segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

A educação e sua essência

Para falarmos de educação, em qualquer circunstância, é preciso ter um mínimo de conhecimento sobre a mesma. O mesmo acontece quando nos dispomos a comentar sobre o pensamento deste ou daquele educador. Neste texto vamos fazer esforço de aliar uma coisa com outra, vamos falar ao mesmo tempo da educação e do pensamento de um educador.

Há um livro muito importante, leitura obrigatória para todo educador, de um autor festejado por uns e amaldiçoado por outros, do qual vamos focar na sua essência educativa, e não no seu viés ideológico ou político, que não nos interessa debater. Estamos falando do livro Pedagogia da Autonomia, do célebre, para o bem e para o mal, Paulo Freire.

No capítulo 1, onde ele faz primeiras reflexões sobre a prática educativa, chama-nos a atenção, no item 5, Ensinar exige estética e ética, o seguinte pensamento: “Transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente humano no exercício educativo: o seu caráter formador. Se se respeita a natureza do ser humano, o ensino dos conteúdos não pode dar-se alheio à formação moral do educando. Educar é substantivamente formar.”

O exercício educativo é um exercício humano pois envolve pessoas, seres humanos, motivo pelo qual não pode ser um exercício meramente técnico, mecânico, burocrático, onde ensinar conteúdos toma o lugar de formar consciências. O professor é um ser humano. O aluno é um ser humano. Ambos estão num processo vivo de desenvolvimento, de permuta de conhecimentos e experiências, de pensamentos e sentimentos, de realidades distintas que convivem no mundo social.

Diz nos ainda Paulo Freire da necessidade de respeitarmos a natureza do ser humano no processo educacional. Parece um pensamento óbvio, mas não é. Basta acompanhar o dia a dia de uma escola de ensino fundamental para verificar o quanto muitos professores tratam os alunos como objetos, coisas e assim por diante; o quanto entram em sala de aula dispostos a descarregar conteúdos sem nenhuma preocupação com o ritmo individual dos alunos; o quanto se desesperam diante de perguntas e pensamentos mais críticos; o quanto consideram estar fazendo um trabalho perdido, pois as crianças e adolescentes de hoje para nada prestam.

Claro que nem tudo está perdido, pois temos também muitos professores que procuram dar o seu melhor, que são criativos e dinâmicos, que amam o que fazem, que respeitam os alunos, que transformam as escolas em referências educacionais. Bem que esses professores podiam se multiplicar, para o bem do nosso futuro.

Voltemos ao pensamento de Paulo Freire: “o ensino dos conteúdos não pode dar-se alheio à formação moral do educando.”

Esse pensamento está na contramão dos que acreditam que formação moral é exclusividade dos pais e da família, pois os professores já têm muito com o que se preocupar com a enorme carga de ensino. Ora, é por aplicar essa filosofia, que os professores perdem excelentes oportunidades de auxiliar na formação moral dos alunos, contribuindo assim com os pais no desenvolvimento de cidadãos éticos e solidários.

O ato de ensinar é também ato de fazer pensar. O ato de ensinar é também ato de preparar para a vida. Desse modo o processo central da educação sai do eixo do ensinar para o eixo do aprender, com plena participação do educando, quando então temos o verdadeiro ato educativo.

Se você gosta ou não gosta de Paulo Freire, isso não está em discussão neste texto. Mais importante é refletirmos com maturidade sobre o ensinar, o aprender e a formação moral das novas gerações.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Conversa para pensar

Numa roda de conversa informal, ouvi a Cláudia, que é professora dedicada do ensino fundamental em escola pública, amiga que compartilha alguns dos mês pensares sobre educação, dizer emocionada:

Tenho estado muito preocupada com as crianças lá na escola. Elas estão reproduzindo nos seus discursos e nas suas ações a defesa e a prática do que, na verdade, é a hipocrisia e a corrupção que assistimos nos escalões dos governos.

A Samanta, que é mãe, perguntou:

Você não é professora de matemática?

Ao que a Cláudia confirmou:

Sim, sou professora de matemática no primeiro e no segundo segmento do ensino fundamental.

A essa resposta, finalizou a Samanta:

Então não entendo sua fala, pois sua função na escola não é se preocupar com o que deve ser preocupação dos pais, você está na sala de aula para ensinar matemática, não é assim?

A professora Cláudia, no sem bom senso e sem querer polemizar, contrapôs:

Minha amiga, se como professora, que na minha visão é o mesmo que educadora, eu me preocupar apenas com o que tenho de ensinar dentro dos conteúdos da disciplina curricular, eu não estarei, na verdade, sendo educadora, pois estarei ignorando o que é essencial: os seres humanos em desenvolvimento que estão comigo e que serão os seres humanos mais ou menos conscientes da nossa sociedade, onde vivemos. Devo ser uma colaboradora dos pais na educação das crianças, e se os pais não estão fazendo a contento sua parte, pelo menos eu devo fazer o meu melhor, afinal a escola também é lugar de educar.

