segunda-feira, 6 de abril de 2020

Educação para cidadania começa em casa


Qual o papel dos pais na educação dos filhos? – Mais Família e ...
Relendo o livro Quem Ama, Educa!, de Içami Tiba, encontrei este significativo pensamento: “Quando um filho ganha sem esforço um brinquedo, depois outros, e vai recebendo tudo o que quer sem despender um mínimo esforço nem um merecimento, acaba não valorizando o que ganha. Sem custos, os benefícios gratuitos aleijam o desenvolvimento dos filhos. A distorção educativa é que o filho se sente no direito de ter os benefícios e passa a exigi-los sem custo. A verdadeira educação é inspirar os filhos a lutar pelo que querem, fazer-se merecedores das conquistas que são premiadas. Os pais não devem dar tudo seguindo seus próprios desejos ou porque têm condições de dar, mas devem oferecer as coisas de que os filhos realmente precisam. É a partir da demasia que vem a desvalorização e o desperdício material e a falsa autoestima de bem estar.”

Os pais não devem aceitar as birras dos filhos e acharem que se não fizerem suas vontades estarão traumatizando os filhos, se assim agirem na verdade estarão deseducando, deixando que crianças mandem em adultos. Dar limites e exigir responsabilidades é um ato de amor! Não se compensa falta de tempo presencial com presentes e mais presentes, fazendo-se sempre as vontades dos filhos, que se acostumarão a sempre pedir e querer mais, sem nada valorizar, afinal tudo cai em seus colos com facilidade e de graça, sem nenhuma contrapartida.

Muitas mães dizem não poder suportar o choro dos filhos, pois isso é de “cortar o coração”, ainda mais quando acontece em local público, com as outras pessoas olhando e julgando, normalmente a favor do filho, então, para encerrar a cena dramática em que se encontram, aquiescem ao filho: “tudo bem, para de chorar, vou comprar o brinquedo para você”. Esse comportamento somente reforça a chantagem que o filho aprendeu a fazer: é só chorar, fazer escândalo e repetir dezenas de vezes o que se quer e mamãe cede. E hoje em dia isso acontece também com o pai. Não é que os pais não tenham amor aos filhos, é que lhes falta conhecimento sobre educação e, portanto, atitudes firmes que disciplinem e corrijam, isso para o bem estar futuro dos filhos, da família e da sociedade.

Os filhos precisam aprender a desenvolver esforço próprio para realizar conquistas. Somente irão ganhar o “prêmio” se tiverem mérito para isso; se souberem cumprir suas obrigações, sempre de acordo com suas capacidades; se souberem respeitar os limites que os pais devem lhes ensinar; se souberem ter comportamento adequado junto aos outros.

Para essa educação não adianta gritar, xingar, ameaçar, colocar de castigo ou partir para a pancada, tudo isso condenável e antipedagógico. Ameaças e violências podem assustar no primeiro momento, mas logo estarão acomodadas e superadas pela criança, que continuará, às vezes sutilmente, a elaborar estratégias para ganhar o que quer, pois aprende os pontos fracos do pai e da mãe, utilizando-os a seu bel prazer.

Os pais devem mostrar aos filhos que o próximo brinquedo somente poderá ser pego depois que o brinquedo abandonado estiver guardado no seu devido lugar. É assim que educam para a organização e disciplina. É assim que iniciam a promoção de um cidadão ético, responsável. E nada de guardar por eles. São os próprios filhos que devem guardar seus brinquedos, arrumar suas camas, auxiliar a limpar a cozinha depois das refeições, fazer seus deveres de casa trazidos da escola. Os pais devem auxiliar, mas não devem fazer por eles.

Se não agirem desse modo, os filhos vão se tornar adolescentes ou jovens e nada farão em casa, jogando tudo nos ombros dos pais, e assim farão igualmente na coletividade, com nada se responsabilizando e vivendo no imediato para si, sem pensar nos outros, tendendo a considerá-los culpados pelas suas frustrações na vida, quando a frustração é decorrente da má educação que receberam por parte dos pais.

A educação familiar para a cidadania e a ética, dos pais para com os filhos, é essencial, fundamental para termos uma sociedade mais solidária e honesta, agindo para o bem coletivo. Por isso recomendo que aqueles que não leram, e mesmo para os que já leram há muito tempo, devem todos fazer a leitura do excelente livro Quem Ama, Educa, de Içami Tiba, dedicado aos pais, e com o subtítulo “formando cidadãos éticos”.

terça-feira, 31 de março de 2020

Um olhar para o futuro


Mensagens de esperança para WhatsApp. Tudo passa e tudo muda!

