segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Desrespeito à Educação

O programa Fantástico de 17 de fevereiro, na Rede Globo de Televisão, apresentou reportagem sobre o transporte escolar em várias cidades brasileiras, quando tivemos oportunidade de verificar o descaso das autoridades públicas com as crianças e a educação. Em muitas cidades o transporte acontece somente a partir de um determinado ponto, obrigando as crianças moradoras da periferia e da zona rural a longas caminhadas, iniciadas muitas vezes na madrugada, para chegar ao local onde o transporte as conduzirá até a escola.

E o chamado transporte escolar não passa de um caminhão ou caminhonete sem nenhuma segurança, até mesmo com bancos soltos, transportando o máximo possível de crianças. E quando é um ônibus está, literalmente, caindo aos pedaços, sem manutenção, velho e pronto para um desmonte.

É assim que cuidamos das nossas crianças e da educação escolar?

Pelo que a reportagem mostrou entendemos porque o projeto de lei para instituir a Lei de Responsabilidade Educacional não vai para frente no Congresso Nacional. Não há apoio dos senhores Prefeitos, que seriam prejudicados diretamente, pois a maioria teria de, finalmente investir as verbas na educação, mas isso não é prioridade.

Outra reportagem televisiva, veiculada semanas atrás, mostrou um município que recebeu, em média, nos últimos três anos, R$10 milhões de reais anuais do governo federal como repasse para a educação, ou seja, nos últimos três anos a Prefeitura recebeu o total de R$30 milhões de reais. Mesmo assim, as escolas estão abandonadas, muitas não passam de uma tapera com uma única sala de aula para várias turmas de alunos. O Prefeito explicou que pegou a educação do município em péssimas condições e não pode ainda fazer tudo o que gostaria. Bem, se com todo esse dinheiro não foi possível reformar e construir escolas...

É muito triste assistir esse desrespeito à educação em nosso país e verificar que nada acontece com prefeitos e secretários de educação, que sempre se eximem de qualquer responsabilidade.

Se continuarmos assim, nenhuma meta para educação de qualidade ou educação para todos será atingida, pelo menos não na prática, porque estatísticamente até poderemos apresentar índices melhores, mas nem sempre compatíveis com o que fazemos na realidade do dia-a-dia de nossa educação.

Até quando assistiremos essas reportagens? Até quando ficaremos inertes diante dessas denúncias? Até quando as autoridades públicas ficarão impunes?

Mais do que pensar nisso, façamos alguma coisa! Apoiemos, com todas as forças, a aprovação e aplicação da Lei de Responsabilidade Educacional.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Poucos e muito

Leio sobre o lucro anual dos principais bancos em atuação no Brasil, todos mostrando cifras bilionárias, fazendo a fortuna pessoal de alguns poucos, e cobrando taxas e juros extorsivos da maioria da população. Por falar no povo, assisto matéria jornalística na tevê sobre os entrepostos alimentícios e o desperdício de alimentos. Nas principais cidades brasileiras diariamente toneladas de verduras, legumes e frutas são jogados fora por terem algum amassado ou mancha, e milhares de pessoas tornaram-se catadoras de lixo para sobreviver.

Poucos têm muito. Muitos têm pouco.

Não é um quadro novo, ou seja, não é um fenômeno social dos tempos atuais de neo-liberalismo econômico e político. Desde que a história do homem é registrada encontramos essa grande defasagem social. É que o homem, até agora, não aprendeu o valor da solidariedade, não conseguiu desprender-se do que pensa que é seu, exclusivamente seu. E se tem, quer mais, não se importando com os outros. Ressalvando as exceções, que felizmente existem e em maior número do que supomos, podemos dizer que o homem ainda é extremamente individualista e egoísta.

A mudança desse quadro só se fará se dermos à educação o devido valor. Se respeitarmos o direito de cada indivíduo de receber bons exemplos e reforço ao desenvolvimento do senso moral, o que não se faz com escolas atreladas ao ensino para vestibular, nem com famílias apegas a deveres de casa, notas e diplomas.

Educação vai muito além de ensino, pois ela é a via pela qual se faz o homem. A educação é formadora, enquanto a instrução é informadora.

Quantos homens e mulheres terão ainda de esmolar um prato de comida na catação diária do lixo, para que aprendamos a distribuir do que nos sobra? Será que os bilhões acumulados de lucro das grandes empresas, de todos os ramos, não podem gerar mais emprego, mais renda, mais vida digna?

Pensemos nisso!