A Samanta não continuou o diálogo, e os demais preferiram mudar de assunto. A Cláudia me lançou um olhar significativo, como querendo minha aprovação, e lhe enderecei um sorriso de confirmação, mas sem me aventurar a falar mais alguma coisa, pois o grupo de amigos não queria parar para pensar, para refletir, queria apenas amenidades, jogar conversa fora e deixar tudo como sempre esteve.

Trago então para meus leitores esse acontecido para fazer um convite à reflexão.

A escola é lugar de ensinar ou lugar de educar? Os professores são também educadores ou apenas pessoas que devem ensinar conteúdos curriculares? Escola e família devem se dar as mãos para a melhor educação das novas gerações, ou cada ente tem seu papel específico e deve fazer seu trajeto independente?

Tais são as reflexões a que me levou a professora Cláudia, e que repasso a você, neste salutar convite, creio eu, de pensarmos melhor sobre a educação e sua importância.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Respeito ao Educando - Vídeo

Este é o mais recente vídeo publicado pelo Ibem Educa, onde faço abordagem do tema Respeito ao Educando.



terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Educando para o futuro

Este texto tem duas abordagens: a primeira para os pais, a segunda para os jovens.

Iniciemos então com uma palavra aos pais: todos nós sabemos que as gerações se sucedem, o tempo passa, e a humanidade continua seu progresso. Todos nós sabemos que a existência é limitada, que um dia enfrentaremos a morte, e que filhos e netos formarão a nova sociedade humana. Então, diante dessa verdade, está na hora de nos preocuparmos com a educação que fornecemos àqueles que aqui vão nos substituir e continuar. E essa preocupação torna-se ainda mais grave e profunda quando sabemos que um dia iremos depender daqueles que hoje são crianças, os quais receberam de nós a educação. Como gostaríamos que eles nos cuidassem?

Analisando assunto tão grave e essencial que é a educação, encontramos nela diretrizes seguras, e a primeira diretriz é a da autoeducação, ou seja, que para bem educarmos é preciso primeiro que nos eduquemos. E como educação é conjunto de hábitos adquiridos, devemos iniciar a autoeducação corrigindo vícios e tendências, esforçando-nos para dar bons exemplos, pois de que adianta falar, pedir, orientar, se não fazemos aquilo que falamos?

Muitos de nós damos aos filhos, netos e sobrinhos grandes sermões, e ainda utilizamos de castigos, fazendo-os perder o direito de alguma coisa, entretanto, fazemos, de nossa parte, o contrário do que solicitamos que eles façam. Entendendo: queremos educá-los e que eles sejam educados, mas somos a deseducação em pessoa. Como pedir para falar baixo se conversamos aos gritos? Como castigar pelo uso de um palavrão, quando utilizamos essas palavras cotidianamente? Como pedir sempre a verdade, quando vivemos mentindo, inventando desculpas?

Por tudo isso a educação deve pensar o futuro, trabalhando a moralização e espiritualização do ser, o desenvolvimento de seu senso moral, das suas virtudes, tendo sempre o amor como base de todo o processo. E é por amor a nós mesmos que devemos nos educar. Comecemos agora, sem mais perda de tempo, pois o amanhã só depende de nós, e, com certeza, vamos querer uma sociedade melhor, tendo filhos e netos que vão nos proteger, amparar e cuidar com carinho.

Voltando agora meu olhar para os jovens, recordo um filme que, provavelmente, você que é jovem, não conhece. Refiro-me ao filme Juventude Transviada, de 1955, tendo como protagonista o ator James Dean, que veio a falecer cedo, logo após o lançamento do filme, numa vida de agitação social, alcoolismo e velocidade máxima, fascinado por corridas de automóveis, o que lhe custou a vida aos 24 anos de idade. No filme ele faz o papel de um jovem encrenqueiro vivendo de forma agitada em nova cidade, bem o retrato dele mesmo. Tanto no filme quanto na vida real ele não se dá bem, e é sobre isso que quero conversar com você: será que vale a pena viver como se o dia de amanhã não existisse?

Nos dias atuais muitos jovens se esgotam em baladas intermináveis, deixando-se alcoolizar e consumindo drogas. Disputam o pegar e ficar com outro, sem se darem conta da promiscuidade sexual de que são vítimas, considerando o outro e a si mesmos como objetos, e não como seres humanos. Se revoltam contra a sociedade por meio da violência ou da depressão, considerando-se totalmente independentes, como se não convivessem com os outros, e, em muitos e muitos casos, largando a vida na flor da juventude, esgotados, cansados e equivocados.

Talvez você pense que nada sei, que sou um educador com aquele discurso sobre moral e coisas do tipo, mas não se trata simplesmente disso, e sim de lhe provocar reflexão sobre o significado da vida, afinal não é possível que aqui estejamos só para gozar, gozar e mais nada.

Pense seriamente em ser útil a si mesmo e ao próximo, em ser um transformador, para melhor, da sociedade em que vive.

