Marcus De Mario
Um amigo, diretor de um centro espírita, narrou-nos a seguinte história:
“O centro estava em obras, com ampliação e reforma de sede, e havíamos em diretoria decidido da necessidade das janelas existentes serem trocadas, assim deixando tudo igual, tanto na parte já existente, que estava sendo reformada, quanto na parte nova em fase final de construção. Para isso fizemos campanha específica para arrecadação financeira referente à compra e instalação das novas janelas. Depois de um tempo, e com o auxílio de todos, conseguimos o dinheiro, e eu fiquei encarregado de comprar as janelas, que seriam confeccionadas em alumínio por um serralheiro. No dia marcado, fui até a serralheria, levando as medidas e o modelo. O serralheiro me atendeu e combinamos tudo, inclusive o preço, que já era o esperado. Foi então, meu amigo, que cometi um deslize. Ele me perguntou se ia querer ou não a nota fiscal, e eu disse que sim, por causa da contabilidade do centro espírita, mas ele informou que sem a nota fiscal poderia dar um desconto, pois não pagaria nenhum imposto. Bem, na mesma hora pensei no minguado caixa da instituição, o quanto é sacrificial fazer arrecadação financeira, e não titubeei: combinei e paguei o valor sem a nota fiscal. Saí dali todo satisfeito, mas no meio do caminho de volta ao lar, pensei: o que acabei de fazer não é correto, estou burlando a lei. Então voltei e desfiz o negócio, solicitando a nota fiscal e pagando a diferença. O serralheiro ficou espantado e me perguntou porque estava abrindo mão da vantagem financeira. Respondi que era mais importante obedecer a voz da minha consciência, como cristão que estou procurando ser. Naquela noite dormi em paz.”
Muitas pessoas, ouvindo essa história, dirão: mas ele foi otário, gastou um dinheiro que o centro espírita sofreu para arrecadar, quando o serralheiro ofereceu entregar a mercadoria sem a nota fiscal, cobrando um valor menor. E arrematam: se fosse eu não perderia essa vantagem. E assim muitos agem sem medir as consequências, mesmo sabendo que essa ação foi ilícita do ponto de vista legal e moral.
Nosso amigo explicou bem porque recuou e refez o negócio: o verdadeiro espírita, que é também verdadeiro cristão, obedece a voz da consciência, onde está gravada a lei divina, e procura tudo fazer com correção, obedecendo a lei humana, mesmo que esta seja injusta, pois sabe que agindo assim terá moral de trabalhar pela alteração dessa lei, assim como servirá de bom exemplo para os outros.
Quem procura levar vantagem em tudo, pouco se importando com aqueles que são prejudicados, está infringindo, acima de tudo, a lei divina, e pagará caro por isso, pois terá pela frente, mais cedo ou mais tarde, ainda nesta existência, ou depois da morte, e mesmo em próxima encarnação, dores e sofrimentos proporcionais, pois Deus é justo e não pode beneficiar quem pensa somente em si mesmo.
No caso que usamos como exemplo, poder-se-á pensar que ele não estava agindo em causa própria ao burlar a legislação, mas sim por amor ao centro espírita do qual é dirigente. Não importa, a honestidade deve ser exercida sempre, pois o que é certo é certo, e o que é errado é errado, e não há discurso que possa mudar isso.
O mundo está repleto de facilidades ilícitas, e devemos nos precaver quanto a isso, mantendo-nos retos na conduta, pois somente assim a humanidade poderá melhorar.
Que importa que falem mal de nós, que sejamos motivo de piada na boca dos outros? Ter a consciência tranquila é mais importante.
Infelizmente temos visto muitas pessoas que só pensam em levar vantagem, que não estão nem aí para os outros, para a lei ou para Deus. Pobres seres humanos que assim mostram sua inferioridade espiritual, o quanto estão terra a terra, deixando-se levar pelo mal, e mesmo se comprazendo com ele. São loucos, pois a vontade divina pode retirá-los do cenário terrestre quando quiser, e então, sem nada do que é da matéria, que terão de si mesmos para mostrar no outro lado da vida?
Tenhamos no Evangelho, iluminado e redescoberto pelo Espiritismo, nosso guia seguro, podendo então dormir tranquilamente, como o justo que tem a consciência em paz.

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