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Dinheiro traz Felicidade?

Por que celebridades conquistam fama e dinheiro, mas fracassam na vida pessoal?

Todos os anos assistimos gente famosa envolvida em escândalos, principalmente os que estão no show busines: atores e atrizes, cantores e cantoras, entre outros. Mas também estão envolvidos em escândalos astros do esporte e outros personagens que, em carreira meteórica, normalmente iniciada na juventude, tornam-se ricos e famosos.

Muitos sucumbem às drogas, ao alcoolismo, ao sexo sem controle. Outros esbanjam dinheiro em festas e aberrações as mais diversas. A maioria vai parar no divã de um psiquiatra ou numa clínica de recuperação, isso quando não sucumbem pela porta do suicídio, direto ou indireto.

Há quem culpe, pelos escândalos, a falta de privacidade para viver, com os paparazzi na cola; a mídia que vive inventando histórias; as facilidades que o dinheiro proporciona. Ou será que a questão é estar ou não preparado, emocionalmente, para enfrentar as mudanças na vida e as pressões decorrentes do sucesso?

Como fica o antigo ditado que o dinheiro traz felicidade?

Entendamos que dinheiro é apenas um instrumento criado pelo homem para facilitar as transações de cunho comercial. É neutro, não faz o bem ou o mal, não gera felicidade ou infelicidade, isso depende do próprio homem, da importância que dá ao dinheiro e do uso e do destino que faz dele.

O capitalismo e o neo liberalismo entronizaram o dinheiro como símbolo da felicidade, mas isso não é verdadeiro. A felicidade é um estado de espírito que independe de ter ou não dinheiro. Onde você coloca seus valores de vida aí está sua felicidade. Quem prioriza bens de consumo e gozos físicos como valores de vida, deve saber que dinheiro nenhum poderá trazer felicidade diante de desgastes físicos e psicológicos, diante de escândalos e brigas na justiça.

Que adianta ter todo o dinheiro do mundo, ter fama, ter sucesso e ser infeliz?

Precisamos revisar nossos valores de vida e relativizar a importância do dinheiro. Os pais devem trabalhar isso com seus filhos, assim, quando eles chegarem à juventude e estiverem expostos ao público pela mídia, saberão, bem melhor do que hoje, lidar com o sucesso.

Pensemos nisso!

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Excessos

Antes dos dias de carnaval iniciarem, as reportagens televisivas entrevistam as pessoas que se preparam para a festa perguntando o que vão fazer, e são dadas respostas como "namorar muito", "dançar até se acabar", "tomar todas", "soltar a alegria" e por aí vai. E por pensarem desse jeito vários excessos são cometidos: alcoolismo. drogadição, sexo livre e assim por diante. Poucos cogitam brincar moderadamente, procurando o prazer do espírito. E outros poucos, bem poucos, pensam nas consequências dos excessos carnavalescos.

Como exemplo, tomemos o "namorar muito". Adirmam muitas pessoas que providenciam o fim do namoro, e até do noivado, antecipadamente, para poder "beijar", "namorar", "ficar", "transar", "paquerar" à vontade. E o governo, preocupado com as doenças sexualmente transmissíveis, entre elas a AIDS, lança campanha publicitária para lembrar aos foliões que eles devem usar a camisinha, ou seja, devem fazer sexo seguro, e providencia a distribuição de milhões de camisinhas.

Parece estar tudo resolvido, mas é um engano pensar assim. Se essa campanha publicitária com a distribuição de preservativos, pode controlar consequências graves no campo da saúde pública, não mexe uma vírgula da questão fundamental: o ser humano é um objeto descartável, para uso do prazer sexual? Sexo é coisa banal, para fazer, gozar e partir para outra? Somos gente, dotados de razão e sentimentos, ou animais movidos pelo desejo sem controle?

Dirão que entramos no campo moral, e isso pertence às áreas da filosofia e da religião, quando a questão é de saúde pública. Sem dúvida estamos discutindo uma questão moral, mas essa questão não pertence exclusivamente a esta ou aquela área do conhecimento humano, é a questão crucial da vida humana, é saber onde o homem coloca seus valores e até que ponto valoriza a si mesmo e ao outro. Existe alguma diferença entre fazer sexo, muito sexo, com vários parceiros, esgotando as forças físicas, sem querer saber das consequências, utilizando ou não a camisinha? A preservação ante possíveis doenças não muda o comportamento das pessoas: os outros continuam a ser objetos descartáveis de prazer.

