segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

A mala da passageira

Estava eu já sentado em minha poltrona no voo que me traria de volta ao Rio de Janeiro, depois de uma jornada de palestras e capacitações pelo interior paulista, quando uma passageira reclamou da comissária de bordo que não havia espaço no bagageiro para colocar sua mala. E exigiu que a funcionária da empresa aérea deslocasse as bagagens, pois ela queria colocar sua mala exatamente no bagageiro acima de onde estava sua poltrona. Educadamente a comissária de bordo explicou que não podia fazer isso, mas que a passageira podia colocar a mala num bagageiro mais à frente, que estava vazio. Diante dessa resposta, a passageira, visivelmente alterada, levantando o tom de voz, reclamou que a mala ficaria longe, o que retardaria sua saída do avião quando chegado ao destino. Mais uma vez assisti a comissária explicar, com toda paciência, que isso não aconteceria, pois agora o desembarque é feito por chamada das fileiras, e que ela poderia, depois da aterrissagem, levantar e já pegar sua mala. Contrafeita, irritada, a passageira deu ordem, isso mesmo, pois ela não solicitou, seu tom de voz foi incisivo, que a comissária levasse e guardasse sua mala no outro bagageiro mais à frente.

Fazendo um parêntesis na história, que é real, verdadeira, presenciada por mim, devemos todos ficar sabendo, se é que já não sabemos, que os comissários de bordo não são obrigados a armazenar a nossa bagagem nos compartimentos superiores, isso é tarefa do passageiro. Os comissários podem orientar e auxiliar, mas não fazer o serviço, a não ser em casos especiais, como para uma pessoa idosa, um cadeirante e assim por diante.

Feito o parêntesis, voltemos à história. Novamente a comissária, com paciência e educação, informou que ela não poderia fazer isso, obedecendo o protocolo da companhia aérea e a regulamentação da aviação civil, e que a passageira deveria armazenar sua mala no bagageiro superior. Felizmente, apesar das muitas palavras mal utilizadas no momento, a passageira guardou sua mala e sentou, não sem antes reclamar de todo mundo e dizer que ela é que estava com a razão, o que provocou a intervenção de outros passageiros, solicitando calma.

Quando o avião decolou, para alívio de todos, a passageira em questão calou e não mais tumultuou o ambiente, nem mesmo no desembarque, embora ainda fizesse algumas queixas, mas em tom mais brando.

Essa história retrata bem o quanto estamos egoístas e individualistas. O quanto desrespeitamos os direitos dos outros. O quanto somos exclusivistas defendendo apenas os próprios interesses, mesmo que eles prejudiquem a maioria. Por que estamos assim?

A resposta está na educação que foi promovida conosco desde a infância, e na educação que estamos promovendo com nossos filhos, netos e alunos.

Uma educação que não humaniza, que não moraliza, que não espiritualiza, que não promove a empatia e a solidariedade, só pode gerar indivíduos egoístas, orgulhosos, em quem a ética do viver com os outros passa longe de suas coordenadas existenciais.

Pais que obedecem as vontades dos filhos e professores que nada querem saber do comportamento dos alunos, contribuem vigorosamente para esse estado de violência da sociedade, pois mantém a educação apenas no nível da formação técnica, profissional, lançando na corrente social indivíduos que não sabem se colocar no lugar do outro, não sabem sentir o outro, não sabem trabalhar pelo bem coletivo.

O problema não está na mala/bagagem da passageira, e sim na “mala” em que a passageira se tornou enquanto pessoa, chegando ao ponto de mal ser suportada pelas outras pessoas.

E, diante disso, dessa história real, ainda dizem muitos que a educação nada tem a ver com isso. Bem, pedindo desculpas aos que assim pensam, temos que a educação não apenas tem tudo a ver com isso, como é também o remédio a esse mal, se for aplicada como deveria ser, na formação integral do ser humano.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Modernidade e educação

Segundo o sociólogo polonês Zigmunt Bauman (1915-2017), a sociedade pós-moderna, ou seja, aquela do após a segunda guerra mundial, herdeira do movimento modernista da primeira metade do século vinte, caracteriza-se por ter uma cultura fluida, em constante movimento, em constante transformação, muito ágil, como um líquido a escorrer. Ele denominou esse fenômeno de “modernidade líquida”.