Encerrando minhas divagações educacionais, peço a pais e jovens que reflitam sobre minhas palavras, mesmo discordando delas, pois nada melhor do que o exercício do pensar olhando a vida que todos temos pela frente.

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

As eleições e a educação

Há pouco menos de um ano para as eleições presidenciais em nosso país, estamos assistindo intensa movimentação dos partidos políticos para indicação de seus candidatos ou a realização de coligações partidárias que viabilizem um único candidato representando vários partidos. Os analistas políticos extravasam suas opiniões em textos, vídeos e comentários nas tevês e rádios. As redes sociais fervilham em prós e contras. Enfim, o jogo teve início e alguns presidenciáveis já são conhecidos.

Passando em revista as falas desses pré candidatos, lembrando que alguns não se lançaram ainda oficialmente, e também levando em conta que muitos temas ou não foram devidamente abordados, ou foram apenas pincelados por eles, o que nos chama a atenção, mais uma vez, pois é cenário de quase todas as eleições, é que o tema educação é bem pouco falado.

Vemos uma grande preocupação com os rumos da economia, a questão da pobreza e da miséria pelo ângulo social, o combate à corrupção e alguns outros temas já trazidos à tona pelos candidatos ou possíveis candidatos, mas é fato que nenhum mostrou até o momento o mínimo conhecimento ou preocupação com a educação, ou seja, novamente estamos assistindo tudo ser prioridade, menos a educação.

E quando alguém fala da educação, a confunde com o que se ensina nas escolas, num debate desgastante sobre os conteúdos e as disciplinas curriculares, quando sabemos que isso faz parte da educação, mas não é a educação.

No jogo de cena político partidário temos uma polarização em três vias: candidatos ultra conservadores à direita, candidatos de centro, a chamada terceira via, e candidatos de esquerda. Todo o debate, por enquanto, está focado nisso. É um debate pobre. Ninguém está falando de projeto de governo. Os holofotes estão alinhados nas pessoas, nos indivíduos e o que eles representam nessas três vias.

É claro que aguardamos o desenrolar dos acontecimentos, a confirmação das candidaturas e das coligações, naquela expectativa que os projetos de governo comecem a ser apresentados para um debate mais profundo com a própria sociedade, e que esse debate não seja camuflado, ou seja, com um discurso verbal que não corresponda às verdadeiras intenções, como já cansamos de assistir.

Ainda há tempo para que os partidos políticos e seus candidatos à Presidência da República entendam a importância da educação, o que ela verdadeiramente é, suas finalidades, e o quanto deve ser prioridade no planejamento e nas ações do governo federal. Educação que não sofra com ingerência ideológica nem de direita, centro ou esquerda, mas educação que liberte as consciências, que dê autonomia com responsabilidade, que permita a preparação para a vida coletiva, que faça as pessoas aprenderem a pensar por si mesmas, que sensibilize os sentimentos, que leve os indivíduos ao viver ético e solidário.

Temos a esperança, teimosamente, que surja uma luz no fim do túnel, e o candidato escolhido pelo voto da população brasileira seja aquele que tenha em seu programa de governo a melhor visão sobre a educação, e que esta não esteja perdida no meio de páginas e mais páginas falando de outros temas.

Quando a educação for prioridade, e não os conchavos políticos que priorizam pequenos grupos de terceiros interesses, nossa nação finalmente se engrandecerá e será respeitada internacionalmente.

Como acabar com a miséria, a inflação, a corrupção, a violência, a injustiça, se não investimos na educação, único caminho que pode acabar com esses males em sua raiz? Se não preparamos as novas gerações na ética e na solidariedade, permitindo que diariamente milhares de indivíduos adentrem à nossa sociedade sendo egoístas e insensíveis aos outros?

Podemos aprender muitas coisas nos bancos escolares e outras instituições sociais, mas se não aprendemos o essencial, que é saber fazer ao outro somente o que gostaríamos que ele nos fizesse, todos esses aprendizados só servem para fazer mal a nós mesmos e à sociedade em que vivemos, como assistimos em nossa história e nos dias de hoje.

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Um grito de alerta

Precisamos olhar com mais atenção e carinho para as crianças, que nem sempre conseguem viver minimamente sua infância, entre brincadeiras, sonhos e úteis aprendizados para a vida, isso porque, segundo o Unicef (Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância), atualmente 160 milhões de crianças trabalham no mundo, por diversos motivos, a maioria no enfrentamento da miséria, auxiliando suas famílias a subsistirem.

Desse assombroso número de crianças trabalhando no lugar de brincar e frequentar a escola, e tendo alimentação muito aquém de suas necessidades de crescimento sadio, muitas vezes enfrentando doenças, outro número se destaca: metade delas, ou seja, 80 milhões de crianças, exercem atividades de grande risco à saúde e ao desenvolvimento.

É simplesmente assombroso, uma afronta indigna aos direitos humanos e, mais especificamente, aos direitos da criança e do adolescente.