Esperança é sentimento que nos permite vislumbrar a possibilidade de realização de um desejo.

Esperança é ter confiança na concretização de algo melhor para nós e para os outros. Esperança é crer que resultados positivos acontecerão com o tempo por força de eventos e circunstâncias a partir de ações concretas pessoais e coletivas. A esperança se alimenta da fé e da perseverança, mesmo que tudo pareça estar ao contrário do que se deseja. A esperança não fica simplesmente esperando, ela realiza, pois quem vislumbra algo melhor deve fazer todos os esforços em tornar realidade o que é ainda apenas um sonho. Há esperança de dias melhores para a humanidade? Existe esperança para o entendimento entre os homens?

Na década de 1960 fomos assaltados por uma revolução cultural sem precedentes e pela invasão da tecnologia, dando vazão à robótica e cibernética, fazendo com que muitos acreditassem ser esse caminho a ruína da humanidade, que seria em breve tempo dominada por robôs, androides e computadores desprovidos de sentimentos, escravizando os seres humanos. Nada disso aconteceu. A inteligência artificial é domínio dos homens e é totalmente dependente da sua programação, feita pelos humanos.

Durante muito tempo tivemos a sombra da “guerra fria” e do extermínio humano através da ameaça atômica pairando sobre as coletividades, mas prevaleceram o bom senso, o diálogo e os acordos de paz, pois nunca perdemos a esperança de dias melhores.

A devastação do planeta com o desequilíbrio do meio ambiente também se tornou uma grave ameaça, trazendo consequências ruins para a vida, entretanto o mesmo ser humano que destrói é o que se conscientiza da importância da preservação e da correção de rumos.

Sim, sempre há esperança.

No dizer de Erch Fromm, em sua obra A Revolução da Esperança, “Ter esperança significa estar pronto a todo momento para aquilo que ainda não nasceu e todavia não se desesperar se não ocorrer nascimento algum durante nossa existência. (…) Ter esperança é um estado de ser. É uma disposição interior. (…) No homem, a esperança está ligada a sentimentos e a um estado de ser consciente”.

Estamos diante de uma humanidade com muitos paradoxos: comunicação global instantânea e ao mesmo tempo milhões de pessoas na miséria; pedidos de paz nas relações humanas e guerras espalhadas por várias nações; ações humanitárias de organizações não governamentais e corrupção envolvendo autoridades públicas. E poderíamos continuar essa lista colocando lado a lado muitas coisas boas com muitas coisas ruins. Isso nos mostra que, realmente, o mundo está precisando de mudança, e mudança para melhor, onde não tenhamos tantas desigualdades, tantas contradições.

A pergunta que se faz é o que eu posso fazer para mudar o mundo, ou seja, o que eu, individualmente, posso fazer, mesmo não tendo em minhas mãos o poder que certas pessoas têm de conseguir mobilizar os meios de comunicação, ou não tendo autoridade política para tomar decisões que impactam boa parcela da humanidade. O que eu, uma pessoa comum, posso fazer? Diante dessa pergunta talvez muitas pessoas pensem que, se podem fazer alguma coisa, essa alguma coisa seria bem pequena e nada impactante para realmente poder mudar o mundo. Será isso uma verdade?

Somos parte de uma coletividade e nossa ação individual é muito importante, pois a soma das ações individuais e dos pensamentos direciona a coletividade à qual pertencemos, a influencia em maior ou menor escala, então não podemos ficar acomodados e omissos, ainda mais diante das tecnologias de comunicação hoje disponíveis, que nos conectam de forma instantânea, como podemos constatar com as redes sociais. Quantas vezes já não assistimos uma ação individual numa rede social viralizar e se tornar um fenômeno mundial? Mas podemos, igualmente, mobilizar a vizinhança para uma ação coletiva na comunidade em que vivemos. Existem mil modos de agirmos para melhora da sociedade e, portanto, da humanidade.