A comunicação de massa instantânea, a globalização das relações de todos os níveis, entre outros fatores, contribuem vigorosamente para esse caldo cultural que caracteriza a sociedade atual, onde os valores são frequentemente revisitados, modismos são lançados e depois substituídos, e onde a vida humana parece, na verdade, ser muito frágil, vivendo à mercê da explosão cultural do momento.

Tudo isso leva muitas pessoas a um vazio existencial, ou, pelo contrário, a viverem no limite de suas energias, numa superexposição do corpo e da sexualidade, numa visão bastante restrita do existir. Tudo se torna fluido, líquido; vive-se o momento atual, o prazer que se pode obter de imediato, sem que se considerem consequências futuras.

E o que a educação tem a ver com essa modernidade líquida?

A resposta depende do que entendemos ser a educação, hoje muito confundida com a transmissão de conhecimentos, com a formação técnico-profissional. Depende também de como consideramos o papel da família e da escola na educação das novas gerações. E não apenas do papel individual de cada uma, mas igualmente sua interação social como pertencentes ao coletivo humano e que, portanto, não podem ser ilhas isoladas.

E será que uma das causas, senão a mais importante, para termos uma modernidade líquida, não é justamente o descaso em que temos colocado a educação? Através do ensino temos formado sociólogos, economistas, filósofos, antropólogos, psicólogos, historiadores, pesquisadores nas mais diversas áreas da ciência, e tanto mais, entretanto, é fato que essa formação nem sempre é acompanhada pela ética, pela solidariedade e por uma visão mais humanizada da vida.

Olhando para as crianças e jovens atuais, temos que fazer uma pergunta essencial: onde está o aprendizado da regra de ouro da educação, do seu pilar importantíssimo, que é aprender a fazer ao outro somente o que queremos que o outro nos faça?

Aqui entramos na educação como processo não apenas de desenvolvimento intelectual, cognitivo, mas de desenvolvimento das virtudes ou valores; a educação que combate as más tendências de caráter e humaniza o ser humano. Estamos falando da educação trabalhada em bases éticas e de respeito aos direitos de cada um e à autonomia do indivíduo, levando-o a entender que a liberdade é acompanhada da responsabilidade, que o direito é acompanhado do dever. A educação que preserva o indivíduo mas faz com que ele pense no coletivo, afinal ele não vive sozinho, ele é um ser de relação, e o que ele faz na sociedade volta para ele mesmo como consequência.

Se a educação atual está mais preocupada com a língua portuguesa e a matemática, com o diploma a ser apresentado, com a capacidade técnica para trabalhar, não é de se espantar que as gerações estejam se sucedendo e interagindo mantendo a violência e a corrupção como características da sociedade humana.

A educação, mesmo através de uma nova visão sobre a mesma e sobre a vida, pode não ser remédio infalível para todos os desvios humanos, mas temos certeza que as soluções para estabilizarmos essa modernidade fluida, líquida, passam pela educação que estamos promovendo.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Escolarização e imaginação

Você já parou para pensar sobre a educação infantil? O que ela é e qual a sua importância?

São vários os entendimentos sobre a educação infantil, que recebeu atenção escolar com fundamentos mais científicos e metodológicos somente a partir do educador alemão Frobel, o criador do Jardim da Infância, lá na segunda metade do século dezenove e início do século vinte, desde então ganhando cada vez mais um olhar mais pedagógico sobre o desenvolvimento da criança.

Aqui no Brasil o processo foi lento e gradual até incluirmos as creches e jardins de infância no sistema educacional, pois durante muito tempo elas ficaram ligadas à área de assistência social. Essa inclusão pode ser considerada recente, do final do último século, por força da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, mas ainda hoje prevalecem distorções sobre o que é e qual a importância da educação infantil.

Para muitas pessoas, entre elas pais, professores, e mesmo pedagogos, a educação infantil é:

1. Uma etapa menos séria da educação, onde devem prevalecer jogos e brincadeiras.

2 . Uma “escolinha” para cuidar de crianças pequenas.