Mas ainda é pior.

Uma em cada dez crianças em todo o mundo está submetida ao trabalho infantil, e nos últimos dois anos, acompanhando a crise da pandemia da Covid-19, nove milhões de crianças no mundo passaram a trabalhar para poder sobreviver.

Reflitamos: toda criança tem direito à convivência social e de acessar conhecimentos científicos e humanísticos. Isso está nas leis e acordos internacionais que protegem a infância, mas o desrespeito é tão forte, que a impressão que se tem é que não essas leis acordos não existem, ou simplesmente são ignoradas, sem maiores consequências.

Toda criança tem igualmente direito a conhecer visões de mundo para além daquelas defendidas pelas doutrinas religiosas e políticas de suas famílias, assim tendo formação integral para a cidadania, podendo utilizar sua autonomia para fazer escolhas de acordo com a ética e a solidariedade, paradigmas essenciais para termos uma humanidade melhor, mais justa, com indivíduos que saibam respeitar os direitos dos outros.

O que fazemos hoje com as crianças refletirá na sociedade amanhã. Temos que quebrar o trabalho infantil dando condições dignas para as famílias se sustentarem; proporcionando educação de qualidade nas escolas; realizando melhor distribuição da riqueza, hoje concentrada em poucos; promovendo justiça igual para todos e assim por diante, ou seja, tudo fazendo para uma sociedade mais solidária, cooperativa, justa e digna de ser chamada de civilização humana.

A criança também é um ser humano. A criança também tem sentimento. A criança também pensa. A criança também possui direitos.

A criança não é um adulto em miniatura, como se pensava tempos atrás, o que resultou na exploração da mão de obra infantil nos tempos da revolução industrial, com cenas chocantes de infâncias perdidas.

Criança precisa ser amada e orientada, acolhida e educada. Criança precisa ter espaço para se desenvolver sadiamente. É para tudo isso que existe o período infantil.

Não esperemos que as autoridades públicas se sensibilizem para as 160 milhões de crianças trabalhando no mundo. Façamos a nossa parte através das redes sociais e outros meios de comunicação, esclarecendo e estimulando ações da sociedade civil no sentido de combater esse desvio humano, e apoiando-as decisivamente com nossa contribuição financeira, material e pessoal.

Façamos ecoar este grito de alerta pelo bem da própria humanidade.

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Problemas na educação dos filhos

Muitos pais confundem o amor aos seus filhos com permissividade, liberdade excessiva, chegando mesmo alguns a não permitir que outros familiares chamem a atenção dos seus filhos, afirmando que somente eles podem dizer “não” aos mesmos. Isso é um equívoco de funestas consequências, pois é por amor que os pais devem dar limites, chamando a atenção, promovendo regras e combinados, cobrando as responsabilidades e os deveres. O amor também disciplina. O amor deve educar, e para isso não pode prescindir da energia – não confundindo essa energia com castigos corporais ou com tirania, totalmente antipedagógicos e contrários ao respeito que devemos aos filhos. Agir com energia não é agir com violência.

Igualmente há confusão com a ternura dedicada aos filhos, muitas vezes excessiva, melosa e que os tornam dependentes do pai ou da mãe, ou que os protegem em demasia, acobertando os pequenos desvios de caráter. Ternura e esclarecimento devem estar de mãos unidas, pois é pela educação que os limites devem ficar claros, que os filhos devem entender da necessidade de respeitar o espaço dos outros, e que, quando isso é ultrapassado, deve haver a devida reparação. Ternura em excesso gera verdadeiros tiranos ou, pelo contrário, verdadeiros dependentes. É preciso procurar o equilíbrio nas manifestações de afeto e carinho junto aos filhos.

Criança deve ser sinônimo de alegria, de fantasia, de sonhos, de brincadeiras. Um lar alegre, feliz, e o contato com a natureza, devem propiciar momentos de prazer. Entretanto, o que fazemos? Vivemos a brigar com as crianças, a achá-las inoportunas, que somente nos dão trabalho, que não sabem obedecer e assim por diante. Colocamos no esquecimento o fato de que já fomos crianças, já vivemos o mundo infantil, querendo olhar as crianças tão somente do nosso ponto de vista adulto, dos nossos interesses e comodismos.

Devem os pais revisitar seus valores de vida, pois conforme estes, é como educarão os filhos. Na maioria das vezes o que fazemos é viciá-los através de maus exemplos, de falsos valores.

A ternura é importante, mas seu excesso, ocultando os erros dos filhos, é prejudicial na formação do caráter. Em crescendo, a antiga criança, agora um adulto, tenderá a sofrer, aprendendo com a própria vida, pois antes recebera excesso de mimos e agrados, em nome do amor, não sendo preparado convenientemente para os desafios existenciais, pelo contrário, tendo na dor sua educadora, quando isso poderia ter sido evitado pelos pais, bastando não cometer excesso de zelo e preparando os filhos para a vida.