Olhe para o futuro e lembre-se que ele depende da esperança ativa que você aciona nos dias atuais.

terça-feira, 17 de março de 2020

Necessitamos educar os sentimentos

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Ver uma criança rebelde, egoísta, violenta não é agradável; imaginá-la com a mesma personalidade quando adulta também não é nada agradável, ainda mais porque seremos impactados socialmente. Em algum ponto estamos falhando na formação das novas gerações, e não temos nenhum receio em dizer firmemente que estamos falhando no que é mais importante: a educação. Isso porque delegamos a educação à aquisição de conhecimentos, às provas e títulos, à formação técnica profissional. Sabemos que pessoa intelectualizada, com muitos saberes, certificados os mais diversos e sólida carreira profissional não é sinônimo de pessoa honesta, solidária, ética, de bom caráter, humanizada. Mesmo assim, insistimos em abordarmos o assunto apenas pelo viés da instrução cognitiva, retirando a discussão sobre valores humanos, ética e solidariedade da escola, insistindo que isso é um problema da família, é uma questão que pertence à ação dos pais. Insistimos em separar a educação em fragmentos, quando a abordagem deveria ser de totalidade, considerando o ser integral que somos, dotados de inteligência e sentimento.

Como estamos muito preocupados conosco mesmos, vivendo de forma individual e, muitas vezes, egoisticamente, não sabemos dar espaço à solidariedade e à ética, mesmo porque não aprendemos a ser solidários e éticos nem com nossos pais, nem com nossos professores. Também não aprendemos a pensar por conta própria utilizando o bom senso, seguimos o que os outros pensam, é mais cômodo. Por tudo isso vivemos uma sociedade egoísta, violenta, mergulhada em paixões e vícios de toda ordem, lembrando que quando falamos em sociedade, humanidade, estamos falando no conjunto das pessoas, dos seres humanos, dos indivíduos. Quando estes se melhorarem, melhorarão a sociedade.

Qual o instrumento que pode fazer com que o ser humano melhore? Não temos nenhuma dúvida: a educação. Mas, temos que nos posicionar sobre o que entendemos por educação, que não exclui a formação intelectual, a aquisição de conhecimentos, entretanto, vai além, pois deve igualmente propiciar o desenvolvimento afetivo, dos sentimentos, o que temos descurado, colocado em segundo plano, deixando que as crianças e os jovens cresçam sem saber o que é pensar no coletivo, o que é respeitar o direito do outro. Queremos que tenham autonomia e protagonismo, mas não nos importamos se assim serão com ética e responsabilidade. Ora, se não trabalhamos a educação dos sentimentos, nem nos importamos com os valores humanos que nortearão seu viver, como nos queixarmos do egoísmo, dos preconceitos, das violências de toda ordem que nos atormentam incessantemente?

Há décadas assistimos os índices de suicídio crescerem entre crianças e jovens. As drogas tomarem conta do mundo juvenil. A sexualidade precoce com a transmissão de doenças, gravidez e abortos se multiplicando entre adolescentes. A criminalidade infanto-juvenil em escalada vertiginosa. O que temos feito para mudar esse quadro assustador e extremamente preocupante? Nada! Continuamos a dizer que escola é lugar de aprender conhecimentos intelectuais, e família é lugar de aprender boas maneiras. A educação dos sentimentos, que equivale a compreendermos o processo de desenvolvimento das qualidades morais ou virtudes, ou seja, desenvolver a ética, a solidariedade, a bondade, o respeito, o amor ao próximo, passa longe tanto da escola quanto da família.

Existe uma regra fundamental que deve nortear todos os esforços em educação: fazer com que as novas gerações, crianças e jovens, aprendam a fazer ao outro somente o que desejam que o outro lhes faça. Esse aprendizado somente pode acontecer quando os educadores - pais e professores - se conscientizarem que, igualmente, devem aplicar a regra fundamental a si mesmos. Não se ensina por palavras, mas por exemplos.

A necessidade da educação dos sentimentos é urgente. Infelizmente só nos damos conta disso quando o mal nos atinge. Então reclamamos das autoridades públicas e varremos tudo para debaixo do tapete, porque, lá no fundo da consciência, sabemos que a culpa também é nossa, mas fazer o exercício do autoconhecimento e da autoeducação dá trabalho, sendo mais cômodo transferir responsabilidades e continuar na zona de conforto, mesmo que a dor e o sofrimento continuem a nos castigar. Até quando vamos continuar assim?

segunda-feira, 2 de março de 2020

Algumas reflexões sobre a evasão escolar

As escolas particulares têm sofrido de algum tempo o fenômeno da evasão escolar, ou seja, da perda de alunos e diminuição de novas matrículas, apontando como principal causa a crise econômica brasileira com a consequente queda de rendimentos das famílias. Não temos dúvida do impacto que a crise econômica tem causado nas famílias, muitas delas obrigadas a migrarem seus filhos da escola particular para a escola pública, esta totalmente gratuita. Agora, será que a crise econômica é a única vilã? Temos que ter em vista que nenhum processo, seja ele qual for, possui apenas uma causa determinante, pois normalmente um conjunto de fatores desencadeia as consequências que são anotadas.