3. Um ambiente de “cuidar” de crianças em apoio às mães que necessitam trabalhar.

Para outros, a educação infantil é:

1. Fase preparatória em que as crianças devem já se tornar alunos.

2. Escola que deve alfabetizar e desenvolver conteúdos programáticos, inclusive com avaliação por provas e notas.

Diversos estudos mostram que uma sociedade melhor deve ser pensada desde a infância, e que a criança não pode ser tolhida na sua espontaneidade, liberdade, criatividade, mas que necessita, ao mesmo tempo, da orientação e auxílio dos adultos, desde que estes não lhe façam imposições e não prejudiquem seu desenvolvimento natural.

Diante disso, temos que a educação infantil não é uma brincadeira, uma “escolinha”; assim como também não deve reproduzir um sistema pensado para jovens e adultos, e muito questionável do ponto de vista pedagógico.

Diante de tudo isso, vários educadores estão se movimentando em torno do “proteger a imaginação infantil”, pois essa característica da criança não pode ser perdida, sob pena de, com o tempo, termos um caos na sociedade.

Lembremos que nenhum ser humano, e não importa sua idade, é movido por programação de inteligência artificial. Não somos robôs. Somos seres interativos e imaginativos; criativos e sonhadores. O período infantil é pródigo não apenas do lúdico, mas também do imaginativo.

Se a criança fica solta apenas participando de passatempos, jogos e brincadeiras, ou, pelo contrário, tem que seguir um currículo, fazer dever de casa, provas e ganhar notas avaliativas, nos dois casos não estamos “matando” o imaginário infantil, a capacidade de criar, de inventar e de fazer descobertas?

Como será o adulto de amanhã, se hoje está sendo cerceado e forçado a ficar emparedado num sistema que não leva em contra suas potencialidades e possibilidades?

Vivemos um tempo em que é preciso proteger a imaginação da criança, para sermos capazes de interromper o caos social e a possibilidade de um futuro colapso da humanidade, formada por gerações que não sabem mais sonhar, idealizar, pensar e criar espontaneamente.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Nem só de aula vive o aluno

Nem só de aula vive o aluno, assim como não vive apenas de realizar e apresentar dever de casa; nem só de provas, testes e notas vive o aluno, assim como não vive apenas de apostilas e livros didáticos. O aluno, seja ele criança ou jovem é, antes de tudo, um ser pensante e emocional, criativo e espontâneo; é um ser humano em crescimento, em desenvolvimento, que deve ter sua autonomia respeitada.

Nem todo professor pensa assim. Na verdade muitos professores imaginam que o aluno é um robô movido a inteligência artificial, pré programado para receber informações e mais informações, e dar conta se memorizou tudo direitinho. Se o aluno pergunta “porquê”, deve estar com defeito. Aluno bom é o que não atrapalha a burocracia didática e metodológica seguida pelo professor e pela escola.

Existe flagrante contradição entre as pesquisas pedagógicas e psicológicas sobre o desenvolvimento das crianças e dos jovens, e o que se faz na escola, na famosa sala de aula, onde essas pesquisas muitas vezes não são colocadas em prática: continua a vigorar o velho sistema da sala com alunos enfileirados em carteiras, seguindo uma apostila do sistema de ensino ou um livro didático indicado pelo professor, que continua a ensinar, ensinar, ensinar, e os alunos continuam a tentar aprender.

Embora existam exceções, e como é bom que elas existam e mostrem que é possível, com muito bom resultado, fazer diferente, o fato é que boa parte das escolas públicas e particulares continuam estruturadas no velho sistema formatado no século dezenove, tendo à frente professores que pensam como se pensava no século vinte (alguns talvez estejam também no século dezenove).

Para não dizerem que estamos inventando ou exagerando, temos o fato verídico daquele professor que formatou apostilas sobre sua disciplina curricular, uma para cada ano em que lecionava no ensino fundamental, e fazia uso desse material apostilado há exatos vinte anos, sem mudar uma única vírgula.

Ainda temos escolas que exigem dos alunos o uso de uniforme onde consta o apetrecho da gravata; onde as turmas se enfileiram para serem conduzidas como gado para suas respectivas salas de aula, currais onde quem manda é o professor; onde as aulas têm cinquenta minutos de duração, embora ninguém saiba porquê, e assim por diante.

