é acompanhado do exemplo, perde força diante do Cristo, que aguarda pelas nossas obras no amor e na caridade, traduzindo seus ensinos em benefícios para todos.
Sem o empenho de nossas energias, pouco adiantará clamarmos aos céus por dias melhores.
Sem o empenho de nossas energias, o aperfeiçoamento espiritual que podemos realizar, ficará perdido.
Sem o empenho de nossas energias, o mal continuará sua presença no mundo.
Precisamos nos esforçar em construir o reino dos céus na Terra, ou seja, construir o reino espiritual, com o Cristo, neste mundo em que nos situamos, por meio de nossos esforços em nos tornarmos cada vez mais espiritualizados, levando os outros, através do nosso exemplo, a também alavancarem o processo de espiritualização de si mesmos.
Necessitamos não somente de apontamentos e observações em torno da Boa Nova, isso porque somente discursos não haverão de regenerar as pessoas. Necessitamos do trabalho incessante na seara do bem, a iniciar por nós mesmos, que não podemos mais ficar à margem das necessidades individuais e coletivas que se traduzem em dores e sofrimentos os mais variados em toda a humanidade.
Deus, nosso Pai, aguarda façamos nossa parte na divulgação e exemplificação do Evangelho e da imortalidade da alma, indo além do discurso, trabalhando com todas as nossas energias para a renovação de valores e ideais, nossos e de todos.
Se devemos respeitar o livre arbítrio e o tempo de cada pessoa, isso não significa que devamos deixar que as traças e as ferrugem tomem conta de nossas energias na vivência do amor.
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