Cada filho é um universo único, é uma individualidade com a sua história, com as suas tendências, com as suas ideias e com o seu próprio ritmo de aprendizado, motivo pelo qual os pais não podem dar a mesma educação para filhos que são diferentes.

Os problemas que os pais enfrentam na educação dos filhos, muitas vezes decorrem do mal uso da educação, ou mesmo da ignorância sobre a verdadeira finalidade da educação, e desta estar distanciada da formação moral e da espiritualização do ser. Pais e professores ensinam muitas coisas às crianças, mas não trabalham o essencial.

Que os pais melhor se preparem para colocar em prática a educação de seus filhos, visando estabelecer no mundo uma humanidade formada por pessoas éticas, com visão do coletivo, que viverão plenamente a bandeira que caracteriza todo aquele que se põe acima das coisas do mundo: solidariedade.

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Ensino familiar ou escola para todos?

Na discussão entre o ensino domiciliar, ou familiar, e a o ensino na escola, cremos que partidarizar uma ou outra opção não é o melhor caminho, e que essa discussão está contaminada por radicalismos de ambas as partes, dos que defendem a escola, e também dos que defendem o direito dos pais de ensinar no lar.

O que impede a união, a integração entre a escola e a família? Por que os professores não podem se deslocar para o lar de um aluno quer se encontre acamado, impossibilitado de frequentar a escola? Qual é o impedimento dos pais e responsáveis terem participação nas atividades desenvolvidas pela escola?

Se essas coisas não estão acontecendo, a discussão não deveria estar centrada no porquê de não estarem acontecendo? Não deveríamos estar discutindo por que a escola não é para todos, ou de todos, com a participação de todos?

Nessa discussão, entra também a questão da escola ter um endereço, estar fisicamente situada numa rua, que está num bairro, que pertence a uma cidade e, ao mesmo tempo, manter-se distante da realidade comunitária, desconhecendo seu entorno e não permitindo a participação direta dos agentes sociais. Por que isso acontece? O que podemos fazer para mudar isso?

Que os pais e responsáveis têm o direito de fazer escolhas para seus filhos, não se discute, pois naturalmente querem o melhor para eles, mas será que a preocupação não deveria estar em discutir a escola, sua finalidade e seus procedimentos pedagógicos?

A verdade é que adentramos o século 21 com uma escola que está parada no século 19. Fazemos algumas maquiagens, como reforma física e introdução de aparelhos tecnológicos modernos, mas a metodologia de ensino continua a mesma, carregando, ano após ano, os mesmos problemas, que já estão saturados, de tão velhos e conhecidos, necessitados de uma verdadeira transformação.

Um desses velhos problemas, na verdade o problema central da discussão em torno da escola, é a substituição que foi feita da educação pelo ensino. Hoje em dia, e não adianta tentar tapar o sol com a peneira, a escola não é mais um centro de educação, é um centro de ensinagem. Ensina-se matemática, língua portuguesa, história, biologia e outras matérias/disciplinas, de acordo com um currículo previamente formatado, e os alunos tentam aprender.

A preocupação com a correção de maus hábitos, de preparação para a vida, de desenvolvimento de valores humanos, perdeu espaço significativo na escola, que aos poucos foi se fechando para a família e a comunidade, e expulsando a educação formadora, para a consolidação do ensinar e mais ensinar um monte de coisas que nem sempre são úteis, e, pior, desvinculadas da prática: aprende-se, mas ninguém sabe para que serve, está na tal grade curricular da disciplina.

Ensino por ensino, ou melhor dizendo, ensinagem por ensinagem, é fato que os pais e responsáveis, com boa vontade e um mínimo de preparação, podem desenvolver, mas e a interação social e preparação para vida dos filhos, como ficam? E como os pais vão conseguir trabalhar com seus filhos pedagogicamente, se muitos nada entendem de pedagogia?

Como vemos, a discussão vai muito além de ensino escolar versus ensino domiciliar.

Por que um e outro não podem existir e interagir pacificamente, para o bem da formação das novas gerações?

Seja como for, a questão central do debate é a compreensão da educação e do ensino, e não do ensino pelo ensino.

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Nem tudo faz parte do mundo infantojuvenil

Com o crescimento da internet e a evolução cada vez maior das redes sociais, dos games e da transmissão de séries e filmes através de streaming, isso aliado à alta tecnologia presente nos celulares e computadores, permitindo que qualquer pessoa acesse variado conteúdo de forma bastante livre, os pais se viram diante de um dilema educacional: proibir ou orientar sobre determinados conteúdos?

À primeira vista, proibir tem resultado mais imediato, exerce controle aparentemente mais seguro. Entretanto, precisamos convir que tudo o que é proibido fica mais convidativo para conhecer. Afinal, por que é proibido? Por que eu não posso assistir? Por que aquele determinado game pode me fazer mal?