E o que dizer da professora do ensino médio que trabalha em escola pública, e vive mais da venda de bijuterias, perfumes e roupas às suas colegas e às mães dos alunos, do que de exercer sua função?

O desrespeito ao ser humano é muito grande na escola.

Chega-se ao ponto de alguns professores dizerem que “não esquentam mais a cabeça”; “aprende quem quiser aprender”; “o negócio é obedecer o que a secretaria de educação determina e ponto final”; “fazer o quê, se a direção da escola não dá espaço?”. Chuta-se o balde, literalmente, e, ano após ano, tudo continua na mesma.

Voltando ao aluno, reafirmamos: ele é um ser humano (aliás, o professor também é um ser humano). Com essa constatação, podemos afirmar que a escola é um conjunto de pessoas que desenvolvem a educação uns dos outros; se bem que existem pessoas que acreditam que a escola seja o prédio físico, o currículo, a metodologia, a aula…

Repetindo, para melhor fixar nossa visão:

Nem só de aula vive o aluno, assim como não vive apenas de realizar e apresentar dever de casa; nem só de provas, testes e notas vive o aluno, assim como não vive apenas de apostilas e livros didáticos. O aluno, seja ele criança ou jovem é, antes de tudo, um ser pensante e emocional, criativo e espontâneo; é um ser humano em crescimento, em desenvolvimento, que deve ter sua autonomia respeitada.


terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Uma professora e seu aluno difícil

Jovem e idealista, ela estudou, formou-se e fez concurso público para o magistério na rede estadual de ensino. Passou e, apesar de morar na capital do estado, foi indicada para trabalhar numa escola em cidade do interior. Não pensou duas vezes: fez as malas e pôs os pés na estrada, como se diz, viajando para onde deveria realizar seu sonho de ser professora.

Chegou, conheceu a cidade, arrumou onde se hospedar e se apresentou na escola. A diretora e a coordenadora pedagógica, percebendo o entusiasmo da novata e sua quase nenhuma experiência, a encaminharam para uma turma que reunia crianças repetentes e analfabetas, rejeitadas pelas outras professoras. Ela aceitou o desafio.

Início do ano letivo e o desafio de alfabetizar crianças que já deveriam saber ler e escrever, além de saber as operações matemáticas básicas. Nossa professora estudou, planejou, preparou atividades e deu início ao trabalho. Em breve tempo percebeu que um dos alunos era muito passivo, não participativo e bem pouco desenvolvido em habilidades, normalmente ficando a um canto da sala, arredio às atividades propostas.

Esse aluno era o Michael Jackson, nome herdado do famoso cantor norte-americano, do qual o pai era fã. E por falar no pai, tinha ido embora de casa, abandonado a família, e a mãe tinha morrido de desgosto. Como os avós eram idosos, ele vivia entre os tios, que cuidavam dele como podiam: eram todos pobres, sem recursos, e pouco sabiam sobre educar uma criança.

A professora não desistiu. Aproximou-se, deu carinho, e estava sempre incentivando: “venha, Michael, eu lhe ajudo”; “você consegue, Michael”; “tenta, Michael, vamos…”. Mas, qual, ele não reagia. Entrava mudo e saía calado.

Conversando com suas colegas professoras ouvia que não adiantava perder tempo com ele, era caso perdido, não tinha mais jeito. Não se conformando com essa análise, procurou novos métodos, novas atividades e… nada! Michael Jackson simplesmente não se modificava, parecia não ter interesse por coisa alguma.

E assim passou o ano, e passou o segundo ano, e finalizou o terceiro ano. Desesperada, deprimida, a professora chegou à conclusão que ela era um fracasso e que devia mudar de ares, antes de enlouquecer. Pediu transferência e foi trabalhar em escola de outro município. Mas aquele “fracasso” a acompanhou e, tempos depois, abandonou o sonho de fazer carreira no magistério. Voltou para a capital e se acomodou.

Certo dia, voltando para casa depois de fazer compras no supermercado, viu-se frente a um jovem que lhe sorria, a dizer:

“Professora! Que prazer em revê-la.”

Ao que ela respondeu:

“Desculpe, mas não sei quem é você.”