É preciso lembrar que as delícias do corpo são passageiras, e que os excessos trazem riscos graves para a saúde orgânica e emocional. Será que para brincar, divertir-se, é necessário agir como um animal sem controle?

Pensemos nisso!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Era Uma Vez Uma Floresta

Se a ganância destruidora-comercial continuar, num tempo não muito avançado contaremos às nossas crianças, começando com o famoso "era uma vez", a história da floresta amazônica, que elas conhecerão apenas em imagens de fotos e vídeos. Isso talvez não aconteça, e espero que realmente não aconteça, mas é certo que o futuro reserva para a humanidade uma floresta amazônica bem menor do que hoje conhecemos.

Desde a década de 1970, quando a mídia tornou-se mais poderosa através da televisão, ouço falar do desmatamento e vejo, ali, naquela telinha, as imagens da devastação. São mais de quarenta anos sempre ouvindo e vendo a mesma coisa. Os governos se sucedem e nada é feito de mais concreto. O Ibama continua desaparelhado, com número insuficiente de fiscais; a polícia federal também não possui ação eficiente na área amazônica; as forças militares assistem sem serem acionadas.

Mas agora o governo federal ficou alarmado e resolveu decretar medidas emergenciais de controle. No discurso e no papel, tudo bem, tudo bonito, entretanto, quem vai fiscalizar? quem vai aplicar as multas? quem vai cadastrar as fazendas? quem vai colocar na cadeia os contraventores? Queremos respostas práticas, concretas, seguidas de efetiva ação fiscalizadora, policial e punitiva.

As autoridades vivem dizendo, como desculpa ao descaso, que o acesso às regiões detectadas pelos satélites é difícil, contudo, os contraventores chegam lá, transportam maquinário, instalam trabalhadores, e não consta que tenham dificuldades para isso. Desmatam, transportam a madeira, comercializam, introduzem gado ou cultura agrícola, tudo isso sem problema maior, pois sabem que receberão uma multa que jamais pagarão, pois vão recorrer na justiça, e que, mesmo tendo tudo embargado, faltará fiscalização e, assim, darão continuidade ao projeto. E para não serem efetivamente prejudicados, aliciam, numa vasta rede corruptora, aqueles que deveriam zelar pelo patrimônio público e a aplicação das leis.

Até quando assistiremos esses acontecimentos?

Não venha o governo federal, e os governos estaduais e municipais envolvidos diretamente, responderem com discursos e leis no papel. Resposta verdadeira, e única que pode ser aceita, é a da ação efetiva de combate acompanhada da atitude de educar as novas gerações para o cumprimento dos deveres de cidadania, entre eles o desenvolvimento sustentável.

É o que esperamos para hoje, porque amanhã já será tarde.

Quero, e quem não quer, contar para as crianças outra história: era uma vez, num tempo distante, um governo omisso... e no final, feliz, a floresta estará salva.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Insensibilidade

Sempre que imagens feitas de um helicóptero passeiam sobre metrópoles, e na tela da tevê vejo extensas aglomerações urbanas feitas de tijolo aparente ou madeira, característica das chamadas comunidades, novo nome das favelas, ocupando principalmente morros, sinto que me invade uma profunda angústia, e me pergunto: como deixamos isso acontecer? Como podemos viver sabendo que ao lado está crescendo a favelização da cidade em que vivemos?

Sentados, indiferentes, em mesas de bares e restaurantes, muitos argumentam: é o descaso das autoridades públicas! Dançando, alegres e soltos, em danceterias e casas de shows, outros replicam: nem todos têm as mesmas oportunidades sociais! Navegando, confortáveis, em banda larga, há os que perguntam: e quem mandou virem todos para a grande cidade? E, assim, tudo continua como antes, ou melhor, a favelização continua crescendo, e milhares, milhões de pessoas subvivem.

É que deixamos que uma terrível epidemia tomasse conta. O pavoroso vírus da insensibilidade dominou nossa área sentimento. Ele faz com que olhemos só para nós, para o que nos interessa, para o que vai nos trazer vantagem, para o que nos favorece. Se a favelização não nos atinge diretamente, nem corremos risco imediato ou médio de empobrecer, para que se preocupar com isso? É o que o vírus da insensibilidade nos faz pensar, tendo como consequência a inércia nas ações que visem a melhora social e o socorro ao sofrimento alheio.

