A humanidade está repleta de pessoas que só sabem reclamar; outras que carregam mágoas, ressentimentos, frustrações; ainda outras que se comprazem na hipocrisia; e ainda pessoas alimentadoras do ódio e da violência; sem nos esquecermos daquelas outras para quem corromper e burlar as leis é lema de vida. E assim temos uma variada e extensa classificação das pessoas que fazem mal a si mesmas e aos outros, nos mais diversos níveis de profundidade. Essas pessoas assemelham-se a casas construídas em bancos de areia e com telhado de vidro, isso porque não são bom exemplo para ninguém, e a qualquer momento podem cair, face aos escândalos que promovem ou em que estão inseridos. Pobres homens e mulheres que se deixam levar pelas ilusões do mundo, e também pelo egoísmo e orgulho que os tornam cegos para a realidade espiritual da vida.
Entretanto, não basta lastimá-los, nem lastimar a nós mesmos, pelas imperfeições que ainda carregamos. Algo precisa ser feito para mudar esse quadro vivencial, e esse algo responde pelo nome educação moral, que, de imediato, solicita-nos o exercício do autoconhecimento e da autoeducação. Alguém, e isso se perdeu na história, escreveu no pórtico de entrada da cidade de Delfos, lá na Antiga Grécia: Conhece-te a ti mesmo. O filósofo Sócrates, em visita à cidade, maravilhou-se com essa inscrição, e a tomou para si, desenvolvendo seu pensamento a partir de profundas meditações sobre sua pessoa, descobrindo seu potencial espiritual, e trabalhando incessantemente para se melhorar, para se tornar uma pessoa de bem.
Recordemos que muitas pessoas ficaram escandalizadas com os ensinos de Sócrates, acusando-o de corromper a juventude grega com ideias espiritualistas que não teriam fundamento, que subverteriam a ordem social estabelecida. Ele foi julgado e condenado à morte por ingestão de substância venenosa. Seus discípulos e sua esposa ficaram muito aborrecidos e queriam realizar sua fuga da prisão, mas ele, serenamente, informou-os que cumpriria a sentença, mesmo sendo injusta, pois acreditava no que ensinava, e a morte apenas faria com que ele reencontrasse os amigos e familiares que já estavam no além túmulo.
Seus ensinos e exemplos foram tão dignificantes, que suas palavras, transcritas em diversos livros pelo seu discípulo Platão, são estudadas até os dias de hoje. Infelizmente elas estão mais no âmbito acadêmico das discussões intermináveis, não se traduzindo em aplicação prática do “conhece-te a ti mesmo”. Temos perdido oportunidades em implantar e desenvolver a educação moral, e isso desde a antiguidade grega.
Veio então Jesus Cristo, e já se vão dois mil anos, afirmando que devemos amar ao próximo como a nós mesmos, o que somente é possível realizando o exercício salutar do autoconhecimento, permitindo que nos amemos tais quais somos, para então conseguir amar o próximo como ele é. Esse exercício é o que a educação moral desenvolve, mas criamos uma forte zona de conforto, estacionando na reclamação, na mágoa, na hipocrisia, na violência, na corrupção, no escândalo e outros males, mantidos por um caráter vicioso, dúbio, ligado somente ao aqui e agora imediatos, sem pensar nas consequências.
O tempo passou e surge o Espiritismo na metade do século dezenove. Comparece então o espírito Santo Agostinho para dizer da necessidade do autoconhecimento e como realizá-lo, o que você, leitor, poderá ver na questão 919a de O Livro dos Espíritos, que não vamos transcrever, pois ela merece leitura completa, muita reflexão, e disposição em sair da teoria para a prática, com o seu, e com o nosso esforço pessoal.
A verdade é que Sócrates, Jesus Cristo e Santo Agostinho, assim como vários outros personagens gravados pela história, defendem a aplicação da educação moral, pois ela é a única força capaz de destruir o egoísmo, fazendo com que o ser humano substitua os males que aqui listamos, pela caridade, bondade, fraternidade, solidariedade, abnegação, devotamento, numa palavra, pelo amor, que o fará não apenas a amar a si mesmo e ao próximo, mas também a amar a Deus acima de todas as coisas, como aprendemos com o Evangelho.
Somente a educação moral poderá melhorar a humanidade, isso porque, aplicada, melhorará as pessoas, que então farão a diferença, elevando a condição humana para patamares mais celestiais, onde o amor substituirá os vícios de caráter que hoje trazemos e que, seja dita a verdade, são alimentados pela educação falseada que temos desenvolvido.
A questão, como podemos entender, está toda na educação. Quando a compreendermos na amplitude da educação moral, teremos a solução para todos os males.
Nenhum comentário:
Postar um comentário