Também parece mais produtivo na educação dos filhos cercear o uso do celular e da internet, duas febres poderosas consumindo crianças e jovens, chegando mesmo alguns pais a simplesmente proibir o uso, ou retirando os mesmos por longos períodos. Contudo, passado o período da restrição, estarão os filhos educados para melhor usar o celular e a internet?

Outros pais liberam a tecnologia e o acesso à internet, mas impõem o que pode e o que não pode, ainda mais diante de games e seriados muito violentos. No entanto, o que impede os filhos de acessarem esses conteúdos fora do lar?

Educar dá trabalho, é verdade, mas somente a educação pode resolver esses dilemas, e em educação entendemos que o melhor caminho é a orientação através do diálogo incessante, do fazer pensar e da ação dos bons exemplos.

Proibir e cercear nem sempre educam, na verdade nunca educam, apenas adiam as questões que precisam ser resolvidas.

Existem conteúdos, como aqueles que abusam da violência e da objetificação da sexualidade, que não fazem parte do mundo infantil e juvenil, mas que aí estão e podem ser acessados. Então compete aos pais e demais responsáveis sentar juntos, conversar e orientar, para que os filhos compreendam e apreendam que seu mundo é o de construção e consolidação do caráter, de se preparar convenientemente para a vida, de dar espaço para o brincar e estudar.

Assim agindo, os pais estarão oportunizando aos filhos o tempo necessário para que eles se fortaleçam moralmente para realizar as melhores escolhas com o tempo, na medida em que crescem, assumem tarefas e responsabilidades, e ganham experiência vivencial, sabendo discernir sobre o que efetivamente é bom para eles e para os outros.

Não se trata nem de proibir, nem de esconder, pois tudo o que é proibido, e tudo o que é encoberto, virá um dia à pauta da vida dos nossos filhos. Trata-se de prepará-los, sem cerceamento da liberdade, para que estejam melhor equipados para então fazer as escolhas que não tragam depois arrependimentos.

É por tudo isso que insistimos que os educadores devem ser orientadores e facilitadores do processo de educação das novas gerações.

Afinal, como lembrava o apóstolo Paulo, tão conhecido de todos nós, tudo me é lícito, mas nem tudo me convém, e para exercer conscientemente o papel decisório das escolhas, é preciso conhecer, mas sem que isso signifique necessariamente ter de mergulhar de cabeça para saber como é.

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Pais devem amar e educar

Vem de longe em nossa história um ditado popular que afirma: “tal pai, tal filho”, ou seja, que os filhos tendem a ter comportamento, gostos, hábitos e valores iguais, ou muito semelhantes, aos pais, pois se espelham neles e deles recebem fortes influências. Isso é verdade, atestando o poder da educação,

infelizmente nem todos os pais atentam para essa forte influência que exercem sobre seus filhos. Vivem diante das crianças como se estas não lhes prestassem atenção, como se suas palavras e atitudes nada tivessem com elas. Vivem no seu mundo adulto, esquecidos que existe um mundo infantil interagindo constantemente com eles.

Outros pais sabem muito bem da influência que exercem sobre os filhos, entretanto, não se preocupam em se autoeducar para dar bons exemplos e bem formar o caráter dos filhos, pelo contrário, se comprazem em distorcer valores, em manter as velhas zonas de conforto, induzindo os filhos a terem que pensar como eles, a agirem como eles.

Os pais devem se conscientizar que o amor liberta, que a educação promove autonomia. Para isso precisam se colocar sempre como aprendizes, tendo mente aberta para adquirir novos conhecimentos, refazer conceitos, reavaliar condutas, permitindo que os filhos realizem suas próprias descobertas, descubram o que querem da vida, tenham experiências enriquecedoras e, o que é muito importante, não sejam cópias frustradas dos pais.

Filhos que não sabem pensar por conta própria são cidadãos inconscientes jogados na realidade social, sem o devido preparo para viver com equilíbrio e fazer sua parte na transformação para melhor da humanidade.

Nunca é demais lembrar que os pais, por toda a vida, precisam desenvolver autoconhecimento e autoeducação. Somente assim compreenderão que o amor também corrige, também exige, também liberta. Somente assim compreenderão que a educação deve respeitar as tendências, ideias e ritmo de aprendizado dos filhos, que são individualidades diferentes, mas, acima de tudo, são seres humanos que pensam e sentem, portanto, precisam ser respeitados.

Compreendendo o amor e a educação, os pais darão bons exemplos, e não apenas sermões, sabendo que o exemplo é a maior força da educação.

Que adianta brigar com os filhos, colocá-los de castigo, fazer ameaças e, em alguns casos, chegar à violência física – a qual somos totalmente contrários –, se essas coisas não são acompanhadas pelos exemplos, pelo carinho e pelo afeto?

Se palavrões, xingamentos, palmadas e outras coisas realmente educassem, já teríamos, e há muito tempo, uma humanidade vivendo em paz, justa e ética, mas sabemos que isso não é realidade.