“Bem, eu estou bastante modificado. A senhora me conheceu quando criança, lá na turma de analfabetos da escola.”

“Pode ser, mas quem é você?”

“Sou o Michael Jackson.”

Ele contou que a nova professora não quis saber dele, então, recordando a jovem professora que passara três anos tentando que ele se desenvolvesse, reagiu e, finalmente, conseguiu sair de si mesmo e crescer.

“Muito obrigado, professora, devo à senhora o que hoje sou.”

A ex-professora chegou em casa, enxugou as lágrimas e escreveu:

“Se nós, professoras, acreditássemos mais no que fazemos, teríamos muito mais histórias bonitas para contar, do que queixas para fazer.”

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Preconceito e genocídio

A hipocrisia do ser humano, notadamente em alguns, parece não ter limites. Como exemplo disso temos os que, apesar de todas as provas fotográficas, em vídeo, em relatórios de época e testemunhais, ainda hoje afirmam que a perseguição, prisão, tortura e extermínio dos judeus durante a segunda guerra mundial (1939-1945), não aconteceu, que tudo é fantasia, mentira. Não, não é fantasia, não é mentira, é verdade, é realidade. Sim, o holocausto dos judeus naquela época foi realizado de forma sistematizada pela loucura e fanatismo dos nazistas. Tivemos na história humana uma página de horror sancionada pelo preconceito, por falsas ideais de superioridade racial, manchando a civilização com o maior genocídio já praticado conscientemente.

Infelizmente não aprendemos a lição. Hoje, em pleno século 21 do terceiro milênio da cristandade, assistimos entristecidos e compungidos o preconceito contra os povos indígenas, atingindo de forma genocida os Yanomamis, que tiveram suas terras invadidas ilegalmente, e sob beneplácito do último governo federal, por garimpeiros e milicianos, sendo levados à fome e miséria, com centenas de vítimas, entre elas crianças que não tiveram nenhuma chance de sobreviver, quando a fome e as doenças poderiam ter sido evitadas.

Mas evitar porquê? Segundo algumas pessoas os indígenas só atrapalham o progresso da nação. São indolentes e custam caro para o governo. As reservas indígenas são muito ricas e precisam ser exploradas para o bem econômico do Brasil. Vamos acabar com os povos indígenas, gritam, esquecendo que eles também são seres humanos, que eles também são brasileiros, que eles possuem os mesmos direitos que qualquer outra pessoa, e que menosprezá-los é mostrar preconceito, discriminação, intolerância, racismo.

Vamos repetir aqui no Brasil o que os nazistas e fascistas fizeram na Alemanha e na Europa naqueles tristes dias de guerra? Isso é estúpido e insensato, não tem justificativa.

Assistimos quatro anos de um governo racista, misógeno, hipócrita, que tudo fez contra a ciência, a cultura, a educação, o meio ambiente e as chamadas minorias, com discursos e ações preconceituosas, estabelecendo diretrizes de perseguição e destruição, sem se importar com a vida de quem não pensasse pela mesma cartilha. Tivemos no poder uma extrema direita ultra conservadora e radical, que passou todo o tempo maquiando sua ação nefasta com discursos de defesa da liberdade e democracia, entendidas, claro, à moda deles.

Antes de continuar, esclareço aos críticos de plantão, que outra coisa não fazem a não ser destruir o que não lhes agrada, que não sou de esquerda, que não sou comunista, que não sou petista (também tenho minhas críticas a algumas de suas ideias e ações). Quem me acompanha sabe que sou espírita, que procura pautar minha vida pelos princípios do Espiritismo, uma doutrina cristã que tem por bases a imortalidade da alma, a reencarnação e a lei de evolução. Não sou um revolucionário e procura agir de acordo com a verdade e a minha consciência, pensando no bem para todos.

A questão do ocorrido com os Yanomamis é a constatação de um fato, que nenhuma maquiagem poderá ocultar.

Apesar de ser uma nação predominantemente cristã, o Brasil está longe de ser uma nação sem preconceitos e discriminações. Estamos longe de ter justiça e direitos iguais para todos. Temos racismo, temos perseguição a determinados grupos sociais considerados minoritários e fora dos “padrões” (!?), e nossa educação tem mantido esse quadro, quando deveria combatê-lo.