Ampliando nossa visão para além do horizonte econômico, temos visto muitas escolas particulares sendo compradas por empresas de sistemas de ensino, perdendo assim sua autonomia pedagógica e trabalhando de acordo com um projeto pré-formatado, apostilado e voltado quase exclusivamente para preparar o aluno para as provas e concursos. Esses sistemas de ensino se jactam de ter o melhor padrão e os melhores resultados, tudo envolto em estatísticas e publicidade espalhafatosa para mostrar que quem estuda em suas escolas consegue passar nos vestibulares do ensino superior, nas provas dos institutos federais e nos concursos públicos. Precisam os pais tomar cuidado, pois há muita propaganda enganosa, além de serem sistemas de ensino que priorizam apenas o acúmulo de conhecimentos. Hoje em dia isso não está mais satisfazendo completamente as famílias.

Outra questão relevante é a existência de dezenas de escolas inovadoras espalhadas pelo país, com ensino humanizado, metodologias criativas e participativas, fazendo a diferença na educação. E não são apenas escolas particulares, mas muitas escolas públicas. Muitos pais estão procurando matricular seus filhos nessas escolas, interessados na formação não apenas intelectual de seus filhos, mas igualmente emocional e social.

Embora a escola pública nem sempre seja vista como ideal, ela tem um peso muito grande no sistema educacional brasileiro, e não podemos colocar todas as escolas públicas no mesmo patamar, na mesma situação, pois há as que tem excelência pedagógica e são muito bem vistas pelos pais. Esse é outro fator que pode responder, pelo menos em parte, pela evasão de alunos da escola particular.

esses e outros fatores devem ser elencados e analisados com calma, mas uma conclusão é certa: a escola precisa mudar, precisa se reinventar, precisa se transformar para fazer face às novas demandas sociais, tecnológicas e pedagógicas. Não pode mais ficar assentada sobre bases filosóficas e metodológicas que remontam há mais de um século, com carteiras enfileiradas, currículo fechado, professores catedráticos e tudo o mais que qualquer pessoa sabe descrever muito bem, pois há décadas (ou mais tempo) é do mesmo jeito.

Quando a escola deixa de estar ligada à atualidade, perde a visão de futuro, fica parada no tempo e no espaço, não se integra com a família e a comunidade, os resultados não podem ser muito diferentes do que estamos vendo em nossos dias.

Será a morte da escola particular? Não acreditamos nisso, mas se não tomarmos como bom exemplo a escola inovadora, é possível que com o tempo possamos começar a ouvir uma marcha fúnebre. Ainda dá tempo de renovar e fazer a diferença.


domingo, 16 de fevereiro de 2020

Espaço de aprendizagem coletiva

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Para que serve uma sala de aula? Por que o professor deve ser aquele que ensina? Qual é o papel dos alunos na escola? Você, que é um profissional da educação, que exerce o magistério, já se fez essas perguntas? Será que a dinâmica da sala de aula pode ser diferente daquelas cadeiras enfileiradas? A sua postura enquanto professor pode ser diversa daquela de "eu ensino, os outros aprendem"? E em fazendo diferente, será que dá certo?

Perguntas ... perguntas ...

As perguntas são importantes pois fazem parte do processo educacional. Quem não pergunta não descobre, não se motiva, não se esclarece. E não é somente o aluno que deve perguntar, o professor também. Por que não conhecer novas metodologias? Por que não estar aberto a novos fazeres? Por que não desconstruir ideias e valores para reconstruir e alcançar novos paradigmas? Por que não fazer da sala de aula um espaço de aprendizagem coletiva interativo, participativo, acolhedor e dinâmico? Por que não trabalhar com grupos de estudo e pesquisa? Por que não implementar o desenvolvimento de projetos? Por que não utilizar os espaços escolares como espaços de aprendizagens?