O núcleo familiar é a grande escola para a vida. Na família devemos ter diálogo, respeito, compreensão, auxílio, amor e… educação!

Aos pais, lembramos o brado de alerta do saudoso educador Içami Tiba: quem ama, educa!

Eduquemo-nos para educar, essa é a senha diante dos filhos e das crianças em geral, único caminho para corrigir os desvios da humanidade e termos nos tempos, tempos de justiça, de respeito aos direitos, de conservação da natureza, de relações pacíficas, em que depositamos nossa esperança nas novas gerações.

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Projeto nacional de educação

Historicamente o Brasil não consegue elaborar um projeto nacional de educação, pois o que assistimos ao longo do tempo, inclusive nos tempos atuais, são projetos de governo, sem continuidade, construindo e desconstruindo a educação, sempre à mercê das vontades políticas, ou melhor seria dizer politiqueiras, dos partidos e seus representantes. Se a sucessão for ganha pela oposição, muda-se tudo, e assim, ao sabor dos ventos, vai indo a educação brasileira.

Temos, é verdade, um Plano Nacional de Educação, com metas a serem atingidas em dez anos, plano esse sempre revisado para novo período, entretanto, e todos sabemos disso, muitas vezes nem metade das metas previstas são atingidas, e fica por isso mesmo, pois um novo plano tem que ser elaborado e novas metas têm que ser escolhidas. Dez anos em cima de dez anos para pouca coisa realmente ser feita.

Com quase dois anos de pandemia, descobre-se agora, com a reabertura das escolas, que boa parte dos governos estaduais e municipais, e inclusive o federal, somente utilizaram algo em torno de 25% das verbas para a educação. Onde foi parar o dinheiro? Por que escolas não foram reformadas e/ou reequipadas? Por que a alimentação não foi distribuída às famílias através de cestas básicas ou cartões para compras no comércio, se a verba existia?

Alguém já me alertou: esses temas são espinhosos, melhor não abordá-los. Mas se vamos fechar os olhos para os desmandos, como iremos corrigi-los?

Como vamos combater o analfabetismo, a evasão escolar, a falta de carreira no magistério, as escolas com péssimas condições físicas, a decoreba e mesmice do ensino, se vamos fingir que essas coisas não existem?

Aqueles que hoje governam, governam porque foram eleitos por nós, para nos representar, então é nosso direito de cidadania cobrar que nos representem direito, com dignidade e ética.

Mas o professor João, de tradicional família de professores, hoje aposentado, vaticina:

Sempre foi assim, desde que me conheço como professor, e já era assim com meus pais, também professores.

Pergunto: por que sempre foi assim, deverá continuar do mesmo jeito? Não podemos fazer diferente e melhor?

Voltando à questão: precisamos de um projeto nacional de educação que o governo federal, seja quem for que esteja no poder, siga com força, com seriedade, se quisermos ter uma nação mais justa, pacífica e estável.

Não é mais possível logo pensar em retirar verba da educação para socorrer programas eleitoreiros em outras áreas. Isso é atitude típica de política rasteira, mesquinha, covarde e que solapa o futuro da nação, pois sem educação de qualidade não é possível sequer sonhar com um amanhã melhor.

Agora, para termos um plano nacional de educação, primeiro precisamos entender o que seja a educação e sua importância. Neste momento, infelizmente, não há boa vontade política para esse debate. E ai de quem pensar diferente dos que estão à frente da governança: corre o risco de ser cancelado, ou pior, de ser execrado e considerado a causa de todo mal, de todos os problemas da nossa educação.

Mas a esperança e a perseverança devem prevalecer, abrindo portas e janelas de um futuro melhor, nos impulsionando a seguir fazendo e falando.

Como dizia o sanitarista Oswaldo Cruz, não esmorecer para não desmerecer.

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

A solução

Onde está a causa de tantos males e sofrimentos da humanidade?

Será que a causa está na falta de ciência? A resposta é negativa, pois os avanços científicos em todas as áreas atestam que não nos falta conhecimento, tecnologia e visão sobre o homem, o mundo e vida.

Será que a causa está na falta de filosofias? Novamente a resposta é negativa, pois não faltam as mais diversas visões filosóficas sobre o ser e o existir, sejam elas materialistas ou espiritualistas.

Será que a causa está na falta de doutrinas religiosas? Olhando a história humana e nossa atualidade, vemos que o que não nos falta é opção de caráter religioso, pois temos religiões as mais diversas para escolher e seguir.

Será que a causa está na falta de códigos morais? Eis o que não carecemos, pois códigos morais para nossa melhor conduta existem desde os tempos mais recuados da humanidade.

Será que a causa está na falta de cultura? Outra vez temos que responder negativamente, pois as manifestações culturais em todas as áreas são exuberantes, atendendo a todos os gostos.

Será que a causa está na falta de soluções econômicas? Se assim fosse, não teríamos recordes sucessivos do produto interno bruto das nações, amplos acordos comerciais, empregos nas mais diversas áreas e assim por diante.