Que novos dias despontem sobre nossa história. Que ações governamentais e civis de defesa dos direitos humanos possam fazer uma nova história. E que os responsáveis pelo genocídio dos povos indígenas respondam perante a justiça por esse mal hediondo. Ou vamos deixar que a hipocrisia vença mais uma vez a verdade?

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

O professor é um resolvedor de problemas

Acessando o site Só Notícias Boas deparei-me com a reportagem, aliás espalhada pelas mídias de comunicação, sobre a atitude de uma professora, que auxiliou uma aluna durante uma prova na faculdade. Que auxílio foi esse? Vou resumir a história para melhor entendimento de nossa abordagem. O episódio aconteceu na Faculdade de Direito da cidade de Sorocaba, no estado de São Paulo. Uma aluna da professora Íris Lippi ficou sem com quem deixar sua filha, ainda um bebê, mas não podia faltar à aula, pois era dia de uma prova importante. Não teve dúvida: levou a filha no colo, junto com uma bolsa com tudo o que necessitaria para cuidar da menina. E foi assim que adentrou à sala e se posicionou para fazer a prova. Não seria fácil se concentrar, ainda mais se a criança ficasse agitada. Assistindo a cena e recordando quando seus filhos eram pequenos, e reconhecendo o amor e o sacrifício de que somente as mães são capazes, a professora Íris Lippi não pensou duas vezes, dirigindo-se à aluna e tomando o bebê em seu colo para cuidar do mesmo enquanto a mãe fazia a prova. A cena foi fotografada e filmada, sendo publicada nas redes sociais.

O episódio viralizou nas redes sociais e chegou à imprensa. Entrevistada, a professora Íris Lippi fez a seguinte declaração: “Professor é isso, um resolvedor de problemas. É alguém que está ali para passar o conteúdo, para estar disponível para o aluno quando precisa. E a gente, como professor, precisa compreender as dificuldades que os alunos têm.”

Talvez fosse mais fácil dizer à aluna que ela não poderia fazer a prova com seu filho/bebê no colo. Talvez fosse mais cômodo fingir que não estava vendo, deixando a aluna “se virar sozinha”, afinal o problema não era dela, professora. Talvez…

Como nos lembra o educador José Pacheco, a escola são pessoas. A escola não é um prédio frio. A escola são pessoas em movimento, em interação. Pessoas que têm sua própria vida, seus pensamentos, seus sentimentos, suas alegrias e suas tristezas. Será que o objetivo da escola é tão somente realizar a formação técnico-intelectual dos alunos? E os alunos não são pessoas? Será que o professor é apenas um passador de conteúdos curriculares?

Nossa professora tomou uma atitude humana. Ela compreende que muito além de ali estar para ensinar conteúdos da sua disciplina curricular naquele determinado curso, ela ali está como pessoa, como ser humano, e que seus alunos também são pessoas, também são seres humanos. Quem não tem aquele dia em que nada dá certo? Quem não precisa de ajuda dos outros tantas vezes na vida? A Íris Lippi entende isso e se coloca à disposição dos alunos para ajudá-los a resolver seus problemas.

É possível que você que está no magistério e agora lê este texto, discorde. É seu direito. Afinal, como resolver os problemas de 30 a 40 alunos em várias turmas, dia após dia? Ouso lembrar que essa disponibilidade minimiza os problemas, e seu exemplo leva os alunos a compreenderem o bem que faz a cooperação entre eles, humanizando o processo ensino-aprendizagem. Não é todo dia que o professor terá que cuidar do bebê de um(a) aluno(a), não é mesmo?

Estar disponível para o aluno quando ele precisar. Compreender as dificuldades do aluno, tanto quanto o professor gostaria de ter as suas dificuldades compreendidas. Pode parecer estranho, mas a verdade é que nós, seres humanos, precisamos humanizar a escola e a educação.

Somente a humanização pode resolver os problemas que hoje carregamos na educação, visando um futuro melhor para a humanidade.

Vídeo - A evangelização e a comunidade

A evangelização espírita e sua interação com a comunidade no entorno do centro espírita, é o tema do vídeo da série Educação Espírita que co...