Mais perguntas ... mas elas são importantes. São importantes para sairmos de um fazer atrelado ao século 19, quando a escola foi formatada num modelo que até hoje repetimos. Modelo esse adequado àquela época, com o que se sabia da educação e do desenvolvimento humano, mas que reclama, em pleno século 21, uma nova visão e uma nova postura. E por falar em postura, a mentalidade de boa parte dos professores também está deslocada no tempo e no espaço, pois muitos ainda se movimentam como se estivessem no século 20, sem entender que na verdade o professor nada ensina, nada transmite, mas pode e deve dar aquilo que ele é, num processo mais humano de educação.

Voltando à sala de aula, imagine um ambiente alegre, acolhedor, com os alunos formando grupos de trabalho, desenvolvendo suas pesquisas, tirando suas dúvidas, auxiliando-se mutuamente, com liberdade de ir e vir em obediência a combinados acertados previamente e em comum acordo, com o professor exercendo a orientação e facilitação dos estudos. De sala de aula, como tradicionalmente a entendemos, temos um espaço de aprendizagem coletiva.

Você sabia que essa metodologia foi amplamente discutida, elaborada pedagogicamente e implementada com grande sucesso nas escolas durante o final do século 19 e a primeira metade do século 20? Foi o Movimento das Escolas Novas, reunindo nomes que ficaram na história da educação e da pedagogia como Freinet, Claparéde, Montessori, Dewey, Ferriére, entre outros, e aqui no Brasil com destaque para Anísio Teixeira e Lourenço Filho.

As duas grandes guerras mundiais atrapalharam o movimento de renovação educacional e escolar, mas desde a década de 1970 ele ressurgiu com o movimento das Escolas Inovadoras, destacando-se o processo de transformação da Escola da Ponte, em Portugal, e que neste início de século 21 está se ampliando mundialmente, inclusive em terras brasileiras, abrangendo tanto escolas públicas quanto particulares, trazendo uma nova visão sobre o ser humano, uma nova filosofia educacional e novas metodologias.

Que tal fazer da sala de aula um espaço dinâmico e interativo de aprendizagem coletiva? Quem não tenta, quem não acredita, quem não confia em si mesmo e nos alunos, com certeza terá bastante dificuldade e provavelmente não colherá os bons resultados esperados. Mas quem não tenta, nada consegue, e nunca saberá se é possível dar certo.

Para construir novos paradigmas é preciso desconstruir velhos paradigmas. Pense nisso!

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Qualidade e remuneração


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Quando o professor ganha salário pequeno e em sua escola ele não é valorizado pela sua formação, é quase certo que a qualidade da educação ficará comprometida. Isso vale tanto para a rede particular quanto para a rede pública de ensino. Arrastando problemas financeiros, sem conseguir receita compatível com as despesas na sustentação do lar e da família, como cobrar do professor dedicação, comprometimento? E quando as condições físicas e pedagógicas ofertadas pela escola em que trabalha são inadequadas? Somente o amor à profissão pode fazer com que esse professor não desista do magistério.

Sabemos que, embora tenhamos a existência do piso nacional para o professor, muitas secretarias municipais de educação não cumprem o estabelecido em lei, e mesmo muitas escolas particulares igualmente não obedecem aos valores mínimos estipulados em lei ou pelos sindicatos. Todos alegam receita insuficiente, falta de verba, mas esse é um quadro que tem de ser melhorado com urgência. O professor é profissional importantíssimo para a sociedade humana, as crianças e os jovens passam por ele em sua formação intelectual e emocional.

Além de salário decente, o professor também deve ser valorizado pela sua formação. Quantos se esforçam por estudar, realizar graduações no ensino superior, fazer especialidades e, em troca, nada ganham a não ser o salário que é dado a todo e qualquer professor, por existir uma padronização remuneratória. Será isso justo?

Por tudo isso é que muitos têm saudade do início da segunda metade do século 20, ou seja, das décadas de 1950 a 1960, quando o professor era bem remunerado e, ainda mais, era valorizado pela profissão, era respeitado. Hoje, num reverso desse quadro, os jovens nem querem saber em pensar em ser professor. Magistério é a última coisa que querem como profissão, tal a desvalorização do que outrora dava status social. Também, as notícias somente falam em salários baixos, escolas onde quase tudo falta, violência dos alunos, desrespeito por parte dos pais. Quem quer enfrentar?