Será que a causa está falta de esportes? Numa época em que estádios e ginásios vivem lotados, em que a prática de atividades físicas é moda, não se pode pensar em escassez de oportunidades esportivas saudáveis.

Será que a causa está na falta de lazer? Diante de festivais de música, feiras literárias, parques de diversões, museus, centros culturais, passeios ecológicos e tanto mais, seria um contrassenso aceitar essa causa.

Então, diante de tudo isso, onde está a causa de tantos males e sofrimentos da humanidade?

Está no desvio que fizemos, historicamente, da educação, colocando sua finalidade em segundo plano, e substituindo-a pela instrução. Hoje não se pensa em formação do caráter, em aquisição de bons hábitos, em desenvolvimento da ética e da solidariedade. Tudo está voltado para adquirir conhecimentos, pouco importando o que o ser humano vai fazer com esses conhecimentos, se vai propiciar a justiça e a paz, ou se vai procurar apenas a satisfação do seu ego, mesmo que isso venha a prejudicar a coletividade humana.

Nesse contexto, família e escola estão perdidas, tanto quanto um cego em meio a um tiroteio, mais valendo uma coleção de certificados do que ser um homem ou mulher de bem.

Repetindo o que já disse o educador Paulo Freire, se a educação não é a solução de tudo, com certeza a solução passa pela educação, pois é com ela que transformamos as pessoas que, por sua vez, transformarão o mundo.

Eis a causa dos males e sofrimentos da humanidade: a falta de educação, aqui compreendida na sua grande finalidade formativa do ser humano. Enquanto teimarmos em deixar a educação de lado, desconstruída, continuaremos a não conseguir resolver o que nos aflige, agravando os problemas que nos causam tanta dor.

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Corrupção e educação

A corrupção, acompanhada da dissolução dos costumes, sempre existiu, é uma marca histórica em todos os tempos da humanidade, e de tal ordem, que derrubou impérios e fez ruir povos e nações que pouco vestígio deixaram.

Após a libertação do jugo egípcio e sob o comando de Moisés. O povo judeu se bandeou para as festas, o culto ao bezerro de ouro e outras práticas que levaram o legislador hebreu a ter que sancionar a lei de talião, do olho por olho e dente por dente, única maneira de exercer controle.

O Império Romano, glorificado e considerado invencível, afundou num mar de lama de defecções morais, favores políticos, libertinagens, desvios de conduta, lutas pelo poder, levando a águia erguida nos estandartes e encerrar melancolicamente seu voo sobre o ocidente e o oriente do mundo então conhecido.

E assim teríamos outros tantos exemplos do poder da corrupção.

Dizem que no Brasil a corrupção é uma instituição, trazida e erguida em nossas terras pelo próprio Pedro Álvares Cabral, nosso descobridor português, e que, assim, não é possível viver sem os escândalos da corrupção. Todo governo precisa ter seu quinhão , a honestidade não parece fazer parte da índole do brasileiro. É o que dizem…

Hora, toda peste, e toda praga, tem seus remédios, seu controle, e não pode ser diferente com a corrupção, que empesteia e enodoa nossa sociedade. Onde, então, está esse remédio? Como ele não foi descoberto até agora?

Na verdade nós temos o remédio há muito tempo, mas não queremos aplicá-lo. São poderosas as forças mantenedoras da corrupção, com seus interesses mesquinhos, egoístas. Forças tão poderosas que diluíram o remédio até torná-lo ineficaz, desviado de sua finalidade.

O remédio é a educação.

Educação no sentido de desenvolver a ética, a solidariedade, o caráter, os valores humanos, a honestidade, os bons hábitos e o pensar nos outros, numa visão espiritualista e futurista da vida.

Educação que também desenvolve a aquisição de conhecimentos, mas para que as pessoas aprendam a colocar esses conhecimentos a bem da coletividade, e não para se servir deles a benefício próprio e em prejuízo dos outros.

Mas qual, hoje entendemos e aplicamos a educação somente do ponto de vista da instrução, da aquisição de saberes, do desenvolvimento cognitivo, deixando-a afastada, na família e na escola, da formação do caráter, da correção das más tendências. Professores só sabem dar aula de suas especialidades. Pais só sabem listar os certificados conquistados pelos filhos.

É assim, desviando a educação do que ela é e de suas finalidades, que a corrupção é mantida.

A corrupção é um mal moral. A educação é um bem moral.

Vamos minimizar e acabar com a corrupção, de todos os tipos e de todos os níveis, quando tivermos a coragem de combatê-la com a educação das novas gerações, porque não serão as leis o antídoto, mas sim a educação moral.

Pessoas moralizadas serão incorruptíveis, eis o que é líquido e certo para deixar a corrupção no passado histórico da humanidade.

Vídeo - O Jovem e a Dinâmica Educacional

O vídeo sobre educação espírita O Jovem e a Dinâmica Educacional aborda a importância da participação do jovem no processo ensino-aprendizag...