É como aquela cena da novela: a empregada doméstica relaciona que o povo precisa de comida, salário decente, emprego, escola, roupa, saneamento básico, transporte, hospital, casa própria e tantas outras coisas. A primeira dama então exlama: "Mas essa probaiada não tem nada?". Pois é, pobre não tem nada, ou quase nada, pelo fato mesmo de ser pobre. Como o pobre, e ainda mais, o miserável, haveria de ter alguma coisa? Mas a primeira dama está com o vírus da insensibilidade inoculado em seu coração, com o bloqueio dos sentimentos. Ela se horroriza e muda logo de assunto. É o que também fazemos.

Não dá para assistir a favelização urbana e ficar indiferente, insensível. Falo por mim, não posso falar por você ou por qualquer outra pessoa, mas posso falar e escrever na tentativa de sensibilizar e incomodar.

E convidar para uma mudança de valores. E para uma mudança de atitude.

Pensar sobre o assunto, é o primeiro passo. Fazer alguma coisa, é o segundo passo. Que tal auxiliar voluntáriamente algum projeto social de uma organização não governamental?

Quem mora na favela, a atual comunidade, não é só bandido ou preguiçoso para o trabalho. E todos, todos mesmo, são gente, como eu, como você.

Pense nisso!

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Causa e Solução

Pesquisa realizada pela UNESCO, que é o órgão das Nações Unidas para a educação, sobre o ensino médio (antigo segundo grau) brasileiro revelou aspectos alarmantes e que merecem nossa reflexão. Vejamos o resumo dos resultados dessa pesquisa:

"A pesquisa da Unesco, "Ensino Médio: Múltiplas Vozes", realizada em 13 capitais, entrevistando 7 mil professores e mais de 50 mil alunos da rede pública e privada, revelou o alto grau de insatisfação dos estudantes com o que aprendem nas escolas. Não é surpresa, portanto, que 43% dos 8,7 milhões de alunos matriculados nesse nível de ensino já tenham "repetido de ano" - como se diz. Curiosamente, professores e alunos concordaram sobre quais são os três principais problemas do ensino médio: desinteresse do aluno, indisciplina e falta de espaço - social, cultural e esportivo na escola."

Temos então os seguintes itens destacados:

  • Alto grau de insatisfação por parte dos alunos.

  • Índice de repetência (43%) muito alto.

  • Desinteresse dos alunos pelo ensino e pela escola.

  • Problemas de indisciplina.

  • Falta de espaço social, cultural e esportivo na escola.

Lembramos que o ensino médio brasileiro trabalha com alunos na faixa etária de 15 a 18 anos de idade, portanto estamos nos referindo a adolescentes e jovens que já possuem bagagem cultural, já tem certo nível de consciência social, jovens que estão apontando o dedo para a escola, dizendo que a mesma não os satisfaz, não preenche seus anseios, o que quer dizer, em outras palavras, que a filosofia da educação e seus projetos pedagógicos não estão atingindo essa juventude. Por quê? A resposta está no enfoque central, básico, dessa filosofia: o materialismo com a conseqüente falta de visão integral do ser, das virtudes, etc.

A causa e a solução
As causas da situação estão claras: falta de profundidade sobre o ser e a vida, falta de crença na eficiência da educação moral, falta de sentimento para equilibrar o desenvolvimento da inteligência. A escola é reflexo desses posicionamentos equivocados que não levam em conta a espiritualidade do homem, o finalismo superior da existência. Enquanto insistirem os responsáveis pela educação brasileira em ignorar a realidade e necessidade da formação do caráter com a aplicação da educação moral, a escola continuará sendo alvo de inúmeros questionamentos e o ensino se caracterizará por não conseguir preencher as necessidades do aluno.

Precisamos de sentimento e de uma nova filosofia de educação para renovar a escola a partir da mudança dos projetos pedagógicos, projetos esses que devem levar em consideração os valores da vida e não somente os valores intelectuais, culturais e profissionais. Que adianta ter um diploma que habilita o exercício de uma profissão se nesse exercício não utilizamos a ética?

Educar a alma, bela expressão ainda a ser devidamente compreendida. E não se pode educar a alma sem amor no coração e sem trabalhar o bem, a verdade, a justiça, a ética, a cidadania. Não se pode educar a alma sem o comprometimento com a educação moral e com uma escola dinâmica, participativa, alegre e que vise formar antes de instruir.

Pensemos nisso!

Vídeo - A evangelização e a comunidade

A evangelização espírita e sua interação com a comunidade no entorno do centro espírita, é o tema do vídeo da série Educação Espírita que co...