Pensando em tudo isso, uma amiga que sonhava em criar uma escola disse a si mesma: “somente vou criar a escola quando tiver condições financeiras de pagar muito bem aos professores, para que estes se dediquem em tempo integral à mesma”. E assim ela fez e a parabenizamos por isso. E assim devem pensar secretários de educação, prefeitos e gestores particulares, pois não é lícito exigir sacrifícios de quem mal consegue se sustentar com o que ganha e ainda ter de conviver com falta de recursos e condições físicas decentes na escola.

O professor, como agente social fundamental na formação das novas gerações e, portanto, na constituição futura da própria sociedade, é profissional que deve ter todo apoio para dedicar-se integralmente a um único projeto pedagógico, e não como hoje acontece, quando ele tem que trabalhar em duas ou três escolas, acumulando empregos, alunos e trabalho para ter dignidade em seu viver, isso quando não tem que atuar em outra área profissional para complementação de sua renda.


Sabemos que a qualidade da educação não é diretamente proporcional à qualidade da remuneração salarial, que o amor pode suplantar as adversidades, mas também sabemos que quem é valorizado, recebe boas condições de trabalho e consegue viver com dignidade, dará muito melhores frutos, ou em outras palavras, terá um rendimento profissional muito maior.

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Reforço escolar e outras coisas: aberrações pedagógicas na escola

Imagine a cena: professora conversando com a mãe de um aluno, recomendando que a mesma encaminhe o filho para o reforço/apoio escolar oferecido pela escola no contra turno. Escola com serviço de reforço escolar? Não é um contrassenso? Na verdade é atestado de falência do nosso sistema de ensino. Segundo pesquisa do Ibope Inteligência/Ação Educativa, 29% dos brasileiros são considerados analfabetos funcionais. Desse total 8% são analfabetos absolutos, ou seja, não conseguem ler palavras e frases. No total são 38 milhões de brasileiros entre analfabetos funcionais e analfabetos absolutos. Segundo a pesquisa, entre aqueles que terminaram o ensino médio, 13% são analfabetos funcionais, são jovens que não sabem ler e interpretar textos e que não conseguem dominar as operações matemáticas básicas, mas que ficaram pelo menos 12 anos na escola, considerando-se os 9 anos do ensino fundamental mais os três anos do ensino médio. E a escola fez o quê?

Precisamos urgentemente realizar um processo de ruptura com o atual sistema de ensino, que prova sua falência com esse índice astronômico de analfabetismo funcional, e com a prática do reforço ou apoio escolar. Precisamos romper com a sala de aula, com as carteiras enfileiradas, com o professor dando aula, com as metodologias burocratizadas e não participativas. O centro do processo educacional, do processo de aprendizagem, precisa ser o aluno, com uma escola feita por pessoas com pessoas, envolvendo a família e a comunidade.

Impressiona como os responsáveis pela educação em nosso país, mesmo diante de fatos, estatísticas e índices muito ruins, continuam a insistir em manter o mesmo modelo, as mesmas práticas, as mesmas metodologias, ano após ano repetindo o fracasso escolar, lançando na sociedade milhares de crianças e jovens despreparados, sem conhecimentos mínimos, sem desenvolvimento de suas habilidades cognitivas e, ainda mais preocupante, sem trabalhar o desenvolvimento emocional das novas gerações.

A escola atual não valoriza a família, não se aproxima dela e nem permite que os pais e responsáveis interajam com ela. E o mesmo faz com a comunidade em seu entorno. Como isso pode dar certo? Uma escola isolada da realidade social e cultural dos seus alunos, onde os professores trabalham sobrecarregados, e que agora entende que precisa de sistemas de segurança pública para bem funcionar, é o caos total. Assistimos, com espanto, um diretor de escola pública defender que seja aprovada lei estadual determinando que todas as escolas passem a ter detectores de metal e outros meios para salvaguardar a vida de alunos e professores. É uma escola ou uma penitenciária?

Lamentamos profundamente tudo isso, constatando o quanto a escola brasileira, com suas honrosas exceções, está afastada da verdadeira educação. E perguntamos: não está na hora de fazer das exceções - que dão certo - a regra geral?

Vídeo - A evangelização e a comunidade

A evangelização espírita e sua interação com a comunidade no entorno do centro espírita, é o tema do vídeo da série Educação Espírita que co...